quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Telescópio pode enxergar outras Terras, se elas existirem

(Reuters / Estadão) O telescópio orbital Kepler conseguiu observar um planeta do tamanho de Júpiter ao redor de uma outra estrela --sinal de que ele pode enxergar planetas do tamanho da Terra, se eles existirem, afirmaram cientistas nesta quinta-feira.

O planeta, chamado HAT-P-7b, está entre os aproximadamente 300 planetas conhecidos como extrassolares, informou a equipe liderada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos. A medição da órbita do corpo celeste pelo Kepler mostra que o telescópio é capaz de ver planetas menores, afirmaram na revista Science.

"O Kepler está operando no nível exigido para a detecção de planetas do tamanho da Terra", disse a equipe liderada por William Borucki, do centro de pesquisa da Nasa em Moffett Field, na Califórnia.

O Kepler foi lançado em março com o objetivo específico de encontrar planetas do tamanho da Terra que possam abrigar seres vivos fora do sistema solar. Ele orbita o Sol por trás da Terra, e em teoria é capaz de enxergar objetos que observatórios na superfície da Terra ou mesmo o telescópio orbital Hubble não podem.

Ele usa o método padrão de busca: os cientistas procuram uma diminuição suave na luz de uma estrela, provocada pela passagem de um planeta na frente do astro.

A equipe de Borucki trabalha sobre dados observados pelo Kepler em mais de 50 mil estrelas.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Localizados planetas improváveis em órbita além do Sistema Solar

(JB) Recentes pesquisas sobre a localização de planetas improváveis orbitando estrelas reduzidas ou mesmo apagadas e frias fora do Sistema Solar foram publicadas pela Revista Scientific American Brasil.

- São planetas que os astrônomos já haviam praticamente descartado a possibilidade de encontrar. Poucos astrônomos previam a enorme diversidade de planetas além de nosso Sistema Solar - comenta Ulisses Capozzoli, editor da revista.

A reportagem traz imagens surpreendentes fornecidas pela Nasa representando os sistemas planetários.

O artigo, assinado por Michael W. Werner, pesquisador do projeto Spitzer Space Telescopy da Nasa, e Michael A. Jura, professor de astronomia na University of Califórnia, busca esclarecer como é possível que sistemas planetários possam sobreviver em torno das chamadas estrelas de nêutrons, anãs marrons e até anãs brancas.

-Astrônomos supõem que as anãs brancas não devem ser estrelas, mas cadáveres de estrelas. Cada uma delas, um dia, foi como o Sol, brilhando com a mesma luminosidade - escrevem os autores.

Para os autores, sistemas solares como o nosso podem não ser os lugares mais comuns para abrigar planetas ou mesmo vida no Universo. Segundo Werner e Jura, o estudo desses sistemas extrassolares tem como objetivo entender mais sobre a evolução e a estrutura em larga escala do nosso próprio Sistema Solar, além de buscar determinar inclusive a quantidade de novos hábitats em potencial para vida extraterrestre.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Eclipse ajuda cientistas a identificar 'assinatura' de planetas como a Terra

Pesquisadores analisaram luz emanada da Lua durante eclipse lunar.Com isso, descobriram como seria a 'assinatura' da Terra, vista de longe.

Imagem mostra o Sol parcialmente ofuscado pela Terra, emitindo a 'assinatura' detectada pelos cientistas (Foto: Divulgação)


