terça-feira, 20 de julho de 2010

NOVO MÉTODO DE PESQUISA EXTRASOLAR PODE DESCOBRIR PLANETAS TIPO-TERRA

Esta imagem mostra a ténue estrela WASP-3 (magnitude 10,5 ou cerca de 60 vezes mais ténue do que o olho humano consegue observar) no centro, usando o telescópio de 35 polegadas do Observatório da Universidade de Jena. A estrela está ampliada com maior sensibilidade e resolução na imagem no canto inferior esquerdo. WASP-3 encontra-se a 700 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Lira. A imagem é uma composição de três imagens obtidas em três filtros diferentes (azul, visual e vermelho) e a pequena usa apenas o filtro vermelho.
Crédito: Gracan Maciejewski, Dinko Dimitrov, Ralph Neuhäuser, Andrzej Niedzielski et al.




(Astronomia On Line - Portugal) De acordo com um novo estudo, uma nova técnica de pesquisa de exoplanetas usada para detectar um exótico mundo pode ser sensível o suficiente para ajudar os astrónomos a descobrir planetas com o tamanho da Terra em órbita de outras estrelas.

O novo método, TTV (Transit Timing Variation), foi desenvolvido por uma equipa de astrónomos europeus liderados por Gracjan Maciejewski da Universidade de Jena na Alemanha.

A técnica foi usada para descobrir um planeta com 15 vezes a massa da Terra, localizada no sistema estelar WASP-3, a 700 anos-luz do Sol na direcção da constelação de Lira.

No entanto, os investigadores afirmam que o alto grau de sensibilidade do método pode torná-lo uma ferramenta valiosa para localizar pequenos planetas com massas semelhantes à da Terra.

Os resultados do estudo foram aceites para publicação numa edição futura da revista mensal da Sociedade Astronómica Real.

A técnica TTV foi sugerida como uma proposta viável para a descoberta de planetas extrasolares - ou exoplanetas - há alguns anos. Tem como base o actual método de trânsito, em uso há já alguns anos, sobretudo pelas missões espaciais Kepler e CoRoT que pesquisam o cosmos por planetas tipo-Terra.

Os trânsitos ocorrem quando um planeta passa em frente da sua estrela-mãe, bloqueando temporariamente alguma luz estelar da perspectiva da Terra. Durante estes trânsitos, os astrónomos podem medir a quebra na luz da estrela, assinalando a passagem de um planeta.

O novo método permite aos astrónomos identificarem planetas mais pequenos cujos próprios trânsitos não são suficientes para reduzir significativamente a luz emitida pela estrela. No entanto, se planetas mais pequenos existirem em adição a um grande planeta, estes exercem um puxo gravitacional sobre o maior e alteram a sua órbita, provocando desvios no ciclo regular de trânsitos.

A técnica TTV compara estes desvios com previsões feitas a partir de vastos cálculos computacionais. As estimativas permitem aos astrónomos inferir a composição preliminar do sistema planetário em estudo - incluíndo a presença de possíveis planetas tipo-Terra.

Para o seu estudo, Maciejewski e a sua equipa de investigadores usaram os telescópios de 35 polegadas do Observatório da Universidade de Jena e o telescópio de 24 polegadas do Observatório Astrónomico Nacional de Rohzen na Bulgário, para estudar os trânsitos de WASP-3b, um grande planeta com uma massa 630 vezes a da Terra.

As suas observações levaram a uma descoberta inesperada.

"Nós detectámos variações periódicas no 'timing' do trânsito de WASP-3b," anunciou Maciejewski. "Estas variações podem ser explicadas por um planeta adicional no sistema, com uma massa de 15 Terras (ou a massa de Urano) e um período de 3,75 dias."

Este recém-descoberto planeta foi apelidado de WASP-3c, e está entre os exoplanetas mais pequenos descobertos até à data. É também um dos planetas menos massivos conhecidos a orbitar uma estrela mais massiva que o Sol.

Esta descoberta marca a primeira vez que um planeta extrasolar foi descoberto usando o método TTV.

Os investigadores acrescentaram que a detecção de planetas com menos de 15 vezes a massa da Terra torna o sistema WASP-3 muito interessante.

A órbita do novo planeta tem o dobro da do planeta mais massivo. Tal configuração é provavelmente o resultado da evolução do sistema planetário.

A capacidade do método TTV em detectar pequenos planetas pode ajudar os astrónomos a localizar mais destes exoplanetas tipo-Terra no futuro.

Por exemplo, um planeta com a massa da Terra irá puxar um gigante gasoso comum que orbita perto da sua estrela e provocar desvios cronológicos nos trânsitos destes objectos maiores até um minuto. Este efeito é suficiente para ser detectado com telescópios com 1 metro de abertura, ou seja, relativamente pequenos. Quaisquer potenciais descobertas podem então ser seguidas por instrumentos maiores.

