terça-feira, 6 de outubro de 2009

Laboratório brasileiro vai estudar vida fora da Terra


O que é astrobiologia
(Inovação Tecnológica) O primeiro laboratório de astrobiologia no Brasil será inaugurado no início de 2010, vinculado ao Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). As instalações ficarão no Observatório Abrahão de Moraes, em Valinhos (SP).

Astrobiologia é o estudo da origem, da evolução, da distribuição e do desenvolvimento da vida no Universo. Esse campo de pesquisas inclui a busca por locais habitáveis no Sistema Solar e em outros planetas e luas, conhecidos como exoplanetas e exoluas.

É por isto que a astrobiologia é também conhecida como exobiologia. Outra denominação comum é bioastronomia. O campo é multidisciplinar e envolve contribuições da astronomia, biologia molecular, química, meteorologia, geofísica e geologia.

Simulação de ambientes espaciais
A maior novidade do projeto brasileiro será a instalação da primeira câmara de simulação de ambientes espaciais do hemisfério Sul, que já está sendo construída no local.

O equipamento, que reproduz condições e ambientes extraterrestres, deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2010. "Com a câmara, conseguiremos simular parâmetros de ambientes fora da Terra, como as condições do espaço ou de outros planetas", afirma Douglas Galante, coordenador do projeto.

"Se precisamos entender como um organismo vivo sobreviveria em Marte, por exemplo, é possível recriar as características marcianas, controlando variáveis como temperatura, composição gasosa, pressão atmosférica e radiação ultravioleta, de modo que as amostras inseridas dentro da câmara são acompanhadas por detectores", explicou o pesquisador do Departamento de Astronomia do IAG.

Vida fora da Terra
O objetivo é que o laboratório seja usado pela comunidade científica nacional e internacional em pesquisas teórico-experimentais, contribuindo para o avanço do conhecimento em questões diversas da astrobiologia.

Entre elas estão a possibilidade de existir vida fora da Terra, a origem da vida no planeta e o futuro da vida na Terra e em outros corpos celestes. "A única certeza que temos hoje é que existe vida na Terra, ainda que não saibamos de que forma ela surgiu. Sabemos também que talvez tenha existido vida em Marte no passado, quando lá havia água mais abundante", disse Galante.

"Várias sondas trabalham naquele planeta para tentar identificar esses indícios de vida. Isso mostra que estamos apenas engatinhando no entendimento de como a vida surge, evolui e algum dia pode se extinguir, na Terra e fora dela", afirmou.

Extremos da vida
Na câmara de simulação planetária serão realizados, em um primeiro momento, experimentos com os extremófilos, microrganismos que servem de modelo para diversas pesquisas por serem capazes de sobreviver em condições ambientais extremas, como a ausência de luz solar ou níveis muito altos ou baixos de pressão, temperatura, água e oxigênio.

"Os extremófilos vivem em alta pressão no fundo dos mares, em ambientes extremamente frios e também em locais muito quentes, como em fontes geotermais, além de ambientes com alta radiação. Se esperamos encontrar vida em Marte, muito provavelmente ela será bem-parecida com a desses microrganismos", diz Galante.

Os pesquisadores do IAG mantêm amostras de extremófilos em laboratório e atualmente já estudam esses microrganismos em equipamentos de simulação do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP).

Outras formas de vida
"Com a câmara de simulação de ambientes espaciais queremos pegar também amostras ambientais aqui da Terra e testá-las para ver se encontramos novos organismos resistentes semelhantes aos extremófilos", aponta Galante. Para isso, a partir do início de 2010, os pesquisadores estudarão amostras da Antártica e do deserto do Atacama, no Chile, para tentar descobrir novos organismos que também possam existir em outros planetas.

"Além da simulação de ambientes extraterrestres, a câmara também poderá ser usada em estudos tecnológicos e aplicados, como na área de ciência dos materiais, visando ao desenvolvimento de equipamentos que podem ser usados no espaço por satélites", afirmou.

