terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Poderá Alfa Centauri abrigar planetas tipo Terra em sua zona de habitação?


(Eternos Aprendizes) Os sistemas binários turbulentos, tais como nossos companheiros mais próximos (sistema tríplice Alfa Centauri, distante 4,2 anos-luz da Terra) podem hospedar planetas do tamanho da Terra em órbitas dentro da zona de habitação?

Até agora os cientistas têm estado incertos se planetas podem se formar em ambientes caoticamente instáveis existentes em sistemas binários. Nestes sistemas o par de estrelas pratica um legitimo ‘cabo-de-guerra’ gravitacional que provavelmente prejudica a formação planetária. Alguns estudos recentes sugerem a possibilidade de formação de objetos planetários, mas estas análises anteriores têm focado na modelagem de apenas o estágio final da formação planetária.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Luz direta de um exoplaneta é captada pela primeira vez



Procura de vida no Universo
(Inovação Tecnológica) Ao estudar um sistema planetário triplo, que se parece um pouco com uma versão ampliada da família de planetas que orbita o nosso próprio Sol, astrônomos obtiveram o primeiro espectro direto - uma "impressão digital química" - de um planeta em órbita de uma estrela distante.

O feito permitiu a aquisição de informações inéditas sobre a formação e composição do planeta.

Este resultado representa um marco na procura de vida no Universo.

"O espectro de um planeta é como uma impressão digital. Ele nos Fornece informações importantes sobre os elementos químicos que se encontram na sua atmosfera," explica Markus Janson, um dos autores do artigo que relata a nova descoberta. "Com esta informação, podemos compreender melhor como é que o planeta se formou e, no futuro, poderemos inclusive descobrir possíveis marcas da presença de vida."

Exoplanetas gigantes
O espectro eletromagnético obtido é de um exoplaneta gigante que orbita uma estrela muito jovem e brilhante, chamada HR 8799, que se encontra a cerca de 130 anos-luz da Terra. A estrela tem uma vez e meia a massa do Sol e abriga um sistema planetário que se assemelha a um modelo em larga escala do nosso próprio Sistema Solar.

Em 2008, outra equipe de pesquisadores detectou três planetas gigantes circundando a estrela, com massas entre 7 e 10 vezes a massa de Júpiter. Eles estão entre 20 e 70 vezes mais afastados da sua estrela hospedeira do que a Terra está do Sol; o sistema possui também dois cinturões de objetos menores, semelhantes aos cinturões de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.

"O nosso alvo era o planeta no meio dos três, que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter e apresenta uma temperatura de cerca de 800 graus Celsius," diz Carolina Bergfors, também membro da equipe. "Após mais de cinco horas de tempo de exposição, conseguimos extrair o espectro do planeta da radiação da estrela, que é muitíssimo mais brilhante."

Eclipse exoplanetário
Esta é a primeira vez que o espectro de um exoplaneta orbitando uma estrela normal do tipo solar foi obtido de maneira direta. Anteriormente, os únicos espectros obtidos necessitavam que um telescópio espacial observasse a passagem de um exoplaneta por detrás da estrela hospedeira, num chamado "eclipse exoplanetário". Em seguida, o espectro podia ser obtido comparando a radiação vinda da estrela antes e depois do eclipse.

No entanto, este método só pode ser aplicado se a orientação da órbita do exoplaneta é exata, o que acontece apenas para uma pequena fração de todos os sistemas exoplanetários.

Observação direta
O espectro agora obtido, por outro lado, foi captado a partir do solo, utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (VLT - ESO), em observação direta, que não depende da orientação da órbita do planeta.

Este é um resultado extraordinário, uma vez que a estrela hospedeira é vários milhares de vezes mais brilhante do que o planeta. "É como tentar ver de que é feita uma vela, observando-a a uma distância de dois quilômetros e estando ela ao lado de uma lâmpada tremendamente brilhante de 300 watts," diz Janson.
O NACO (Nasmyth Adaptive Optics System) é um instrumento que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. [Imagem: ESO]

A descoberta foi possível graças ao NACO (Nasmyth Adaptive Optics System), um instrumento montado no VLT, que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. Espera-se obter imagens e espectros ainda mais precisos de exoplanetas gigantes com o instrumento de próxima geração SPHERE, que será instalado no VLT em 2011, e com o European Extremely Large Telescope.

