Descoberto em 2008, Wasp-12b é um dos mais enigmáticos dos cerca de 400 planetas já encontrados
(Estadão) Uma equipe internacional de astrofísicos determinou que um planeta gigante, Wasp-12b, está sendo destruído por sua estrela. A descoberta, de acordo com nota divulgada pelos autores do trabalho, publicado na revista Nature, explica o "inchaço" do planeta - causado pela atração gravitacional destruidora que a estrela exerce sobre suas camadas superiores - e permite que cientistas acompanhem o processo da morte planetária.
O estudo foi encabeçado por Shu-Li, dos Observatórios Nacionais de astronomia da China, e contou com a colaboração de pesquisadores dos Estados Unidos.
Descoberto em 2008, Wasp-12b é um dos mais enigmáticos dos cerca de 400 planetas já encontrados fora do Sistema Solar. Ele orbita uma estrela semelhante ao Sol, mas a uma distância extremamente pequena, de menos de 2% da que separa a Terra do Sol. O planeta é um gigante gasoso, como Júpiter, mas tem 50% mais massa e um tamanho 80% maior. Também é extremamente quente, com uma temperatura que supera 2.500º C.
De acordo com os autores do estudo, as chamadas forças de maré, causadas pela atração da estrela, são a causa do tamanho descomunal do planeta. Na Terra, as interações de maré entre nosso planeta e a Lua causam mudanças no nível do mar.
No caso de Wasp-12b, no entanto, a proximidade entre planeta e estrela causam forças enormes, distorcendo-o para um formato semelhante ao de uma bola de futebol americano.
Ao deformar o planeta, as marés causam fricção em seu interior. Essa fricção gera calor, que por sua vez produz a expansão.
O planeta dilatou-se a tal ponto, dizem os pesquisadores, que já não é mais capaz de conter a própria massa contra a atração da estrela.
De acordo com LI, o planeta perde matéria para a estrela à taxa de seis bilhões de toneladas por segundo, o que deverá levá-lo à destruição total em dez milhões de anos.
O material arrancado de Wasp-12b não cai diretamente na estrela. Em vez disso, forma um disco que mergulha na direção do astro numa lenta espiral.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
BD +20 1790b é o exoplaneta mais jovem já descoberto
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Tem alguém aí?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Nova técnica permite examinar atmosfera de planetas distantes

(AFP / Terra) A busca por planetas de outros sistemas solares onde possa existir vida deve ser facilitada por uma nova técnica que permite a utilização de pequenos telescópios em terra, segundo o estudo publicado nesta quinta-feira pela revista científica britânica Nature.
Cerca de 430 planetas que giram em torno de estrelas que não o Sol foram descobertos desde 1995, mas a maioria é de gigantes gasosos como Júpiter e não planetas rochosos como a Terra. Até agora, para analisar a composição química da atmosfera destes corpos celestes chamados exoplanetas, assim como buscar moléculas que mostraram presença de vida, era necessários telescópios espaciais ou grandes telescópios em terra.
Mark Swain, da Nasa, e seus coelgas americanos, britânicos e alemães utilizaram em 2007 um telescópio terrestre de 3 metros, com base no Havaí, para analisar a pequena radiação infravermelho emitida pelo exoplaneta JD 189733b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz da Terra. Inclusive puderam observá-lo em longitudes de onda não acessíveis para telescópios espaciais.
Graças a uma técnica que permite evitar as turbulências da atmosfera terrestre, que podem interferir na imagem dos telescópios, os cientistas descobriram a presença de metano na atmosfrea deste exoplaneta. O exoplaneta JD 189733b, tal como se vê da Terra, passa às vezes diante de sua estrela ou se eclipsa atrás dela. Os astrônomos comparam seu espectro luminoso antes e depois de cada eclipse.
"Com a nova técnica de calibração, podemos distinguir as variações da luz devido ao eclipse do planeta, variações devidas as turbulências atmosféricas e aos próprios detectores", explicou um dos autores Jeroen Bouwman, do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha), em um comunicado.
