terça-feira, 27 de abril de 2010
Um Saturno na Zona Habitável de uma Anã Vermelha
Podem ver o artigo original aqui.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Spitzer Descobre Deficiência de Metano em GJ436b

GJ436b é um “Neptuno Quente” que orbita uma estrela anã vermelha a cerca de 33 anos-luz. Foi o primeiro exoplaneta desta classe detectado pelo método dos trânsitos em 2005. Devido à sua proximidade à estrela hospedeira, o GJ436b tem uma temperatura no topo da atmosfera de cerca de 800 Kelvin. Nestas condições, e como referimos anteriormente, a maior parte do carbono na sua atmosfera deveria existir sob a forma de metano, tendo o monóxido de carbono uma presença residual. No entanto parece que a natureza não é da mesma opinião…
Um artigo publicado hoje na revista Nature, com os conceituados Sara Seager e Drake Demming como co-autores, descreve observações do eclipse secundário (quando o planeta passa por detrás da estrela) do GJ436b realizadas com o telescópio Spitzer em Maio de 2009. O Spitzer observou o sistema em 6 comprimentos de onda distintos no infravermelho imediatamente antes do eclipse (altura em recebemos radiação da estrela e do lado diurno do planeta) e durante o eclipse (altura em que recebemos apenas radiação da estrela). Comparando as curvas de luz do sistema em torno do eclipse secundário nos 6 comprimentos de onda foi possível obter um espectro de emissão aproximado do planeta e os resultados foram intrigantes.

Os autores referem a detecção de àgua, dióxido de carbono e monóxido de carbono mas surpreendentemente não foi detectado metano. De facto, as observações implicam que a concentração de monóxido de carbono relativamente ao metano tem de ser pelo menos 100 mil vezes superior ao que seria de esperar de modelos com atmosferas em equilíbrio químico para planetas gigantes. Os autores sugerem que algum processo nas camadas superiores da atmosfera do planeta perturba este equilíbrio e elimina selectivamente e de forma muito eficiente o metano. Um tal processo poderia ser, por exemplo, a transformação do metano em hidrocarbonetos mais complexos devido à radiação intensa da estrela hospedeira. Estes hidrocarbonetos desceriam sob a forma de chuva na atmosfera provocando a deficiência de metano observada.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cientistas encontram evidências que planetas tipo Terra são bastante comuns na Via Láctea ao analisar a química de 146 anãs brancas

quinta-feira, 15 de abril de 2010
Técnica permite ver planeta extrassolar com telescópios menores
Fotografia em infravermelho mostra os três planetas do sistema HR 8799; a marca verde é a posição da estrela, cuja luz foi apagadaO truque, criado por pesquisadores do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato), da Nasa, foi desenvolver um método novo para evitar que o brilho da estrela ofusque a luz tênue que se reflete nos planetas.
Em um estudo na edição desta semana da revista "Nature", os pesquisadores mostram como conseguiram fazer esse truque usando duas técnicas distintas. Uma delas foi o uso de um coronógrafo, dispositivo que bloqueia a luz no centro de uma imagem. Outra foi a chamada óptica adaptativa, um mecanismo especial que manipula os espelhos de telescópios para corrigir distorções que a atmosfera terrestre causa em uma imagem.
No trabalho, os pesquisadores mostram a imagem em luz infravermelha que obtiveram do sistema planetário da estrela HR 8799.
Os três planetas observados já haviam sido vistos por outros telescópios terrestres como os dos observatório Keck e Gemini, no Havaí, o primeiro com um espelho de dez metros e o segundo com um de oito metros. Com a nova técnica usada dos cientistas do JPL, foi possível enxergar os planetas com um telescópio de apenas um metro e meio de diâmetro no Oservatorio Palomar, na Califórnia.