Os novos dados mostram que a atmosfera que envolve o planeta é ainda mal compreendida. "As riscas observadas no espectro não são compatíveis com os modelos teóricos atuais," explica o coautor Wolfgang Brandner. "É preciso levar em consideração uma descrição mais detalhada das nuvens de poeira atmosférica ou, alternativamente, aceitar que a atmosfera tem uma composição química diferente da anteriormente prevista."

Os astrônomos esperam ter rapidamente as impressões digitais dos outros dois planetas gigantes, de modo a poderem comparar, pela primeira vez, os espectros de três planetas pertencentes ao mesmo sistema. "Deste modo iremos certamente compreender melhor os processos que levam à formação de sistemas planetários como o nosso," conclui Janson.

O que é um espectro eletromagnético?
Como se pode ver em um arco-íris, a luz branca se divide em diferentes cores. Da mesma forma, os astrônomos separam artificialmente a luz que recebem de objetos distantes nas suas diferentes cores - ou comprimentos de onda.

No entanto, enquanto nossos olhos são capazes de distinguir cinco ou seis cores no arco-íris, os astrônomos mapeiam centenas de matizes, produzindo um espectro - o registro das diferentes quantidades de radiação que o objeto emite em cada estreita faixa colorida.

Os detalhes de um espectro - mais radiação emitida em determinadas cores e menos noutras - fornecem sinais inequívocos acerca da composição química da matéria que produz essa radiação.

A espectroscopia, o campo da ciência que estuda os espectros, torna-se assim uma importante ferramenta na investigação astronômica.

O que é óptica adaptativa?
A turbulência da atmosfera terrestre impõe sobre os telescópios instalados no solo - em oposição aos telescópios espaciais - um efeito que resulta em imagens borradas.

É esta turbulência que faz com que as estrelas pisquem - algo muito atraente para os poetas, mas um terror para os astrônomos, uma vez que as poéticas piscadas destroem os detalhes das imagens.

No entanto, esse problema pode ser contornado com as técnicas de óptica adaptativa, que permitem que um telescópio terrestre produza imagens tão nítidas quanto teoricamente possível, ou seja, que se aproximem das condições de observação conseguidas a partir do espaço.

Os sistemas de óptica adaptativa funcionam por meio de um espelho deformável controlado por computador, que neutraliza a distorção da imagem originada pela turbulência atmosférica.

As correções ópticas são feitas em tempo real, calculadas em alta velocidade (muitas centenas de vezes por segundo) a partir de imagens obtidas por uma câmara especial que monitora a radiação emitida por uma estrela de referência.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Outras terras


(Ciência Hoje) Mais de 350 planetas já foram localizados fora do Sistema Solar. Para falar sobre esses corpos celestes e a atuação do satélite europeu CoRot – que tem participação brasileira – em algumas dessas descobertas, o Estúdio CH recebe o astrofísico Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do IAG/USP e presidente do Comitê CoRot-Brasil.

Já foram identificados mais de 350 planetas em sistemas solares diferentes do nosso. O satélite europeu CoRot – que tem participação de pesquisadores brasileiros – atuou na descoberta de alguns desses corpos celestes. Para falar sobre os chamados exoplanetas e as atividades do CoRot, o Estúdio CH recebe esta semana o astrofísico Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Comitê CoRot-Brasil.

O CoRot foi lançado ao espaço em 2006 e teve sua missão renovada por mais três anos no final de 2009. Além de descobrir planetas extrassolares, esse satélite de alta precisão mede oscilações de estrelas – um fenômeno similar aos terremotos e que permite entender mais a física desses astros. Os pesquisadores brasileiros que participam do projeto realizam pesquisas sobre rotação estelar, instabilidade das estruturas das estrelas, atividade magnética dos planetas, exoplanetas, entre outros temas.

