quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Telescópio Kepler poderá encontrar luas habitáveis


Exoluas habitáveis
(Inovação Tecnológica) Desde o lançamento do Telescópio Espacial Kepler, no início deste ano, os astrônomos têm aguardado ansiosamente a primeira detecção de um planeta parecido com a Terra, orbitando outra estrela - veja Telescópio espacial Kepler vai começar busca por outras Terras.

Agora, no que parece ser o eco de um filme de ficção científica, uma equipe de cientistas da Universidade College London, coordenada pelo Dr. David Kipping, acredita que será possível descobrir até mesmo "exoluas" - luas dos planetas extrassolares, também conhecidos como exoplanetas.

A missão principal do telescópio Kepler é monitorar milhares de estrelas para detectar minúsculas variações em seu brilho conforme seus planetas passam à sua frente - o que os astrônomos chamam de eventos de trânsito. O observatório orbital será capaz de detectar esses trânsitos com uma precisão sem precedentes.

O Dr. Kipping já havia proposto uma técnica para detectar exoluas, mas ninguém tinha certeza se o método poderia realmente funcionar com a tecnologia atual. Ele e sua equipe agora modelaram as propriedades dos instrumentos do telescópio Kepler, simulando a intensidade esperada do sinal que uma lua habitável poderia gerar.

Como planetas e luas extrassolares são detectados?
A gravidade de uma exolua cria um arrasto na órbita de seu planeta, fazendo o planeta "balançar" durante sua órbita em volta de sua estrela-mãe. As alterações resultantes na posição e na velocidade do planeta deverão ser detectáveis pelos instrumentos do Kepler por meio da temporização precisa dos eventos de trânsito.

Os cientistas levaram em conta uma ampla gama de possíveis sistemas planetários e descobriram que um planeta fofo como Saturno (o planeta dos anéis tem uma massa extremamente baixa para o seu tamanho) oferecerá a melhor chance para detectar uma lua, em vez de um planeta denso como Júpiter. Isto porque os planetas como Saturno são grandes - bloqueando muita luz conforme passam à frente de sua estrela - mas muito leves, significando que eles sofrerão muito mais a ação da gravidade de uma lua rochosa do que um planeta pesado.

Luas habitáveis
Se um planeta parecido com Saturno estiver a uma distância adequada de sua estrela, então a temperatura permitirá que a água em estado líquido seja estável em luas suficientemente grandes, tornando-as potencialmente habitáveis.

Os astrônomos descobriram que exoluas habitáveis com apenas 20% da massa da Terra serão facilmente detectáveis com os instrumentos do Kepler.

Potencialmente, o telescópio poderá procurar luas habitáveis do tamanho da Terra ao redor de mais de 25.000 estrelas, localizadas a até 500 anos-luz do Sol. No céu inteiro, há milhões de estrelas que poderiam ser rastreadas em busca de exoluas habitáveis contando-se tão-somente com a tecnologia atual.

Ferramentas e metodologia à disposição
Se esses corpos celestes são comuns na galáxia é algo que os astrônomos ainda não sabem, mas agora eles têm as ferramentas e a metodologia para descobrir.

"Pela primeira vez nós demonstramos que luas potencialmente habitáveis a até centenas de anos-luz de distância poderão ser detectadas com os instrumentos atualmente disponíveis," diz o Dr. Kipping. "Conforme rodávamos as simulações, ficamos surpresos que até luas com apenas um quinto da massa da Terra poderão ser detectadas. Parece provável que existam muitos milhares, talvez milhões, de exoluas habitáveis na galáxia, e nós poderemos começar a encontrá-las agora."

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Superfície de menor planeta fora do Sistema Solar é rochosa, dizem cientistas

Imagem do Observatório Europeu do Sul traz concepção artística do planeta CoRoT-7b, cuja superfície é rochosa


(Reuters / Folha) Dados detalhados sobre o menor planeta já encontrado fora do nosso sistema solar sugerem que se trata de uma "super-Terra" com superfície rochosa, muito parecida com a nossa, disseram astrônomos europeus nesta quarta-feira (16).

O chamado exoplaneta, cuja descoberta foi anunciada em fevereiro, tem cinco vezes a massa da Terra, o que, combinado com seu raio, sugere que tenha uma superfície sólida e uma densidade semelhante ao do nosso planeta.

"Isso é ciência no que ela tem de mais excitante e incrível", disse o astrônomo suíço Didier Queloz, chefe da equipe que fez as observações.

Cerca de 330 exoplanetas já foram achados orbitando outras estrelas além do Sol. A maioria são gigantes gasosos com características semelhantes a Netuno, que tem 17 vezes a massa da Terra.

