terça-feira, 29 de junho de 2010

Astrônomos confirmam planeta em órbita de estrela semelhante ao Sol

Com a confirmação, o sistema, classificado como 1RXS 1609, passa a representar um desafio às teorias

A imagem original de 2008, com a estrela e o planeta em órbita. Gemini Observatory/Divulgação

(Estadão) Novas observações confirmaram que um planeta com cerca de oito vezes a massa de Júpiter está mesmo em órbita de uma estrela semelhante ao Sol. A distância entre estrela e planeta é cerca de 300 vezes maior que a que separa a Terra do Sol.

O planeta recém-confirmado é o menor que se conhece numa órbita tão distância de sua estrela.

A descoberta havia sido anunciada em 2008, por uma equipe liderada por David Lafrenière, então na Universidade de Toronto, atualmente na Universidade de Montreal. Mas eram necessárias mais observações para co0nfirmar que planeta e estrela realmente compunham um sistema conjunto - era possível que a imagem em que ambos apareciam juntos fosse fruto de um alinhamento casual.

"Nossas novas observações eliminam a possibilidade de alinhamento casual, e confirma que planeta e estrelas estão relacionados", disse, em nota, Lafrenière.

Com a confirmação, o sistema, classificado como 1RXS 1609, passa a representar um desafio às teorias de formação planetária, por conta de seu afastamento extremo em relação à estrela. "A localização improvável dessa mundo alienígena pode estar nos dizendo que a natureza tem mais de um jeito de fazer planetas", afirma o coautor Ray Jayawardhana.

Quando foi detectado inicialmente, com o uso do Observatório Gemini, em abril de 2008, o objeto tornou-se o primeiro planeta a provavelmente orbitar uma estrela semelhante ao Sol e que havia sido revelado por uma imagem direta.

A equipe de cientistas também obteve um espectro do planeta e foi capaz de determinar muitas de suas características, confirmadas no novo trabalho. "Em retrospecto, isso faz de nossos dados iniciais o primeiro espectro de um exoplaneta confirmado de todos os tempos!", disse Lafrenière.

Desde a observação inicial, diversos outros planetas foram descobertos por meio de imagem direta, incluindo um sistema de três planetas em torno da estrela HR 8799, também encontrado com o Gemini.

A estrela do sistema 1RXS 1609 fica a 500 anos-luz da Terra, em um grupo de estrelas jovens. O planeta tem temperatura estimada em cerca de 1.500º C.

A estrela tem massa estimada em cerca de 85% da do Sol. A juventude do sistema ajuda a explicar a alta temperatura do planeta, já que a contração gravitacional do mundo, durante a fase de formação, deve ter elevado a temperatura rapidamente. Quando a contração terminar, o astro esfriará, irradiando infravermelho. Em bilhões de anos, atingirá uma temperatura semelhante à de Júpiter, que no alto da atmosfera chega a 110º C negativos.

Esses resultados serão publicados no Astrophysical Journal.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Como encontrar um mundo habitável? Por que a taxonomia dos exoplanetas é a dor de cabeça dos cientistas planetários?


(Eternos Aprendizes) Caleb Scharf escreveu uma interessante crítica na Scientific American descrevendo as dores dos cientistas planetários (How to find a habitable exoplanet: Don’t look for one – Como encontrar um exoplaneta habitável: não procure especificamente por ele) e faz algumas recomendações interessantes sobre como a pesquisa exoplanetária deve ser conduzida:

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Tempestade de vento assola planeta fora do Sistema Solar

Tempestade de vento de 7.000 km/h assola planeta com massa de Júpiter na constelação de Pégaso.


(Folha) Astrônomos mediram uma tempestade de vento fortíssima na atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar.

Dados sobre o gás monóxido de carbono na atmosfera do planeta HD209458b mostram que o gás está fluindo a 7.000 quilômetros por hora da parte quente do planeta para a parte fria.

HD209458b é um planeta do tipo "Júpiter quente", um gigante de gás, como Júpiter, mas que está próximo de sua estrela, ao contrário de Júpiter.

