quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cientistas anunciam o mais leve planeta extrasolar já descoberto

Ilustração mostra a zona habitável, distância à estrela principal onde o aquecimento da superfície permite que a água se mantenha em estado líquido.

(Apolo11) Uma equipe de pesquisadores europeus anunciou na última terça-feira (21 de abril) uma importante descoberta ligada ao estudo dos planetas extrasolares, confirmando a existência de um novo objeto orbitando ao redor da estrela Gliese 581. O novo planeta recebeu a denominação "Gliese 581 e" e é um pouco menor que o dobro da Terra.

Além da descoberta do novo astro, os cientistas também recalcularam a posição de outro objeto do sistema - Gliese 581 d - descoberto em 2007. Os números mostram que o planeta situa-se dentro da "zona habitável", o que permite que a temperatura da superfície mantenha a água em estado líquido.

As descobertas foram feitas por uma equipe internacional de pesquisadores franceses, suíços e portugueses, liderados pelo astrofísico Michael Mayor, do Observatório de Genebra, na Suíça, que utilizaram os dados do Observatório Europeu do Hemisfério Sul, ESO, localizado em La Silla, no Chile.

Gliese 581 e

O novo planeta Gliese 581 e orbita uma estrela do tipo anã vermelha distante 20.5 anos-luz da Terra, na constelação de Libra. Segundo Xavier Bonfils, colega de Mayor e co-autor do trabalho, Gliese 581 e tem 1.9 vezes o tamanho da Terra e é o mais leve dos exoplanetas já descobertos. De acordo com o cientista tudo leva a crer que seja do tipo rochoso, mas seu período de translação de apenas 3.15 dias mostra que sua distância até a estrela é muito pequena, excluindo o planeta da zona habitável.

"O objetivo máximo das pesquisas atuais com os planetas extrasolares é a detecção de um objeto rochoso, semelhante à Terra, dentro da zona habitável", disse Mayor. "Estamos a caminho. É maravilhoso saber que o primeiro objeto descoberto fora do Sistema Solar, ao redor de da estrela 51 Pégaso, aconteceu há apenas 14 anos. A massa de Gliese 581 e é 80 vezes menor, o que mostra que estamos conseguindo ver objetos cada vez menores. É um avanço e tanto", explicou o pesquisador.

Gliese 581 d

Além de Gliese 581 e, orbitam a estrela o objeto "Gliese 581 b", um gigante gasoso similar a Netuno, dezesseis vezes maior que a Terra, o objeto "Gliese 581 c", cinco vezes maior que nosso planeta, e o objeto "Gliese 581 d", com sete diâmetros terrestres. Gliese 581 d é o planeta mais distante da estrela e completa uma órbita em 66.8 dias.

Os cientistas acreditam que pelo fato de Gliese 581 d ser muito denso, não pode ser constituído apenas de rocha. No entender de Stephane Udry, também co-autor do trabalho, provavelmente Gliese 581 d seja um planeta muito frio, que migrou para perto da estrela. "Novas observações mostram que este planeta está na zona habitável e pode até mesmo estar imerso em um grande e profundo oceano. É nosso primeiro candidato a um "mundo de água", completou Udry

terça-feira, 21 de abril de 2009

Planeta descoberto é o "mais similar à Terra", diz astrônomo

(Efe / Terra) O menor planeta conhecido até o momento, batizado como Gliese 581e e cuja descoberta foi anunciada hoje, é o "mais similar à Terra até hoje", afirmou Gaspare lo Curto, astrônomo do Observatório Europeu Austral (ESO, em inglês) no Chile.

O novo planeta orbita ao redor da diminuta estrela Gliese 581, na constelação de Libra, localizada a 20,5 anos luz da Terra e em cuja órbita já foram descobertos outros três planetas.

A superfície de Gliese 581e é rochosa e não tem atmosfera porque fica muito próxima a sua estrela e as temperaturas são muito elevadas, explicaram hoje em entrevista coletiva os cientistas do ESO em sua sede em Santiago.

"(Hoje) é um dia muito importante. Há 14 anos, quando foi anunciada a descoberta do primeiro planeta extra-solar, alguns ainda duvidavam da existência de planetas fora de nosso sistema", assegurou Lo Curto.

Segundo o cientista, desde a observação desse primeiro planeta extra-solar, mais 340 foram descobertos, e a lista aumenta a cada semana.

