terça-feira, 15 de junho de 2010

Equipe do satélite Kepler divulga dados de 306 possíveis planetas

Mais de 700 possíveis planetas foram encontrados até agora nos dados da missão da Nasa


Ilustração da sonda Kepler em órbita, na busca por outros mundos. Nasa


(Estadão) Cientistas ligados ao satélite Kepler, da Nasa, que vem realizando buscas por planetas semelhantes à Terra em órbita de outras estrelas, informa ter localizado 706 estrelas com "candidatos viáveis" a planetas, alguns com tamanho comparável ao da Terra. Se confirmados esses candidatos mais que dobrarão o total de planetas conhecidos fora do Sistema Solar, hoje me pouco mais de 400.

Os dados de 306 desses candidatos a planetas estão sendo divulgados nesta terça-feira, 15, para que cientistas de todo o mundo possam analisá-los e confirmar ou não a presença de outros planetas fora do sistema Solar. O restante da massa de dados, referente a 400 planetas, só será divulgada em fevereiro de 2011.

A decisão da equipe do Kepler de restringir o acesso da comunidade científica em geral à totalidade da informação foi justificada como necessária por conta de atrasos no programa, e também para evitar que um grande número de "falsos positivos" viesse a público mas, de acordo com o New York Times, a reserva dos dados até fevereiro está sendo considerada polêmica, e mesmo antiética, por alguns pesquisadores.

Na segunda-feira, o principal concorrente do Kepler na busca pelo primeiro planeta semelhante à Terra, o francês CoRoT - que conta com participação de brasileiros - havia anunciado a descoberta de seis planetas, todos maiores que a Terra.

A maioria dos 706 candidatos, segundo os pesquisadores ligados ao Kepler, aponta para planetas com menos da metade do raio de Júpiter. A apresentação dos dados divulgados pode ser vista online.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

6 Novos Planetas e uma Anã Castanha


(AstroPT) A equipa da missão CoRoT anunciou a descoberta de 6 novos exoplanetas (CoRoT-8b, -10b, -11b, 12b, -13b e -14b) e uma anã castanha (CoRoT-15b).

Os novos planetas são todos do tipo “Júpiter Quente” excepto o CoRoT-8b que tem apenas 70% da massa de Saturno (ou aproximadamente 60 vezes a massa da Terra). O CoRoT-10b tem a particularidade de ter uma órbita bastante excêntrica pelo que no periastro passa muito próximo da sua estrela hospedeira. Ao longo dos 13 dias do seu período orbital, a temperatura das camadas superiores da atmosfera do planeta varia entre os 250 e os 600 graus (Celsius). O CoRoT-11b tem a particularidade de orbitar uma estrela hospedeira que tem uma rotação extremamente rápida, 40 horas em vez dos 26 dias do nosso Sol. Os planetas -12b, -13b e -14b são aparente mais “normais” mas uma análise mais detalhada revela características interessantes. O CoRoT-12b é um “Júpiter Quente” com a atmosfera inchada muito para lá do que os modelos teóricas para as atmosferas destes planetas prevêem. Ainda não se sabe porque é que alguns destes planetas têm as atmosferas tão distendidas. O CoRoT-13b é duas vezes mais maciço que Júpiter e parece ter um núcleo de rocha e gelo no seu interior com cerca de 16 vezes a massa da Terra. Finalmente, o CoRoT-14b tem 7.5 vezes a massa de Júpiter e 6 vezes a densidade do mesmo, orbitando a sua estrela hospedeira em 1.5 dias ! Trata-se assim de um planeta fortemente irradiado e muito maciço, uma combinação rara.

Para além destes planetas, a anã castanha CoRoT-15b tem cerca de 60 vezes a massa de Júpiter e 40 vezes a sua densidade. As anãs castanhas têm todas sensivelmente o mesmo tamanho de Júpiter (e portanto grandes densidades) pois o mecanismo que as suporta contra a sua própria gravidade é a pressão de degenerescência, uma força de origem quântica produzida por electrões confinados num volume de espaço limitado.

