(Folha) O objeto mais parecido com a Terra já encontrado fora do Sistema Solar ganhou sua forma de um jeito inusitado, sugere um novo estudo.
Segundo o trabalho, o planeta Corot-7b, localizado na órbita de uma estrela a 490 anos-luz da Terra, deve ter sido um gigante com proporções similares a Júpiter, mas perdeu matéria ao longo do tempo até ficar apenas 70% maior do que a Terra.
Segundo Brian Jackson, astrofísico do Centro Goddard, da Nasa, que liderou o estudo, o "emagrecimento" do Corot-7b se deveu a ele estar perto demais de sua estrela-mãe --meros 2,5 milhões de quilômetros, apenas um sexagésimo (1/60) da distância entre a Terra e o Sol.
Aquecido a temperaturas de até 2.000 ºC, sua superfície teria pouca capacidade de reter uma atmosfera muito espessa.
Apresentando o estudo nesta quarta-feira (6) em Washington, no encontro anual da Sociedade Astronômica Americana, Jackson exibiu estimativas de quanta matéria o planeta vem perdendo, e reverteu a conta para trás, tentando inferir como Corot-7b seria num passado distante.
Hoje, esse planeta é de constituição rochosa e tem massa de apenas cerca de 5 vezes a da Terra. Antes de começar a perder muito material, porém, ele poderia ter tamanho até similar a Júpiter, que tem 317 vezes a massa da Terra e é um gigante gasoso com um núcleo de rocha. No passado o planeta pode ter sido mais frio, porque tinha órbita um pouco mais distante.
"Corot-7b pode ser o primeiro de uma nova classe de planetas: núcleos remanescentes de evaporação", disse Jackson, em comunicado à imprensa.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Astrônomos: apenas 15% dos sistemas solares são como da Terra
(Efe / Terra) Apenas 15% dos sistemas solares existentes no universo são similares ao que vivemos, segundo as conclusões de um grupo de astrônomos após dez anos de pesquisas. Para o astrônomo Andrew Gould, professor da Universidade de Ohio (Estados Unidos), o dado é "positivo", porque "com bilhões de estrelas, reduzir as possibilidades para 10% significa que pode haver algumas centenas de milhões de sistemas similares".
"Agora sabemos qual é nosso lugar no universo", disse o astrônomo Scott Gaudi, da mesma universidade, para quem "os sistemas solares como o nosso não são raros, mas também não são maioria". Gaudi apresentará os resultados do estudo hoje em Washington durante uma reunião da Sociedade Astronômica Americana. Com eles, os cientistas devem poder fazer uma estimativa aproximada das possibilidades de vida no resto do universo.
A pesquisa é fruto de uma cooperação em nível mundial através do programa Microlensing Follow-Up Network (MicroFUN), sediada na Universidade de Ohio, que mapeia o céu na busca de planetas que se encontram fora do sistema solar. Os astrônomos do MicroFUN utilizam o efeito de microlente gravitacional, que ocorre quando uma estrela passa diante de outra, vista desde a Terra. A estrela mais próxima amplifica a luz da mais distante, como se fosse uma lente.
Esse efeito é mais intenso se houver planetas em órbita em torno da estrela que age como lente. As conclusões alcançadas pelos astrônomos se reduzem a uma análise estatística, diz Gould. Nos últimos quatro anos, o programa MicroFUN descobriu apenas um sistema solar parecido com o nosso, com dois planetas gigantes de gás similares a Júpiter e Saturno.
"Só achamos este sistema, e deveríamos ter encontrado seis até agora se cada estrela tivesse um sistema solar como o da Terra", disse Gaudi, ao explicar que este reduzido número de descobertas só faz sentido com a existência de um pequeno número de sistemas - ao redor de 15% - como o nosso.
"Agora sabemos qual é nosso lugar no universo", disse o astrônomo Scott Gaudi, da mesma universidade, para quem "os sistemas solares como o nosso não são raros, mas também não são maioria". Gaudi apresentará os resultados do estudo hoje em Washington durante uma reunião da Sociedade Astronômica Americana. Com eles, os cientistas devem poder fazer uma estimativa aproximada das possibilidades de vida no resto do universo.