O planeta orbita uma estrela na constelação de Pégaso, cerca de 150 anos-luz da Terra.

Como está muito próximo do seu sol, HD209458b apresenta temperaturas em sua superfície de 1.000 graus Celsius em sua parte quente.

E como o planeta sempre mostra o mesmo lado para a estrela, um de seus lados está sempre fervendo, enquanto o outro está muito mais frio.

Na Terra, grandes diferenças de temperatura geram ventos, e a situação não é diferente em HD209458b.

Os pesquisadores usaram o telescópio VLT do Observatório Europeu do Sul e um poderoso espectrógrafo para detectar e analisar a fração minúscula de luz estelar que atravessa a atmosfera do planeta enquanto ele passa na frente de sua estrela.

No mesmo estudo, publicado na revista "Nature", os autores também demonstram uma nova técnica para obter a massa de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar). Eles calcularam diretamente a velocidade do exoplaneta enquanto ele orbitava a estrela.

Eles fizeram isso medindo o efeito Doppler, a mudança no comprimento de onda da luz refletida por um planeta quando ele se aproxima ou se afasta da Terra.

Após a determinação da velocidade de órbita de HD209458b, as massas do planeta e da estrela puderam ser calculadas usando a lei da gravidade de Newton.

Os astrônomos também mediram quanto carbono está presente na atmosfera do planeta.

"Parece que H209458b é rico em carbono, como Júpiter e Saturno. Isso poderia indicar que ele foi formado da mesma forma", disse à "BCC News" Ignas Snellen, da Universidade de Leiden, na Holanda, e líder da pesquisa.

"No futuro, astrônomos podem usar esse tipo de observação para estudar a atmosfera de planetas parecidos com a Terra para determinar se há vida."
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Formação de sistemas


(AstroPT) Pela primeira vez, foram observados com grande detalhe, sistemas solares em formação.Leiam em inglês, aqui.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Missão da Nasa busca planetas parecidos com a Terra

Em 43 dias no espaço, a Missão do observatório espacial Kepler da Nasa - a agência Espacial americana - já enviou à Terra dados científicos sobre mais de 156 mil estrelas

(Terra) Em 43 dias no espaço, a Missão do observatório espacial Kepler da Nasa - a agência Espacial americana - já enviou à Terra dados científicos sobre mais de 156 mil estrelas. As estrelas estão sendo monitoradas como parte de uma busca por planetas semelhantes ao nosso fora do sistema solar. Mudanças de brilho, por exemplo, podem ser sinais de que as estrelas tenham planetas em sua órbita.

O Kepler capta dados sobre os planetas através da medição da intensidade de luz da estrela-mãe. Cada vez que um planeta passa em frente à estrela diminui minimamente o brilho dela. Assim, os cientistas calculam o tamanho do planeta de acordo com a mudança no brilho da estrela.

As estrelas têm uma ampla gama de intensidades de luz, temperaturas, tamanhos e idades. Algumas são estáveis, enquanto outras pulsam. Algumas têm pontos de luz, similares às manchas solares, e algumas produzem chamas que esterilizam os planetas mais próximos. Todas essas características das estrelas devem ser analisadas para determinar a possibilidade de cada um dos planetas que estão em suas órbitas ser parecido com a Terra.

A equipe de cientistas da Nasa também pesquisa dados obtidos por telescópios terrestres, pelo Hubble e pelo telescópio espacial Spitzer para realizar perfis de um conjunto específico de 400 objetos de interesse. A área do espaço na qual o Kepler observa estrelas nas constelações de Cygnus e Lyra só pode ser vista a partir de observatórios em Terra na primavera do hemisfério norte.