Planetas parecidos com a Terra
Além das sondas espaciais e dos robôs que já estão procurando por formas de vida em Marte e na Lua, a procura por planetas semelhantes à Terra fora do Sistema Solar constitui um elemento-chave nos esforços da astrobiologia.

Desde a descoberta do primeiro planeta extrassolar, feita pelo astrônomo suíço Michel Mayor, em 1995, no Observatório de Haut Provence, na França, já foram encontrados mais de 300 outros. No entanto, devido às limitações dos métodos atuais de detecção desses corpos - medição da velocidade radial da estrela à qual estão ligados -, a maioria deles tem sido do tamanho ou maior do que Júpiter, maior planeta do Sistema Solar. Ou seja, os planetas encontrados são muito maiores do que a Terra.

"Parece que a tecnologia está chegando a um ponto crítico. Mas acredito que em dois anos seremos capazes de encontrar o primeiro planeta de massa equivalente à da Terra ainda usando o método tradicional de mensuração de velocidade radial", disse Mayor, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de Genebra.

"Está se tornando cada vez mais claro que planetas com massa inferior à de Júpiter são comuns no Universo", afirmou o astrônomo que, depois de descobrir o primeiro planeta fora do Sistema Solar - na órbita da estrela 51 Pegasi (a 47,9 anos-luz da Terra) -, já detectou mais de 150 orbitando outras estrelas, muitos compondo sistemas multiplanetários.

Técnicas indiretas
No método da medição da velocidade radial de estrelas, detecta-se a existência de um planeta ao se observar uma alteração no ritmo dessa aceleração. Na maioria dos casos, não se pode ver o planeta. Sua existência é deduzida de acordo com a diminuição ou aumento na velocidade estelar.
Assim, quanto maior for a velocidade da estrela, maior o planeta. A dinâmica é explicada por Augusto Damineli, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP).

"A estrela obriga o planeta a girar em torno dela. O planeta, por sua vez, pela Terceira Lei de Newton, o princípio da ação e reação, reage e obriga a estrela a se mover também. Os dois orbitam em torno de um ponto comum, e quanto maior a massa do planeta, maior a velocidade da estrela. Assim, indiretamente se deduz a existência do planeta", explicou.

Segundo ele, a dificuldade de se achar um planeta do tamanho da Terra com esse método é que ele produz uma pequena reação na estrela, tornando difícil a mensuração de sua velocidade. Uma gama de planetas foi detectada usando esse método, mas as expectativas para o futuro são grandes.

O método de detecção pela técnica do trânsito - também chamado de método de ocultação - poderá vir a ser mais preciso na busca por planetas menores. Quando o planeta se encontra na conjunção inferior e passa na frente do Sol, visto da Terra, diz-se que está em trânsito.

Por isso, a abordagem do método de ocultação é simples: "Quando o planeta está em trânsito e passa na frente da estrela na qual orbita, esta dá uma 'apagadinha' e ele pode ser, então, detectado", disse Damineli no mês passado, durante a 27ª Assembleia da União Astronômica Internacional (UAI), no Rio de Janeiro.

Zona habitável
As expectativas são grandes em torno de dois projetos atuais de caça a planetas, ambos usando o método do trânsito: a missão euro-brasileira Corot e a missão norte-americana Kepler - veja Telescópio espacial Kepler vai começar busca por outras Terras.

Apesar das dificuldades tecnológicas, este ano um planeta duas vezes maior que a Terra foi descoberto na órbita de uma das estrelas mais próximas à Terra - a Gliese 581, distante 20,5 anos-luz - por meio do espectrógrafo Harps, um dos maiores caçadores de planetas extrassolares, instalado no telescópio de 3,6 metros do European Southern Observatory (ESO), no deserto de Atacama, em La Silla, no Chile.

