sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cientistas encontram estrela pulsante que hospeda planeta gigante

Astro WASP-33 é mais quente, tem 1,5 vez a massa do Sol e está a 378 anos-luz da Terra

(Estadão) Em artigo publicado recentemente na revista Astronomy & Astrophysics, um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Espaciais da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, descreve a descoberta, pela primeira vez, de uma estrela pulsante (astro que atravessa uma fase de instabilidade) que hospeda um planeta gigante, quente e em trânsito.

O estudo foi realizado pelo estudante de pós-doutorado Enrique Herrero, pelo pesquisador dr. Juan Carlos Morales, pelo especialista em exoplanetas dr. Ignasi Ribas e pelo astrônomo amador Ramón Naves.

A estrela WASP-33 (também conhecida como HD15082) é mais quente, tem 1,5 vez a massa do Sol e está localizada a uma distância de 378 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Andrômeda. Também tem a peculiaridade de pulsar tanto radialmente, como um balão que infla e desinfla de forma contínua, quanto não radialmente, como as marés dos oceanos causadas pela presença da Lua, que deforma a massa da água entre os polos e a linha do Equador.

Essa estrela abriga um planeta gigante, o WASP-33b, detectado em 2006 pelo método do trânsito (fenômeno durante o qual um astro passa em frente a outro maior, bloqueando parcialmente sua visão). A massa do planeta é 4 vezes a de Júpiter, e ele orbita a estrela em uma velocidade tão alta que leva apenas 1,2 dia para completar uma volta. Esse curto período orbital indica sua extrema proximidade com a estrela, de 0,02 unidade astronômica (UA) - Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, está situado a 0,39 UA. Esse planeta é muito especial porque tem uma órbita inversa e com um ângulo bastante inclinado em relação ao Equador da estrela.

O estudo também sugere que as pulsações da WASP-33 podem ser causadas pela presença do planeta gigante, algo nunca visto antes em nenhum outro sistema planetário. Um pequeno sinal periódico, visível durante o trânsito do planeta, chamou a atenção dos pesquisadores e, por meio de uma análise minuciosa, os modos de pulsação da estrela foram determinados e também sua possível relação com o planeta.

Além de ser pioneira nesse campo, a pesquisa foi feita a partir de observatórios profissionais e amadores. Pela primeira vez na história de suas atividades, o Observatório Astronômico do Montsec, na Espanha, é responsável por fornecer a maior parte do material usado em um trabalho. Além disso, o astrônomo amador R. Naves, do Observatório Montcabrer, no mesmo país, tem proporcionado excelentes dados, revelando a grande importância da colaboração entre profissionais e amadores nesse campo.

Por essa razão, o sistema da WASP-33 representa um marco no mundo dos exoplanetas, já que pode fornecer informações vitais sobre os modos de pulsação que ocorrem em estrelas, os efeitos das marés entre estrelas e planetas e a evolução dinâmica dos sistemas planetários.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sonda Kepler detecta menor planeta fora do Sistema Solar

Astro tem 1,4 vez o tamanho da Terra e é rochoso. Descoberta acontece após oito meses de observação entre 2009 e 2010.

(G1) A agência espacial norte-americana (Nasa) anunciou nesta segunda-feira (10) a descoberta do menor planeta fora do Sistema Solar já detectado. O achado foi possível graças à sonda Kepler, lançada em março de 2009, justamente para detectar exoplanetas possíveis de serem habitados por humanos. A descoberta foi aceita para publicação no "Astrophysical Journal".

Chamado Kepler 10b, o astro é rochoso e mede 1,4 vez o tamanho da Terra. Ele teria 4,6 vezes a massa do nosso planeta, orbitando uma estrela chamada Kepler 10. Foi a primeira gigante gasosa a ser cotada para conter planetas pequenos em sua órbita. Foi alvo de observações constantes do telescópio de 10 metros no Observatório W.M. Keck, no Havaí. O instrumento conseguiu detectar pequenas mudanças no espectro da estrela, que confirmaram os indícios apontados pela Kepler de um planeta pequeno no local. Esses indícios foram resultado de oito meses de pesquisa, entre maio de 2009 e janeiro de 2010.