Os dados das observações determinarão quais dos objetos podem ser identificados como planetas. Esses dados serão divulgados à comunidade científica em fevereiro de 2011.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Equipe do satélite Kepler divulga dados de 306 possíveis planetas

Mais de 700 possíveis planetas foram encontrados até agora nos dados da missão da Nasa


Ilustração da sonda Kepler em órbita, na busca por outros mundos. Nasa


(Estadão) Cientistas ligados ao satélite Kepler, da Nasa, que vem realizando buscas por planetas semelhantes à Terra em órbita de outras estrelas, informa ter localizado 706 estrelas com "candidatos viáveis" a planetas, alguns com tamanho comparável ao da Terra. Se confirmados esses candidatos mais que dobrarão o total de planetas conhecidos fora do Sistema Solar, hoje me pouco mais de 400.

Os dados de 306 desses candidatos a planetas estão sendo divulgados nesta terça-feira, 15, para que cientistas de todo o mundo possam analisá-los e confirmar ou não a presença de outros planetas fora do sistema Solar. O restante da massa de dados, referente a 400 planetas, só será divulgada em fevereiro de 2011.

A decisão da equipe do Kepler de restringir o acesso da comunidade científica em geral à totalidade da informação foi justificada como necessária por conta de atrasos no programa, e também para evitar que um grande número de "falsos positivos" viesse a público mas, de acordo com o New York Times, a reserva dos dados até fevereiro está sendo considerada polêmica, e mesmo antiética, por alguns pesquisadores.

Na segunda-feira, o principal concorrente do Kepler na busca pelo primeiro planeta semelhante à Terra, o francês CoRoT - que conta com participação de brasileiros - havia anunciado a descoberta de seis planetas, todos maiores que a Terra.

A maioria dos 706 candidatos, segundo os pesquisadores ligados ao Kepler, aponta para planetas com menos da metade do raio de Júpiter. A apresentação dos dados divulgados pode ser vista online.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

6 Novos Planetas e uma Anã Castanha


(AstroPT) A equipa da missão CoRoT anunciou a descoberta de 6 novos exoplanetas (CoRoT-8b, -10b, -11b, 12b, -13b e -14b) e uma anã castanha (CoRoT-15b).

Os novos planetas são todos do tipo “Júpiter Quente” excepto o CoRoT-8b que tem apenas 70% da massa de Saturno (ou aproximadamente 60 vezes a massa da Terra). O CoRoT-10b tem a particularidade de ter uma órbita bastante excêntrica pelo que no periastro passa muito próximo da sua estrela hospedeira. Ao longo dos 13 dias do seu período orbital, a temperatura das camadas superiores da atmosfera do planeta varia entre os 250 e os 600 graus (Celsius). O CoRoT-11b tem a particularidade de orbitar uma estrela hospedeira que tem uma rotação extremamente rápida, 40 horas em vez dos 26 dias do nosso Sol. Os planetas -12b, -13b e -14b são aparente mais “normais” mas uma análise mais detalhada revela características interessantes. O CoRoT-12b é um “Júpiter Quente” com a atmosfera inchada muito para lá do que os modelos teóricas para as atmosferas destes planetas prevêem. Ainda não se sabe porque é que alguns destes planetas têm as atmosferas tão distendidas. O CoRoT-13b é duas vezes mais maciço que Júpiter e parece ter um núcleo de rocha e gelo no seu interior com cerca de 16 vezes a massa da Terra. Finalmente, o CoRoT-14b tem 7.5 vezes a massa de Júpiter e 6 vezes a densidade do mesmo, orbitando a sua estrela hospedeira em 1.5 dias ! Trata-se assim de um planeta fortemente irradiado e muito maciço, uma combinação rara.

Para além destes planetas, a anã castanha CoRoT-15b tem cerca de 60 vezes a massa de Júpiter e 40 vezes a sua densidade. As anãs castanhas têm todas sensivelmente o mesmo tamanho de Júpiter (e portanto grandes densidades) pois o mecanismo que as suporta contra a sua própria gravidade é a pressão de degenerescência, uma força de origem quântica produzida por electrões confinados num volume de espaço limitado.

Podem ver a notícia aqui, um comunicado aqui e as características dos planetas aqui.
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