
quinta-feira, 25 de março de 2010
Efeitos da radiação coronal na erosão atmosférica em exoplanetas

terça-feira, 23 de março de 2010
Exoplaneta "temperado" pode ser Pedra de Roseta da galáxia
Imagem artística do primeiro exoplaneta cujas propriedades poderão ser estudar em profundidade, tornando uma espécie de pedra de Roseta da pesquisa em planetas fora do Sistema Solar. [Imagem: Corot](Inovação Tecnológica) Um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, descobriu um exoplaneta - ou planeta extrassolar, um planeta fora do Sistema Solar - com temperaturas superficiais consideradas estáveis e moderadas.
Os cálculos realizados até o momento indicam que as temperaturas em sua superfície variam entre -20º C e 160º C - embora a máxima esteja muito acima da encontrada na Terra, ela está muito abaixo da normalmente encontrada nesses planetas, chamados de "gigantes gasosos".
"Nessas temperaturas pode até existir água no estado líquido", avalia o professor Sylvio Ferraz-Mello, da USP, que integra a equipe de mais de 60 cientistas que estudam os dados coletados pelo telescópio espacial CoRoT.
Semelhanças com Júpiter e Mercúrio
O novo planeta, batizado de CoRoT-9b, lembra bastante os encontrados no Sistema Solar. Ele tem o tamanho aproximado de Júpiter, mas uma órbita semelhante à de Mercúrio.
Ele está bem próximo de uma estrela similar ao Sol, na constelação Serpens Cauda, distante cerca de 1.500 anos-luz da Terra. O exoplaneta completa uma órbita em torno de sua estrela em apenas 95 dias.
São conhecidos, atualmente, cerca de 400 exoplanetas, dos quais 70 orbitam uma estrela central. Esses planetas têm órbitas muito curtas ou excêntricas, com temperaturas superficiais extremas.
Planeta familiar
Segundo os autores do estudo, as características do planeta se encaixam nos modelos padrões de evolução e ele provavelmente tem uma composição interna parecida com a de Júpiter ou a de Saturno.
"O CoRoT-9b é o primeiro exoplaneta até hoje encontrado que realmente se assemelha aos planetas em nosso Sistema Solar", apontou Hans Deeg, do Instituto de Astrofísica de Canárias e primeiro autor do artigo.
"Esse é o primeiro exoplaneta cujas propriedades podemos estudar em profundidade. Ele pode se tornar a pedra de Roseta da pesquisa em exoplanetas", disse Claire Moutou, do Departmento de Astrofísica da Universidade de La Laguna, na Espanha, um dos autores do estudo.
É assim que os astrônomos "enxergam" os exoplanetas, medindo a variação da luz recebida de sua estrela quando o planeta passa à sua frente, ou seja, quando ele fica entre a estrela e a Terra. [Imagem: Deeg et al./Nature]Trânsito planetário
O CoRoT-9b passa em frente à sua estrela a cada 95 dias - conforme observado da Terra. Esse "trânsito' dura cerca de 8 horas e fornece aos astrônomos muita informação adicional do planeta. Esses detalhes são muito importantes, uma vez que o planeta compartilha muitas características com a maioria dos exoplanetas descobertos até hoje.
"Como no caso dos nossos planetas gigantes, Júpiter e Saturno, o novo planeta é formado basicamente de hidrogênio e hélio. E pode conter outros elementos, como água e pedras em elevadas temperaturas e pressão, em um total de até 20 vezes a massa da Terra", disse Tristan Guillot, do Observatório da Côte d'Azur.
Planeta ovalado
As informações sobre a temperatura e a forma do novo exoplaneta foram obtidas por medidas espectrográficas feitas a partir de um observatório no Chile.
O trabalho na USP, de acordo com o professor Ferraz-Mello, envolve duas frentes de estudos: o tratamento das observações feitas no Chile, que permite obter medidas espectrográficas que determinam a massa do planeta, por exemplo, e o estudo dos fenômenos das marés nos planetas, que afetam sua rotação.
"O CoRot-9b não é completamente esférico. Ele é levemente ovalado", observa o cientista, destacando que o planeta que acaba de ser anunciado demonstra um grande potencial para futuros estudos de suas características físicas e atmosféricas.
Análises demoradas
O satélite CoRoT identificou o planeta após 150 dias de observações durante o verão de 2008. "Na verdade, o CoRot9-b foi descoberto há cerca de dois anos, mas somente agora é que ele foi anunciado", conta Ferraz-Mello.