(G1) Os eclipses lunares são tidos hoje como ótimos espetáculos visuais para os interessados por astronomia, mas dificilmente são vistos como algo que possa render resultados científicos importantes. Pois um grupo de pesquisadores espanhóis acaba de mudar isso, com um estudo que deve ajudar até a procurar planetas similares à Terra fora do Sistema Solar.
O grupo de Enric Pallé, do Instituto de Astrofísica das Canárias, em Tenerife, na Espanha, obteve, durante um eclipse lunar observado em 16 de agosto de 2008, o que seria a "assinatura" da atmosfera terrestre, se vista de longe, conforme o planeta passasse à frente do Sol, com relação a um observador distante.
Em outras palavras, eles identificaram os traços luminosos que seriam captados por um ET, caso ele estivesse em outro sistema planetário, apontando um poderoso telescópio na nossa direção.
A essa assinatura específica é dado o nome de espectro, que equivale à separação da luz vinda de um objeto em suas cores componentes. A partir de marcas nesse padrão de cores separadas, é possível identificar vários dos compostos presentes no ponto de origem da luz. Com o espectro da Terra, por exemplo, é possível identificar a presença de substâncias como oxigênio, nitrogênio e vapor d'água na atmosfera. Segundo os cientistas, é possível até observar características da ionosfera terrestre -- camada da atmosfera marcada pela presença de moléculas polarizadas.
A obtenção do chamado espectro de transmissão da Terra foi possível durante um eclipse lunar porque nesse momento a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a maior parte da luz solar. O que sobra -- e ilumina a Lua -- é a luminosidade do Sol que atravessa a atmosfera terrestre e vai parar na superfície lunar. Analisando essa luz, portanto, é possível calcular como é o espectro da Terra, visto da Lua.
E o melhor de tudo: muitos dos planetas descobertos fora do Sistema Solar passam à frente de suas estrelas, com relação à Terra. Assim, o espectro que os astrônomos captam deles são equivalentes ao obtido agora do nosso planeta pelos cientistas. Moral da história: é possível compará-los, para identificar quão parecido um planeta fora do Sistema Solar é com a Terra.
Com a descoberta de mais e mais planetas, é possivelmente questão de tempo até que encontremos um que tem uma assinatura parecida com a que a Terra emite. Isso, muito provavelmente, será sinal de que há vida naquele mundo distante.
O estudo de Pallé e seus colegas está na última edição do periódico científico "Nature".

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Descoberto exoplaneta com massa 6 vezes maior que Júpiter

O gigante gasoso VB 10b (à esq.) pode ser um planeta frio porque orbita consideravelmente longe de sua estrela


(Terra) Astrônomos da Nasa, agência espacial americana, descobriram um novo exoplaneta que possui massa seis vezes superior à de Júpiter e fica a 20 anos-luz da Terra, na constelação de Aquila, informou nesta quinta-feira o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL). O gigante gasoso VB 10b pode ser um planeta frio porque orbita consideravelmente longe de sua estrela, de acordo com os cientistas. As informações são do Terra Chile.

Para descobri-lo, os especialistas utilizaram um método desenvolvido há mais de 50 anos chamado astrometria, ramo da astronomia que trata das medidas dos corpos celestes. A técnica é responsável por buscar novos exoplanetas - corpos que giram em torno de uma estrela (como a Terra ao redor do Sol) - em outros sistemas solares. Até o momento, foram encontrados mais de 300 exoplanetas.

A astrometria consiste basicamente em medir precisamente os movimentos de uma estrela junto à influência gravitacional de planetas que ainda não foram observados. O método requer medições exatas durante longos períodos de tempo.

Segundo o autor das observações, Steven Pravdo, do JPL, a técnica é ótima para encontrar configurações similares às do Sistema Solar conhecido, podendo haver outros planetas com características como às da Terra. Pravdo explicou que o planeta parecido com Júpiter relativamente possui quase a mesma distância do original. "A diferença é que orbita em torno de uma estrela muito menor", afirmou.

O pesquisador também sugeriu a possibilidade de existência de planetas rochosos, como a Terra, em torno da estrela do VB 10b.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cientistas conseguem observar 'fases' de planeta fora do Sistema Solar

Feito foi possível com o satélite franco-europeu CoRoT.Objeto é grande como Júpiter, mas gira próximo à estrela.


(G1) Quatro séculos atrás, o célebre astrônomo Galileu Galilei ficou famoso por, entre outras coisas, apontar um telescópio na direção de Vênus e constatar que o planeta, magnificado, apresentava fases, iguais às que a Lua apresenta em seu movimento ao redor da Terra. Agora, astrônomos do Observatório de Leiden, na Holanda, fizeram exatamente a mesma coisa, mas com um planeta localizado fora do Sistema Solar.

Pode parecer pouca coisa, mas não é. Enquanto Vênus -- o astro observado por Galileu -- é o vizinho mais próximo da Terra e aparece no céu, a olho nu, como um objeto bastante brilhante, o planeta HD 189733b está tão distante que nem mesmo com o auxílio dos mais poderosos telescópios é possível observá-lo com clareza.

O objeto em questão está na categoria dos Hot Jupiters, assim chamados porque são gigantescos como Júpiter, mas orbitam muito próximos a suas estrelas-mães, o que faz deles incrivelmente quentes -- inabitáveis, portanto.

