terça-feira, 19 de outubro de 2010

Descoberto misterioso ponto quente em planeta fora do Sistema Solar

Planeta se comporta como uma praia que fosse mais quente ao crepúsculo que ao meio-dia


Ponto mais quente do planeta fica a 80 graus da área iluminada pela estrela


(Estadão) O gigante gasoso upsilon Andromedae b mantém uma face perpetuamente voltada para sua estrela, upsilon Andromedae, a 44 anos-luz da Terra. A despeito disso, no entanto, o ponto mais quente de sua atmosfera não está diretamente sob a face da estrela, mas a 80º de latitude de lá, de acordo com observações realizadas pelo Telescópio Espacial Spitzer.

"Não esperávamos encontrar um ponto quente tão longe", disse, por meio de nota, Ian Crossfield, principal autor de um artigo sobre a descoberta, que será publicado pelo Astrophysical Journal. "Está claro que entendemos ainda menos a respeito da energética da atmosfera de Jupíteres quentes do que pensávamos".

No estudo, os astrônomos descrevem observações de upsilon Andromedae b feitas ao longo de cinco dias, em fevereiro de 2009. O planeta completa uma órbita a cada 4,6 dias.

O telescópio mediu a luz combinada de estrela e planeta, durante a órbita. O Spitzer não é capaz de ver o planeta diretamente, mas pode detectar variações no total de luz infravermelha do sistema, que aumenta quando o lado quente do planeta entra na linha de visão da Terra. A parte mais quente é a que emite mais infravermelho.

Seria de se esperar que o sistema parecesse mais brilhante quando o planeta está atrás da estrela, e toda a energia do astro chega à Terra sem ser bloqueada , e menos brilhante quando o planeta se põe no caminho. Mas o sistema se mostrou mais brilhante quando o planeta aparecia na lateral da estrela. Isso significa que a parte mais quente do planeta não está virada diretamente para a estrela.

Os pesquisadores comparam o efeito a uma praia que seja mais quente ao pôr-do-sol que ao meio-dia.

Algumas explicações possíveis seriam ventos supersônicos causando ondas de choque que aquecem o material, ou interações magnéticas entre estrela e planeta, mas mais planetas terão de ser examinados antes que as especulações possam ter alguma precisão.

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Astrônomos criam lente para fotografar planetas "escondidos"

Coronógrafo desvia a luz de estrela de forma que planetas próximos (como Beta Pictoris b) possam ser registrados




(Terra) Astrônomos da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, criaram uma técnica para poder registrar imagens de planetas fora do Sistema Solar e que ficavam "escondidos" no brilho de sua estrela.

Até hoje, poucas são as imagens de exoplanetas, já que, geralmente, eles são descobertos por outros métodos - como, por exemplo, a variação de brilho de uma estrela causada pela passagem de um planeta em frente a ela. Contudo, os astrônomos afirmam ter criado uma lente (chamada de coronógrafo) com um padrão desenhado em sua superfície e que bloqueia a luz estelar de uma maneira muito específica, permitindo o registro do planeta.

"Basicamente, nós estamos cancelando o halo de luz estelar que em outros momentos 'afogaria' a imagem do planeta", diz Johanan Codona, astrônomo da universidade e autor da teoria que levou à criação da técnica. O padrão criado pelos pesquisadores permite a diminuição da intensidade do halo através da difração da luz e mantém intacta a imagem da estrela.

"Esta técnica abre novas portas para a descoberta planetária", diz o pesquisador Phil Hinz em comunicado. "Até agora, nós conseguíamos apenas obter imagens de planetas exteriores em um sistema solar, no alcance da órbita de Netuno e depois. Agora podemos ver planetas em órbitas muito mais próximas de sua estrela".

Em outras palavras, antes do desenvolvimento da lente, os astrônomos conseguiam registrar imagens apenas de planetas que estivessem a uma distância de sua estrela equivalente à de Netuno ao Sol (30 unidades astronômicas, ou 30 vezes a distância da Terra ao Sol), ou ainda mais longe. As demais ficavam "escondidas" no brilho da estrela.

O primeiro feito da nova lente foi o registro de Beta Pictoris b, que tem massa entre sete e 10 vezes maior que a de Júpiter e que orbita Beta Pictoris a uma distância de 7 unidades astronômicas.

Os astrônomos afirmam que a nova técnica possibilita ainda a descoberta de planetas de pequena massa, já que a grande maioria dos encontrados até hoje eram de gigantes gasosos.

A lente agora estão em implementação no Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês), que fica no Chile e é operado Observatório Europeu do Sul (ESO, também na sigla em inglês).

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Grupo de cientistas não encontra sinais de planeta descoberto recentemente

(New Scientist / Folha) Em setembro, um grupo de astrônomos anunciou a descoberta de um novo planeta que poderia abrigar vida em sua superfície, o Gliese 581g. Agora, uma segunda equipe diz não ter encontrado evidências sobre ele, colocando em dúvida a notícia que entusiasmou a comunidade científica.

O time contestador da descoberta, liderado por Francesco Pepe do Observatório de Genebra, na Suíça, procurou sinais do 581g, mas falhou em detectá-los. Porém, não excluiu a possibilidade de o Gliese 581g realmente existir. "Não estamos tentando provar a não-existência de um planeta", disse. "É realmente difícil provar que algo realmente não exista. Estamos somente dizendo que não vimos sinais significativos que não sejam ruídos [comuns no espaço]."