Os parâmetros do planeta foram verificados no ano passado com o IAC-80 telescópio no Observatório do Teide, em Tenerife, e com outros telescópios, enquanto que as observações com o instrumento HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile, medido a sua massa, e confirmou que o Corot-9b é de fato um exoplaneta - daí a demora na divulgação da descoberta.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Agência de astronomia europeia anuncia descoberta de planeta extra-solar 'normal'
Corpo foi detectado ao passar na frente de sol a 1,5 mil anos-luz da Terra.
Primo da Terra - Concepção artística de Corot-9b passando em frente a estrela similar ao Sol (Foto: ESO)(G1) A Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) anunciou nesta quarta-feira (17) ter localizado o primeiro planeta extra-solar "normal", batizado de Corot-9b, que poderá ser estudado em grande detalhe. Exoplaneta, ou planeta extra-solar, é um planeta que orbita uma estrela que não seja o Sol.
O 9-b passa regularmente na frente de uma estrela parecida com o Sol a 1.500 anos-luz da Terra.
A descoberta foi viabilizada pela combinação de dados do satélite CoRoT (acrônimo de convecção, rotação de estrelas e trânsito dos planetas extra-solares) e do Harps (high accuracy radial velocity planet searcher), um dos instrumentos embutidos no telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla, no Chile. O Harps é considerado o melhor caçador de exoplanetas de que a ciência dispõe atualmente.
"É um planeta normal, temperado, como dúzias que nós já conhecemos, mas este é o primeiro cujas propriedades podemos estudar em profundidade", afirmou Claire Moutou, membro da equipe internacional de 60 astrônomos que fizeram a descoberta. "Corot-9b é o primeiro exoplaneta que realmente parece com planetas em nosso sistema solar", complementou o principal autor da descoberta, Hans Deeg. "É do tamanho de Júpiter, com órbita similar à de Mercúrio."
O CoRoT foi lançado em dezembro de 2006 por um consórcio entre França, agência espacial europeia (ESA, na sigla em inglês), Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha.
Mais de 400 exoplanetas já foram identificados até hoje. Corot-9b é especial porque sua distância da estrela que orbita é cerca de dez vezes maior do que qualquer outro corpo dessa categoria já descoberto, portanto tem um clima relativamente "temperado" (entre 160°C e -20°C), com "variações mínimas" entre dia e noite.
terça-feira, 2 de março de 2010
Refinando a hipótese da Terra Rara: o que seria ‘o suficientemente adequado’ para os exoplanetas?

Estudos recentes concluíram que responder estas perguntas pode ser surpreendentemente difícil e que algumas das respostas são até curiosas.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Planeta gigante gasoso está sendo destroçado por estrela
(Estadão) Uma equipe internacional de astrofísicos determinou que um planeta gigante, Wasp-12b, está sendo destruído por sua estrela. A descoberta, de acordo com nota divulgada pelos autores do trabalho, publicado na revista Nature, explica o "inchaço" do planeta - causado pela atração gravitacional destruidora que a estrela exerce sobre suas camadas superiores - e permite que cientistas acompanhem o processo da morte planetária.
O estudo foi encabeçado por Shu-Li, dos Observatórios Nacionais de astronomia da China, e contou com a colaboração de pesquisadores dos Estados Unidos.
Descoberto em 2008, Wasp-12b é um dos mais enigmáticos dos cerca de 400 planetas já encontrados fora do Sistema Solar. Ele orbita uma estrela semelhante ao Sol, mas a uma distância extremamente pequena, de menos de 2% da que separa a Terra do Sol. O planeta é um gigante gasoso, como Júpiter, mas tem 50% mais massa e um tamanho 80% maior. Também é extremamente quente, com uma temperatura que supera 2.500º C.
De acordo com os autores do estudo, as chamadas forças de maré, causadas pela atração da estrela, são a causa do tamanho descomunal do planeta. Na Terra, as interações de maré entre nosso planeta e a Lua causam mudanças no nível do mar.
No caso de Wasp-12b, no entanto, a proximidade entre planeta e estrela causam forças enormes, distorcendo-o para um formato semelhante ao de uma bola de futebol americano.
Ao deformar o planeta, as marés causam fricção em seu interior. Essa fricção gera calor, que por sua vez produz a expansão.
O planeta dilatou-se a tal ponto, dizem os pesquisadores, que já não é mais capaz de conter a própria massa contra a atração da estrela.
De acordo com LI, o planeta perde matéria para a estrela à taxa de seis bilhões de toneladas por segundo, o que deverá levá-lo à destruição total em dez milhões de anos.
O material arrancado de Wasp-12b não cai diretamente na estrela. Em vez disso, forma um disco que mergulha na direção do astro numa lenta espiral.