A pesquisa é fruto de uma cooperação em nível mundial através do programa Microlensing Follow-Up Network (MicroFUN), sediada na Universidade de Ohio, que mapeia o céu na busca de planetas que se encontram fora do sistema solar. Os astrônomos do MicroFUN utilizam o efeito de microlente gravitacional, que ocorre quando uma estrela passa diante de outra, vista desde a Terra. A estrela mais próxima amplifica a luz da mais distante, como se fosse uma lente.
Esse efeito é mais intenso se houver planetas em órbita em torno da estrela que age como lente. As conclusões alcançadas pelos astrônomos se reduzem a uma análise estatística, diz Gould. Nos últimos quatro anos, o programa MicroFUN descobriu apenas um sistema solar parecido com o nosso, com dois planetas gigantes de gás similares a Júpiter e Saturno.
"Só achamos este sistema, e deveríamos ter encontrado seis até agora se cada estrela tivesse um sistema solar como o da Terra", disse Gaudi, ao explicar que este reduzido número de descobertas só faz sentido com a existência de um pequeno número de sistemas - ao redor de 15% - como o nosso.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Telescópio descobre cinco planetas fora do Sistema Solar
Novos exoplanetas - na foto, com os tamanhos comparados aos da Terra (1ª, da dir. para esq.) e Júpiter (3º, da dir. para esq.) - seriam quentes para acolher uma forma de vida como concebemos na Terra(AFP / Terra) O telescópio americano Kepler, da Nasa, agência espacial americana, descobriu cinco exoplanetas - planetas que se localizam fora do Sistema Solar - todos muito quentes para acolher uma forma de vida como concebemos na Terra, anunciaram nesta segunda-feira responsáveis da missão. A sonda foi lançada em março de 2009 com o objetivo de descobrir exoplanetas.
"Estas observações permitem compreender melhor como se formam e evoluem os sistemas planetários a partir dos discos de gás e poeira cósmica para o nascimento das estrelas e de seus planetas", disse William Borucki, do centro de pesquisa Ames, da Nasa, responsável pela equipe científica do Kepler.
"Estas descobertas mostram ainda que os instrumentos funcionam bem e que o Kepler poderá cumprir com seus objetivos", destacou Borucki, por ocasião do 215º congresso da Sociedade de Astronomia americana (AAS), em Washington.
"Estas observações permitem compreender melhor como se formam e evoluem os sistemas planetários a partir dos discos de gás e poeira cósmica para o nascimento das estrelas e de seus planetas", disse William Borucki, do centro de pesquisa Ames, da Nasa, responsável pela equipe científica do Kepler.
"Estas descobertas mostram ainda que os instrumentos funcionam bem e que o Kepler poderá cumprir com seus objetivos", destacou Borucki, por ocasião do 215º congresso da Sociedade de Astronomia americana (AAS), em Washington.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Brasil participa de buscas por planetas fora do Sistema Solar
(Agência USP / JB / Terra) A Agência Espacial Francesa (Cnes) anunciou esta semana, durante a comemoração dos três primeiros anos em órbita do satélite franco-europeu-brasileiro CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits), a decisão de prosseguir com a missão por mais três anos. O projeto do satélite CoRoT é uma parceria internacional de laboratórios franceses e de mais seis países europeus, além do Brasil.
O principal objetivo do projeto é buscar exoplanetas (planetas que não fazem partem do Sistema Solar). A busca é principalmente por planetas pequenos rochosos, parecidos com a Terra, locais onde as superfícies sólidas ou líquidas poderiam oferecer condições para o surgimento de vida.
"É importante ressaltar que planetas maiores, como Júpiter e Saturno, no caso do Sistema Solar, têm sua camada mais externa composta por gases", explica o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, Eduardo Janot, presidente do comitê CoRoT-Brasil.
Alcântara
Outra função do CoRoT é o estudo de oscilações estelares através das variações de emissão de luz das estrelas, os estelemotos, algo como terremotos que ocorrem nas estrelas. Esses fenômenos permitem analisar a propagação dessas vibrações até o interior das estrelas, o que ajuda a entender o comportamento destes corpos celestes e até mesmo fazer algumas analogias com o comportamento do Sol.