Podem ver a notícia aqui, um comunicado aqui e as características dos planetas aqui.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Astrônomos captam movimento de planeta fora do Sistema Solar

O astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar

Imagem com as duas posição do planeta, em 2003 e 2009. O disco de detritos é a nuvem azul ao redor. Divulgação


(Estadão) Cientistas conseguiram, pela primeira vez, acompanhar o movimento de um planeta em órbita de outra estrela que não o Sol. O exoplaneta tem a menor órbita já detectada em um planeta de fora do Sistema Solar observado diretamente, situando-se quase tão perto da sua estrela como Saturno está do Sol.

Os astrônomos creem que o astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar. Como a estrela é bem jovem, a descoberta mostra que planetas gigantes gasosos podem surgir em poucos milhões de anos, uma escala de tempo curta em termos cósmicos.

Com apenas 12 milhões de anos - o Sol, em comparação, tem mais de 4 bilhões - Beta Pictoris tem 75% mais massa que a nossa estrela. Situada a cerca de 60 anos-luz de distância, na direção da constelação de Pictor, trata-se de um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada por um disco de poeira e detritos, o tipo de ambiente onde se formam planetas.

Observações anteriores mostraram uma deformação do disco, um disco secundário inclinado e cometas em rota de colisão com a estrela. “Eram sinais indiretos, mas indicativos da presença de uma planeta de grande massa, e as nossas novas observações demonstram este fato de forma definitiva,” diz a líder da equipe, Anne-Marie Lagrange.

“Uma vez que a estrela é muito jovem, os nossos resultados mostram que planetas gigantes podem formar-se nestes discos em escalas de tempo tão pequenas como alguns milhares de anos.”

Observações recentes mostraram que os discos em torno de estrelas jovens se dispersam ao fim de alguns milhões de anos, e que a formação de planetas gigantes deve, portanto, ocorrer mais depressa do que o que se julgava anteriormente.

O exoplaneta tem uma massa de cerca de nove vezes a massa de Júpiter, dispondo igualmente da massa e localização certas para explicar a deformação observada no interior do disco.

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sábado, 29 de maio de 2010

Planeta realiza órbita ao redor de seu sol em menos de 18 horas

(New Scientist / Folha) Uma nova análise realizada por cientistas nos EUA mostra que um planeta consegue dar uma volta completa ao redor de seu sol em menos de 18 horas.

O planeta, chamado 55 Cancri e, já era conhecido por cientistas há vários anos. Ele possui uma massa muito maior que a da Terra e orbita uma estrela como o Sol.

Pesquisadores do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, em Massachusetts (EUA), descobriram que falhas em observações da órbita do planeta podem ter levado a conclusões erradas.

Pensava-se que 55 Cancri e levava três anos para orbitar seu sol, SWEEPS-10. A nova análise, porém, indica que o planeta leva 17 horas e 41 minutos.

Há indícios de que outro planeta no mesmo sistema possa realizar uma órbita em um tempo ainda menor, mas sua existência ainda não foi confirmada.

Se um planeta pudesse completar uma volta ao redor do Sol (do sistema solar terrestre) a uma distância equivalente ao raio do Sol sem queimar, esse planeta levaria três horas para completar uma volta.

Planetas orbitando astros mais compactos, como anãs brancas, pulsares e buracos negros, podem completar voltas em tempos menores, pois podem se aproximar mais desses objetos. Não há, contudo, confirmação da existência de planetas orbitando anãs brancas e buracos negros.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Doutorando do Inpe contribui para descoberta de órbitas inclinadas de exoplanetas

(INPE / JC) Estudo do grupo de pesquisa do Observatório McDonald da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, acaba de ser publicada na versão online do Astrophysical Journal

Métodos desenvolvidos por Eder Martioli, doutorando do curso de pós-graduação em Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), contribuíram para identificar dois planetas que orbitam a mesma estrela mas em diferentes inclinações.