Além disso, Lo Curto afirmou que a maioria dos planetas que orbitam ao redor de uma estrela fora do sistema solar são sistemas múltiplos, em que coexistem entre três e quatro planetas.
O descobrimento do menor planeta conhecido até agora foi possível graças ao instrumento de precisão chamado HARPS, localizado no observatório de La Silla, situado no norte do Chile.

"Nos próximos 15 anos, vamos observar atmosferas de outros planetas e, portanto, poderemos encontrar evidências de vida", sustentou Massimo Tarengui, representante da ESO no Chile.

No entanto, o astrônomo pediu tempo e paciência, porque "o trabalho astronômico é muito lento e necessita muitos anos para dar resultados", como foi o caso da descoberta de Gliese 581e, confirmada após quatro anos de observação ininterrupta.

Descoberto planeta com tamanho próximo ao da Terra

Mesmo sistema pode conter planeta gigante coberto por oceano, diz um dos autores da descoberta

Ilustração do sistema de Gliese 581, com o novo planeta em primeiro plano

(Estadão) O astrônomo Michael Mayor anunciou nesta terça-feira, 21, a descoberta do mais leve planeta já encontrado fora do Sistema Solar. O planeta foi catalogado como o astro "e" do sistema Gliese 581 e tem pouco menos de o dobro da massa da Terra. A mesma equipe refinou op cálculo da órbita do planeta Gliese 581 d, descoberto em 2007, determinando que ela fica dentro da chamada zona habitável do sistema, onde pode existir água no estado líquido.
As descobertas foram feitas com o uso do telescópio do Observatório Europeu baseado em La Silla, no Chile.

"O santo Graal da pesquisa atual de planetas fora do Sistema Solar é a detecção de um planeta rochoso, semelhante à Terra, na zona habitável", disse Mayor, em nota sobre a descoberta.

O planeta Gliese 581 e gira em torno de sua estrela - localizada a 20,5 anos-luz, na constelação de Libra - em 3,15 dias. "Com apenas 1,9 massa terrestre. é o menos massivo dos exoplanetas já detectados e é, muito provavelmente, rochoso", disse um dos coautores da descoberta, Xavier Bonfils. O mundo recém-descoberto fica muito perto da estrela, e por isso está fora da zona habitável.

Observações anteriores já haviam revelado que a estrela Gliese 581 possui três outros planetas. Os demais mundos são Gliese 581 b, com 16 massas terrestres; Gliese 581 c (cinco massas terrestres); e Gliese 581 d (sete massas terrestres).

O planeta mais distante da estrela, Gliese 581 d, completa uma órbita em 66,8 dias. "Gliese 581 d é provavelmente pesado demais para ser feito só de rocha, mas podemos especular que este é um planeta gelado que migrou para Amis perto da estrela", disse outro membro da equipe que estuda o sistema, Stephane Udry. Novas observações revelaram que este planeta está, inegavelmente, na zona habitável. O 'd' pode até mesmo estar coberto por um grande oceano profundo. É o primeiro sério candidato a um 'mundo de água'", disse.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Descoberto sinal de planetas em órbita de estrelas mortas

De 1% a 3% das estrelas anãs brancas T~em sinais de rocha em órbita, de acordo com análise de astrônomos
Ilustração de asteroide em deintegração, sob os raios de uma estrela anã branca

(Estadão) Usando detectores de radiação infravermelha do Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa, uma equipe de cientistas dos EUA e do Reino Unido vasculharam o espaço ao redor de estrelas conhecidas como anãs brancas - o remanescente da morte de um astro como o Sol - e determinaram que de 1% a 3% delas, pelo menos, estão cercadas por rochas e poeira. Entre os pesquisadores envolvidos estão Jay Farihi, da Universidade de Leicester, e Michael Jura e Ben Zuckerman, ambos da Universidade da Califórnia, Los Angeles.

"O brilho infravermelho da poeira ao redor dessas anãs brancas é um sinal de que houve, ou há, planetas rochosos nesses sistemas", diz Farihi. A equipe acredita que a poeira foi produzida quando asteroides - os tijolos da construção de planetas - ao redor da estrela foram puxados e empurrados pela gravidade estelar. A poeira então formou o disco de material rochosos que o Spitzer detectou.

Em um estudo anterior realizado pela mesma equipe uma amostra de oito anãs brancas revelou ter vestígios de asteroides pulverizados. No novo trabalho, Farihi e seu grupo analisaram sistematicamente anãs brancas ricas em metais e descobriram limites estatísticos para a possível existência de planetas rochosos.

