quarta-feira, 1 de abril de 2009

Técnica permite descoberta de planetas em dados do Hubble

Nova estratégia foi demonstrada identificando um exoplaneta não detectado em imagens de 1998 do telescópio

Exoplaneta que orbita a estrela HR 8799, a 130 anos-luz da Terra (concepção artística)



(Estadão) Uma poderosa técnica de processamento de imagens, aperfeiçoada recentemente, pode permitir que astrônomos descubram planetas extrassolares que possivelmente estão ocultos em mais de uma década de informações coletadas pelo Telescópio Hubble.

David Lafreniere da Universidade de Toronto, Canadá, demonstrou com sucesso sua nova estratégia para buscar planetas identificando um exoplaneta presente, mas não detectado, nas imagens tiradas em 1998 pelo Hubble com sua Near Infrared Camera and Multi-Object Spectrometer (NICMOS).

O planeta, que se estima ter sete vezes a massa de Jupiter, foi originalmente descoberto em imagens feitas com os telescópios Keck e Gemini North em 2007 e 2008. Ele é o mais distante dos três planetas conhecidos que orbitam a estrela HR 8799, a 130 anos-luz da Terra. A NICMOS não pôde ver os outros dois planetas devido a interferências na imagem.

As imagens do Hubble foram tiradas 10 anos antes da descoberta pelo Keck/Gemini, e não somente fornecem importante confirmação da existência do planeta, como a demonstração de que o planeta orbita a estrela.

A imagem da NICMOS forneceu importantes informações sobre as características físicas do planeta, também. Isso foi possível porque NICMOS trabalha com ondas infravermelhas que são bloqueadas pela atmosfera da Terra devido à absorção pelo vapor de água. "O planeta parece ser parcialmente coberto por nuvens, e pudemos detectar absorção de radiação pelo vapor de água em sua atmosfera", disse Travis Barman do Lowell Observatory. "Medir as propriedades de absorção da água nós dirá muito sobre as temperaturas e pressões nas atmosferas dos planetas ao redor da HR 8799", afirmou.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Existe na Via-Láctea algum planeta semelhante à Terra?

Existe na Via Láctea algum planeta igual à nossa Terra? A pergunta é realmente difícil de ser respondida e apesar dos astrônomos já terem descobertos centenas de planetas extrasolares a dúvida principal é se existem outros planetas habitáveis, com atmosfera semelhante à nossa.

Concepção artística mostra o Telescópio Espacial James Webb, com seu espelho de
6.5 metros de diâmetro, 2.5 vezes maior que o Hubble.

(Apolo11) Para tentar responder a essa e outras perguntas, cientistas das maiores universidades e centros de pesquisa de todo mundo estão de dedos cruzados à espera do lançamento do telescópio espacial James Webb, previsto para ir ao espaço em 2013. Devido ao seu grande espelho e localização privilegiada no espaço, o James Webb Space Telescope, JWST, oferecerá aos astrônomos uma real oportunidade de encontrar as respostas para questões que há séculos desafiam os cientistas.

Atualmente, diversas pesquisas estão sendo desenvolvidas com o objetivo de determinar a habilidade do JWST em determinar a composição da atmosfera de hipotéticos planetas similares à Terra durante um trânsito planetário, quando parte da luz da estrela principal é filtrada ao passar pela atmosfera do planeta.

Segundo Wesley Traub, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e Lisa Kaltenegger, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, o JTWC poderá detectar certos gases biomarcadores, como ozônio e metano, apenas para planetas similares à Terra não muito distantes.

"Precisaremos ter muita sorte para decifrar a atmosfera dos planetas semelhantes à Terra durante o período de trânsito antes que possamos afirmar que ele é realmente similar à Terra, disse Kaltenegger. "Vamos precisar coletar dados de muitos trânsitos, talvez centenas, mesmo para estrelas tão próximas como 20 anos-luz. Sabemos que é difícil, mas caracterizar a atmosfera de planetas tão longínquos será um desafio bastante estimulante.", completou a pesquisadora.

Trânsito

Durante o trânsito o planeta extrasolar cruza a frente do disco estelar. Enquanto transita, os gases de sua atmosfera absorvem uma minúscula parte da luz da estrela, produzindo assinaturas específicas relacionadas a cada gás componente. Decompondo a luz captada em suas cores primárias, os cientistas podem identificar essas assinaturas. Essa técnica é chamada de espectroscopia e de acordo com os estudos de Kaltenegger e Traub, publicados na última semana pelo "The Astrophysical Journal", essas marcas poderão ser detectadas pelo JWST.

Diagrama esquemático mostra a técnica do trânsito planetário,
largamente empregada na descoberta de planetas extrasolares (ESA/NASA)

A técnica do trânsito é de fato um desafio. Se a Terra fosse do tamanho de uma bola de basquete sua atmosfera seria tão fina como uma folha de papel, tornando o sinal resultante da absorção da luz na atmosfera incrivelmente fraco. Para dificultar ainda mais, o método só funciona quando o planeta passa à frente da estrela, tornando o estudo possível somente durante poucas horas.

