quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tem alguém aí?


(Ciência Hoje) O enorme aumento dos conhecimentos sobre o universo reavivou a antiga pergunta: há vida em outros planetas? Este artigo investiga se os 350 planetas extrassolares da Via Láctea estão em zonas habitáveis.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nova técnica permite examinar atmosfera de planetas distantes


(AFP / Terra) A busca por planetas de outros sistemas solares onde possa existir vida deve ser facilitada por uma nova técnica que permite a utilização de pequenos telescópios em terra, segundo o estudo publicado nesta quinta-feira pela revista científica britânica Nature.

Cerca de 430 planetas que giram em torno de estrelas que não o Sol foram descobertos desde 1995, mas a maioria é de gigantes gasosos como Júpiter e não planetas rochosos como a Terra. Até agora, para analisar a composição química da atmosfera destes corpos celestes chamados exoplanetas, assim como buscar moléculas que mostraram presença de vida, era necessários telescópios espaciais ou grandes telescópios em terra.

Mark Swain, da Nasa, e seus coelgas americanos, britânicos e alemães utilizaram em 2007 um telescópio terrestre de 3 metros, com base no Havaí, para analisar a pequena radiação infravermelho emitida pelo exoplaneta JD 189733b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz da Terra. Inclusive puderam observá-lo em longitudes de onda não acessíveis para telescópios espaciais.

Graças a uma técnica que permite evitar as turbulências da atmosfera terrestre, que podem interferir na imagem dos telescópios, os cientistas descobriram a presença de metano na atmosfrea deste exoplaneta. O exoplaneta JD 189733b, tal como se vê da Terra, passa às vezes diante de sua estrela ou se eclipsa atrás dela. Os astrônomos comparam seu espectro luminoso antes e depois de cada eclipse.

"Com a nova técnica de calibração, podemos distinguir as variações da luz devido ao eclipse do planeta, variações devidas as turbulências atmosféricas e aos próprios detectores", explicou um dos autores Jeroen Bouwman, do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha), em um comunicado.

Os resultados obtidos com telescópios relativamente pequenos em terra são excitantes, segundo o Swain. "Isso significa que, com telescópios maiores em terra, utilizando essa técnica, será possível estudar a atmosfera de planetas similares na Terra", explicou Mark Swain.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Olho brasileiro no espaço

(Correio Braziliense) Missão do satélite CoRoT é prorrogada devido aos bons resultados que alcançou, como a descoberta do primeiro exoplaneta com características semelhantes às da Terra

Foi-se o tempo em que o Brasil assistia de longe às grandes descobertas do mundo espacial. A participação do país em empreendimentos do setor é cada vez maior. Exemplo disso é o CoRoT, satélite desenvolvido por meio de um convênio entre Brasil, França e seis países europeus. O equipamento acumula tantas descobertas que a duração de sua missão foi ampliada em três anos. Assim, ele deve permanecer no espaço pelo menos até 2012.

O CoRoT - sigla para Convection rotation and planetary transitssatelite - tem dois objetivos principais: descobrir exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) e estudar as vibrações das estrelas, conhecidas como estelemotos (equivalente espacial aos terremotos). Os dados enviados para a Terra são analisados por cientistas do Brasil e da França, além de outros seis países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália).

"A grande vantagem de nossa participação no projeto é que todo nosso investimento está sendo revertido em desenvolvimento. Estão direcionados para nossos pesquisadores, nossas bases. Contribuímos com 2% do orçamento e temos acesso a 100% da pesquisa", explica o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela.

De acordo com o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Janot, também presidente do Comitê CoRoT-Brasil, o satélite abre um novo caminho para a pesquisa espacial brasileira. "Essa é a primeira vez que nós temos direitos totais às pesquisas de um satélite. Até hoje, nós apenas podíamos usar, quase que emprestados, os satélites de outros países", comemora.

Parece que o país começou com o pé direito. O CoRoT já está fazendo história, ao ser responsável pela descoberta, feita em fevereiro de 2009, do primeiro exoplaneta semelhante à Terra.

Batizado pelos cientistas de CoRoT-7B, ele orbita uma estrela denominada CoRoT-7, um pouco menor, mais fria e mais jovem do que o Sol. Localizada na constelação de Unicórnio, a estrela está a cerca de 500 anos-luz da Terra. "Foi a primeira vez que um planeta com essas características foi localizado. Foi esta descoberta que comprovou que podem sim existir outros corpos semelhantes à Terra", explica Janot.