"Agora sabemos de 14 anãs brancas cercadas por vestígios de poeira. Isso sugere que de 1% a 3% das estrelas tipo A e F da sequência principal - que são um pouco maiores e mais quentes que o Sol - têm planetas rochosos como a Terra", disse ele.

Anãs brancas são os restos de estrelas de massa relativamente baixa, que já encerraram seu estágio de gigantes vermelhas, algo pelo que o Sol passará dentro de bilhões de anos. Uma anã branca pode ter o tamanho da Terra, mas conter a mesma massa que o Sol. A estrela é tão densa que uma colher de chá de seu material pesaria várias toneladas.

As descobertas da equipe de Farihi foram apresentadas nesta segunda-feira, 20, em conferência da Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, na Universidade de Hertfordshire.

sábado, 18 de abril de 2009

Satélite caçador de planetas terrestres envia primeiras imagens

O Kepler, da Nasa, começa a fotografar trechos do céu onde há chance de existirem planetas como a Terra

(Associated Press / Estadão) O novo telescópio espacial lançado pela Nasa para procurar planetas enviou para a Terra as primeiras imagens de estrelas distantes onde cientistas têm a esperança de encontrar mundos semelhantes à Terra.

Detalhe de parte do céu avistado pelo telescópio, que busca mundo rochosos. Imagem: Nasa


Nesta quinta-feira, 16, a Nasa divulgou várias fotos feitas pelo satélite Kepler no início do mês, incluindo a visão de uma parte distante de nossa galáxia, contendo cerca de 14 milhões de estrelas. Cientistas dizem que mais de 100 mil delas são candidatas em potencial para abrigar planetas rochosos.

Parte do campo amplo avistado pelo satélite, divididido em setores. Imagem: Nasa

Lançado em março, o Kepler passará os próximos anos estudando essas estrelas em busca de novos mundos. A busca terá início depois que os pesquisadores terminarem de ajustar os instrumentos científicos, nas próximas semanas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Técnica permite descoberta de planetas em dados do Hubble

Nova estratégia foi demonstrada identificando um exoplaneta não detectado em imagens de 1998 do telescópio

Exoplaneta que orbita a estrela HR 8799, a 130 anos-luz da Terra (concepção artística)



(Estadão) Uma poderosa técnica de processamento de imagens, aperfeiçoada recentemente, pode permitir que astrônomos descubram planetas extrassolares que possivelmente estão ocultos em mais de uma década de informações coletadas pelo Telescópio Hubble.

David Lafreniere da Universidade de Toronto, Canadá, demonstrou com sucesso sua nova estratégia para buscar planetas identificando um exoplaneta presente, mas não detectado, nas imagens tiradas em 1998 pelo Hubble com sua Near Infrared Camera and Multi-Object Spectrometer (NICMOS).

O planeta, que se estima ter sete vezes a massa de Jupiter, foi originalmente descoberto em imagens feitas com os telescópios Keck e Gemini North em 2007 e 2008. Ele é o mais distante dos três planetas conhecidos que orbitam a estrela HR 8799, a 130 anos-luz da Terra. A NICMOS não pôde ver os outros dois planetas devido a interferências na imagem.

As imagens do Hubble foram tiradas 10 anos antes da descoberta pelo Keck/Gemini, e não somente fornecem importante confirmação da existência do planeta, como a demonstração de que o planeta orbita a estrela.

A imagem da NICMOS forneceu importantes informações sobre as características físicas do planeta, também. Isso foi possível porque NICMOS trabalha com ondas infravermelhas que são bloqueadas pela atmosfera da Terra devido à absorção pelo vapor de água. "O planeta parece ser parcialmente coberto por nuvens, e pudemos detectar absorção de radiação pelo vapor de água em sua atmosfera", disse Travis Barman do Lowell Observatory. "Medir as propriedades de absorção da água nós dirá muito sobre as temperaturas e pressões nas atmosferas dos planetas ao redor da HR 8799", afirmou.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Existe na Via-Láctea algum planeta semelhante à Terra?

Existe na Via Láctea algum planeta igual à nossa Terra? A pergunta é realmente difícil de ser respondida e apesar dos astrônomos já terem descobertos centenas de planetas extrasolares a dúvida principal é se existem outros planetas habitáveis, com atmosfera semelhante à nossa.