Em entrevista a Fred Furtado, Pacheco, que é especialista em astrofísica estelar e exoplanetas, explica que esses corpos celestes dividem-se em rochosos (como a Terra) ou gasosos (como Júpiter e Netuno). Segundo ele, até o momento, já foram detectados dois exoplanetas muito semelhantes à Terra em termos de densidade. Além de falar sobre essas descobertas, o pesquisador indica as perspectivas futuras de se descobrirem outros planetas similares à Terra fora do Sistema Solar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Descoberta de planeta habitável é iminente, dizem astrônomos

Dentro de quatro ou cinco anos, estimam especialistas, um planeta capaz de abrigar vida deve ser encontrado

Ilustração mostra como pode ser um planeta semelhante à Terra. Reprodução/Nasa

(Associated Press / Estadão) Astrônomos afirmam que estão à beira de encontrar planetas semelhantes à Terra em órbita de outras estrelas, um passo essencial para determinar se estamos sozinhos no Universo.

Um alto funcionário da Nasa e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, o primeiro planeta semelhante à Terra e capaz de abrigar vida deve ser encontrado, ou talvez até já tenha sido. Um planeta com o tamanho aproximado da Terra pode até mesmo ser anunciado ainda este ano, se certas pistas detectadas por um telescópio espacial se confirmarem.

Na reunião anual da Associação de Astronomia dos Estados Unidos, cada uma das descobertas a respeito de "exoplanetas" - os localizados fora do Sistema Solar - aponta para a mesma conclusão: planetas onde a vida pode surgir provavelmente abundam, a despeito da violência do ambiente espacial, repleto de explosões, buracos negros e colisões.

O novo telescópio espacial Kepler, da Nasa, e diversas novas pesquisas do campo, que de repente se tornou altamente competitivo, da exoplanetologia geraram um notável burburinho na convenção. Cientistas falam que hoje estão num "ponto incrivelmente especial da história", e perto de descobrir a resposta para a pergunta que incomoda a humanidade desde os primórdios da civilização.

"A pergunta fundamental é: estamos sós? Pela primeira vez, há otimismo de que em algum ponto, dentro de nosso tempo de vida, vamos chegar à resposta para isso", disse Simon Worden, astrônomo e chefe do Centro de Pesquisa Espacial Ames, da Nasa. "Se eu fosse de apostar, e sou, apostaria que não estamos sós, que há um monte de vida".

Até mesmo a Igreja Católica realizou conferências científicas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo um simpósio em novembro passado.

"Estas são grandes questões que refletem sobre o significado da raça humana no Universo", disse o padre José Funes, diretor do Observatório do Vaticano, que participa da reunião de astrônomos dos EUA.

Worden disse que "com certeza, espero que dentro de quatro ou cinco anos teremos um planeta do tamanho da Terra dentro de uma zona habitável".

O centro dirigido por Worden controla o telescópio Kepler, que está fazendo um intenso recenseamento planetário.

Diferente do Telescópio Espacial Hubble, que é um instrumento genérico, o Kepler é um telescópio especializado na caça de planetas. Seu único instrumento é um fotômetro que mede o brilho de mais de 100.000 estrelas simultaneamente, em busca de qualquer coisa que faça uma estrela perder brilho. Esse enfraquecimento pode ser sinal de um planeta passando diante da estrela.

Qualquer planeta apto a abrigar vida quase que certamente será rochoso, não gasoso. E precisaria estar no lugar certo. Planetas muito próximos de uma estrela seriam quentes demais, e os muito distantes, excessivamente frios.

"Para todo lugar que olhamos, achamos um planeta", disse o astrônomo Scott Gaudi, da Universidade Estadual de Ohio. "Eles aparecem em todo tipo de lugar, em todo tipo de ambiente".