Esquema que mostra as órbitas dos dois planetas no sistema WASP-3.
Crédito: Maciejewski et al.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Hubble confirma que planeta superquente tem cauda como cometa

O planeta, localizado a 153 anos-luz da Terra, tem uma massa pouco menor que a de Júpiter

Ilustração da cauda de HD 209458b, composta pela atmosfera soprada pelo vento estelar. Divulgação



(Estadão) Pesquisadores usando o Telescópio Espacial Hubble confirmaram a existência de um objeto que pode ser classificado como um "planeta cometário". O gigante gasoso, chamado HD 209458b,orbita tão perto de sua estrela que a atmosfera aquecida está fugindo para o espaço.

Observações feitas com o instrumento do Hubble chamado Espectrógrafo Origens Cósmicas (COS, na sigla em inglês) indicam que potentes ventos estelares varrem o material eliminado pela atmosfera para trás do planeta, moldando os gases eliminados numa cauda como a de um cometa.

"Desde 2003 que cientistas teorizam que a massa perdida está sendo empurrada para trás numa cauda, e já há cálculos de como ela deve ser", afirmou, em nota, o astrônomo Jeffrey Linsky, líder do estudo. "Acredito que temos a melhor evidência observacional para apoiar essa teoria. Medimos o gás que deixa o planeta em velocidades específicas".

O planeta, localizado a 153 anos-luz da Terra, tem uma massa pouco menor que a de Júpiter, mas a distância que o separa da estrela é apenas 1% da que existe entre Júpiter e o Sol. Este é um dos planetas extrassolares mais longamente estudados, porque foi um dos primeiros planetas descobertos a fazer trânsitos - isto é, cortar a linha de visão entre sua estrela e a Terra.

Durante um trânsito, astrônomos têm a oportunidade de estudar a estrutura e a composição química da atmosfera planetária, a partir da luz estelar que se filtra por ela.

O COS detectou elementos pesados, carbono e silício, na atmosfera superaquecida de mais de 1.000º C. Essa detecção revelou que a estrela está aquecendo a atmosfera por inteiro, arrastando para o alto os elementos mais pesados e permitindo que escapem para o espaço.

O instrumento também mostrou que o material que deixa o planeta não parte todo na mesma velocidade. "Encontramos gás escapando a altas velocidades, com uma grande parte fluindo a mais de 30.000 km/h", disse Linsky. "Esse grande fluxo de gás é provavelmente gás arrastado pelo vento estelar para formar uma cauda que segue o planeta".

Os resultados da análise aparecem na publicação especializada The Astrophysical Journal.

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terça-feira, 13 de julho de 2010

Luas extrasolares mais próximas


(AstroPT) O fantástico trabalho feito com o planeta extrasolar TrES-2b, permite agora já sermos capazes de detectar algumas possíveis luas extrasolares à volta de exoplanetas.

Leiam em inglês, aqui.

Leiam também, em inglês, este artigo, este e este.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

WASP-3c


(AstroPT) A descoberta indirecta do planeta extrasolar WASP-3c, utilizando os dados da órbita do planeta extrasolar WASP-3b.

Leiam em inglês, aqui.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mais Uma Detecção de Beta Pictoris b


(AstroPT) O planeta recentemente descoberto em torno da estrela Beta Pictoris foi fotografado mais uma vez. A proeza foi conseguida com o instrumento NACO de óptica adaptativa montado no telescópio Yepun, um dos gigantes do VLT (Very Large Telescope). O NACO foi alvo de melhoramentos que permitem minimizar o efeito da difracção da luz proveniente de estrelas brilhantes, facilitando a detecção de objectos débeis na sua proximidade.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A busca astronômica por novos mundos

(Nizomar Gonçalves - O Povo) Por definição chamamos de planeta qualquer objeto que orbite uma estrela e que não tem e nunca teve reações nucleares. Existe uma delimitação mais formal: corpos celestes cuja massa é superior a 75 massas do planeta Júpiter são estrelas, objetos celestes com massas entre 13 e 75 massas de Júpiter são denominados estrelas anãs marrons e corpos com massas inferiores a 13 massas de Júpiter são planetas.

Temos a experiência de conhecer vários planetas em nosso Sistema Solar, porém, até hoje não se encontrou vida em nenhum deles. Parece que estamos sozinhos no imenso Sistema Solar. Consideremos o tamanho do Universo. É gigantesco. Na nossa galáxia – a Via Láctea – existem cerca de 200 bilhões de estrelas semelhantes ao nosso Sol. No Universo existe uma quantidade muito grande de galáxias, cada uma com seus bilhões de estrelas. Podemos nos perguntar: se o Sol possui oito planetas (Plutão foi rebaixado a planeta anão) orbitando ao seu redor, será que as outras estrelas existentes no Universo não possuem planetas também? Quantos planetas devem existir ao todo?

Surgem muitas perguntas. Hoje temos respostas para algumas. Sabemos que existem outros planetas orbitando estrelas no imenso espaço sideral. Como estes planetas não estão no Sistema Solar, chamamo-los de Planetas Extrassolares ou Exoplanetas. Observar planetas extrassolares não é fácil porque a distância que nos separa deles é muito grande. Como os planetas não possuem luz própria, a única maneira de encontrá-los é através de observações indiretas: apontamos um telescópio (não muito pequeno!) para uma estrela e se tivermos sorte conseguimos ver um eclipse daquela estrela. Quem provoca eclipse é um planeta – está descoberto um exoplaneta.