Os resultados obtidos com telescópios relativamente pequenos em terra são excitantes, segundo o Swain. "Isso significa que, com telescópios maiores em terra, utilizando essa técnica, será possível estudar a atmosfera de planetas similares na Terra", explicou Mark Swain.
Cerca de 430 planetas que giram em torno de estrelas que não o Sol foram descobertos desde 1995, mas a maioria é de gigantes gasosos como Júpiter e não planetas rochosos como a Terra. Até agora, para analisar a composição química da atmosfera destes corpos celestes chamados exoplanetas, assim como buscar moléculas que mostraram presença de vida, era necessários telescópios espaciais ou grandes telescópios em terra.
Mark Swain, da Nasa, e seus coelgas americanos, britânicos e alemães utilizaram em 2007 um telescópio terrestre de 3 metros, com base no Havaí, para analisar a pequena radiação infravermelho emitida pelo exoplaneta JD 189733b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz da Terra. Inclusive puderam observá-lo em longitudes de onda não acessíveis para telescópios espaciais.
Graças a uma técnica que permite evitar as turbulências da atmosfera terrestre, que podem interferir na imagem dos telescópios, os cientistas descobriram a presença de metano na atmosfrea deste exoplaneta. O exoplaneta JD 189733b, tal como se vê da Terra, passa às vezes diante de sua estrela ou se eclipsa atrás dela. Os astrônomos comparam seu espectro luminoso antes e depois de cada eclipse.
"Com a nova técnica de calibração, podemos distinguir as variações da luz devido ao eclipse do planeta, variações devidas as turbulências atmosféricas e aos próprios detectores", explicou um dos autores Jeroen Bouwman, do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha), em um comunicado.
Os resultados obtidos com telescópios relativamente pequenos em terra são excitantes, segundo o Swain. "Isso significa que, com telescópios maiores em terra, utilizando essa técnica, será possível estudar a atmosfera de planetas similares na Terra", explicou Mark Swain.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Olho brasileiro no espaço
(Correio Braziliense) Missão do satélite CoRoT é prorrogada devido aos bons resultados que alcançou, como a descoberta do primeiro exoplaneta com características semelhantes às da Terra
Foi-se o tempo em que o Brasil assistia de longe às grandes descobertas do mundo espacial. A participação do país em empreendimentos do setor é cada vez maior. Exemplo disso é o CoRoT, satélite desenvolvido por meio de um convênio entre Brasil, França e seis países europeus. O equipamento acumula tantas descobertas que a duração de sua missão foi ampliada em três anos. Assim, ele deve permanecer no espaço pelo menos até 2012.
O CoRoT - sigla para Convection rotation and planetary transitssatelite - tem dois objetivos principais: descobrir exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) e estudar as vibrações das estrelas, conhecidas como estelemotos (equivalente espacial aos terremotos). Os dados enviados para a Terra são analisados por cientistas do Brasil e da França, além de outros seis países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália).
"A grande vantagem de nossa participação no projeto é que todo nosso investimento está sendo revertido em desenvolvimento. Estão direcionados para nossos pesquisadores, nossas bases. Contribuímos com 2% do orçamento e temos acesso a 100% da pesquisa", explica o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela.
De acordo com o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Janot, também presidente do Comitê CoRoT-Brasil, o satélite abre um novo caminho para a pesquisa espacial brasileira. "Essa é a primeira vez que nós temos direitos totais às pesquisas de um satélite. Até hoje, nós apenas podíamos usar, quase que emprestados, os satélites de outros países", comemora.
Parece que o país começou com o pé direito. O CoRoT já está fazendo história, ao ser responsável pela descoberta, feita em fevereiro de 2009, do primeiro exoplaneta semelhante à Terra.
Batizado pelos cientistas de CoRoT-7B, ele orbita uma estrela denominada CoRoT-7, um pouco menor, mais fria e mais jovem do que o Sol. Localizada na constelação de Unicórnio, a estrela está a cerca de 500 anos-luz da Terra. "Foi a primeira vez que um planeta com essas características foi localizado. Foi esta descoberta que comprovou que podem sim existir outros corpos semelhantes à Terra", explica Janot.