Além da Agência Espacial Francesa, participam laboratórios científicos da Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália, na Europa. No Brasil, os principais centros de pesquisas astronômicas nacionais participam do projeto.
Para França, foram enviados cinco pesquisadores brasileiros que auxiliaram no desenvolvimento de um software de tratamento dos dados enviados pelo satélite. Outra participação brasileira é com o Centro Espacial de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, que abriga umas das três bases terrestres para as quais o satélite envia os dados coletados. "Com a entrada da Base de Alcântara no projeto, houve um aumento de 80 para 120 mil estrelas observadas", aponta Janot.
Lançado em dezembro de 2006, a missão do satélite deveria durar três anos, mas os resultados foram tão positivos que os coordenadores do projeto dos diversos países participantes decidiram dar continuidade aos trabalhos do CoRoT.
Dentre as principais descobertas do satélite nos último três anos estão uma dezena de exoplanetas, além centenas de outros astros que necessitam de observações do solo para que possam ser enquadrados como exoplanetas. O principal destaque nesta área vai para o CoRoT 7-b, o primeiro planeta rochoso descoberto fora do Sistema Solar com massa e densidade próximas a da Terra.
Dentro da sismologia estelar - aquela que analisa, entre outros fenômenos, os estelemotos -, o satélite descobriu novos tipos de variações de luz, muitas delas até então desconhecidas pela astronomia. "A descoberta dessas novas variações abre espaço para novas perspectivas no conhecimento estelar e na física das estrelas", diz Janot.
Com a continuação do Projeto CoRoT, algumas pesquisas devem ser aprofundadas. Uma delas é o enfoque nos estudos destes pequenos planetas rochosos, planetas os quais podem abrigar alguma forma de vida. Outro enfoque da pesquisa com exoplanetas será a busca pelas chamadas "Super Terras quentes", planetas com uma massa um pouco maior do que a Terra e mais próximos de suas estrelas.
O principal objetivo do projeto é buscar exoplanetas (planetas que não fazem partem do Sistema Solar). A busca é principalmente por planetas pequenos rochosos, parecidos com a Terra, locais onde as superfícies sólidas ou líquidas poderiam oferecer condições para o surgimento de vida.
"É importante ressaltar que planetas maiores, como Júpiter e Saturno, no caso do Sistema Solar, têm sua camada mais externa composta por gases", explica o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, Eduardo Janot, presidente do comitê CoRoT-Brasil.
Alcântara
Outra função do CoRoT é o estudo de oscilações estelares através das variações de emissão de luz das estrelas, os estelemotos, algo como terremotos que ocorrem nas estrelas. Esses fenômenos permitem analisar a propagação dessas vibrações até o interior das estrelas, o que ajuda a entender o comportamento destes corpos celestes e até mesmo fazer algumas analogias com o comportamento do Sol.
Além da Agência Espacial Francesa, participam laboratórios científicos da Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália, na Europa. No Brasil, os principais centros de pesquisas astronômicas nacionais participam do projeto.
Para França, foram enviados cinco pesquisadores brasileiros que auxiliaram no desenvolvimento de um software de tratamento dos dados enviados pelo satélite. Outra participação brasileira é com o Centro Espacial de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, que abriga umas das três bases terrestres para as quais o satélite envia os dados coletados. "Com a entrada da Base de Alcântara no projeto, houve um aumento de 80 para 120 mil estrelas observadas", aponta Janot.
Lançado em dezembro de 2006, a missão do satélite deveria durar três anos, mas os resultados foram tão positivos que os coordenadores do projeto dos diversos países participantes decidiram dar continuidade aos trabalhos do CoRoT.
Dentre as principais descobertas do satélite nos último três anos estão uma dezena de exoplanetas, além centenas de outros astros que necessitam de observações do solo para que possam ser enquadrados como exoplanetas. O principal destaque nesta área vai para o CoRoT 7-b, o primeiro planeta rochoso descoberto fora do Sistema Solar com massa e densidade próximas a da Terra.