A descoberta do grupo de pesquisa do Observatório McDonald da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, acaba de ser publicada na versão online do Astrophysical Journal: http://iopscience.iop.org/0004-637X/715/2/1203/

A tese de doutorado de Eder Martioli consiste no desenvolvimento de técnicas para medir a inclinação orbital e a massa de candidatos a exoplanetas, ou seja, planetas em órbita de outra estrela que não seja o Sol. Eder passou um ano na Universidade do Texas, entre 2007 e 2008, aprendendo novas técnicas e contribuindo com o desenvolvimento dos métodos para a análise dos resultados das pesquisas do grupo americano.

"Pela primeira vez se mediram as inclinações das órbitas de dois exoplanetas de um mesmo sistema planetário. Esse sistema, chamado Upsilon Andromedae, possui três planetas detectados, sendo que, surpreendentemente, dois deles possuem órbitas não alinhadas. Essas medidas foram realizadas com a mesma técnica descrita em minha tese", informa Eder Martioli, cuja defesa do doutorado está marcada para o dia 9 de junho, no Inpe de São José dos Campos.

A descoberta sobre o sistema Upsilon Andromedae deve influenciar os estudos sobre a evolução dos sistemas compostos por vários planetas, ao mostrar que nem sempre todos eles orbitam a estrela num mesmo plano. O desalinhamento destes exoplanetas sugere ainda que eventos violentos podem perturbar órbitas mesmo depois de o sistema estar formado.

O estudo foi baseado nos dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, Telescópio Hobby-Eberly e outros telescópios baseados no solo, combinados com modelos teóricos.

Há mais de dez anos que os astrônomos sabem que três planetas do tamanho de Júpiter orbitam a estrela Upsilon Andromedae, semelhante ao Sol e a 44 anos-luz. Ela é um pouco mais jovem, brilhante e tem mais massa que o Sol. O grupo de pesquisadores determinou a massa de dois dos planetas, Upsilon Andromedae c e d, e descobriu que não estão no mesmo plano. O estudo mostra que as órbitas de c e d estão inclinadas em 30º em relação uma à outra. A equipe descobriu ainda um quarto planeta, muito mais distante da estrela.

O estudo aponta que diversos cenários gravitacionais poderiam ter causado a inclinação notável em Upsilon Andromedae, incluindo interações durante a migração de um planeta para mais perto da estrela, perturbações causadas por uma outra estrela ou a expulsão de um planeta para fora do sistema.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Planetas com órbitas inclinadas desafiam teorias

Interações gravitacionais criaram uma estranha órbita inclinada em 30 graus

O sistema de Upsilon Andromedae, de acordo com as descobertas recentes. Divulgação

(Estadão) Astrônomos informam a descoberta de um sistema planetário fora dos eixos, onde a órbita de dois dos planetas estão num ângulo bem inclinado. Essa descoberta dever ter impacto nas teorias de como evoluem os sistemas compostos por vários planetas, e mostra que eventos violentos podem acontecer para perturbar órbitas mesmo depois de o sistema estar formado, de acordo com os autores.

"As descobertas significam que estudos futuros de sistemas exoplanetários serão mais complicados. Os astrônomos não podem mais presumir que todos os planetas orbitam a estrela num mesmo plano", disse Barbara McArthur, do Observatório McDonald da Universidade do Texas

A equipe dela usou o Telescópio Espacial Hubble, o Telescópio Hobby-Eberly e outros telescópios baseados no solo, combinados com modelos teóricos, para descobrir dados a respeito do sistema que orbita a estrela Upsilon Andromedae. Os resultados estão sendo apresentados na reunião da Sociedade Americana de Astronomia, realizada em Miami. O trabalho será publicado no Astrophysical Journal.