O interesse dos pesquisadores em encontrar planetas semelhantes ao nosso se deve à possibilidade de identificar vida extraterrestre. "Para que a vida se desenvolva é preciso que haja condições como temperatura e composição rochosa parecidas com as da Terra. E o primeiro que poderia preencher estes requisitos é o CoRoT-7B", conta o professor da USP.
No entanto, pesquisas já mostraram que não foi desta vez que provamos que não estamos sós no universo. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol. "Portanto, ele é muito quente para abrigar qualquer tipo de vida, mesmo das formas mais primitivas. Mas como descobrimos esse, podemos achar outros ainda mais promissores", completa.
Softwares
Os programas que comandam e garantem o funcionamento do CoRoT foram totalmente desenvolvidos por engenheiros brasileiros. "Quando entramos no projeto, enviamos seis engenheiros para Toulouse, na França, onde o projeto é baseado, e eles desenvolveram toda a parte de software do satélite", explica Eduardo Janot.
Outra contribuição fundamental para o sucesso das pesquisas vem da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. É para lá que são direcionados os dados colhidos quando o satélite está orbitando o Hemisfério Sul. "São apenas três centos de recepção de dados: dois no Hemisfério Norte, localizados na França e no Ártico, e o do Brasil", conta Janot.
Além de identificar novos planetas, o CoRoT ajuda em estudos sobre os chamados estelemotos, que são espécies de terremotos que ocorrem dentro de estrelas. O fenômeno pode ajudar a compreender o comportamento e a estrutura das estrelas. "Nós estudamos estrelas mais velhas na tentativa de prever como será o comportamento do Sol, que é a principal fonte da vida na Terra", diz Janot. "Uma pequena alteração em sua densidade seria fatal para nós. Daí a importância de conhecer tão bem as estrelas."
Depois de três anos em órbita, o satélite seria desativado no fim do ano passado. Entretanto, a missão do CoRoT foi tão bem-sucedida que os pesquisadores do consórcio de sete países que o controlam decidiram prorrogar sua missão por mais três anos.
"É um custo muito alto manter equipes em várias partes do mundo monitorando e recebendo os dados de um satélite, mas as descobertas foram tantas que as agências espaciais optaram por não interromper o experimento agora", explica o cientista paulista.
Com sua data de aposentadoria marcada para 2012, o CoRoT já tem um sucessor em desenvolvimento. Quando parar de funcionar, será substituído pelo Planto, uma versão muito maior e mais moderna. A participação brasileira já está garantida nessa segunda etapa. "No setor espacial, a cooperação internacional é muito importante, e nós estamos cada vez mais ampliando nossa participação", comenta o diretor da Agência Espacial Brasileira, Thyrso Villela.
Foi-se o tempo em que o Brasil assistia de longe às grandes descobertas do mundo espacial. A participação do país em empreendimentos do setor é cada vez maior. Exemplo disso é o CoRoT, satélite desenvolvido por meio de um convênio entre Brasil, França e seis países europeus. O equipamento acumula tantas descobertas que a duração de sua missão foi ampliada em três anos. Assim, ele deve permanecer no espaço pelo menos até 2012.
O CoRoT - sigla para Convection rotation and planetary transitssatelite - tem dois objetivos principais: descobrir exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) e estudar as vibrações das estrelas, conhecidas como estelemotos (equivalente espacial aos terremotos). Os dados enviados para a Terra são analisados por cientistas do Brasil e da França, além de outros seis países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália).
"A grande vantagem de nossa participação no projeto é que todo nosso investimento está sendo revertido em desenvolvimento. Estão direcionados para nossos pesquisadores, nossas bases. Contribuímos com 2% do orçamento e temos acesso a 100% da pesquisa", explica o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela.
De acordo com o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Janot, também presidente do Comitê CoRoT-Brasil, o satélite abre um novo caminho para a pesquisa espacial brasileira. "Essa é a primeira vez que nós temos direitos totais às pesquisas de um satélite. Até hoje, nós apenas podíamos usar, quase que emprestados, os satélites de outros países", comemora.