O planeta também se localiza no que os astrônomos chamam de "zona habitável", onde, supostamente, pode existir água oceânica. Baseando-se em uma projeção da temperatura à superfície, astrônomos apontam que esse poderá ser o primeiro planeta extrassolar semelhante à Terra.

Traços de vida
Aliás, investigar a possibilidade de existência de vida nesses planetas - e procurar pelos chamados "biotraços" (traços de vida) - é o próximo passo, de acordo com o astrônomo alemão Claus Madsen, do ESO. "A nova geração de telescópios será capaz de ver os planetas extrassolares com mais precisão", afirmou.

Um exemplo é o Extremely Large Telescope (ELT), que deverá ser concluído pelo ESO em 2017. Ele poderá, segundo Madsen, detectar a luz de planetas extrassolares muito pequenos e observar características biológicas, tais como a existência de oxigênio.

Sobre a existência de água, Madsen é enfático. "Existe hidrogênio em todo o Universo e com a existência de oxigênio em um determinado planeta há a possibilidade de existir água, já que esta é composta por esses dois elementos. Resta saber em que forma vamos encontrar essa água. A existência de água em sua forma líquida vai depender da temperatura da superfície da estrela e a distância entre esta e o planeta", disse.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Busca por outras Terras

Michel Mayor, que descobriu o primeiro planeta extrassolar, em 1995, e outros astrônomos falam dos desafios de encontrar no Universo características semelhantes às terrestres


(Fapesp / O Povo) A procura por planetas semelhantes à Terra fora do Sistema Solar constitui um elemento-chave na busca por uma resposta a uma das perguntas mais inquietantes da humanidade: existe vida em algum outro lugar do Universo?

Desde a descoberta do primeiro planeta extrassolar, feita pelo astrônomo suíço Michel Mayor, em 1995, no Observatório de Haut Provence, na França, já foram encontrados mais de 300 outros. No entanto, devido às limitações dos métodos atuais de detecção desses corpos - medição da velocidade radial da estrela à qual estão ligados -, a maioria deles tem sido do tamanho ou maior do que Júpiter, maior planeta do Sistema Solar. Ou seja, os planetas encontrados são muito maiores do que a Terra.

``Parece que a tecnologia está chegando a um ponto crítico. Mas acredito que em dois anos seremos capazes de encontrar o primeiro planeta de massa equivalente à da Terra ainda usando o método tradicional de mensuração de velocidade radial``, disse Mayor, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de Genebra.

``Está se tornando cada vez mais claro que planetas com massa inferior à de Júpiter são comuns no Universo``, afirmou o astrônomo que, depois de descobrir o primeiro planeta fora do Sistema Solar - na órbita da estrela 51 Pegasi (a 47,9 anos-luz da Terra) -, já detectou mais de 150 orbitando outras estrelas, muitos compondo sistemas multiplanetários.

No método da medição da velocidade radial de estrelas, detecta-se a existência de um planeta ao se observar uma alteração no ritmo dessa aceleração. Na maioria dos casos, não se pode ver o planeta. Sua existência é deduzida de acordo com a diminuição ou aumento na velocidade estelar.


Assim, quanto maior for a velocidade da estrela, maior o planeta. A dinâmica é explicada por Augusto Damineli, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP). ``A estrela obriga o planeta a girar em torno dela. O planeta, por sua vez, pela Terceira Lei de Newton, o princípio da ação e reação, reage e obriga a estrela a se mover também. Os dois orbitam em torno de um ponto comum, e quanto maior a massa do planeta, maior a velocidade da estrela. Assim, indiretamente se deduz a existência do planeta``, explicou.

Segundo ele, a dificuldade de se achar um planeta do tamanho da Terra com esse método é que ele produz uma pequena reação na estrela, tornando difícil a mensuração de sua velocidade. Uma gama de planetas foi detectada usando esse método, mas as expectativas para o futuro são grandes.