Mas o planeta citado no estudo de hoje --chamado pelo singelo nome CoRoT-7b --é diferente. Ele completa uma órbita a cada 20 horas, a uma distância de apenas 2,5 milhões de quilômetros da sua estrela. Sua temperatura oscila entre 1.000ºC e 1.500ºC, o que significa que não pode abrigar vida. Seu raio é cerca de 80% maior que o da Terra.

Em artigo na revista "Astronomy and Astrophysics", os cientistas disseram que suas conclusões colocam o CoRoT-7b na categoria das "super-Terras". Cerca de 12 delas já foram localizadas, mas é a primeira vez que se mensura com relativa precisão a densidade e a massa de um exoplaneta tão pequeno, disseram eles.

Para fazer essas medições, eles usaram um dispositivo chamado "procurador de planetas por velocidade radial de alta precisão" (Harps, na sigla em inglês), que é um espectrógrafo ligado ao telescópio do Observatório Europeu Meridional, em La Silla, no Chile.

De acordo com os cientistas, esse é "o melhor dispositivo caçador de exoplanetas no mundo. Embora o Harps seja certamente imbatível quando se trata de detectar exoplanetas pequenos, as medições do CoRoT-7b se mostraram tão exigentes que tivemos de reunir 70 horas de observações", disse François Bouchy, outro integrante da equipe europeia de astrônomos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ESO divulga imagem do menor e mais rápido exoplaneta conhecido

Na criação artística, o CoRoT-7b aparece em primeiro plano em torno da estrela chamada CoRoT-7 que está localizada na constelação de Monoceros (o Unicórnio)

(AFP / Terra) A Agência Espacial Europeia (ESO) divulgou nesta terça-feira uma imagem que recria o CoRoT-7b, o menor exoplaneta conhecido que também tem o título de ter a órbita mais rápida do universo. Na criação artística, o CoRoT-7b aparece em primeiro plano em torno da estrela chamada CoRoT-7 que está localizada na constelação de Monoceros (o Unicórnio). As informações são da agência AFP.

Os exoplanetas, planetas que orbitam uma estrela que não seja o Sol, são chamados assim por pertencerem a sistemas planetários diferentes do nosso.

A imagem é o resultado de um conjunto de medições feitas pela ESO que descobriram que o CoRoT-7b tem uma massa equivalente a cinco vezes a da Terra. Combinados com informações já conhecidas do exoplaneta, os novos dados permitem aos cientistas afirmar que a densidade do CoRoT-7b é bastante semelhante à da Terra, sugerindo um planeta sólido e rochoso.

O conjunto de dados também revela a presença de outro planeta dos chamados 'super-Terra', neste sistema solar alienígena.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Planeta gigante em chamas está perto de seu fim, diz estudo

(The New York Times / Terra) Será que os astrônomos que descobriram o planeta WASP-18b tiveram apenas sorte? À primeira impressão, o planeta, descrito na edição atual do periódico Nature, se encaixa em um perfil comum para planetas que foram descobertos em torno de outras estrelas: grande (tem cerca de dez vezes a massa de Júpiter), próximo à estrela mãe (a pouco mais de 3 milhões de km de distância, ou apenas um quinquagésimo da distância entre o Sol e a Terra) e quente (mais de 2 mil°C).

Aproximadamente um quarto dos quase 400 planetas descobertos até agora era do tipo "Júpiter quente". Mas quando uma equipe internacional de astrônomos olhou mais de perto, eles ficaram surpresos por terem conseguido avistar o WASP-18b.

As forças gravitacionais entre uma estrela e um planeta dissipam energia, e o WASP-18b está tão próximo de sua estrela hospedeira que deve cair dentro da mesma em menos de um milhão de anos - um piscar de olhos na escala cósmica. (Andrew Collier Cameron, professor de astronomia da Universidade de Saint Andrew e membro da equipe, notou que, com o iminente destino ardente do planeta, parecia apropriado que ele tenha sido localizado na constelação da Fênix.)

O sistema estelar tem cerca de um bilhão de anos, relataram os astrônomos. Por isso, as chances de eles terem observado o WASP-18b na margem do limbo eram de uma em mil. Em um comentário publicado com o estudo na Nature, Douglas P. Hamilton, professor de astronomia da Universidade de Maryland, apontou que essa probabilidade era tão remota quanto tirar dois ases vermelhos em seguida de um baralho completo.

"Entre esses 400 objetos, ele é singular", disse Hamilton. "É o único planeta que vai colidir com sua estrela em um milhão de anos." Mas a sorte não é a única possibilidade: a ignorância pode ser outra. Talvez os astrônomos não entendam a dinâmica das marés estelares.