Dentro da sismologia estelar - aquela que analisa, entre outros fenômenos, os estelemotos -, o satélite descobriu novos tipos de variações de luz, muitas delas até então desconhecidas pela astronomia. "A descoberta dessas novas variações abre espaço para novas perspectivas no conhecimento estelar e na física das estrelas", diz Janot.
Com a continuação do Projeto CoRoT, algumas pesquisas devem ser aprofundadas. Uma delas é o enfoque nos estudos destes pequenos planetas rochosos, planetas os quais podem abrigar alguma forma de vida. Outro enfoque da pesquisa com exoplanetas será a busca pelas chamadas "Super Terras quentes", planetas com uma massa um pouco maior do que a Terra e mais próximos de suas estrelas.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Cientistas descobrem planeta parecido com a Terra

(AFP / Terra) Um grupo de astrônomos descobriu um novo planeta muito parecido com a Terra, maior do que ela, e que poderia ter mais da metade de sua superfície coberta por água, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira na revista especializada Nature.
A "Super-Terra", como está sendo chamado o planeta (cujo nome oficial é GJ 1214b), está a 42 anos-luz de distância em outro sistema solar, e seu raio é 2,7 vezes maior que o da Terra.
Sua descoberta, relatada no estudo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, representa "um grande passo à frente" na busca por mundos semelhantes à Terra, estimou Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, que escreveu um comentário sobre a "Super-Terra" na Nature. O que ainda falta descobrir é a composição gasosa de seu entorno, destacou.
O GJ 1214b tem uma órbita de 38 horas em torno de uma estrela pequena e fraca, que foi vista pela primeira vez por oito telescópios terrestres comuns - não muito maiores daqueles usados por observadores amadores, de acordo com o Centro Harvard-Smithsonian.
Sua relativa proximidade torna possível estudá-lo a ponto de determinar sua atmosfera. "Isso faria dele a primeira 'Super-Terra' com atmosfera confirmada - mesmo que esta atmosfera provavelmente não seja boa para a vida como a conhecemos", explicou David Charbonneau, que coordenou a equipe de pesquisa.
A temperatura do novo planeta, no entanto, é muito alta para abrigar formas de vida como as terrestres, explicaram os cientistas do Centro Harvard-Smithsonian em uma nota.
Sua densidade sugere que "é composto por cerca de três quartos de água e gelo, e um quarto é rocha", segundo a pesquisa. "Há também fortes indícios de que o planeta possua uma atmosfera gasosa".
Os cientistas calcularam a temperatura do GJ 1214b entre 120 e 280 graus Celsius - apesar da estrela central de seu sistema solar ter cerca de um quinto do tamanho do Sol.
"Apesar de sua temperatura alta, este parece ser um mundo de água", disse Zachory Berta, estudante que primeiro identificou indicações da presença do planeta.
"É muito menor, mais frio e mais parecido com a Terra do que qualquer outro exoplaneta", indicou Berta em uma nota. Exoplaneta ou planeta extra-solar é qualquer um localizado fora do nosso Sistema Solar.
Berta explicou que parte da água da "Super-Terra" provavelmente está em estado cristalino, que existe em ambientes com pressão atmosférica pelo menos 20 mil vezes superior à encontrada ao nível do mar em nosso planeta.
Entretanto, numa comparação com o CoRoT-7b - outro planeta descoberto pelos cientistas que apresenta semelhanças com a Terra -, o GJ 1214b é bem mais fresco, segundo os astrônomos.
O CoRoT-7b, por outro lado, tem densidade próxima à da Terra (5,5 gramas por centímetro cúbico) e parece ser rochoso, enquanto o novo planeta aparenta ser bem menos denso, com 1,9 grama por centímetro cúbico.
"Para manter a densidade do planeta tão baixa assim é preciso que contenha grandes quantidades de água", afirmou Marcy. "Deve haver uma enorme quantidade de água, pelo menos 50% de sua massa".
A "Super-Terra", como está sendo chamado o planeta (cujo nome oficial é GJ 1214b), está a 42 anos-luz de distância em outro sistema solar, e seu raio é 2,7 vezes maior que o da Terra.