O interesse dos pesquisadores em encontrar planetas semelhantes ao nosso se deve à possibilidade de identificar vida extraterrestre. "Para que a vida se desenvolva é preciso que haja condições como temperatura e composição rochosa parecidas com as da Terra. E o primeiro que poderia preencher estes requisitos é o CoRoT-7B", conta o professor da USP.

No entanto, pesquisas já mostraram que não foi desta vez que provamos que não estamos sós no universo. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol. "Portanto, ele é muito quente para abrigar qualquer tipo de vida, mesmo das formas mais primitivas. Mas como descobrimos esse, podemos achar outros ainda mais promissores", completa.

Softwares
Os programas que comandam e garantem o funcionamento do CoRoT foram totalmente desenvolvidos por engenheiros brasileiros. "Quando entramos no projeto, enviamos seis engenheiros para Toulouse, na França, onde o projeto é baseado, e eles desenvolveram toda a parte de software do satélite", explica Eduardo Janot.

Outra contribuição fundamental para o sucesso das pesquisas vem da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. É para lá que são direcionados os dados colhidos quando o satélite está orbitando o Hemisfério Sul. "São apenas três centos de recepção de dados: dois no Hemisfério Norte, localizados na França e no Ártico, e o do Brasil", conta Janot.

Além de identificar novos planetas, o CoRoT ajuda em estudos sobre os chamados estelemotos, que são espécies de terremotos que ocorrem dentro de estrelas. O fenômeno pode ajudar a compreender o comportamento e a estrutura das estrelas. "Nós estudamos estrelas mais velhas na tentativa de prever como será o comportamento do Sol, que é a principal fonte da vida na Terra", diz Janot. "Uma pequena alteração em sua densidade seria fatal para nós. Daí a importância de conhecer tão bem as estrelas."

Depois de três anos em órbita, o satélite seria desativado no fim do ano passado. Entretanto, a missão do CoRoT foi tão bem-sucedida que os pesquisadores do consórcio de sete países que o controlam decidiram prorrogar sua missão por mais três anos.

"É um custo muito alto manter equipes em várias partes do mundo monitorando e recebendo os dados de um satélite, mas as descobertas foram tantas que as agências espaciais optaram por não interromper o experimento agora", explica o cientista paulista.

Com sua data de aposentadoria marcada para 2012, o CoRoT já tem um sucessor em desenvolvimento. Quando parar de funcionar, será substituído pelo Planto, uma versão muito maior e mais moderna. A participação brasileira já está garantida nessa segunda etapa. "No setor espacial, a cooperação internacional é muito importante, e nós estamos cada vez mais ampliando nossa participação", comenta o diretor da Agência Espacial Brasileira, Thyrso Villela.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Poderá Alfa Centauri abrigar planetas tipo Terra em sua zona de habitação?


(Eternos Aprendizes) Os sistemas binários turbulentos, tais como nossos companheiros mais próximos (sistema tríplice Alfa Centauri, distante 4,2 anos-luz da Terra) podem hospedar planetas do tamanho da Terra em órbitas dentro da zona de habitação?

Até agora os cientistas têm estado incertos se planetas podem se formar em ambientes caoticamente instáveis existentes em sistemas binários. Nestes sistemas o par de estrelas pratica um legitimo ‘cabo-de-guerra’ gravitacional que provavelmente prejudica a formação planetária. Alguns estudos recentes sugerem a possibilidade de formação de objetos planetários, mas estas análises anteriores têm focado na modelagem de apenas o estágio final da formação planetária.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Luz direta de um exoplaneta é captada pela primeira vez



Procura de vida no Universo
(Inovação Tecnológica) Ao estudar um sistema planetário triplo, que se parece um pouco com uma versão ampliada da família de planetas que orbita o nosso próprio Sol, astrônomos obtiveram o primeiro espectro direto - uma "impressão digital química" - de um planeta em órbita de uma estrela distante.

O feito permitiu a aquisição de informações inéditas sobre a formação e composição do planeta.

Este resultado representa um marco na procura de vida no Universo.