Ocultação
O método de detecção pela técnica do trânsito - também chamado de método de ocultação - poderá vir a ser mais acurado na busca por planetas menores. Quando o planeta se encontra na conjunção inferior e passa na frente do Sol, visto da Terra, diz-se que está em trânsito.

Por isso, a abordagem do método de ocultação é simples: ``Quando o planeta está em trânsito e passa na frente da estrela na qual orbita, esta dá uma -apagadinha- e ele pode ser, então, detectado``, disse Damineli no mês passado, durante a 27ª Assembleia da União Astronômica Internacional (UAI), no Rio de Janeiro.


E-Mais
> As expectativas são grandes em torno de dois projetos atuais de caça a planetas, ambos usando o método do trânsito: a missão euro-brasileira Corot e a missão norte-americana Kepler.

> Apesar das dificuldades tecnológicas, este ano um planeta duas vezes maior que a Terra foi descoberto na órbita de uma das estrelas mais próximas à Terra - a Gliese 581, distante 20,5 anos-luz - por meio do espectrógrafo Harps, um dos maiores caçadores de planetas extrassolares, instalado no telescópio de 3,6 metros do European Southern Observatory (ESO), no deserto de Atacama, em La Silla, no Chile.

> O planeta também se localiza no que os astrônomos chamam de ``zona habitável``, onde, supostamente, pode existir água oceânica. Baseando-se em uma projeção da temperatura à superfície, astrônomos apontam que esse poderá ser o primeiro planeta extra-solar semelhante à Terra.

> Aliás, investigar a possibilidade de existência de vida nesses planetas - e procurar pelos chamados ``biotraces`` (``traços de vida``) - é o próximo passo, de acordo com o astrônomo alemão Claus Madsen, do ESO. ``A nova geração de telescópios será capaz de ver os planetas extrassolares com mais precisão``, afirmou.

> Um exemplo é o Extremely Large Telescope (ELT), que deverá ser concluído pelo ESO em 2017. Ele poderá, segundo Madsen, detectar a luz de planetas extrassolares muito pequenos e observar características biológicas, tais como a existência de oxigênio.

> Sobre a existência de água, Madsen é enfático. ``Existe hidrogênio em todo o Universo e com a existência de oxigênio em um determinado planeta há a possibilidade de existir água, já que esta é composta por esses dois elementos. Resta saber em que forma vamos encontrar essa água. A existência de água em sua forma líquida vai depender da temperatura da superfície da estrela e a distância entre esta e o planeta``, disse.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Telescópio Kepler poderá encontrar luas habitáveis


Exoluas habitáveis
(Inovação Tecnológica) Desde o lançamento do Telescópio Espacial Kepler, no início deste ano, os astrônomos têm aguardado ansiosamente a primeira detecção de um planeta parecido com a Terra, orbitando outra estrela - veja Telescópio espacial Kepler vai começar busca por outras Terras.

Agora, no que parece ser o eco de um filme de ficção científica, uma equipe de cientistas da Universidade College London, coordenada pelo Dr. David Kipping, acredita que será possível descobrir até mesmo "exoluas" - luas dos planetas extrassolares, também conhecidos como exoplanetas.

A missão principal do telescópio Kepler é monitorar milhares de estrelas para detectar minúsculas variações em seu brilho conforme seus planetas passam à sua frente - o que os astrônomos chamam de eventos de trânsito. O observatório orbital será capaz de detectar esses trânsitos com uma precisão sem precedentes.

O Dr. Kipping já havia proposto uma técnica para detectar exoluas, mas ninguém tinha certeza se o método poderia realmente funcionar com a tecnologia atual. Ele e sua equipe agora modelaram as propriedades dos instrumentos do telescópio Kepler, simulando a intensidade esperada do sinal que uma lua habitável poderia gerar.