Sua descoberta, relatada no estudo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, representa "um grande passo à frente" na busca por mundos semelhantes à Terra, estimou Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, que escreveu um comentário sobre a "Super-Terra" na Nature. O que ainda falta descobrir é a composição gasosa de seu entorno, destacou.
O GJ 1214b tem uma órbita de 38 horas em torno de uma estrela pequena e fraca, que foi vista pela primeira vez por oito telescópios terrestres comuns - não muito maiores daqueles usados por observadores amadores, de acordo com o Centro Harvard-Smithsonian.
Sua relativa proximidade torna possível estudá-lo a ponto de determinar sua atmosfera. "Isso faria dele a primeira 'Super-Terra' com atmosfera confirmada - mesmo que esta atmosfera provavelmente não seja boa para a vida como a conhecemos", explicou David Charbonneau, que coordenou a equipe de pesquisa.
A temperatura do novo planeta, no entanto, é muito alta para abrigar formas de vida como as terrestres, explicaram os cientistas do Centro Harvard-Smithsonian em uma nota.
Sua densidade sugere que "é composto por cerca de três quartos de água e gelo, e um quarto é rocha", segundo a pesquisa. "Há também fortes indícios de que o planeta possua uma atmosfera gasosa".
Os cientistas calcularam a temperatura do GJ 1214b entre 120 e 280 graus Celsius - apesar da estrela central de seu sistema solar ter cerca de um quinto do tamanho do Sol.
"Apesar de sua temperatura alta, este parece ser um mundo de água", disse Zachory Berta, estudante que primeiro identificou indicações da presença do planeta.
"É muito menor, mais frio e mais parecido com a Terra do que qualquer outro exoplaneta", indicou Berta em uma nota. Exoplaneta ou planeta extra-solar é qualquer um localizado fora do nosso Sistema Solar.
Berta explicou que parte da água da "Super-Terra" provavelmente está em estado cristalino, que existe em ambientes com pressão atmosférica pelo menos 20 mil vezes superior à encontrada ao nível do mar em nosso planeta.
Entretanto, numa comparação com o CoRoT-7b - outro planeta descoberto pelos cientistas que apresenta semelhanças com a Terra -, o GJ 1214b é bem mais fresco, segundo os astrônomos.
O CoRoT-7b, por outro lado, tem densidade próxima à da Terra (5,5 gramas por centímetro cúbico) e parece ser rochoso, enquanto o novo planeta aparenta ser bem menos denso, com 1,9 grama por centímetro cúbico.
"Para manter a densidade do planeta tão baixa assim é preciso que contenha grandes quantidades de água", afirmou Marcy. "Deve haver uma enorme quantidade de água, pelo menos 50% de sua massa".
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Tirada a primeira foto de um objeto orbitando estrela similar ao Sol

(Engenharia & Astronomia) Astrônomos anunciaram ter tirado a primeira imagem direta de um objeto parecido com um planeta orbitando uma estrela similar ao nosso Sol.
Um avanço similar foi anunciado ano passado, quando astrônomos revelaram imagens diretas de sistemas de um único planeta e de múltiplos planetas. Porém, as estrelas de tais sistemas eram gigantes estelares, muito mais massivas que o nosso Sol.
As imagens deste objeto recém-identificado foram tiradas em Maio e Agosto durante testes do novo instrumento para detecção de planetas no telescópio Subaru no Havaí.
O objeto, designado GJ 758 B, orbita uma estrela que é comparável em massa e temperatura ao nosso Sol, disse Michael McElwain, membro da equipe de pesquisa. A estrela fica a cerca de 50 anos-luz da Terra.
Cientistas não tem certeza se o objeto é um grande planeta ou uma anã marrom. Eles estimam que a massa do objeto é entre 10 a 40 vezes a de Júpiter. Objetos acima de 13 massas de Júpiter (e abaixo da massa necessária para iniciar reações nucleares em estrelas) são considerados anãs marrons.
De qualquer forma, McElwain diz que a imagem é animadora. “Anãs marrons que acompanham estrelas de tipo solar são extremamente raras,” disse ele. A distância entre o objeto e a sua estrela seria aproximadamente a mesma distância entre o Sol e Netuno.