O exoplaneta gira ao redor da estrela aproximadamente a cada 20 horas terrestres. Está 20 vezes mais próximos de sua estrela do que o Mercúrio está do Sol. Kepler 10b não está em uma zona que os astrônomos chamam de "habitável", que reuniria as condições ideias para o desenvolvimento de água líquida na superfície e, com isso, a possibilidade de vida.

"Todas as ferramentas da Kepler convergiram para a descoberta da primeira evidência sólida de um planeta rochoso orbitando uma estrela diferente do Sol", afirma Natalie Batalha, da equipe do Centro de Pesquisas Ames, órgão ligado à Nasa, responsável pela sonda. "Em 2010, nós firmamos um compromisso de achar rastros de pequenos planetas e agora colhemos os resultados."
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E mais:
No Universo dos Planetas: Quanto Menor, Melhor (Herton Escobar - Estadão)
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Vídeo do YouTube:

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Vídeo da Nasa (em inglês) aqui

Enxames estelares com poucos planetas (AstroPT)


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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como esse cara descobriu quatro novos planetas sem um mísero telescópio


(Gizmodo) Peter Jalowiczor trabalha numa empresa de gás natural em South Yorkshire, England. E também é o descobridor de quatro gigantescos exoplanetas, de acordo com a equipe Lick Carnegie Planet Search, da Universidade da Califórnia. Mas ele não é um astrônomo e sequer tem um telescópio. Como assim?

Ele trabalhou por três anos em sua descoberta, analisando os dados publicados pela universidade em seus dois computadores de casa, passando centenas de horas de folga na frente das telas. Jalowiczor, que tem dois diplomas em ciências mas não tem nenhum treinamento em astronomia, utilizou o processo batizado de espectroscopia Doppler, ou medição de velocidade radial. Ele explica:

Eu procurei as menores mudanças de comportamento das estrelas que só poderiam ser causadas por um planeta ou planetas orbitando nelas. Estrelas estão incrivelmente longe de nós e nenhum telescópio construído consegue ver diretamente seus discos, muito menos os planetas que giram em torno delas.

Assim, os astrônomos tiveram de procurar métodos indiretos de detecção. Se um planeta orbita numa estrela, ele cria uma pequena oscilação em seu movimento, e essa oscilação se revela na luz emitida pela estrela. Programas específicos estudam as propriedades da órbita de um planeta e precisam as medições da estrela, coletadas ao longo de vários anos, permitindo que os cientistas criem perfis de sistemas, já que os planetas se revelam de forma gradual.

De acordo com a equipe Lick-Carnegie Planet Search, o inglês é o co-descobridor dos planetas de gás HD31253b, HD218566b, HD177830c e HD99492c, sendo o último o mais perto da Terra, há 58 anos-luz de nós.
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Matérias similares no Estadão e Hypescience

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dois exoplanetas habitáveis


(Ethevaldo Siqueira - Estadão) Exoplaneta é o planeta descoberto em outro sistema solar (daí o nome exoplaneta). Já são dois exoplanetas que, em princípio, podem abrigar a vida. O primeiro deles é, aliás, um Super-Terra, o exoplaneta GJ 1214b, com um raio 2,6 vezes o da Terra e massa é 6,5 vezes superior à de nosso planeta, o que lhe dá a classificação de Super-Terra (Super-Earth).

O segundo é o exoplaneta Gliese 581g, descoberto em setembro de 2010, e situado numa faixa habitável de sua estrela. Tendo aproximadamente o tamanho da Terra, ele gira numa órbita que lhe permite, em princípio, conter água líquida e, provavelmente, alguma forma de vida. De forma bem humorada, alguns jornalistas já os apelidaram de Terra 2.0 e Pandora B.