Como planetas e luas extrassolares são detectados?
A gravidade de uma exolua cria um arrasto na órbita de seu planeta, fazendo o planeta "balançar" durante sua órbita em volta de sua estrela-mãe. As alterações resultantes na posição e na velocidade do planeta deverão ser detectáveis pelos instrumentos do Kepler por meio da temporização precisa dos eventos de trânsito.

Os cientistas levaram em conta uma ampla gama de possíveis sistemas planetários e descobriram que um planeta fofo como Saturno (o planeta dos anéis tem uma massa extremamente baixa para o seu tamanho) oferecerá a melhor chance para detectar uma lua, em vez de um planeta denso como Júpiter. Isto porque os planetas como Saturno são grandes - bloqueando muita luz conforme passam à frente de sua estrela - mas muito leves, significando que eles sofrerão muito mais a ação da gravidade de uma lua rochosa do que um planeta pesado.

Luas habitáveis
Se um planeta parecido com Saturno estiver a uma distância adequada de sua estrela, então a temperatura permitirá que a água em estado líquido seja estável em luas suficientemente grandes, tornando-as potencialmente habitáveis.

Os astrônomos descobriram que exoluas habitáveis com apenas 20% da massa da Terra serão facilmente detectáveis com os instrumentos do Kepler.

Potencialmente, o telescópio poderá procurar luas habitáveis do tamanho da Terra ao redor de mais de 25.000 estrelas, localizadas a até 500 anos-luz do Sol. No céu inteiro, há milhões de estrelas que poderiam ser rastreadas em busca de exoluas habitáveis contando-se tão-somente com a tecnologia atual.

Ferramentas e metodologia à disposição
Se esses corpos celestes são comuns na galáxia é algo que os astrônomos ainda não sabem, mas agora eles têm as ferramentas e a metodologia para descobrir.

"Pela primeira vez nós demonstramos que luas potencialmente habitáveis a até centenas de anos-luz de distância poderão ser detectadas com os instrumentos atualmente disponíveis," diz o Dr. Kipping. "Conforme rodávamos as simulações, ficamos surpresos que até luas com apenas um quinto da massa da Terra poderão ser detectadas. Parece provável que existam muitos milhares, talvez milhões, de exoluas habitáveis na galáxia, e nós poderemos começar a encontrá-las agora."

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Superfície de menor planeta fora do Sistema Solar é rochosa, dizem cientistas

Imagem do Observatório Europeu do Sul traz concepção artística do planeta CoRoT-7b, cuja superfície é rochosa


(Reuters / Folha) Dados detalhados sobre o menor planeta já encontrado fora do nosso sistema solar sugerem que se trata de uma "super-Terra" com superfície rochosa, muito parecida com a nossa, disseram astrônomos europeus nesta quarta-feira (16).

O chamado exoplaneta, cuja descoberta foi anunciada em fevereiro, tem cinco vezes a massa da Terra, o que, combinado com seu raio, sugere que tenha uma superfície sólida e uma densidade semelhante ao do nosso planeta.

"Isso é ciência no que ela tem de mais excitante e incrível", disse o astrônomo suíço Didier Queloz, chefe da equipe que fez as observações.

Cerca de 330 exoplanetas já foram achados orbitando outras estrelas além do Sol. A maioria são gigantes gasosos com características semelhantes a Netuno, que tem 17 vezes a massa da Terra.

Mas o planeta citado no estudo de hoje --chamado pelo singelo nome CoRoT-7b --é diferente. Ele completa uma órbita a cada 20 horas, a uma distância de apenas 2,5 milhões de quilômetros da sua estrela. Sua temperatura oscila entre 1.000ºC e 1.500ºC, o que significa que não pode abrigar vida. Seu raio é cerca de 80% maior que o da Terra.

Em artigo na revista "Astronomy and Astrophysics", os cientistas disseram que suas conclusões colocam o CoRoT-7b na categoria das "super-Terras". Cerca de 12 delas já foram localizadas, mas é a primeira vez que se mensura com relativa precisão a densidade e a massa de um exoplaneta tão pequeno, disseram eles.