Pesquisadores estão encontrando planetas num ritmo alucinante. Nos anos 90, eram descobertos um ou dois planetas ao ano. Na maior parte da década passada, a taxa chegou a um ou dois planetas ao mês.

Neste ano, os planetas estão surgindo num ritmo diário, graças ao Kepler. O número de exoplanetas descobertos já supera os 400. Mas nenhum deles tem as características corretas para a vida.

Isto tende a mudar, afirmam os especialistas.

"Do Kepler, temos fortes indicações de planetas menores em grande quantidade, mas elas não foram verificadas ainda", disse Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Mas há uma importante ressalva. A maioria dos primeiros candidatos a exoplaneta do Kepler estão se revelando outras coisas que não planetas, como uma segunda estrela passando na frente da primeira, disse o cientista Bill Borucki.

O Kepler está se concentrando em cerca de 0,25% do céu noturno, analisando estrelas a distâncias de centenas a milhares de anos-luz. Os planetas descobertos por ele são muito distantes para que se possa viajar até eles, e não podem ser observados diretamente, como os que se encontram no Sistema Solar.

Se houver um planeta como a Terra na área de busca do Kepler, o telescópio o encontrará, disse Marcy. Mas podem ser necessários até três anos para confirmar a órbita de um planeta.

O que o Kepler confirmou até agora aponta para a ideia de que há muitas outras Terras. Antes do telescópio espacial, esses corpos eram pequenos demais para serem vistos. Borucki, nesta semana, anunciou a descoberta de cinco novos exoplanetas, em apenas seis semanas de observações. Mas esses planetas são muito grandes e estão no lugar errado para serem como a Terra.

Quando o Kepler olhou para 43.000 estrelas que são praticamente do mesmo tamanho que o Sol, determinou que cerca de dois terços delas parecem ser tão amigáveis para a vida e estáveis como a nossa.

Marcy, que anunciou a descoberta de um planeta apenas quatro vezes maior que a Terra, não gosta de especular sobre quantas estrelas podem ter planetas semelhantes à Terra. Mas, quando pressionado, disse, na quinta-feira, 7: "70% de todas as estrelas têm planetas rochosos".

Embora os astrônomos da convenção estejam otimistas, Marcy é mais cético, assim como Jill Tarter, diretora do Instituto SETI, que busca vida inteligente fora da Terra. Eles dizem que, a despeito de todo o otimismo, ainda é possível que a busca deixe todos de mãos vazias.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,descoberta-de-planeta-habitavel-e-iminente-dizem-astronomos,492620,0.htm

sábado, 9 de janeiro de 2010

Ainda não conhecemos nosso lugar no Universo

O estudo é sério e foi muito bem feito. Mas as conclusões devem ser vistas com cautela. Com a mesma cautela dos inúmeros outros que tentaram, por meio de cálculos sem embasamento adequado, impedir ou denegrir os estudos que buscam vida fora da Terra. [Imagem: NASA]
Outras Terras
(Inovação Tecnológica) Graças às novas tecnologias desenvolvidas ao longo dos últimos 20 anos, a capacidade de encontrar exoplanetas - planetas que circundam outras estrelas que não o Sol - fez com que esse campo de pesquisas saltasse das conjecturas para a contagem direta de corpos celestes antes considerados meras especulações.

Mas estas tecnologias são novas e precisam de refinamentos. Isto tem feito com que, até agora, só tenham sido encontrados planetas gigantescos e quentes, orbitando suas estrelas a ponto de quase tocá-las.

O Telescópio Espacial Kepler é a mais poderosa dessas novas ferramentas e já apresentou suas primeiras descobertas. Mas ele deverá ser o primeiro a encontrar "outras Terras," exoplanetas circundando suas estrelas em órbitas que permitam condições de vida semelhantes às da Terra.

De 1% a 45%
Até lá, o campo continuará dependente de cálculos. Outros pesquisadores já fizeram suas contas e concluíram que nosso Sistema Solar é muito especial - suas simulações levaram-nos a crer que 1% dos sistemas planetários da Via Láctea seriam semelhantes ao nosso.