O feito foi obtido graças ao poder do telescópio espacial CoRoT, satélite franco-europeu que conta com participação brasileira e tem como uma de suas missões principais descobrir planetas fora do Sistema Solar. Ele monitorou o HD 189733b por 55 dias seguidos. Nessas circunstâncias, era impossível observar a luz vinda do planeta evitando a luz proveniente da estrela vizinha. Por conta disso, a descoberta e o monitoramento de planetas pelo CoRoT envolve uma complexa análise da luz vinda daquela região, que permite dizer quando um astro planetário passa à frente da estrela e, com análises subsequentes, observar a contribuição luminosa do planeta para a luz total que chega à Terra.

Por meio dessa análise, os cientistas liderados por Ignas Snellen conseguiram detectar uma flutuação gradual da luz vinda do planeta, conforme ele passava pelas fases crescente, minguante e nova. Esta última ocorria durante o chamado "trânsito", quando o planeta passa à frente da estrela. Já a fase cheia, não é visível porque nesse momento o planeta estaria passando atrás da estrela.

Os resultados foram publicados na edição desta semana do periódico científico britânico "Nature".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nova técnica pode descobrir água em planetas extrasolares

(Apolo11) Em 1990, quando a sonda Voyager estava próxima ao limite do Sistema Solar, uma fotografia chamou a atenção do mundo. Ela retratava a Terra, vista de uma distância nunca imaginada. Na cena, nosso planeta é tão pequeno e insignificante que o astrônomo Carl Seagan o chamou de "Pálido Ponto Azul", em uma referência ao diminuto ponto perdido entre milhões de estrelas.
Uma das mais belas fotos da Terra, chamada "Pálido Ponto Azul". A imagem foi feita pela sonda Voyager 1 no dia 14 de fevereiro de 1990 e mostra nosso diminuto planeta a uma distância de 6.4 bilhões de quilômetros de distância. "Pálido Ponto Azul" foi feita a pedido do próprio astrônomo Carl Seagan, justamente para mostrar o "quanto nosso planeta é pequeno comparado à nossa arrogância".


Desde "Pálido Ponto Azul", os astrônomos descobriram mais de 300 planetas orbitando estrelas diferentes do Sol, quase todos gigantes gasosos como Júpiter. No entanto, devido à gigantesca distância, mesmo usando poderosos telescópios estes planetas não passam de um microscópico ponto, muito difíceis de serem estudados.

Como parte de um estudo utilizando instrumentos a bordo da nave Deep Impact (Impacto Profundo), uma equipe de astrofísicos e astrobiólogos estão agora tentando reduzir essa dificuldade, aprimorando uma nova técnica que pode apontar se os distantes planetas podem ter água, capazes portanto de abrigar vida.

"A água líquida na superfície de um planeta é o ouro que os cientistas espaciais buscam", disse Nicolas Cowan, doutorando em astronomia na Universidade de Washington e que teve seu paper (trabalho científico) publicado esta semana no periódico "Astrophysical Journal".

Variações de cores
Além da missão de impacto e estudo de cometas, a sonda Deep Impact também participa do projeto Epoxi, de caracterização e observação de planetas extrasolares. Em atividade recente a sonda realizou duas sessões de observação da Terra, registrando as variações de luminosidade em sete comprimentos de onda da luz visível, desde próximo ao ultravioleta até próximo ao infravermelho. Em quase todas as bandas sondadas a Terra aparecia em tons cinzas devido à cobertura de nuvens, mas nos comprimentos de onda mais curtos predominava o azul, devido ao mesmo fenômeno de espalhamento que torna o céu azul quando visto da Terra.


Concepção artística mostra um planeta extrasolar. O trabalho proposto pretende localizar água através de micro variações no espectro do planeta

Os pesquisadores estudaram então os tênues desvios das cores, provocados pelo movimento de rotação dos oceanos e deslocamento das nuvens e encontraram duas cores dominantes, uma refletindo as ondas longas, ou vermelhas e outra refletindo os comprimentos de ondas curtas, ou azuis. O vermelho foi interpretado como as massas continentais e as azuis os oceanos.

"A análise foi realizada como se fôssemos alienígenas olhando a Terra, como se estivessem nos observando dezenas de anos-luz", disse Cowan.

Interpretação

Uma vez que as cores mudam durante as observações de longa duração, os cientistas criaram mapas nas cores dominantes (vermelha e azul) e então compararam as interpretações com a atual localização dos continentes e oceanos. "Os resultados permitem afirmar com certeza que existe água líquida no planeta". disse Cowan. "Se existe água líquida é porque o planeta está dentro da zona habitável, o que não significa que todo planeta que esteja nesta zona tenha água líquida", explicou o pesquisador.