Para fazer essas medições, eles usaram um dispositivo chamado "procurador de planetas por velocidade radial de alta precisão" (Harps, na sigla em inglês), que é um espectrógrafo ligado ao telescópio do Observatório Europeu Meridional, em La Silla, no Chile.

De acordo com os cientistas, esse é "o melhor dispositivo caçador de exoplanetas no mundo. Embora o Harps seja certamente imbatível quando se trata de detectar exoplanetas pequenos, as medições do CoRoT-7b se mostraram tão exigentes que tivemos de reunir 70 horas de observações", disse François Bouchy, outro integrante da equipe europeia de astrônomos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ESO divulga imagem do menor e mais rápido exoplaneta conhecido

Na criação artística, o CoRoT-7b aparece em primeiro plano em torno da estrela chamada CoRoT-7 que está localizada na constelação de Monoceros (o Unicórnio)

(AFP / Terra) A Agência Espacial Europeia (ESO) divulgou nesta terça-feira uma imagem que recria o CoRoT-7b, o menor exoplaneta conhecido que também tem o título de ter a órbita mais rápida do universo. Na criação artística, o CoRoT-7b aparece em primeiro plano em torno da estrela chamada CoRoT-7 que está localizada na constelação de Monoceros (o Unicórnio). As informações são da agência AFP.

Os exoplanetas, planetas que orbitam uma estrela que não seja o Sol, são chamados assim por pertencerem a sistemas planetários diferentes do nosso.

A imagem é o resultado de um conjunto de medições feitas pela ESO que descobriram que o CoRoT-7b tem uma massa equivalente a cinco vezes a da Terra. Combinados com informações já conhecidas do exoplaneta, os novos dados permitem aos cientistas afirmar que a densidade do CoRoT-7b é bastante semelhante à da Terra, sugerindo um planeta sólido e rochoso.

O conjunto de dados também revela a presença de outro planeta dos chamados 'super-Terra', neste sistema solar alienígena.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Planeta gigante em chamas está perto de seu fim, diz estudo

(The New York Times / Terra) Será que os astrônomos que descobriram o planeta WASP-18b tiveram apenas sorte? À primeira impressão, o planeta, descrito na edição atual do periódico Nature, se encaixa em um perfil comum para planetas que foram descobertos em torno de outras estrelas: grande (tem cerca de dez vezes a massa de Júpiter), próximo à estrela mãe (a pouco mais de 3 milhões de km de distância, ou apenas um quinquagésimo da distância entre o Sol e a Terra) e quente (mais de 2 mil°C).

Aproximadamente um quarto dos quase 400 planetas descobertos até agora era do tipo "Júpiter quente". Mas quando uma equipe internacional de astrônomos olhou mais de perto, eles ficaram surpresos por terem conseguido avistar o WASP-18b.

As forças gravitacionais entre uma estrela e um planeta dissipam energia, e o WASP-18b está tão próximo de sua estrela hospedeira que deve cair dentro da mesma em menos de um milhão de anos - um piscar de olhos na escala cósmica. (Andrew Collier Cameron, professor de astronomia da Universidade de Saint Andrew e membro da equipe, notou que, com o iminente destino ardente do planeta, parecia apropriado que ele tenha sido localizado na constelação da Fênix.)

O sistema estelar tem cerca de um bilhão de anos, relataram os astrônomos. Por isso, as chances de eles terem observado o WASP-18b na margem do limbo eram de uma em mil. Em um comentário publicado com o estudo na Nature, Douglas P. Hamilton, professor de astronomia da Universidade de Maryland, apontou que essa probabilidade era tão remota quanto tirar dois ases vermelhos em seguida de um baralho completo.