Agora, uma nova pesquisa elevou esse número para impressionantes 15%. O mesmo pesquisador já havia feito um cálculo que resultara em 45%.

Segundo a análise, apresentada durante a reunião da Sociedade Astronômica dos Estados Unidos, em Washington, 15% de todas as estrelas em nossa galáxia compõem sistemas solares como o nosso, que conta com diversos planetas gigantes gasosos em sua parte mais externa.

Teorias frágeis
Mas o novo estudo parece demonstrar mais a fragilidade dos cálculos e projeções do que fornecer qualquer novo alento às buscas por outras formas de vida - a conclusão foi tirada do estudo de um único sistema extrassolar.

"Apesar dessa determinação inicial de 15% ser baseada em apenas um único sistema como o Sistema Solar, e de o número final poder mudar consideravelmente, nosso estudo indica que podemos começar a fazer tais medidas com os instrumentos de que dispomos hoje", disse Scott Gaudi, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos.

Preconceitos
Ainda hoje é fácil encontrar cientistas que se opõem à busca por civilizações fora da Terra - o Programa Seti somente sobreviveu graças a doações de particulares.

No meio científico, contudo, nenhum preconceito sobrevive às evidências - e a enxurrada de exoplanetas encontrados está alavancando novas pesquisas.

E as evidências parecem dar mais sustentação às novas pesquisas do que cálculos estatisticamente questionáveis - os 15% de agora não parecem ser muito mais seguros do que o 1% de antes, fazendo parecer ridícula a afirmação do pesquisador de que "Agora conhecemos nosso lugar no Universo."

De fato, não conhecemos nosso lugar no Universo e, menos ainda, quantos lugares como o nosso existem espalhados não apenas por nossa galáxia, mas, no mínimo, pelo grupo de galáxias do qual fazemos parte.

Microlente gravitacional
Se as conclusões parecem exageradamente pretensiosas, o mérito da pesquisa é grande. Os resultados do estudo derivam de uma colaboração internacional chamada Microlensing Follow-Up Network (MicroFUN), que tem como objetivo vasculhar o céu em busca de exoplanetas.

Os pesquisadores usam um efeito conhecido como microlente gravitacional, que ocorre quando uma estrela passa na frente da outra, conforme vistas da Terra. A estrela mais próxima amplifica a luz da mais distante, como se fosse uma lente.

Se a estrela mais próxima tiver planetas em órbita, eles aumentam ligeiramente o efeito de ampliação quando passam pelo campo de observação dos instrumentos terrestres.

Esse método é especialmente adequado para detectar planetas gigantes nos extremos de sistemas estelares - planetas parecidos com Júpiter. Talvez uma explicação - a deficiência da tecnologia - para que apenas um sistema solar parecido com o nosso tenha sido detectado até agora. O que lança ainda mais dúvidas sobre a segurança dos cálculos agora apresentados.

Refinamento
A pesquisa é resultado de uma década de estudos. Há dez anos, o astrônomo escreveu sua tese de doutorado a respeito de um método para calcular a probabilidade da existência de planetas extrassolares. Na época, ele concluiu que menos de 45% das estrelas poderiam conter configurações semelhantes à do Sistema Solar.

Em dezembro de 2009, Gaudi estava analisando o espectro de propriedades dos planetas extrassolares encontrados até então, junto com Andrew Gould, professor de Astronomia da Universidade do Estado de Ohio, quando descobriram inesperadamente um padrão.

"Basicamente, verificamos que a resposta já estava na tese de Scott. Ao inserir os últimos quatro anos de dados do MicroFUN nos cálculos feitos há dez anos, conseguimos estimar as frequências dos sistemas planetários", disse Gould.