O exoplaneta GJ 1214b, descoberto em 2009, graças aos recursos do telescópio ESO Very Large Telescope, situado no Chile, foi estudado quando passava diante de sua estrela-mãe.

Os resultados desse estudo foram publicados na edição de 2 de dezembro da Revista Nature. Os astrônomos analisaram sua atmosfera, com os recursos daquele extraordinário telescópio e o consideraram habitável. O planeta exibe espessas nuvens ou neblina. Sua estrela central está situada a 40 anos-luz da Terra na Constelação do Serpentário.

Para os astrônomos e pesquisadores essas eram as notícias que esperavam há anos ou décadas: para provar que não estamos sós no universo.

Um dos descobridores do exoplaneta Gliese 581g, Steven Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, acredita firmemente na possibilidade de existência da vida nesse planeta: “Minha impressão pessoal é de que as chances de que esse planeta tenha vida são de 100%”. Mas outros astrônomos duvidam, como é o caso de Francesco Pepe, do Observatório de Genebra, e sua equipe. O tempo dirá quem tem razão.

O que é mais interessante nesse campo de pesquisas é o número a cada ano maior de estrelas semelhantes ao nosso Sol, que contam com planetas que giram em torno delas. Já passam de 30 os “sistemas solares” desse tipo.
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E mais:

Gliese 581g: as Perspectivas para a Astrobiolobia (Livres Pensadores)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A década dos planetas

Os primeiros dez anos deste século mexeram com a astronomia e como as definições de planetas. Veja algumas descobertas

(iG) O início do século XXI tornou a tarefa de contar o número de planetas fora do nosso sistema solar complexa. Se até o ano 2000 tínhamos meros 56 exoplanetas (como são chamados os planetas fora do Sistema Solar) atualmente, em 22 de dezembro de 2010, há 515 deles espalhados pelo universo segundo dados do site Enciclopédia de Planetas Extrasolares. E o número cresce exponencialmente: no final de novembro eram 494.

As descobertas são fruto de diversas técnicas que procuram por exoplanetas a partir da Terra e do espaço. Em 2010, a sonda espacial Kepler, enviada ao espaço para detectar planetas de tamanho semelhante à Terra, começou a achar seus primeiros planetas. Até agora encontrou sete, mas tem uma lista de mais de 700 candidatos à espera de análise. Abaixo algumas descobertas relacionadas a exoplanetas nesta década e de um planeta que deixou de ser chamado por este nome.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Aprendemos que deve haver muitas outras Terras no Universo

(Público - Portugal) Desde que Giordano Bruno foi queimado pela Inquisição por ter falado, no século XVI, de outros sóis com planetas à volta que a humanidade se confronta com esta questão: estamos sozinhos no Universo? Na última década ficámos mais perto da resposta.

Já tínhamos aprendido que os planetas que rodeiam o Sol não são únicos no Universo, com a descoberta do primeiro planeta em órbita de outra estrela em 1995. Nos últimos dez anos percebemos que os planetas extra-solares são comuns, que há super-Terras e que, na vastidão do Universo, não há razão para outras Terras e a vida não serem comuns.

Conhecem-se mais de 500 planetas fora do nosso sistema solar. "Até 2000, descobriram-se a um ritmo relativamente baixo. A partir de meados desta década houve uma explosão: descobriram-se mais planetas, mais pequenos e mais diversos. Metade deles foi detectada nos últimos três anos", resume Nuno Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP).

O astrofísico de 37 anos começou a procurar planetas extra-solares pouco depois da revelação do primeiro, que tanto espantou o mundo pelas suas características. Ninguém esperava que um planeta gigante feito de gases, com metade do tamanho do monstruoso Júpiter, pudesse estar tão perto da sua estrela. Mas logo outros cientistas confirmaram a descoberta de Michel Mayor e Didier Queloz, do Observatório Astronómico de Genebra, na Suíça: a 50 anos-luz de distância da Terra, havia um gigante tão próximo da estrela Pégaso 51 que só demorava 4,2 dias a completar uma órbita à sua volta.