Alfa-Centauro

Inicialmente, Kaltenegger e Traub consideram apenas a detecção de planetas semelhantes à Terra que orbitem estrelas iguais ao nosso Sol. Para obter um sinal detectável proveniente de um único trânsito, a estrela e seu planeta deverão estar muito próximos da Terra e a única estrela semelhante próxima o suficiente é Alfa Centauro-A. No entanto, nenhum objeto extrasolar do tamanho da Terra foi detectado em sua órbita, mas só recentemente a tecnologia tornou capaz a detecção de objetos desse tamanho.

O estudo também considera os planetas orbitando estrelas anãs vermelhas. Essas estrelas, chamada de Tipo M, são extremamente abundantes na Via-Láctea, até mais comum que as amarelas do Tipo-G, iguais ao Sol. Elas também são menores e mais frias, o que segundo os pesquisadores pode tornar mais fácil as observações.


Um planeta semelhante à Terra que orbitasse uma estrela igual ao Sol produziria um trânsito de dez horas a cada ano. Para acumular 100 horas de observações seriam necessários 10 anos. No entanto, um objeto similar à Terra orbitando uma anã vermelha de tamanho médio produziria um trânsito de uma hora a cada 10 dias, o que permitiria acumular 100 horas de trânsito em menos de três anos. Além disso, segundo Kaltenegger, as anãs vermelhas próximas oferecem melhores possibilidades de detecção de biomarcadores.


Na melhor das hipóteses, Alfa Centauro-A poderia abrigar um planeta semelhante à Terra que ainda não foi detectado. Assim, os astrônomos precisariam de poucos trânsitos para decifrar a atmosfera do objeto e possivelmente confirmar a existência do primeiro planeta irmão gêmeo da Terra.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cientistas questionam existência do mais jovem planeta já descoberto


Cientistas e investigadores espanhóis suspeitam que o HL Tau b não seja planeta


(Efe / Folha) Uma equipe internacional de cientistas, com participação de investigadores espanhóis, questionou a existência do planeta mais jovem já descoberto, o HL Tau b.

"Nossos novos dados sugerem que o HL Tau b existe, mas não é composto pelo mesmo material frio que forma os planetas, e sim por um material muito mais quente, parecido com o que se encontra na formação de estrelas", dizem os investigadores.

Imagina-se que o HL Tau b tenha menos de 100 mil anos, o que o define como um jovem se comparado ao Sol, que tem 4,5 bilhões de anos.

As conclusões deste trabalho foram publicadas no ''The Astrophysical Journal Letters', como informou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nasa lançará sonda para procurar planetas habitáveis


Kepler deve deixar Cabo Canaveral, na Flórida, nesta sexta-feira.


(BBC / G1) A Nasa, agência espacial americana, deve lançar ao espaço nesta sexta-feira a sonda Kepler, que vai procurar planetas fora do Sistema Solar que sejam semelhantes à Terra e possam sustentar a vida.

O lançamento do foguete Delta 2, que transporta a sonda, está previsto para às 22h48, de Cabo Canaveral, na Flórida (hora local, 0h48 de sábado em Brasília).

Em uma missão que deverá durar três anos e meio, a Kepler vai medir continuamente a variações na luminosidade de mais de 100 mil estrelas, para detectar quando surge uma "sombra" por vezes quase imperceptível, que pode indicar a passagem de um planeta em órbita.

Os astrônomos chamam esta passagem de "trânsito", e ela ajuda a determinar o tamanho e a órbita de eventuais planetas em volta dessas estrelas.

Desde a década de 80, já foram descobertos cerca de 300 planetas que orbitam outras estrelas, mas os cientistas acreditam que a maioria é muito maior do que a Terra e que nenhum é habitável.

Isso porque os chamados "Júpiteres quentes" estariam próximos demais de seus sóis.

A distância de um planeta de sua estrela é importante porque ela pode fazer com que ele seja quente ou frio demais, impossibilitando a existência de água - elemento fundamental à vida.

"A descoberta de que a maioria das estrelas tem 'Terras' implica que as condições que sustentam o desenvolvimento da vida podem ser comuns por toda a galáxia", disse William Borucki, cientista-chefe da missão Kepler, no Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, na Califórnia. "A descoberta de poucas ou nenhuma 'Terra' indica que nós podemos estar sozinhos (na galáxia)."
A missão de Kepler deve ser concentrada nas áreas das constelações de Cisne e Lira, onde há uma alta concentração de estrelas.

A Nasa ressalta que a missão não é específica para buscar vida já existente nos planetas encontrados, mas seu potencial para vida. Para isso, será necessário esperar por futuras missões que possam analisar com mais cuidado as atmosferas de mundos distantes.

O projeto da sonda Kepler está orçado em US$ 600 milhões. O nome da sonda foi uma homenagem ao astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), que estudou o movimento dos planetas.