O estudo é sério e foi muito bem feito. Mas as conclusões devem ser vistas com cautela. Com a mesma cautela dos inúmeros outros que tentaram, por meio de cálculos sem embasamento adequado, impedir ou denegrir os estudos que buscam vida fora da Terra.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cientistas descobrem 2º menor planeta já registrado fora do Sistema Solar

(France Presse / Folha) Astrônomos norte-americanos detectaram o segundo menor exoplaneta --fora do Sistema Solar-- conhecido até o momento, com uma massa de apenas quatro vezes a da Terra.

"Esta é uma descoberta notável porque mostra que encontramos planetas fora de nosso sistema solar cada vez menores", disse o astrônomo Andrew Howard, da Universidade da Califórnia em Berkeley, ao revelar o novo exoplaneta no último dia da 215ª conferência da American Astronomical Society, na quinta-feira (7).

Este planeta longíquo, batizado de HD156668b, fica em um sistema estelar a 80 anos-luz da Terra, na constelação de Hércules. Gravita ao redor de seu astro em quatro dias.

Outros exoplanetas
O menor exoplaneta encontrado até agora é Gliese 581e, que tem quase duas vezes a massa terrestre. Foi detectado em abril de 2009 por um astrônomo suíço e fica a 20,5 anos-luz da Terra. Mas fica em órbita muito perto de seu astro, ou seja, fora da zona habitável, com temperatura elevada.

Já o Corot-7b é o exoplaneta mais parecido com a Terra já encontrado, especialmente por ter constituição rochosa. Mas tem massa maior que os outros, de cerca de cinco vezes a da Terra, o que é ainda bem pouco, em contexto mais amplo.

Localizado na órbita de uma estrela a 490 anos-luz da Terra, deve ter sido um gigante com proporções similares a Júpiter, mas perdeu matéria ao longo do tempo até ficar apenas 70% maior do que a Terra, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira (7).

No início da semana, a equipe científica do novo telescópio espacial americano Kepler, lançado em março de 2009 em busca de planetas similares à Terra fora do Sistema Solar, anunciou na conferência a descoberta de cinco novos exoplanetas, todos de grandes dimensões e muito quentes, com temperaturas de 1.200 ºC a 1.648 ºC.

Mas a comunidade astronômica manifestou confiança de que, com o novo telescópio, e com o satélite Corot lançado previamente pelos europeus, exoplanetas do tamanho da Terra sejam descobertos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Planeta parecido com Terra era gigante como Júpiter e emagreceu, diz astrofísico

(Folha) O objeto mais parecido com a Terra já encontrado fora do Sistema Solar ganhou sua forma de um jeito inusitado, sugere um novo estudo.

Segundo o trabalho, o planeta Corot-7b, localizado na órbita de uma estrela a 490 anos-luz da Terra, deve ter sido um gigante com proporções similares a Júpiter, mas perdeu matéria ao longo do tempo até ficar apenas 70% maior do que a Terra.

Segundo Brian Jackson, astrofísico do Centro Goddard, da Nasa, que liderou o estudo, o "emagrecimento" do Corot-7b se deveu a ele estar perto demais de sua estrela-mãe --meros 2,5 milhões de quilômetros, apenas um sexagésimo (1/60) da distância entre a Terra e o Sol.

Aquecido a temperaturas de até 2.000 ºC, sua superfície teria pouca capacidade de reter uma atmosfera muito espessa.

Apresentando o estudo nesta quarta-feira (6) em Washington, no encontro anual da Sociedade Astronômica Americana, Jackson exibiu estimativas de quanta matéria o planeta vem perdendo, e reverteu a conta para trás, tentando inferir como Corot-7b seria num passado distante.

Hoje, esse planeta é de constituição rochosa e tem massa de apenas cerca de 5 vezes a da Terra. Antes de começar a perder muito material, porém, ele poderia ter tamanho até similar a Júpiter, que tem 317 vezes a massa da Terra e é um gigante gasoso com um núcleo de rocha. No passado o planeta pode ter sido mais frio, porque tinha órbita um pouco mais distante.

"Corot-7b pode ser o primeiro de uma nova classe de planetas: núcleos remanescentes de evaporação", disse Jackson, em comunicado à imprensa.