O fato de que um objeto tão grande possa estar orbitando nesta localização desafia a maneira tradicional de pensar na maneira com que planetas se formam, disse McElwain. Astrônomos acreditam que a maioria dos grandes planetas se formam ou mais perto ou mais longe de suas estrelas, mas não onde GJ 758 B está agora.
“Esta desafiadora mas linda detecção de um objeto de pouca massa orbitando uma estrela parecida com o Sol nos lembra novamente do quão pouco nós realmente sabemos sobre o censo de gigantes gasosos e anãs marrons orbitando estrelas próximas,” disse Alan Boss, um astrônomo no Instituto Carnegie de Ciência em Washington. Boss não esteve envolvido com a pesquisa. “Observações como essa ajudam a desvendar a forma como esta estranha população de corpos conseguiu se formar e evoluir.”
O instrumento no Telescópio Subaru é parte de uma nova geração de instrumentos feitos espacialmente para detectar objetos perto de uma estrela brilhando, criando um eclipse artificial para bloquear sua intensa luz.
Os cientistas disseram que as imagens do Subaru revelaram um possível segundo objeto orbitando a estrela, que está sendo chamado de GJ 758 C, embora mais observações sejam necessárias para confirmar se este objeto está realmente próximo à estrela ou apenas aparenta estar.
Os resultados foram divulgados na internet no dia 18 de Novembro em uma versão eletrônica das Cartas do Jornal de Astrofísica.
Um avanço similar foi anunciado ano passado, quando astrônomos revelaram imagens diretas de sistemas de um único planeta e de múltiplos planetas. Porém, as estrelas de tais sistemas eram gigantes estelares, muito mais massivas que o nosso Sol.
As imagens deste objeto recém-identificado foram tiradas em Maio e Agosto durante testes do novo instrumento para detecção de planetas no telescópio Subaru no Havaí.
O objeto, designado GJ 758 B, orbita uma estrela que é comparável em massa e temperatura ao nosso Sol, disse Michael McElwain, membro da equipe de pesquisa. A estrela fica a cerca de 50 anos-luz da Terra.
Cientistas não tem certeza se o objeto é um grande planeta ou uma anã marrom. Eles estimam que a massa do objeto é entre 10 a 40 vezes a de Júpiter. Objetos acima de 13 massas de Júpiter (e abaixo da massa necessária para iniciar reações nucleares em estrelas) são considerados anãs marrons.
De qualquer forma, McElwain diz que a imagem é animadora. “Anãs marrons que acompanham estrelas de tipo solar são extremamente raras,” disse ele. A distância entre o objeto e a sua estrela seria aproximadamente a mesma distância entre o Sol e Netuno.
O fato de que um objeto tão grande possa estar orbitando nesta localização desafia a maneira tradicional de pensar na maneira com que planetas se formam, disse McElwain. Astrônomos acreditam que a maioria dos grandes planetas se formam ou mais perto ou mais longe de suas estrelas, mas não onde GJ 758 B está agora.
“Esta desafiadora mas linda detecção de um objeto de pouca massa orbitando uma estrela parecida com o Sol nos lembra novamente do quão pouco nós realmente sabemos sobre o censo de gigantes gasosos e anãs marrons orbitando estrelas próximas,” disse Alan Boss, um astrônomo no Instituto Carnegie de Ciência em Washington. Boss não esteve envolvido com a pesquisa. “Observações como essa ajudam a desvendar a forma como esta estranha população de corpos conseguiu se formar e evoluir.”
O instrumento no Telescópio Subaru é parte de uma nova geração de instrumentos feitos espacialmente para detectar objetos perto de uma estrela brilhando, criando um eclipse artificial para bloquear sua intensa luz.
Os cientistas disseram que as imagens do Subaru revelaram um possível segundo objeto orbitando a estrela, que está sendo chamado de GJ 758 C, embora mais observações sejam necessárias para confirmar se este objeto está realmente próximo à estrela ou apenas aparenta estar.