"Entre esses 400 objetos, ele é singular", disse Hamilton. "É o único planeta que vai colidir com sua estrela em um milhão de anos." Mas a sorte não é a única possibilidade: a ignorância pode ser outra. Talvez os astrônomos não entendam a dinâmica das marés estelares.

A taxa de energia dissipada depende da maneira pela qual a estrela vibra - podendo emitir o som de um sino ou um som oco, como um pedaço de madeira. (Se a estrela estiver tilintando, menos energia é dissipada, e o WASP-18b não estaria caindo tão rapidamente.) Essa quantidade difícil de ser medida, que depende da turbulência no interior estelar, não é conhecida para cada estrela, nem mesmo no caso do Sol.

A resposta não terá de esperar um milhão de anos. Na verdade, os astrônomos vão ter que esperar apenas de cinco a dez anos. O WASP-18b já dá uma volta em torno da estrela a cada 22 horas, 35 minutos e 41,5 segundos - um ano em apenas um dia na Terra. Se o planeta estiver caindo tão rápido quanto está previsto, seu dia ficará notavelmente mais curto nos próximos anos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Observatório Kepler pode detectar luas habitáveis


(Engenharia & Astronomia) O telescópio Kepler da NASA, atualmente em uma missão para encontrar planetas parecidos com a Terra orbitando outras estrelas, também poderia encontrar luas habitáveis em outros sistemas estelares, sugere uma nova pesquisa.

A missão primária do Kepler é monitorar milhares de estrelas procurando por quedas características no seu brilho quando planetas que a orbitam passam na frente dela.

O observatório orbital, lançado em Março, já detectou o gigante planeta extrasolar HAT-P-7b em seus primeiros 10 dias de obtenção de dados. O planeta já tinha sido descoberto por telescópios na superfície da Terra, mas as observações mostram que o Kepler funciona como esperado.

Enquanto observatórios terrestres, e ainda alguns observatórios espaciais, tais como o Spitzer e o Hubble, podem encontrar planetas extrasolares do tamanho de Júpiter, Kepler é o primeiro telescópio que irá detectar exoplanetas com o tamanho similar ao da Terra.

Um astrônomo sugere que as capacidades do Kepler podem ainda ser usadas para detectar as chamadas “exoluas.”

David Kipping da Universidade de Londres já projetou um método para detectar exoluas, mas ninguém tinha certeza se ele poderia realmente ser usado com nossa tecnologia atual. Ele e sua equipe modelaram as propriedades dos instrumentos do Kepler, simulando a força esperada do sinal que uma lua habitável iria gerar.

A gravidade de uma exolua puxa o planeta que ela orbita, fazendo o planeta oscilar durante sua órbita em torno de sua estrela. A mudança resultante na posição e velocidade de um planeta deve ser detectável pelo Kepler com uma cronometragem precisa dos trânsitos.

Os cientistas consideraram uma ampla variedade de possíveis sistemas planetários e descobriram que um planeta “fofo” parecido com Saturno, que teria pouca massa para seu tamanho, dá as melhores chances possíveis de detectar uma lua, e não um planeta mais denso do tipo de Júpiter. Isso porque planetas como Saturno são grandes – bloqueando muita luz quando eles passam na frente da estrela – mas são muito ‘leves’, significando que eles irão oscilar muito mais que um planeta com muita massa.

Se um planeta parecido com Saturno está à uma distância exata de sua estrela, então a temperatura irá permitir a formação e estabilidade de água líquida em qualquer lua grande o suficiente em órbita ao redor do planeta. Tais luas com água líquida podem ser habitáveis.

“Pela primeira vez, nós demonstramos que luas potencialmente habitáveis à centenas de anos-luz de distância podem ser detectadas com nossa tecnologia atual,” diz Kipping.

A equipe descobriu que exoluas habitáveis com pelo menos 0,2 vezes a massa da Terra são prontamente detectáveis pelo Kepler. As descobertas da equipe serão detalhadas no jornal Avisos Mensais da Real Sociedade Astronômica.