As observações da Terra foram feitas no dia 18 e 4 de junho, quando a nave estava acima da linha do equador a 27 e 52 milhões de quilômetros de distância. Segundo Cowan, se a Deep Impact estivesse sobre o eixo polar as observações resultariam em branco, ao invés de cinza.

Novos Instrumentos

O trabalho de Cowan registrou as variações de brilho da Terra, um ponto bastante grande se comparado a tamanho com que os planetas extrasolares aparecem nos telescópios. No entanto, quando os próximos telescópios espaciais forem projetados a técnica desenvolvida poderá ser aplicada na construção de novos instrumentos que permitam detectar as massas de água e terra através da alteração das cores do espectro, mesmo a longas distâncias.

domingo, 10 de maio de 2009

Sóis podem "despir" planetas gigantes gasosos

O COROT-7b, descoberto em fevereiro, orbita um sol localizado a cerca de 457 anos-luz da Terra


(National Geographic / Terra) Um planeta rochoso de grande porte recentemente descoberto e definido como uma "super-Terra" talvez seja o núcleo despido de um gigante gasoso que orbitava o seu sol a uma distância curta demais, afirmam cientistas.

O COROT-7b, descoberto em fevereiro, orbita um sol localizado a cerca de 457 anos-luz da Terra. Com massa cinco a oito vezes maior que a terrestre, esse mundo distante é um dos menores planetas que foram identificados até agora fora do Sistema Solar. À primeira vista, o COROT-7b poderia parecer um planeta rochoso e assemelhado à Terra, posicionado em órbita próxima à estrela de seu sistema.

Mas novos modelos de computação demonstram que esse planeta de um sistema distante, ou exoplaneta, no passado pode ter sido um gigante gasoso com tamanho semelhante ao de Netuno, cuja atmosfera tenha sido lentamente expelida para o espaço devido ao efeito da radiação de seu sol.

O responsável pelo estudo, Helmut Lammer, do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Austríaca de Ciências, e seus colegas queriam determinar de que maneira o vento solar e o clima espacial podem influenciar planetas muito próximos aos seus astros.

De acordo com o seu modelo, um gigante gasoso de tamanho semelhante ao de Júpiter poderia ter sua atmosfera inteiramente arrancada caso percorra órbita em distância inferior a 2% de uma Unidade Astronômica (UA) com relação a um sol semelhante ao do Sistema Solar. Uma UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a distância que separa a Terra do Sol.

Planetas gasosos menores do que Júpiter, a exemplo de Netuno ou Urano, podem ser reduzidos a núcleos rochosos caso suas órbitas fiquem a menos de 5% de uma UA com relação ao sol, anunciou a equipe de Lammer durante a Semana Européia de Ciência Espacial e Astronomia, uma conferência realizada em abril na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido.

Quando os gigantes gasosos sofrem essa perda extrema de massa, disse Lammer, eles terminam por se assemelhar a cometas de dimensões planetárias, porque a radiação de seus sóis faz com que as atmosferas em fuga se distendam na forma de longas e tênues caudas.

Lentamente despidosOs gigantes gasosos com órbitas próximas às de suas estrelas sofrem maior risco de perda de atmosfera quando as estrelas são jovens e ativas, prevê o modelo. O COROT-7b orbita sua estrela, um sol vermelho-alaranjado semelhante ao terrestre, a uma distância de apenas pouco mais de 1% de uma UA.

Por enquanto, os astrônomos não estão certos quanto à forma original do COROT-7b. O planeta pode ter sido um mundo terrestre ou gigante gasoso no passado. O novo modelo significa simplesmente que os cientistas não podem descartar a possibilidade de que o planeta tenha sido um mundo gasoso um dia, diz Lammer. Caso fosse um planeta semelhante a Netuno, o COROT-7b teria perdido sua atmosfera em um período de cerca de 500 milhões de anos, aponta o pesquisador.

Os cientistas especulam há muito sobre a perda extrema de massa em gigantes gasosos, disse Jean Schneider, astrofísico do Observatório de Paris, na França, que não participou do estudo. O novo estudo é o primeiro a modelar esse fenômeno de maneira detalhada, ele afirma. Uma maneira de testar a teoria de Lammer, segundo Schneider, seria medir em que velocidade ocorre a perda de gás em gigantes gasosos de órbita próxima aos seus sóis já conhecidos, e comparar esse ritmo de perda ao previsto pelo novo modelo.