Parece que o país começou com o pé direito. O CoRoT já está fazendo história, ao ser responsável pela descoberta, feita em fevereiro de 2009, do primeiro exoplaneta semelhante à Terra.
Batizado pelos cientistas de CoRoT-7B, ele orbita uma estrela denominada CoRoT-7, um pouco menor, mais fria e mais jovem do que o Sol. Localizada na constelação de Unicórnio, a estrela está a cerca de 500 anos-luz da Terra. "Foi a primeira vez que um planeta com essas características foi localizado. Foi esta descoberta que comprovou que podem sim existir outros corpos semelhantes à Terra", explica Janot.
O interesse dos pesquisadores em encontrar planetas semelhantes ao nosso se deve à possibilidade de identificar vida extraterrestre. "Para que a vida se desenvolva é preciso que haja condições como temperatura e composição rochosa parecidas com as da Terra. E o primeiro que poderia preencher estes requisitos é o CoRoT-7B", conta o professor da USP.
No entanto, pesquisas já mostraram que não foi desta vez que provamos que não estamos sós no universo. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol. "Portanto, ele é muito quente para abrigar qualquer tipo de vida, mesmo das formas mais primitivas. Mas como descobrimos esse, podemos achar outros ainda mais promissores", completa.
Softwares
Os programas que comandam e garantem o funcionamento do CoRoT foram totalmente desenvolvidos por engenheiros brasileiros. "Quando entramos no projeto, enviamos seis engenheiros para Toulouse, na França, onde o projeto é baseado, e eles desenvolveram toda a parte de software do satélite", explica Eduardo Janot.
Outra contribuição fundamental para o sucesso das pesquisas vem da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. É para lá que são direcionados os dados colhidos quando o satélite está orbitando o Hemisfério Sul. "São apenas três centos de recepção de dados: dois no Hemisfério Norte, localizados na França e no Ártico, e o do Brasil", conta Janot.
Além de identificar novos planetas, o CoRoT ajuda em estudos sobre os chamados estelemotos, que são espécies de terremotos que ocorrem dentro de estrelas. O fenômeno pode ajudar a compreender o comportamento e a estrutura das estrelas. "Nós estudamos estrelas mais velhas na tentativa de prever como será o comportamento do Sol, que é a principal fonte da vida na Terra", diz Janot. "Uma pequena alteração em sua densidade seria fatal para nós. Daí a importância de conhecer tão bem as estrelas."
Depois de três anos em órbita, o satélite seria desativado no fim do ano passado. Entretanto, a missão do CoRoT foi tão bem-sucedida que os pesquisadores do consórcio de sete países que o controlam decidiram prorrogar sua missão por mais três anos.
"É um custo muito alto manter equipes em várias partes do mundo monitorando e recebendo os dados de um satélite, mas as descobertas foram tantas que as agências espaciais optaram por não interromper o experimento agora", explica o cientista paulista.
Com sua data de aposentadoria marcada para 2012, o CoRoT já tem um sucessor em desenvolvimento. Quando parar de funcionar, será substituído pelo Planto, uma versão muito maior e mais moderna. A participação brasileira já está garantida nessa segunda etapa. "No setor espacial, a cooperação internacional é muito importante, e nós estamos cada vez mais ampliando nossa participação", comenta o diretor da Agência Espacial Brasileira, Thyrso Villela.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Poderá Alfa Centauri abrigar planetas tipo Terra em sua zona de habitação?

(Eternos Aprendizes) Os sistemas binários turbulentos, tais como nossos companheiros mais próximos (sistema tríplice Alfa Centauri, distante 4,2 anos-luz da Terra) podem hospedar planetas do tamanho da Terra em órbitas dentro da zona de habitação?
Até agora os cientistas têm estado incertos se planetas podem se formar em ambientes caoticamente instáveis existentes em sistemas binários. Nestes sistemas o par de estrelas pratica um legitimo ‘cabo-de-guerra’ gravitacional que provavelmente prejudica a formação planetária. Alguns estudos recentes sugerem a possibilidade de formação de objetos planetários, mas estas análises anteriores têm focado na modelagem de apenas o estágio final da formação planetária.