A técnica pode trazer grande avanço para o estudo de planetas fora do Sistema Solar, que são difíceis de detectar e visto em geral de maneira indireta. Em geral, sua presença é apenas inferida por meio de alterações luminosas nas estrelas, causadas por perturbações gravitacionais geradas pelos planetas ou quando eles bloqueiam parte da luz estelar.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Descoberta de planetas com órbitas retrógradas intriga astrônomos
Movimento retrógrado e fora do plano do equador da estrela requer explicação. Divulgação
(Estadão) A combinação da descoberta de nove novos planetas, anunciada em uma reunião da Royal Astronomical Society, com dados anteriores de outros planetas já descobertos deixou os astrônomos surpresos: de uma amostra de 27 mundos orbitando ao redor de estrelas distantes, seis giram uma direção oposta à rotação da estrela. A constatação representa um problema para as teorias dominantes a respeito da formação planetária.
"Esta é uma bomba que estamos soltando no campo dos exoplanetas", disse Amaury Triaud, do Observatório de Genebra, que juntamente com Andrew Cameron e Didier Queloz, encabeça a maior parte da campanha de observação.
Cientistas acreditam que planetas se formam no disco de gás e poeira que envolve as estrelas jovens. Esse disco protoplanetário gira na mesma direção que a estrela, e por isso espera-se que os planetas surgidos a partir do disco acompanhem essa orientação, e se mantenham mais ou menos no mesmo plano.
Depois da detecção inicial de nove planetas no programa britânico Wide Angle Search for Planets (Wasp), a equipe usou o espectrógrafo de um telescópio do Observatório Europeu Sul, baseado no Chile, e dados de outros pesquisadores para confirmar as descobertas e caracterizar os planetas, todos do tipo de trânsito - isto é, que passam pela linha de visão entre a Terra e suas estrelas.
Quando os cientistas combinaram os novos dados com observações mais antigas, descobriram que mais da metade de todos os "Júpiters Quentes" - planetas muito grandes e que giram muito perto de suas estrelas - em órbitas fora de alinhamento com o eixo das estrelas. E seis desses planetas têm movimento retrógrado: orbitam a estrela na direção oposta à da rotação do astro.
Nos 15 anos desde que os primeiros "Júpiters Quentes" foram descobertos, sua origem tem sido um mistério. Acredita-se que o núcleo de planetas gigantes se forme a partir de uma mistura de gelo e rocha nas regiões mais frias - e, portanto, mais distantes da estrela - de um sistema. Os planetas gigantes precisam, portanto, migrar para o interior do sistema para que se possam tornar "quentes". Essa migração seria causada por interações gravitacionais com o restante do disco protoplanetário.
Para dar conta dos planetas quentes e retrógrado,s no entanto, uma nova teoria é necessária. A equipe de Triaud propõe que a presença desses planetas junto a suas estrelas possa ser causada por um cabo-de-guerra de centenas de milhões de anos, envolvendo outros planetas e até mesmo outras estrelas. "Um efeito colateral dramático desse processo é que qualquer planeta pequeno, como a Terra, seria eliminado desses sistemas", disse Didier Queloz.
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Matéria similar no Eternos Aprendizes
quinta-feira, 25 de março de 2010
Efeitos da radiação coronal na erosão atmosférica em exoplanetas

terça-feira, 23 de março de 2010
Exoplaneta "temperado" pode ser Pedra de Roseta da galáxia
Imagem artística do primeiro exoplaneta cujas propriedades poderão ser estudar em profundidade, tornando uma espécie de pedra de Roseta da pesquisa em planetas fora do Sistema Solar. [Imagem: Corot](Inovação Tecnológica) Um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, descobriu um exoplaneta - ou planeta extrassolar, um planeta fora do Sistema Solar - com temperaturas superficiais consideradas estáveis e moderadas.
Os cálculos realizados até o momento indicam que as temperaturas em sua superfície variam entre -20º C e 160º C - embora a máxima esteja muito acima da encontrada na Terra, ela está muito abaixo da normalmente encontrada nesses planetas, chamados de "gigantes gasosos".