"O espectro de um planeta é como uma impressão digital. Ele nos Fornece informações importantes sobre os elementos químicos que se encontram na sua atmosfera," explica Markus Janson, um dos autores do artigo que relata a nova descoberta. "Com esta informação, podemos compreender melhor como é que o planeta se formou e, no futuro, poderemos inclusive descobrir possíveis marcas da presença de vida."

Exoplanetas gigantes
O espectro eletromagnético obtido é de um exoplaneta gigante que orbita uma estrela muito jovem e brilhante, chamada HR 8799, que se encontra a cerca de 130 anos-luz da Terra. A estrela tem uma vez e meia a massa do Sol e abriga um sistema planetário que se assemelha a um modelo em larga escala do nosso próprio Sistema Solar.

Em 2008, outra equipe de pesquisadores detectou três planetas gigantes circundando a estrela, com massas entre 7 e 10 vezes a massa de Júpiter. Eles estão entre 20 e 70 vezes mais afastados da sua estrela hospedeira do que a Terra está do Sol; o sistema possui também dois cinturões de objetos menores, semelhantes aos cinturões de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.

"O nosso alvo era o planeta no meio dos três, que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter e apresenta uma temperatura de cerca de 800 graus Celsius," diz Carolina Bergfors, também membro da equipe. "Após mais de cinco horas de tempo de exposição, conseguimos extrair o espectro do planeta da radiação da estrela, que é muitíssimo mais brilhante."

Eclipse exoplanetário
Esta é a primeira vez que o espectro de um exoplaneta orbitando uma estrela normal do tipo solar foi obtido de maneira direta. Anteriormente, os únicos espectros obtidos necessitavam que um telescópio espacial observasse a passagem de um exoplaneta por detrás da estrela hospedeira, num chamado "eclipse exoplanetário". Em seguida, o espectro podia ser obtido comparando a radiação vinda da estrela antes e depois do eclipse.

No entanto, este método só pode ser aplicado se a orientação da órbita do exoplaneta é exata, o que acontece apenas para uma pequena fração de todos os sistemas exoplanetários.

Observação direta
O espectro agora obtido, por outro lado, foi captado a partir do solo, utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (VLT - ESO), em observação direta, que não depende da orientação da órbita do planeta.

Este é um resultado extraordinário, uma vez que a estrela hospedeira é vários milhares de vezes mais brilhante do que o planeta. "É como tentar ver de que é feita uma vela, observando-a a uma distância de dois quilômetros e estando ela ao lado de uma lâmpada tremendamente brilhante de 300 watts," diz Janson.
O NACO (Nasmyth Adaptive Optics System) é um instrumento que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. [Imagem: ESO]

A descoberta foi possível graças ao NACO (Nasmyth Adaptive Optics System), um instrumento montado no VLT, que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. Espera-se obter imagens e espectros ainda mais precisos de exoplanetas gigantes com o instrumento de próxima geração SPHERE, que será instalado no VLT em 2011, e com o European Extremely Large Telescope.

Os novos dados mostram que a atmosfera que envolve o planeta é ainda mal compreendida. "As riscas observadas no espectro não são compatíveis com os modelos teóricos atuais," explica o coautor Wolfgang Brandner. "É preciso levar em consideração uma descrição mais detalhada das nuvens de poeira atmosférica ou, alternativamente, aceitar que a atmosfera tem uma composição química diferente da anteriormente prevista."

Os astrônomos esperam ter rapidamente as impressões digitais dos outros dois planetas gigantes, de modo a poderem comparar, pela primeira vez, os espectros de três planetas pertencentes ao mesmo sistema. "Deste modo iremos certamente compreender melhor os processos que levam à formação de sistemas planetários como o nosso," conclui Janson.

O que é um espectro eletromagnético?
Como se pode ver em um arco-íris, a luz branca se divide em diferentes cores. Da mesma forma, os astrônomos separam artificialmente a luz que recebem de objetos distantes nas suas diferentes cores - ou comprimentos de onda.

No entanto, enquanto nossos olhos são capazes de distinguir cinco ou seis cores no arco-íris, os astrônomos mapeiam centenas de matizes, produzindo um espectro - o registro das diferentes quantidades de radiação que o objeto emite em cada estreita faixa colorida.

Os detalhes de um espectro - mais radiação emitida em determinadas cores e menos noutras - fornecem sinais inequívocos acerca da composição química da matéria que produz essa radiação.