Até agora os cientistas têm estado incertos se planetas podem se formar em ambientes caoticamente instáveis existentes em sistemas binários. Nestes sistemas o par de estrelas pratica um legitimo ‘cabo-de-guerra’ gravitacional que provavelmente prejudica a formação planetária. Alguns estudos recentes sugerem a possibilidade de formação de objetos planetários, mas estas análises anteriores têm focado na modelagem de apenas o estágio final da formação planetária.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Luz direta de um exoplaneta é captada pela primeira vez
Procura de vida no Universo
(Inovação Tecnológica) Ao estudar um sistema planetário triplo, que se parece um pouco com uma versão ampliada da família de planetas que orbita o nosso próprio Sol, astrônomos obtiveram o primeiro espectro direto - uma "impressão digital química" - de um planeta em órbita de uma estrela distante.
O feito permitiu a aquisição de informações inéditas sobre a formação e composição do planeta.
Este resultado representa um marco na procura de vida no Universo.
"O espectro de um planeta é como uma impressão digital. Ele nos Fornece informações importantes sobre os elementos químicos que se encontram na sua atmosfera," explica Markus Janson, um dos autores do artigo que relata a nova descoberta. "Com esta informação, podemos compreender melhor como é que o planeta se formou e, no futuro, poderemos inclusive descobrir possíveis marcas da presença de vida."
Exoplanetas gigantes
O espectro eletromagnético obtido é de um exoplaneta gigante que orbita uma estrela muito jovem e brilhante, chamada HR 8799, que se encontra a cerca de 130 anos-luz da Terra. A estrela tem uma vez e meia a massa do Sol e abriga um sistema planetário que se assemelha a um modelo em larga escala do nosso próprio Sistema Solar.
Em 2008, outra equipe de pesquisadores detectou três planetas gigantes circundando a estrela, com massas entre 7 e 10 vezes a massa de Júpiter. Eles estão entre 20 e 70 vezes mais afastados da sua estrela hospedeira do que a Terra está do Sol; o sistema possui também dois cinturões de objetos menores, semelhantes aos cinturões de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.
"O nosso alvo era o planeta no meio dos três, que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter e apresenta uma temperatura de cerca de 800 graus Celsius," diz Carolina Bergfors, também membro da equipe. "Após mais de cinco horas de tempo de exposição, conseguimos extrair o espectro do planeta da radiação da estrela, que é muitíssimo mais brilhante."
Eclipse exoplanetário
Esta é a primeira vez que o espectro de um exoplaneta orbitando uma estrela normal do tipo solar foi obtido de maneira direta. Anteriormente, os únicos espectros obtidos necessitavam que um telescópio espacial observasse a passagem de um exoplaneta por detrás da estrela hospedeira, num chamado "eclipse exoplanetário". Em seguida, o espectro podia ser obtido comparando a radiação vinda da estrela antes e depois do eclipse.
No entanto, este método só pode ser aplicado se a orientação da órbita do exoplaneta é exata, o que acontece apenas para uma pequena fração de todos os sistemas exoplanetários.
Observação direta
O espectro agora obtido, por outro lado, foi captado a partir do solo, utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (VLT - ESO), em observação direta, que não depende da orientação da órbita do planeta.
Este é um resultado extraordinário, uma vez que a estrela hospedeira é vários milhares de vezes mais brilhante do que o planeta. "É como tentar ver de que é feita uma vela, observando-a a uma distância de dois quilômetros e estando ela ao lado de uma lâmpada tremendamente brilhante de 300 watts," diz Janson.
(Inovação Tecnológica) Ao estudar um sistema planetário triplo, que se parece um pouco com uma versão ampliada da família de planetas que orbita o nosso próprio Sol, astrônomos obtiveram o primeiro espectro direto - uma "impressão digital química" - de um planeta em órbita de uma estrela distante.
O feito permitiu a aquisição de informações inéditas sobre a formação e composição do planeta.
Este resultado representa um marco na procura de vida no Universo.