A taxa de energia dissipada depende da maneira pela qual a estrela vibra - podendo emitir o som de um sino ou um som oco, como um pedaço de madeira. (Se a estrela estiver tilintando, menos energia é dissipada, e o WASP-18b não estaria caindo tão rapidamente.) Essa quantidade difícil de ser medida, que depende da turbulência no interior estelar, não é conhecida para cada estrela, nem mesmo no caso do Sol.

A resposta não terá de esperar um milhão de anos. Na verdade, os astrônomos vão ter que esperar apenas de cinco a dez anos. O WASP-18b já dá uma volta em torno da estrela a cada 22 horas, 35 minutos e 41,5 segundos - um ano em apenas um dia na Terra. Se o planeta estiver caindo tão rápido quanto está previsto, seu dia ficará notavelmente mais curto nos próximos anos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Observatório Kepler pode detectar luas habitáveis


(Engenharia & Astronomia) O telescópio Kepler da NASA, atualmente em uma missão para encontrar planetas parecidos com a Terra orbitando outras estrelas, também poderia encontrar luas habitáveis em outros sistemas estelares, sugere uma nova pesquisa.

A missão primária do Kepler é monitorar milhares de estrelas procurando por quedas características no seu brilho quando planetas que a orbitam passam na frente dela.

O observatório orbital, lançado em Março, já detectou o gigante planeta extrasolar HAT-P-7b em seus primeiros 10 dias de obtenção de dados. O planeta já tinha sido descoberto por telescópios na superfície da Terra, mas as observações mostram que o Kepler funciona como esperado.

Enquanto observatórios terrestres, e ainda alguns observatórios espaciais, tais como o Spitzer e o Hubble, podem encontrar planetas extrasolares do tamanho de Júpiter, Kepler é o primeiro telescópio que irá detectar exoplanetas com o tamanho similar ao da Terra.

Um astrônomo sugere que as capacidades do Kepler podem ainda ser usadas para detectar as chamadas “exoluas.”

David Kipping da Universidade de Londres já projetou um método para detectar exoluas, mas ninguém tinha certeza se ele poderia realmente ser usado com nossa tecnologia atual. Ele e sua equipe modelaram as propriedades dos instrumentos do Kepler, simulando a força esperada do sinal que uma lua habitável iria gerar.

A gravidade de uma exolua puxa o planeta que ela orbita, fazendo o planeta oscilar durante sua órbita em torno de sua estrela. A mudança resultante na posição e velocidade de um planeta deve ser detectável pelo Kepler com uma cronometragem precisa dos trânsitos.

Os cientistas consideraram uma ampla variedade de possíveis sistemas planetários e descobriram que um planeta “fofo” parecido com Saturno, que teria pouca massa para seu tamanho, dá as melhores chances possíveis de detectar uma lua, e não um planeta mais denso do tipo de Júpiter. Isso porque planetas como Saturno são grandes – bloqueando muita luz quando eles passam na frente da estrela – mas são muito ‘leves’, significando que eles irão oscilar muito mais que um planeta com muita massa.

Se um planeta parecido com Saturno está à uma distância exata de sua estrela, então a temperatura irá permitir a formação e estabilidade de água líquida em qualquer lua grande o suficiente em órbita ao redor do planeta. Tais luas com água líquida podem ser habitáveis.

“Pela primeira vez, nós demonstramos que luas potencialmente habitáveis à centenas de anos-luz de distância podem ser detectadas com nossa tecnologia atual,” diz Kipping.

A equipe descobriu que exoluas habitáveis com pelo menos 0,2 vezes a massa da Terra são prontamente detectáveis pelo Kepler. As descobertas da equipe serão detalhadas no jornal Avisos Mensais da Real Sociedade Astronômica.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Astrônomos detectam planeta em fase final da vida

Arte: Concepção artística mostra o planeta WASP-18-b orbitando a estrela principal WASP-18. O planeta orbita a apenas 3 milhões de quilômetros da estrela e sua temperatura atinge 2.100 graus Celsius. Crédito: Keele University/WASP Program.

(Apolo11) Imagine um planeta 10 vezes mais massivo que Júpiter, mas que orbita tão próximo da sua estrela- mãe que em menos de um dia consegue dar uma volta completa ao seu redor. Esse planeta não é hipotético e está com seus dias contados devido à gigantesca força gravitacional que atua sobre ele. O planeta vai morrer.

Esse estranho e distante mundo, batizado de WASP-18b, foi descoberto recentemente por cientistas da Universidade de St Andrews, na Escócia e segundo seus descobridores deverá ser mortalmente consumido pela estrela, localizada a 1.000 anos-luz de distância.