Concepção artística mostra o Telescópio Espacial James Webb, com seu espelho de
6.5 metros de diâmetro, 2.5 vezes maior que o Hubble.

(Apolo11) Para tentar responder a essa e outras perguntas, cientistas das maiores universidades e centros de pesquisa de todo mundo estão de dedos cruzados à espera do lançamento do telescópio espacial James Webb, previsto para ir ao espaço em 2013. Devido ao seu grande espelho e localização privilegiada no espaço, o James Webb Space Telescope, JWST, oferecerá aos astrônomos uma real oportunidade de encontrar as respostas para questões que há séculos desafiam os cientistas.

Atualmente, diversas pesquisas estão sendo desenvolvidas com o objetivo de determinar a habilidade do JWST em determinar a composição da atmosfera de hipotéticos planetas similares à Terra durante um trânsito planetário, quando parte da luz da estrela principal é filtrada ao passar pela atmosfera do planeta.

Segundo Wesley Traub, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e Lisa Kaltenegger, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, o JTWC poderá detectar certos gases biomarcadores, como ozônio e metano, apenas para planetas similares à Terra não muito distantes.

"Precisaremos ter muita sorte para decifrar a atmosfera dos planetas semelhantes à Terra durante o período de trânsito antes que possamos afirmar que ele é realmente similar à Terra, disse Kaltenegger. "Vamos precisar coletar dados de muitos trânsitos, talvez centenas, mesmo para estrelas tão próximas como 20 anos-luz. Sabemos que é difícil, mas caracterizar a atmosfera de planetas tão longínquos será um desafio bastante estimulante.", completou a pesquisadora.

Trânsito

Durante o trânsito o planeta extrasolar cruza a frente do disco estelar. Enquanto transita, os gases de sua atmosfera absorvem uma minúscula parte da luz da estrela, produzindo assinaturas específicas relacionadas a cada gás componente. Decompondo a luz captada em suas cores primárias, os cientistas podem identificar essas assinaturas. Essa técnica é chamada de espectroscopia e de acordo com os estudos de Kaltenegger e Traub, publicados na última semana pelo "The Astrophysical Journal", essas marcas poderão ser detectadas pelo JWST.

Diagrama esquemático mostra a técnica do trânsito planetário,
largamente empregada na descoberta de planetas extrasolares (ESA/NASA)

A técnica do trânsito é de fato um desafio. Se a Terra fosse do tamanho de uma bola de basquete sua atmosfera seria tão fina como uma folha de papel, tornando o sinal resultante da absorção da luz na atmosfera incrivelmente fraco. Para dificultar ainda mais, o método só funciona quando o planeta passa à frente da estrela, tornando o estudo possível somente durante poucas horas.

Alfa-Centauro

Inicialmente, Kaltenegger e Traub consideram apenas a detecção de planetas semelhantes à Terra que orbitem estrelas iguais ao nosso Sol. Para obter um sinal detectável proveniente de um único trânsito, a estrela e seu planeta deverão estar muito próximos da Terra e a única estrela semelhante próxima o suficiente é Alfa Centauro-A. No entanto, nenhum objeto extrasolar do tamanho da Terra foi detectado em sua órbita, mas só recentemente a tecnologia tornou capaz a detecção de objetos desse tamanho.

O estudo também considera os planetas orbitando estrelas anãs vermelhas. Essas estrelas, chamada de Tipo M, são extremamente abundantes na Via-Láctea, até mais comum que as amarelas do Tipo-G, iguais ao Sol. Elas também são menores e mais frias, o que segundo os pesquisadores pode tornar mais fácil as observações.


Um planeta semelhante à Terra que orbitasse uma estrela igual ao Sol produziria um trânsito de dez horas a cada ano. Para acumular 100 horas de observações seriam necessários 10 anos. No entanto, um objeto similar à Terra orbitando uma anã vermelha de tamanho médio produziria um trânsito de uma hora a cada 10 dias, o que permitiria acumular 100 horas de trânsito em menos de três anos. Além disso, segundo Kaltenegger, as anãs vermelhas próximas oferecem melhores possibilidades de detecção de biomarcadores.


Na melhor das hipóteses, Alfa Centauro-A poderia abrigar um planeta semelhante à Terra que ainda não foi detectado. Assim, os astrônomos precisariam de poucos trânsitos para decifrar a atmosfera do objeto e possivelmente confirmar a existência do primeiro planeta irmão gêmeo da Terra.