quarta-feira, 17 de março de 2010

Agência de astronomia europeia anuncia descoberta de planeta extra-solar 'normal'

Exoplaneta poderá ser analisado 'em detalhes', afirma a ESO.
Corpo foi detectado ao passar na frente de sol a 1,5 mil anos-luz da Terra.


Primo da Terra - Concepção artística de Corot-9b passando em frente a estrela similar ao Sol (Foto: ESO)

(G1) A Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) anunciou nesta quarta-feira (17) ter localizado o primeiro planeta extra-solar "normal", batizado de Corot-9b, que poderá ser estudado em grande detalhe. Exoplaneta, ou planeta extra-solar, é um planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol.

O 9-b passa regularmente na frente de uma estrela parecida com o Sol a 1.500 anos-luz da Terra.

A descoberta foi viabilizada pela combinação de dados do satélite CoRoT (acrônimo de convecção, rotação de estrelas e trânsito dos planetas extra-solares) e do Harps (high accuracy radial velocity planet searcher), um dos instrumentos embutidos no telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla, no Chile. O Harps é considerado o melhor caçador de exoplanetas de que a ciência dispõe atualmente.

"É um planeta normal, temperado, como dúzias que nós já conhecemos, mas este é o primeiro cujas propriedades podemos estudar em profundidade", afirmou Claire Moutou, membro da equipe internacional de 60 astrônomos que fizeram a descoberta. "Corot-9b é o primeiro exoplaneta que realmente parece com planetas em nosso sistema solar", complementou o principal autor da descoberta, Hans Deeg. "É do tamanho de Júpiter, com órbita similar à de Mercúrio."

O CoRoT foi lançado em dezembro de 2006 por um consórcio entre França, agência espacial europeia (ESA, na sigla em inglês), Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha.

Mais de 400 exoplanetas já foram identificados até hoje. Corot-9b é especial porque sua distância da estrela que orbita é cerca de dez vezes maior do que qualquer outro corpo dessa categoria já descoberto, portanto tem um clima relativamente "temperado" (entre 160°C e -20°C), com "variações mínimas" entre dia e noite.

terça-feira, 2 de março de 2010

Refinando a hipótese da Terra Rara: o que seria ‘o suficientemente adequado’ para os exoplanetas?


(Eternos Aprendizes) Para um exoplaneta similar a Terra hospedar a vida complexa como nós conhecemos (a vida multicelular), a temperatura é sem dúvida fundamental, mas o que mais é importante? O que faz com que a temperatura de uma ‘exo-Terra’ seja “suficientemente justa”?

Estudos recentes concluíram que responder estas perguntas pode ser surpreendentemente difícil e que algumas das respostas são até curiosas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Planeta gigante gasoso está sendo destroçado por estrela

Descoberto em 2008, Wasp-12b é um dos mais enigmáticos dos cerca de 400 planetas já encontrados

(Estadão) Uma equipe internacional de astrofísicos determinou que um planeta gigante, Wasp-12b, está sendo destruído por sua estrela. A descoberta, de acordo com nota divulgada pelos autores do trabalho, publicado na revista Nature, explica o "inchaço" do planeta - causado pela atração gravitacional destruidora que a estrela exerce sobre suas camadas superiores - e permite que cientistas acompanhem o processo da morte planetária.

O estudo foi encabeçado por Shu-Li, dos Observatórios Nacionais de astronomia da China, e contou com a colaboração de pesquisadores dos Estados Unidos.

Descoberto em 2008, Wasp-12b é um dos mais enigmáticos dos cerca de 400 planetas já encontrados fora do Sistema Solar. Ele orbita uma estrela semelhante ao Sol, mas a uma distância extremamente pequena, de menos de 2% da que separa a Terra do Sol. O planeta é um gigante gasoso, como Júpiter, mas tem 50% mais massa e um tamanho 80% maior. Também é extremamente quente, com uma temperatura que supera 2.500º C.

De acordo com os autores do estudo, as chamadas forças de maré, causadas pela atração da estrela, são a causa do tamanho descomunal do planeta. Na Terra, as interações de maré entre nosso planeta e a Lua causam mudanças no nível do mar.