Forças de Maré
A interação gravitacional entre WASP-18b e WASP-18 cria fortes ondas gravitacionais - chamadas forças de maré - que esticam e comprimem o planeta, modificando sua órbita e fazendo-o "espiralar" em direção à estrela. Os pesquisadores ainda estão calculando a relação entre essas forças de modo a prever com exatidão quando de fato WASP-18-b será definitivamente tragado pela estrela-mãe, mas cálculos preliminares indicam que isso deve ocorrer nos próximos 500 mil anos, um tempo geologicamente muito pequeno.

Segundo o professor Andrew Collier Cameron, ligado ao Projeto Wasp e um dos autores do trabalho, a situação de WASP-18b é bastante bizarra. "No Sistema Solar, a força de maré freia a rotação da Terra e afasta a Lua 4 cm por ano. No caso de Wasp-18b é o contrário: ele orbita a estrela mais rapidamente do que a estrela gira, fazendo com que seja atraído por ela. O resultado é uma queda em forma de espiral, que terminará com o planeta consumido pela estrela antes de tocar sua atmosfera", explicou o pesquisador.

WASP-18-b orbita a apenas 3 milhões de quilômetros da estrela, aproximadamente 2% da distância entre a Terra do Sol. De acordo com Cameron, sua temperatura é de 2.100 graus Celsius

WASP
A descoberta de WASP-18-b foi feita pelo grupo de pesquisadores do Programa WASP (Wide Angle Search for Planets ou Busca por Planetas em Ângulo Largo), da Universidade de Keele, na Inglaterra e publicada esta semana pela revista Nature. Além da descoberta, o estudo também sugere que a estrela WASP-18 tenha aproximadamente 1 bilhão de anos, o que torna a observação de WASP-18-b um caso bastante raro, uma vez que as probabilidades de detecta-lo nesta fase final de sua vida é de cerca de 1 em 1000.

Caso o planeta tenha uma vida tão curta quanto estimado, seu decaimento será claramente mensurável dentro de uma década. "Não sabemos quanto tempo ele vai sobreviver, uma vez que não compreendemos plenamente como funciona os mecanismos de maré do Sol ou outras estrelas. Pode ter 500 mil anos ou meio bilhão de anos, mas espiralando rápido como está, em pouco tempo teremos uma resposta. Só temos que esperar e ser pacientes", disse o cientista.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Planeta estranho orbita estrela ao contrário

Somente um evento cósmico muito violento poderia fazer um planeta de um sistema estelar girar no sentido inverso


(Scientific American Brasil) Na procura por planetas extrassolares, a Busca de Planetas em Grandes Áreas (WASP, na sigla em inglês), do Reino Unido, encontrou um mundo extremamente bizarro, que orbita uma estrela no sentido oposto.
“Esse é um dos planetas mais estranhos que já encontramos”, observa Sara Seager, astrofísica do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Quando estrelas começam a girar, geralmente atraem resíduos de matéria das proximidades, que adquirem a mesma direção orbital. “Com todo o sistema estelar rodopiando no mesmo sentido, incluindo a estrela, é necessária alguma coisa muito forte para fazer um planeta seguir na direção oposta”, avalia Coel Hellier, astrofísico da Keele University, no Reino Unido.
De fato, o exoplaneta recém-descoberto ─ batizado de WASP-17b ─ provavelmente sofreu um grande impacto gravitacional de outro objeto bem maior para adquirir uma órbita retrógrada. “Se houver um evento de ‘quase colisão’, então a interação poderá produzir um violento empurrão gravitacional”, comenta Hellier.
Esse é o primeiro planeta conhecido a apresentar uma órbita tão inesperada, embora algumas luas de outros planetas do Sistema Solar percorram órbitas no sentido inverso, em torno dos planetas.
Os astrônomos descobriram a órbita retrograda de WASP-17b ao observar a estrela que ele orbita. “Se observarmos as alterações do espectro da estrela quando o planeta passa na sua frente (trânsito), podemos descobrir em que sentido o planeta está se deslocando”, explica Hellier.
O astrofísico e seu grupo também calcularam o tamanho do planeta gasoso (analisando a amplitude do movimento da estrela durante o trânsito). A baixa densidade encontrada pode ser explicada ou por uma quase colisão, devido à aproximação de um outro objeto grande, ou pela longa órbita elíptica do planeta, que permite que se aproxime muito de sua estrela massiva.
“Para mim, esse fato extremamente interessante”, avalia Seagerm, que não estava envolvido na descoberta. “É fascinante poder estudar órbitas de planetas tão distantes.” Esse gigante gasoso está a cera de mil anos luz de distância. Seager ficou radiante por ter uma prova do fenômeno. Segundo ele, “a teoria sempre vai existir, mas não há nada como uma boa observação para confirmá-la”.