A espectroscopia, o campo da ciência que estuda os espectros, torna-se assim uma importante ferramenta na investigação astronômica.

O que é óptica adaptativa?
A turbulência da atmosfera terrestre impõe sobre os telescópios instalados no solo - em oposição aos telescópios espaciais - um efeito que resulta em imagens borradas.

É esta turbulência que faz com que as estrelas pisquem - algo muito atraente para os poetas, mas um terror para os astrônomos, uma vez que as poéticas piscadas destroem os detalhes das imagens.

No entanto, esse problema pode ser contornado com as técnicas de óptica adaptativa, que permitem que um telescópio terrestre produza imagens tão nítidas quanto teoricamente possível, ou seja, que se aproximem das condições de observação conseguidas a partir do espaço.

Os sistemas de óptica adaptativa funcionam por meio de um espelho deformável controlado por computador, que neutraliza a distorção da imagem originada pela turbulência atmosférica.

As correções ópticas são feitas em tempo real, calculadas em alta velocidade (muitas centenas de vezes por segundo) a partir de imagens obtidas por uma câmara especial que monitora a radiação emitida por uma estrela de referência.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Outras terras


(Ciência Hoje) Mais de 350 planetas já foram localizados fora do Sistema Solar. Para falar sobre esses corpos celestes e a atuação do satélite europeu CoRot – que tem participação brasileira – em algumas dessas descobertas, o Estúdio CH recebe o astrofísico Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do IAG/USP e presidente do Comitê CoRot-Brasil.

Já foram identificados mais de 350 planetas em sistemas solares diferentes do nosso. O satélite europeu CoRot – que tem participação de pesquisadores brasileiros – atuou na descoberta de alguns desses corpos celestes. Para falar sobre os chamados exoplanetas e as atividades do CoRot, o Estúdio CH recebe esta semana o astrofísico Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Comitê CoRot-Brasil.

O CoRot foi lançado ao espaço em 2006 e teve sua missão renovada por mais três anos no final de 2009. Além de descobrir planetas extrassolares, esse satélite de alta precisão mede oscilações de estrelas – um fenômeno similar aos terremotos e que permite entender mais a física desses astros. Os pesquisadores brasileiros que participam do projeto realizam pesquisas sobre rotação estelar, instabilidade das estruturas das estrelas, atividade magnética dos planetas, exoplanetas, entre outros temas.

Em entrevista a Fred Furtado, Pacheco, que é especialista em astrofísica estelar e exoplanetas, explica que esses corpos celestes dividem-se em rochosos (como a Terra) ou gasosos (como Júpiter e Netuno). Segundo ele, até o momento, já foram detectados dois exoplanetas muito semelhantes à Terra em termos de densidade. Além de falar sobre essas descobertas, o pesquisador indica as perspectivas futuras de se descobrirem outros planetas similares à Terra fora do Sistema Solar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Descoberta de planeta habitável é iminente, dizem astrônomos

Dentro de quatro ou cinco anos, estimam especialistas, um planeta capaz de abrigar vida deve ser encontrado

Ilustração mostra como pode ser um planeta semelhante à Terra. Reprodução/Nasa

(Associated Press / Estadão) Astrônomos afirmam que estão à beira de encontrar planetas semelhantes à Terra em órbita de outras estrelas, um passo essencial para determinar se estamos sozinhos no Universo.

Um alto funcionário da Nasa e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, o primeiro planeta semelhante à Terra e capaz de abrigar vida deve ser encontrado, ou talvez até já tenha sido. Um planeta com o tamanho aproximado da Terra pode até mesmo ser anunciado ainda este ano, se certas pistas detectadas por um telescópio espacial se confirmarem.

Na reunião anual da Associação de Astronomia dos Estados Unidos, cada uma das descobertas a respeito de "exoplanetas" - os localizados fora do Sistema Solar - aponta para a mesma conclusão: planetas onde a vida pode surgir provavelmente abundam, a despeito da violência do ambiente espacial, repleto de explosões, buracos negros e colisões.

O novo telescópio espacial Kepler, da Nasa, e diversas novas pesquisas do campo, que de repente se tornou altamente competitivo, da exoplanetologia geraram um notável burburinho na convenção. Cientistas falam que hoje estão num "ponto incrivelmente especial da história", e perto de descobrir a resposta para a pergunta que incomoda a humanidade desde os primórdios da civilização.