Há mais de dez anos que os astrônomos sabem que três planetas do tamanho de Júpiter orbitam a estrela, semelhante ao Sol e a 44 anos-luz. Ela é um pouco mais jovem, brilhante e tem mais massa que o Sol.

Combinando os dados de vários telescópios, a equipe de Barbara determinou a massa de dois dos planetas, Upsilon Andromedae c e d. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi a descoberta de que nem todos os planetas estão no mesmo plano. As órbitas de c e d estão inclinadas em 30º em relação uma à outra. A equipe descobriu ainda um quarto planeta, muito mais distante da estrela.

"Muito provavelmente Upsilon Andromedae teve o mesmo processo de formação que o nosso sistema, embora possam ter ocorrido diferenças nos estágios finais e que semearam essa evolução divergente", disse ela. "A premissa da evolução planetária, até agora, tem sido de que sistemas planetários formam-se no disco e se mantêm relativamente coplanares, como o nosso, mas agora temos a medição de um ângulo significativo entre esses planetas, o que indica que este não é sempre o caso".

A teoria convencional é de que uma grande nuvem de gás se contrai para formar a estrela, e que os planetas são um produto natural das sobras, que ficam num disco de material. Os planetas, como no caso do nosso sistema solar, continuariam praticamente no mesmo plano definido pelo disco original.

Diversos cenários gravitacionais poderiam ter causado a inclinação notável em Upsilon Andromedae, incluindo interações durante a migração de um planeta para mais perto da estrela, perturbações causadas por uma outra estrela ou a expulsão de um planeta para fora do sistema.

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E mais: Sistema totalmente Diferente! (AstroPT)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Planeta mais quente da galáxia está sendo engolido por estrela

O planeta, Wasp-12b, está tão próximo de sua estrela que tem uma temperatura de mais de 1,500º C

Ilustração do planeta distorcido e sendo sugado por sua estrela. Divulgação/Hubble

(Estadão) O planeta mais quente conhecido da Via-Láctea também pode ser o de menor expectativa de vida. O mundo condenado esta´sendo devorado por sua estrela, de acordo com observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. O planeta pode ter apenas mais 10 milhões de anos antes de desaparecer por completo.

O planeta, chamado Wasp-12b, está tão próximo de sua estrela - semelhante ao Sol - que tem uma temperatura de mais de 1,500º C e está esticado como uma bola de futebol americano, pelas forças de maré. A atmosfera expandiu-se a quase três vezes o raio de Júpiter, e está derramando material na estrela. O planeta tem 40% mais massa que Júpiter.

O efeito de troca de matéria entre dois objetos é comum em sistemas binários de estrelas, mas é a primeira vez que é observado de forma tão clara num planeta, de acordo com nota divulgada pelos cientistas responsáveis.

"Vemos uma grande nuvem de material em volta do planeta, que está escapando dele e sendo capturado pela estrela. Identificamos elementos químicos nunca antes vistos em planetas fora do Sistema Solar", disse a líder da equipe que fez a observação, Carole Haswell, da Universidade Aberta da Grã Bretanha.

O trabalho da equipe está publicado no Astrophysical Journal Letters.

Uma análise teórica publicada em fevereiro na revista Nature por Shu-lin Li, da Universidade de Pequim, previa que a superfície do planeta devia estar distorcida e que o interior seria tão quente que a atmosfera estaria expandida. As observações di Hubble confirmam essas previsões.
A estrela, Wasp-12, fica a cerca de 600 anos-luz, na constelação do Auriga. O planeta havia sido descoberto em 2008 pelo programa britânico Busca Planetária de Área Ampla, que em inglês tem a sigla "Wasp".

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Matérias similares no Terra, Folha, Inovação Tecnológica, Astronomia On-Line e Scientific American Brasil

E mais:

A estrela faminta e sua vítima cozida (Cássio Leandro Dal Ri Barbosa - G1)

WASP 12b: exoplaneta da classe Júpiter quente é assassinado lentamente por estrela vampira (Eternos Aprendizes)