"O espectro de um planeta é como uma impressão digital. Ele nos Fornece informações importantes sobre os elementos químicos que se encontram na sua atmosfera," explica Markus Janson, um dos autores do artigo que relata a nova descoberta. "Com esta informação, podemos compreender melhor como é que o planeta se formou e, no futuro, poderemos inclusive descobrir possíveis marcas da presença de vida."
Exoplanetas gigantes
O espectro eletromagnético obtido é de um exoplaneta gigante que orbita uma estrela muito jovem e brilhante, chamada HR 8799, que se encontra a cerca de 130 anos-luz da Terra. A estrela tem uma vez e meia a massa do Sol e abriga um sistema planetário que se assemelha a um modelo em larga escala do nosso próprio Sistema Solar.
Em 2008, outra equipe de pesquisadores detectou três planetas gigantes circundando a estrela, com massas entre 7 e 10 vezes a massa de Júpiter. Eles estão entre 20 e 70 vezes mais afastados da sua estrela hospedeira do que a Terra está do Sol; o sistema possui também dois cinturões de objetos menores, semelhantes aos cinturões de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.
"O nosso alvo era o planeta no meio dos três, que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter e apresenta uma temperatura de cerca de 800 graus Celsius," diz Carolina Bergfors, também membro da equipe. "Após mais de cinco horas de tempo de exposição, conseguimos extrair o espectro do planeta da radiação da estrela, que é muitíssimo mais brilhante."
Eclipse exoplanetário
Esta é a primeira vez que o espectro de um exoplaneta orbitando uma estrela normal do tipo solar foi obtido de maneira direta. Anteriormente, os únicos espectros obtidos necessitavam que um telescópio espacial observasse a passagem de um exoplaneta por detrás da estrela hospedeira, num chamado "eclipse exoplanetário". Em seguida, o espectro podia ser obtido comparando a radiação vinda da estrela antes e depois do eclipse.
No entanto, este método só pode ser aplicado se a orientação da órbita do exoplaneta é exata, o que acontece apenas para uma pequena fração de todos os sistemas exoplanetários.
Observação direta
O espectro agora obtido, por outro lado, foi captado a partir do solo, utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (VLT - ESO), em observação direta, que não depende da orientação da órbita do planeta.
Este é um resultado extraordinário, uma vez que a estrela hospedeira é vários milhares de vezes mais brilhante do que o planeta. "É como tentar ver de que é feita uma vela, observando-a a uma distância de dois quilômetros e estando ela ao lado de uma lâmpada tremendamente brilhante de 300 watts," diz Janson.
O NACO (Nasmyth Adaptive Optics System) é um instrumento que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. [Imagem: ESO]A descoberta foi possível graças ao NACO (Nasmyth Adaptive Optics System), um instrumento montado no VLT, que opera no infravermelho e possui capacidades extraordinárias de óptica adaptativa. Espera-se obter imagens e espectros ainda mais precisos de exoplanetas gigantes com o instrumento de próxima geração SPHERE, que será instalado no VLT em 2011, e com o European Extremely Large Telescope.
Os novos dados mostram que a atmosfera que envolve o planeta é ainda mal compreendida. "As riscas observadas no espectro não são compatíveis com os modelos teóricos atuais," explica o coautor Wolfgang Brandner. "É preciso levar em consideração uma descrição mais detalhada das nuvens de poeira atmosférica ou, alternativamente, aceitar que a atmosfera tem uma composição química diferente da anteriormente prevista."
Os astrônomos esperam ter rapidamente as impressões digitais dos outros dois planetas gigantes, de modo a poderem comparar, pela primeira vez, os espectros de três planetas pertencentes ao mesmo sistema. "Deste modo iremos certamente compreender melhor os processos que levam à formação de sistemas planetários como o nosso," conclui Janson.
O que é um espectro eletromagnético?
Como se pode ver em um arco-íris, a luz branca se divide em diferentes cores. Da mesma forma, os astrônomos separam artificialmente a luz que recebem de objetos distantes nas suas diferentes cores - ou comprimentos de onda.