O anúncio de Pepe aconteceu na última segunda-feira durante um simpósio em Turim, na Itália, em que não estava presente o cientista Steven Vogt (da Universidade da Califórnia), descobridor do novo planeta com o colega Paul Butler (do Instituto Carnegie, em Washington, EUA).

Vogt, contudo, disse que não gostaria de comentar os resultados obtidos recentemente pela equipe de Pepe. "Em 15 anos de exploração, com centenas de planetas detectados pelo nosso time, nós ainda não publicamos um único crédito falso, uma retração ou uma errata."
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Descoberto planeta potencialmente habitável perto da Terra

(AFP / Terra) Astrônomos americanos informaram nesta quarta-feira a descoberta de um planeta do tamanho da Terra e com condições de ser habitado em órbita de uma estrela próxima. O planeta, encontrado por astrônomos da Universidade Santa Cruz (UCSC), na Califórnia, e do instituto Carnegie de Washington, está localizado em uma "zona habitável" em órbita da estrela vermelha anã Gliese 581, o que significa que pode haver água em sua superfície.

A água líquida e a atmosfera são necessárias para que um planeta possa potencialmente ter vida, mesmo que não seja um lugar muito agradável para se viver, segundo os cientistas. Os pesquisadores determinaram que o planeta, batizado de Gliese 581g, tem uma massa de três a quatro vezes a da Terra e um período orbital de pouco menos de 37 dias.

Sua massa indica que provavelmente é um planeta rochoso com suficiente gravidade para possuir atmosfera, segundo Steven Vogt, professor de astronomia e astrofísica da UCSC e um dos chefes da equipe que descobriu o planeta.

Se Gliese 581g tiver uma composição rochosa parecida com a Terra, seu diâmetro seria de 1,2 a 1,4 vezes ao do nosso planeta. A gravidade na superfície seria igual ou um pouco maior à da Terra, o que significa que uma pessoa poderia andar a pé facilmente, segundo Vogt.

Gliese 581g foi descoberto por cientistas que trabalham no Lick-Carnegie Exoplanet Survey, que há 11 anos observam a estrela vermelha anã Gliese 581, localizada a apenas 20 anos-luz da Terra.
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E mais:
40 bilhões de planetas habitáveis. Quantas civilizações? (Carlos Orsi - Estadão)

Veja gráfico de planeta potencialmente habitável fora do Sistema Solar (Folha)

Novo planeta (Duília de Mello - O Globo)
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Matéria no Bom Dia Brasil:

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Matéria do Em Cima da Hora (Globonews)

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Matéria no Jornal Hoje:

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“Caçador de planetas” português premiado

Nuno Santos recebeu reconhecimento na Arménia


Nuno Cardoso Santos, Michel Mayor e Garik Israelian.

(Ciência Hoje - Portugal) O astrónomo português Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e professor afiliado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, recebeu ontem, na Arménia, o primeiro prémio internacional Viktor Ambartsumian. O galardão, partilhado com os seus colegas Michel Mayor (Universidade de Genebra) e Garik Israelian (IAC), foi atribuído pelo trabalho no estudo das estrelas que têm planetas em órbita, e que fornecem indícios essenciais para a compreensão dos processos de formação planetária.

O Prémio Viktor Ambartsumian é atribuído de dois em dois anos e distingue investigadores, de qualquer país, por excepcionais contributos para a ciência. Este ano foram nomeados 14 investigadores ou equipas, cabendo o prémio ao trio liderado por Michel Mayor, que em 1995 co-descobriu o primeiro exoplaneta à volta de uma estrela do tipo solar (51 Pegasi).

O júri que atribuiu o prémio é composto por físicos e astrónomos de renome, dos quais se destacam Sir Martin Rees (Master do Tinity College da Universidade de Cambridge), Catherine Cesarsky (ex directora geral do ESO e ex presidente da União Astronómica Internacional) ou o Geoffrey Burbidge (editor das revistas The Astrophysical Journal e Annual Review of Astronomy and Astrophysics).

Nuno Santos é autor de 128 artigos científicos publicados, com mais de 5200 citações. Ao receber a notícia do prémio, comentou: “Estou obviamente muito feliz. Espero sobretudo que este reconhecimento possa, de alguma forma, ajudar a astronomia nacional a fazer cada vez mais e melhor”. Para tal, o investigador lidera a equipa do CAUP que coordena a componente nacional do consórcio ESPRESSO.

Nos dias de hoje são conhecidos pelo menos 500 planetas extra-solares, muitos dos quais (em especial os de pequena massa) descobertos pela equipa liderada pelo professor Michel Mayor. Entre eles está o mais pequeno exoplaneta descoberto, Gliese 581e, com apenas 1,9 massas da Terra.

Apesar do já elevado número de planetas extra-solares detectados, os mecanismos de formação destes sistemas são ainda pouco compreendido. Por isso a equipa dedica-se também a tentar compreender melhor as propriedades destes sistemas planetários (e das suas estrelas-mãe), de modo a melhorar os actuais modelos de formação planetária. O primeiro prémio internacional Viktor Ambartsumian atribuiu 385 mil euros, a ser distribuído pelos três investigadores.

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