Desde 1998 que Nuno Santos colabora com a famosa equipa suíça e já encontrou mais de uma centena de planetas. O que aprendemos nesta década? "Aprendemos que os planetas são extremamente comuns", responde. Se inicialmente só surgiam gigantes como Júpiter e Neptuno, na última década fomo-nos aproximando de outras Terras: "Descemos o limite de detecção e encontrámos super-Terras, ou seja, planetas que têm duas a 20 vezes a massa da Terra."

A localização da primeira potencial super-Terra, em 2004, trabalho em que Nuno Santos teve um papel preponderante, foi um marco. "Esta década abriu-nos a porta para a descoberta de planetas parecidos com a Terra." Não há pois razão para não haver planetas rochosos, com o tamanho e a distância à sua estrela semelhantes ao nosso, o que os torna potencialmente habitáveis. "Os modelos teóricos previam que existissem planetas como Júpiter, Neptuno e super-Terras - e estas populações de planetas foram encontradas. Os modelos também prevêem que deve haver verdadeiras Terras - planetas de massa e composição terrestre - em grande quantidade, que estão à espera que as detectemos. Não as encontrámos ainda porque não temos capacidade tecnológica", diz Nuno Santos. "Até agora, as descobertas têm batido certo com as previsões teóricas. Podemos esperar que também se confirmem para planetas mais pequenos."

No final da próxima década, dois instrumentos deverão proporcionar um salto tecnológico, ambos com a participação do CAUP e da Faculdade de Ciências de Lisboa. Um é o Espresso, que será instalado no Chile, no maior telescópio óptico do mundo, o Very Large Telescope. O outro é o telescópio espacial Platão, da Agência Espacial Europeia, cuja construção só será decidida no final de 2011. "Em conjunto, vão ajudar a construir um catálogo de planetas potencialmente habitáveis, para outros instrumentos mais à frente irem ver se lá existe vida ou não", diz Nuno Santos.

Se a água líquida é considerada essencial para a existência de vida, noutros aspectos a vida pode ser diferente daquela que conhecemos na Terra e, para a encontrar, é preciso saber o que procurar. Em 1977, a descoberta, no Pacífico, das primeiras fontes hidrotermais do planeta, a grande profundidade, mostrou que a vida pode ser esquisita e existir onde menos se espera. A luz solar não chega ali, mas as fontes acolhem muitas formas de vida, que não dependem da fotossíntese. Na base da cadeia alimentar estão bactérias, resistentes ao calor e a um ambiente tóxico, que extraem das fontes os elementos químicos que constituem os seus nutrientes.

Este mês, o anúncio da descoberta de bactérias que gostam de arsénio, num lago na Califórnia - ainda que estes resultados estejam debaixo de fogo -, pode ser outro passo na procura de seres vivos noutros planetas. Toda a vida conhecida é construída a partir de seis elementos (hidrogénio, carbono, oxigénio, azoto, fósforo e enxofre), com os quais a molécula de ADN, as proteínas e as gorduras das células são feitas. A nova bactéria, segundo uma equipa da NASA, é capaz de substituir, no ADN, o fósforo pelo arsénio. Há quem duvide, dizendo que são precisos mais testes e que pode ser só uma adaptação a um ambiente rico em arsénio e não algo novo. Mesmo assim, é outro organismo que sobrevive em condições extremas. Todas juntas, o que significam estas descobertas? "Que possivelmente os planetas terrestres são comuns e deve haver muitos com vida, não necessariamente inteligente", diz Nuno Santos. Só agora começam pois a surgir provas científicas para as palavras que levaram Giordano Bruno, um monge dominicano, à fogueira por heresia, em 1600. Em 1584, na obra Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos, dizia: "Há inúmeras constelações, sóis e planetas; apenas vemos os sóis porque têm luz; os planetas permanecem invisíveis por serem pequenos e escuros. Há também inúmeras Terras a girar em torno de sóis."