Os resultados foram divulgados na internet no dia 18 de Novembro em uma versão eletrônica das Cartas do Jornal de Astrofísica.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Química das estrelas denuncia presença de planetas extrassolares
Visão artística de uma estrela jovem cercada por um disco protoplanetário, a partir do qual os planetas se formarão. Nesse processo, algum fenômeno físico ainda não explica causa a destruição do lítio presente na estrela.[Imagem: ESO/L. Calçada] (Inovação Tecnológica) A ciência levou séculos para destruir a ideia mística de que a Terra era o centro do Universo. Não foi tanto tempo, mas demorou para que os próprios cientistas admitissem que havia planetas circundando outras estrelas que não o Sol.
Quanto tempo ainda levará para que a ciência admita que a vida não é exclusividade da Terra é uma questão em aberto. Mas é também uma questão que está ficando mais fácil de responder conforme aumenta a quantidade de planetas extrassolares localizados, que já se contam às centenas. E esse número agora deverá aumentar em um ritmo ainda mais intenso.
Olhando para as estrelas
E uma nova técnica poderá facilitar ainda mais a localização de planetas fora do Sistema Solar. A sonda espacial Corot está fazendo um trabalho brilhante, o telescópio Kepler já está aquecendo seus instrumentos científicos e os próprios cálculos dos astrônomos melhoraram muito, permitindo que planetas fossem encontrados até mesmo no arquivo morto do telescópio Hubble.
Mas ficaria ainda mais fácil encontrar sistemas planetários espalhados pela galáxia se fosse possível detectá-los analisando diretamente apenas a sua estrela, sem precisar esperar que os planetas transitem entre a estrela e nossos observatórios.
Lítio sumido
Isto agora é possível, graças a uma descoberta feita por cientistas do observatório europeu ESO.
"Por quase 10 anos nós vimos tentando descobrir o que distingue as estrelas com sistemas planetários das estrelas solitárias," conta Garik Israelian, um dos autores da pesquisa. "Nós agora descobrimos que a quantidade de lítio presente nas estrelas semelhantes ao Sol depende se ela tem ou não planetas."
Há décadas os astrônomos perceberam que o Sol tinha uma quantidade pequena demais de lítio em comparação com outras estrelas, mas ninguém havia encontrado uma explicação razoável para a anomalia.
Com a descoberta de centenas de planetas extrassolares - também conhecidos como exoplanetas - os cientistas puderam finalmente comparar as estrelas em torno das quais esses planetas giram. E descobriram um traço distintivo: a baixa concentração de lítio.
"A explicação desse quebra-cabeças de mais de 60 anos surgiu para nós de forma extremamente simples. Falta lítio no Sol porque ele tem planetas," diz Israelian.
Elemento pré-histórico
Depois de analisar mais de 500 estrelas, incluindo 70 que possuem planetas, os cientistas descobriram que a maioria das estrelas com planetas possui menos de 1% da quantidade de lítio existente nas estrelas sem planetas. Os cientistas descartaram várias outras possibilidades para explicar a ausência de lítio, incluindo a idade das estrelas.
Ao contrário da maioria dos outros elementos mais leves do que o ferro, os núcleos leves do lítio, do berilo e do boro não são produzidos em quantidades significativas nas estrelas. Os cientistas acreditam que o lítio especificamente, composto de apenas três prótons e quatro nêutrons, deve ter sido produzido nos primeiros momentos do Universo, logo após o Big Bang.
Seleção de estrelas candidatas
Desta forma, a maioria das estrelas tem quantidades semelhantes de lítio, a menos que elas o destruam. Os mecanismos pelos quais o nascimento dos planetas destrói o lítio de suas estrelas ainda estão por ser desvendados.
"Há várias formas pelas quais um planeta pode conturbar os movimentos internos da matéria no interior da sua estrela, com isso causando rearranjos na distribuição dos vários elementos químicos e possivelmente causando a destruição do lítio. A bola agora está com os teóricos, para que eles tentem vislumbrar qual possibilidade é mais plausível," disse Michel Mayor, outro membro da equipe.
Sem depender da explicação, o fato é que os cientistas agora contam com uma nova forma, mais rápida e mais barata, de procurar por sistemas planetários. A técnica também deverá ser utilizada pelas equipes que já utilizam outros métodos, refinando o seu campo de busca e selecionando as estrelas mais promissoras para que novos planetas possam ser encontrados.
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