No caso de Wasp-12b, no entanto, a proximidade entre planeta e estrela causam forças enormes, distorcendo-o para um formato semelhante ao de uma bola de futebol americano.

Ao deformar o planeta, as marés causam fricção em seu interior. Essa fricção gera calor, que por sua vez produz a expansão.

O planeta dilatou-se a tal ponto, dizem os pesquisadores, que já não é mais capaz de conter a própria massa contra a atração da estrela.

De acordo com LI, o planeta perde matéria para a estrela à taxa de seis bilhões de toneladas por segundo, o que deverá levá-lo à destruição total em dez milhões de anos.

O material arrancado de Wasp-12b não cai diretamente na estrela. Em vez disso, forma um disco que mergulha na direção do astro numa lenta espiral.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

BD +20 1790b é o exoplaneta mais jovem já descoberto


(Eternos Aprendizes) Um time multinacional de astrônomos descobriu o mais novo planeta extra-solar em torno de uma estrela similar ao Sol, chamado BD +20 1790b. Trata-se também do exoplaneta mais jovem já catalogado.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tem alguém aí?


(Ciência Hoje) O enorme aumento dos conhecimentos sobre o universo reavivou a antiga pergunta: há vida em outros planetas? Este artigo investiga se os 350 planetas extrassolares da Via Láctea estão em zonas habitáveis.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nova técnica permite examinar atmosfera de planetas distantes


(AFP / Terra) A busca por planetas de outros sistemas solares onde possa existir vida deve ser facilitada por uma nova técnica que permite a utilização de pequenos telescópios em terra, segundo o estudo publicado nesta quinta-feira pela revista científica britânica Nature.

Cerca de 430 planetas que giram em torno de estrelas que não o Sol foram descobertos desde 1995, mas a maioria é de gigantes gasosos como Júpiter e não planetas rochosos como a Terra. Até agora, para analisar a composição química da atmosfera destes corpos celestes chamados exoplanetas, assim como buscar moléculas que mostraram presença de vida, era necessários telescópios espaciais ou grandes telescópios em terra.

Mark Swain, da Nasa, e seus coelgas americanos, britânicos e alemães utilizaram em 2007 um telescópio terrestre de 3 metros, com base no Havaí, para analisar a pequena radiação infravermelho emitida pelo exoplaneta JD 189733b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz da Terra. Inclusive puderam observá-lo em longitudes de onda não acessíveis para telescópios espaciais.

Graças a uma técnica que permite evitar as turbulências da atmosfera terrestre, que podem interferir na imagem dos telescópios, os cientistas descobriram a presença de metano na atmosfrea deste exoplaneta. O exoplaneta JD 189733b, tal como se vê da Terra, passa às vezes diante de sua estrela ou se eclipsa atrás dela. Os astrônomos comparam seu espectro luminoso antes e depois de cada eclipse.

"Com a nova técnica de calibração, podemos distinguir as variações da luz devido ao eclipse do planeta, variações devidas as turbulências atmosféricas e aos próprios detectores", explicou um dos autores Jeroen Bouwman, do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha), em um comunicado.

Os resultados obtidos com telescópios relativamente pequenos em terra são excitantes, segundo o Swain. "Isso significa que, com telescópios maiores em terra, utilizando essa técnica, será possível estudar a atmosfera de planetas similares na Terra", explicou Mark Swain.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Olho brasileiro no espaço

(Correio Braziliense) Missão do satélite CoRoT é prorrogada devido aos bons resultados que alcançou, como a descoberta do primeiro exoplaneta com características semelhantes às da Terra

Foi-se o tempo em que o Brasil assistia de longe às grandes descobertas do mundo espacial. A participação do país em empreendimentos do setor é cada vez maior. Exemplo disso é o CoRoT, satélite desenvolvido por meio de um convênio entre Brasil, França e seis países europeus. O equipamento acumula tantas descobertas que a duração de sua missão foi ampliada em três anos. Assim, ele deve permanecer no espaço pelo menos até 2012.