"Nessas temperaturas pode até existir água no estado líquido", avalia o professor Sylvio Ferraz-Mello, da USP, que integra a equipe de mais de 60 cientistas que estudam os dados coletados pelo telescópio espacial CoRoT.
Semelhanças com Júpiter e Mercúrio
O novo planeta, batizado de CoRoT-9b, lembra bastante os encontrados no Sistema Solar. Ele tem o tamanho aproximado de Júpiter, mas uma órbita semelhante à de Mercúrio.
Ele está bem próximo de uma estrela similar ao Sol, na constelação Serpens Cauda, distante cerca de 1.500 anos-luz da Terra. O exoplaneta completa uma órbita em torno de sua estrela em apenas 95 dias.
São conhecidos, atualmente, cerca de 400 exoplanetas, dos quais 70 orbitam uma estrela central. Esses planetas têm órbitas muito curtas ou excêntricas, com temperaturas superficiais extremas.
Planeta familiar
Segundo os autores do estudo, as características do planeta se encaixam nos modelos padrões de evolução e ele provavelmente tem uma composição interna parecida com a de Júpiter ou a de Saturno.
"O CoRoT-9b é o primeiro exoplaneta até hoje encontrado que realmente se assemelha aos planetas em nosso Sistema Solar", apontou Hans Deeg, do Instituto de Astrofísica de Canárias e primeiro autor do artigo.
"Esse é o primeiro exoplaneta cujas propriedades podemos estudar em profundidade. Ele pode se tornar a pedra de Roseta da pesquisa em exoplanetas", disse Claire Moutou, do Departmento de Astrofísica da Universidade de La Laguna, na Espanha, um dos autores do estudo.
É assim que os astrônomos "enxergam" os exoplanetas, medindo a variação da luz recebida de sua estrela quando o planeta passa à sua frente, ou seja, quando ele fica entre a estrela e a Terra. [Imagem: Deeg et al./Nature]Trânsito planetário
O CoRoT-9b passa em frente à sua estrela a cada 95 dias - conforme observado da Terra. Esse "trânsito' dura cerca de 8 horas e fornece aos astrônomos muita informação adicional do planeta. Esses detalhes são muito importantes, uma vez que o planeta compartilha muitas características com a maioria dos exoplanetas descobertos até hoje.
"Como no caso dos nossos planetas gigantes, Júpiter e Saturno, o novo planeta é formado basicamente de hidrogênio e hélio. E pode conter outros elementos, como água e pedras em elevadas temperaturas e pressão, em um total de até 20 vezes a massa da Terra", disse Tristan Guillot, do Observatório da Côte d'Azur.
Planeta ovalado
As informações sobre a temperatura e a forma do novo exoplaneta foram obtidas por medidas espectrográficas feitas a partir de um observatório no Chile.
O trabalho na USP, de acordo com o professor Ferraz-Mello, envolve duas frentes de estudos: o tratamento das observações feitas no Chile, que permite obter medidas espectrográficas que determinam a massa do planeta, por exemplo, e o estudo dos fenômenos das marés nos planetas, que afetam sua rotação.
"O CoRot-9b não é completamente esférico. Ele é levemente ovalado", observa o cientista, destacando que o planeta que acaba de ser anunciado demonstra um grande potencial para futuros estudos de suas características físicas e atmosféricas.
Análises demoradas
O satélite CoRoT identificou o planeta após 150 dias de observações durante o verão de 2008. "Na verdade, o CoRot9-b foi descoberto há cerca de dois anos, mas somente agora é que ele foi anunciado", conta Ferraz-Mello.
Os parâmetros do planeta foram verificados no ano passado com o IAC-80 telescópio no Observatório do Teide, em Tenerife, e com outros telescópios, enquanto que as observações com o instrumento HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile, medido a sua massa, e confirmou que o Corot-9b é de fato um exoplaneta - daí a demora na divulgação da descoberta.