Outra forma é observar variações periódicas na posição de uma estrela. Essa perturbação pode ser provocada pela presença de um planeta orbitando a estrela. São meses de cálculos e observações até podermos concluir que se trata realmente de um planeta.

O Brasil também participa da busca por planetas extrassolares. O satélite Corot (COnvecção, ROtação e Trânsitos planetários) lançado em 27 de dezembro de 2006 é uma colaboração entre França – Áustria – Alemanha – Espanha - Brasil e está equipado com um telescópio de 27 centímetros.

Até maio de 2010, segundo o Observatório Astronômico de Lisboa, haviam sido descobertos 454 planetas extrassolares. Este número vem crescendo rapidamente a cada ano. Somente neste ano, já foram descobertos 40 planetas extrassolares. Isto é quase metade do que se descobriu em 2009.

Outra pergunta nos perturba: se existem tantos planetas no Universo, existe vida em algum deles? Muitos cientistas, além de acreditar na existência de vida espalhada por outros locais do Universo, tentam de alguma forma comunicar-se com estas formas de vida enviando, por exemplo, sinais de comunicação, sondas espaciais contendo artefatos, diagramas e localização do planeta Terra. Recentemente, o físico britânico Stephen Hawking declarou que “é perfeitamente racional acreditar que pode existir vida fora da Terra, mas adverte que os alienígenas podem simplesmente roubar os recursos do planeta e irem embora”. Hawking citou como exemplo a chegada de Cristóvão Colombo às Américas – o final não foi feliz para os nativos.

Enfim, as pesquisas continuam. Estamos corretos ou não na busca de companheiros no Universo? Seria correto avaliar o caráter de outras formas de vida de acordo com o da espécie humana? Para quem deseja filosofar um pouco mais, recomendo um livro (ou o filme) do Carl Sagan chamado Contato.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Astrônomos confirmam planeta em órbita de estrela semelhante ao Sol

Com a confirmação, o sistema, classificado como 1RXS 1609, passa a representar um desafio às teorias

A imagem original de 2008, com a estrela e o planeta em órbita. Gemini Observatory/Divulgação

(Estadão) Novas observações confirmaram que um planeta com cerca de oito vezes a massa de Júpiter está mesmo em órbita de uma estrela semelhante ao Sol. A distância entre estrela e planeta é cerca de 300 vezes maior que a que separa a Terra do Sol.

O planeta recém-confirmado é o menor que se conhece numa órbita tão distância de sua estrela.

A descoberta havia sido anunciada em 2008, por uma equipe liderada por David Lafrenière, então na Universidade de Toronto, atualmente na Universidade de Montreal. Mas eram necessárias mais observações para co0nfirmar que planeta e estrela realmente compunham um sistema conjunto - era possível que a imagem em que ambos apareciam juntos fosse fruto de um alinhamento casual.

"Nossas novas observações eliminam a possibilidade de alinhamento casual, e confirma que planeta e estrelas estão relacionados", disse, em nota, Lafrenière.

Com a confirmação, o sistema, classificado como 1RXS 1609, passa a representar um desafio às teorias de formação planetária, por conta de seu afastamento extremo em relação à estrela. "A localização improvável dessa mundo alienígena pode estar nos dizendo que a natureza tem mais de um jeito de fazer planetas", afirma o coautor Ray Jayawardhana.

Quando foi detectado inicialmente, com o uso do Observatório Gemini, em abril de 2008, o objeto tornou-se o primeiro planeta a provavelmente orbitar uma estrela semelhante ao Sol e que havia sido revelado por uma imagem direta.

A equipe de cientistas também obteve um espectro do planeta e foi capaz de determinar muitas de suas características, confirmadas no novo trabalho. "Em retrospecto, isso faz de nossos dados iniciais o primeiro espectro de um exoplaneta confirmado de todos os tempos!", disse Lafrenière.

Desde a observação inicial, diversos outros planetas foram descobertos por meio de imagem direta, incluindo um sistema de três planetas em torno da estrela HR 8799, também encontrado com o Gemini.

A estrela do sistema 1RXS 1609 fica a 500 anos-luz da Terra, em um grupo de estrelas jovens. O planeta tem temperatura estimada em cerca de 1.500º C.

A estrela tem massa estimada em cerca de 85% da do Sol. A juventude do sistema ajuda a explicar a alta temperatura do planeta, já que a contração gravitacional do mundo, durante a fase de formação, deve ter elevado a temperatura rapidamente. Quando a contração terminar, o astro esfriará, irradiando infravermelho. Em bilhões de anos, atingirá uma temperatura semelhante à de Júpiter, que no alto da atmosfera chega a 110º C negativos.

Esses resultados serão publicados no Astrophysical Journal.

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