O CoRoT - sigla para Convection rotation and planetary transitssatelite - tem dois objetivos principais: descobrir exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) e estudar as vibrações das estrelas, conhecidas como estelemotos (equivalente espacial aos terremotos). Os dados enviados para a Terra são analisados por cientistas do Brasil e da França, além de outros seis países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália).

"A grande vantagem de nossa participação no projeto é que todo nosso investimento está sendo revertido em desenvolvimento. Estão direcionados para nossos pesquisadores, nossas bases. Contribuímos com 2% do orçamento e temos acesso a 100% da pesquisa", explica o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela.

De acordo com o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Janot, também presidente do Comitê CoRoT-Brasil, o satélite abre um novo caminho para a pesquisa espacial brasileira. "Essa é a primeira vez que nós temos direitos totais às pesquisas de um satélite. Até hoje, nós apenas podíamos usar, quase que emprestados, os satélites de outros países", comemora.

Parece que o país começou com o pé direito. O CoRoT já está fazendo história, ao ser responsável pela descoberta, feita em fevereiro de 2009, do primeiro exoplaneta semelhante à Terra.

Batizado pelos cientistas de CoRoT-7B, ele orbita uma estrela denominada CoRoT-7, um pouco menor, mais fria e mais jovem do que o Sol. Localizada na constelação de Unicórnio, a estrela está a cerca de 500 anos-luz da Terra. "Foi a primeira vez que um planeta com essas características foi localizado. Foi esta descoberta que comprovou que podem sim existir outros corpos semelhantes à Terra", explica Janot.

O interesse dos pesquisadores em encontrar planetas semelhantes ao nosso se deve à possibilidade de identificar vida extraterrestre. "Para que a vida se desenvolva é preciso que haja condições como temperatura e composição rochosa parecidas com as da Terra. E o primeiro que poderia preencher estes requisitos é o CoRoT-7B", conta o professor da USP.

No entanto, pesquisas já mostraram que não foi desta vez que provamos que não estamos sós no universo. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol. "Portanto, ele é muito quente para abrigar qualquer tipo de vida, mesmo das formas mais primitivas. Mas como descobrimos esse, podemos achar outros ainda mais promissores", completa.

Softwares
Os programas que comandam e garantem o funcionamento do CoRoT foram totalmente desenvolvidos por engenheiros brasileiros. "Quando entramos no projeto, enviamos seis engenheiros para Toulouse, na França, onde o projeto é baseado, e eles desenvolveram toda a parte de software do satélite", explica Eduardo Janot.

Outra contribuição fundamental para o sucesso das pesquisas vem da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. É para lá que são direcionados os dados colhidos quando o satélite está orbitando o Hemisfério Sul. "São apenas três centos de recepção de dados: dois no Hemisfério Norte, localizados na França e no Ártico, e o do Brasil", conta Janot.

Além de identificar novos planetas, o CoRoT ajuda em estudos sobre os chamados estelemotos, que são espécies de terremotos que ocorrem dentro de estrelas. O fenômeno pode ajudar a compreender o comportamento e a estrutura das estrelas. "Nós estudamos estrelas mais velhas na tentativa de prever como será o comportamento do Sol, que é a principal fonte da vida na Terra", diz Janot. "Uma pequena alteração em sua densidade seria fatal para nós. Daí a importância de conhecer tão bem as estrelas."

Depois de três anos em órbita, o satélite seria desativado no fim do ano passado. Entretanto, a missão do CoRoT foi tão bem-sucedida que os pesquisadores do consórcio de sete países que o controlam decidiram prorrogar sua missão por mais três anos.

"É um custo muito alto manter equipes em várias partes do mundo monitorando e recebendo os dados de um satélite, mas as descobertas foram tantas que as agências espaciais optaram por não interromper o experimento agora", explica o cientista paulista.

Com sua data de aposentadoria marcada para 2012, o CoRoT já tem um sucessor em desenvolvimento. Quando parar de funcionar, será substituído pelo Planto, uma versão muito maior e mais moderna. A participação brasileira já está garantida nessa segunda etapa. "No setor espacial, a cooperação internacional é muito importante, e nós estamos cada vez mais ampliando nossa participação", comenta o diretor da Agência Espacial Brasileira, Thyrso Villela.