"A pergunta fundamental é: estamos sós? Pela primeira vez, há otimismo de que em algum ponto, dentro de nosso tempo de vida, vamos chegar à resposta para isso", disse Simon Worden, astrônomo e chefe do Centro de Pesquisa Espacial Ames, da Nasa. "Se eu fosse de apostar, e sou, apostaria que não estamos sós, que há um monte de vida".

Até mesmo a Igreja Católica realizou conferências científicas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo um simpósio em novembro passado.

"Estas são grandes questões que refletem sobre o significado da raça humana no Universo", disse o padre José Funes, diretor do Observatório do Vaticano, que participa da reunião de astrônomos dos EUA.

Worden disse que "com certeza, espero que dentro de quatro ou cinco anos teremos um planeta do tamanho da Terra dentro de uma zona habitável".

O centro dirigido por Worden controla o telescópio Kepler, que está fazendo um intenso recenseamento planetário.

Diferente do Telescópio Espacial Hubble, que é um instrumento genérico, o Kepler é um telescópio especializado na caça de planetas. Seu único instrumento é um fotômetro que mede o brilho de mais de 100.000 estrelas simultaneamente, em busca de qualquer coisa que faça uma estrela perder brilho. Esse enfraquecimento pode ser sinal de um planeta passando diante da estrela.

Qualquer planeta apto a abrigar vida quase que certamente será rochoso, não gasoso. E precisaria estar no lugar certo. Planetas muito próximos de uma estrela seriam quentes demais, e os muito distantes, excessivamente frios.

"Para todo lugar que olhamos, achamos um planeta", disse o astrônomo Scott Gaudi, da Universidade Estadual de Ohio. "Eles aparecem em todo tipo de lugar, em todo tipo de ambiente".

Pesquisadores estão encontrando planetas num ritmo alucinante. Nos anos 90, eram descobertos um ou dois planetas ao ano. Na maior parte da década passada, a taxa chegou a um ou dois planetas ao mês.

Neste ano, os planetas estão surgindo num ritmo diário, graças ao Kepler. O número de exoplanetas descobertos já supera os 400. Mas nenhum deles tem as características corretas para a vida.

Isto tende a mudar, afirmam os especialistas.

"Do Kepler, temos fortes indicações de planetas menores em grande quantidade, mas elas não foram verificadas ainda", disse Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Mas há uma importante ressalva. A maioria dos primeiros candidatos a exoplaneta do Kepler estão se revelando outras coisas que não planetas, como uma segunda estrela passando na frente da primeira, disse o cientista Bill Borucki.

O Kepler está se concentrando em cerca de 0,25% do céu noturno, analisando estrelas a distâncias de centenas a milhares de anos-luz. Os planetas descobertos por ele são muito distantes para que se possa viajar até eles, e não podem ser observados diretamente, como os que se encontram no Sistema Solar.

Se houver um planeta como a Terra na área de busca do Kepler, o telescópio o encontrará, disse Marcy. Mas podem ser necessários até três anos para confirmar a órbita de um planeta.

O que o Kepler confirmou até agora aponta para a ideia de que há muitas outras Terras. Antes do telescópio espacial, esses corpos eram pequenos demais para serem vistos. Borucki, nesta semana, anunciou a descoberta de cinco novos exoplanetas, em apenas seis semanas de observações. Mas esses planetas são muito grandes e estão no lugar errado para serem como a Terra.

Quando o Kepler olhou para 43.000 estrelas que são praticamente do mesmo tamanho que o Sol, determinou que cerca de dois terços delas parecem ser tão amigáveis para a vida e estáveis como a nossa.

Marcy, que anunciou a descoberta de um planeta apenas quatro vezes maior que a Terra, não gosta de especular sobre quantas estrelas podem ter planetas semelhantes à Terra. Mas, quando pressionado, disse, na quinta-feira, 7: "70% de todas as estrelas têm planetas rochosos".

Embora os astrônomos da convenção estejam otimistas, Marcy é mais cético, assim como Jill Tarter, diretora do Instituto SETI, que busca vida inteligente fora da Terra. Eles dizem que, a despeito de todo o otimismo, ainda é possível que a busca deixe todos de mãos vazias.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,descoberta-de-planeta-habitavel-e-iminente-dizem-astronomos,492620,0.htm