No entanto, enquanto nossos olhos são capazes de distinguir cinco ou seis cores no arco-íris, os astrônomos mapeiam centenas de matizes, produzindo um espectro - o registro das diferentes quantidades de radiação que o objeto emite em cada estreita faixa colorida.
Os detalhes de um espectro - mais radiação emitida em determinadas cores e menos noutras - fornecem sinais inequívocos acerca da composição química da matéria que produz essa radiação.
A espectroscopia, o campo da ciência que estuda os espectros, torna-se assim uma importante ferramenta na investigação astronômica.
O que é óptica adaptativa?
A turbulência da atmosfera terrestre impõe sobre os telescópios instalados no solo - em oposição aos telescópios espaciais - um efeito que resulta em imagens borradas.
É esta turbulência que faz com que as estrelas pisquem - algo muito atraente para os poetas, mas um terror para os astrônomos, uma vez que as poéticas piscadas destroem os detalhes das imagens.
No entanto, esse problema pode ser contornado com as técnicas de óptica adaptativa, que permitem que um telescópio terrestre produza imagens tão nítidas quanto teoricamente possível, ou seja, que se aproximem das condições de observação conseguidas a partir do espaço.
Os sistemas de óptica adaptativa funcionam por meio de um espelho deformável controlado por computador, que neutraliza a distorção da imagem originada pela turbulência atmosférica.
As correções ópticas são feitas em tempo real, calculadas em alta velocidade (muitas centenas de vezes por segundo) a partir de imagens obtidas por uma câmara especial que monitora a radiação emitida por uma estrela de referência.
Os novos dados mostram que a atmosfera que envolve o planeta é ainda mal compreendida. "As riscas observadas no espectro não são compatíveis com os modelos teóricos atuais," explica o coautor Wolfgang Brandner. "É preciso levar em consideração uma descrição mais detalhada das nuvens de poeira atmosférica ou, alternativamente, aceitar que a atmosfera tem uma composição química diferente da anteriormente prevista."
Os astrônomos esperam ter rapidamente as impressões digitais dos outros dois planetas gigantes, de modo a poderem comparar, pela primeira vez, os espectros de três planetas pertencentes ao mesmo sistema. "Deste modo iremos certamente compreender melhor os processos que levam à formação de sistemas planetários como o nosso," conclui Janson.
O que é um espectro eletromagnético?
Como se pode ver em um arco-íris, a luz branca se divide em diferentes cores. Da mesma forma, os astrônomos separam artificialmente a luz que recebem de objetos distantes nas suas diferentes cores - ou comprimentos de onda.
No entanto, enquanto nossos olhos são capazes de distinguir cinco ou seis cores no arco-íris, os astrônomos mapeiam centenas de matizes, produzindo um espectro - o registro das diferentes quantidades de radiação que o objeto emite em cada estreita faixa colorida.
Os detalhes de um espectro - mais radiação emitida em determinadas cores e menos noutras - fornecem sinais inequívocos acerca da composição química da matéria que produz essa radiação.
A espectroscopia, o campo da ciência que estuda os espectros, torna-se assim uma importante ferramenta na investigação astronômica.
O que é óptica adaptativa?
A turbulência da atmosfera terrestre impõe sobre os telescópios instalados no solo - em oposição aos telescópios espaciais - um efeito que resulta em imagens borradas.
É esta turbulência que faz com que as estrelas pisquem - algo muito atraente para os poetas, mas um terror para os astrônomos, uma vez que as poéticas piscadas destroem os detalhes das imagens.
No entanto, esse problema pode ser contornado com as técnicas de óptica adaptativa, que permitem que um telescópio terrestre produza imagens tão nítidas quanto teoricamente possível, ou seja, que se aproximem das condições de observação conseguidas a partir do espaço.
Os sistemas de óptica adaptativa funcionam por meio de um espelho deformável controlado por computador, que neutraliza a distorção da imagem originada pela turbulência atmosférica.
As correções ópticas são feitas em tempo real, calculadas em alta velocidade (muitas centenas de vezes por segundo) a partir de imagens obtidas por uma câmara especial que monitora a radiação emitida por uma estrela de referência.
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