segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Entenda como os astrônomos descobrem planetas extrassolares

Atualmente, esses tipos de astros são detectados principalmente por métodos indiretos

(R7) A descoberta de exoplanetas é difícil por três motivos, explica o astrônomo Ronaldo Mourão. Primeiro porque a diferença entre o brilho da luz gerada pela estrela e o da luz refletida pelos planetas é tão grande que, dependendo do comprimento de onda, pode chegar a valores de bilhões de vezes.

Segundo porque o ângulo entre eles é muito pequeno, da ordem de alguns décimos de um arco de segundo, o que é parecido com ver uma bola de pingue-pongue a uma distância de 5 km.

Em terceiro, a enorme diferença entre a massa de um planeta em relação à da estrela, que torna a detecção muito difícil.

Métodos de detecção
Existem quatro métodos capazes de permitir a detecção de planetas extrassolares: 1) a direta, que fornece a imagem do planeta; 2) a astrométrica, que mede a variação periódica da posição da estrela produzida pela massa do planeta que orbita em sua volta; 3) a espectroscópica, obtida pelo desvio da velocidade estelar causada pela presença dos planetas; e a 4) fotométrica, pela variação da curva de luminosidade estelar causada por eclipses e fenômenos relacionados, como o trânsito de um planeta na frente de uma estrela.

O método mais usado ao longo século 20 foi o astrométrico, conta Mourão. Graças a avanços na tecnologia de observação astronômica, "todos esses métodos evoluíram em sensibilidade e precisão, principalmente por causa do uso de sensores sensíveis ao infravermelho, que permitiram a identificação de corpos com temperatura muito baixa, como nuvens protoplanetárias ou discos protoplanetários ao redor de estrelas próximas".

As futuras missões espaciais da Nasa (agência espacial americana) Space Interferometry, Terrestrial Pathfinder e Darwin planejam detectar exoplanetas de um modo mais direto.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Astrônomos dizem que planetas fora do Sistema Solar são saída para habitantes da Terra

Busca por exoplanetas deverá aumentar o número de descobertas nos próximos anos

(R7) Nos últimos dez anos, os astrônomos encontraram cerca de 500 planetas extrassolares (que ficam fora do Sistema Solar). Graças a avanços em tecnologias de detecção, que estão cada vez mais precisas, a busca por exoplanetas (planetas que ficam fora do Sistema Solar) deve fazer com que esse número seja ainda maior.

Segundo o astrônomo Ramachrisna Teixeira, diretor do Observatório Abrahão de Moraes da USP (Universidade de São Paulo), em Valinhos, no interior de São Paulo, o objetivo da procura por esse tipo de planetas, mais do que encontrar alienígenas, é preservar a espécie humana no futuro.

– Hoje a Terra é habitável, mas um dia não será mais, o que nos obrigará sair daqui.

Seu colega, o astrônomo Ronaldo Mourão, fundador do Museu de Astronomia do Rio de Janeiro, lembra que nos próximos 5 bilhões de anos o Sol deverá se transformar em uma estrela gigante vermelha, destruindo a Terra. Mas o astrônomo concorda com seu colega que, antes disso, a própria humanidade se encarregará de acabar com as condições de vida por aqui.

- Só a ciência e a tecnologia conseguirão salvar a humanidade, nos oferecendo uma nova saída. Graças a elas, viveremos uma evolução muito grande e poderemos mudar de planeta.

Estudo ajudará a entender como eles nascem e se desenvolvem
A procura por esses mundos habitáveis é realizada fora de nosso Sistema Solar, daí a expressão "extrassolares". Os cientistas estimam que existam 200 bilhões de estrelas na Via Láctea, a nossa galáxia, e que 70% delas tenham as mesmas características de nosso Sol, com sistemas planetários parecidos com o nosso.

Segundo Mourão, a descoberta desses planetas “pode revelar que realmente existem outros sistemas planetários, ao contrário do que se pensava até meados do século 20”, quando sua existência era considerada uma raridade no Universo.

– Graças a eles, começamos a compreender melhor a origem e o desenvolvimento dos planetas, o que foi muito importante também para entendermos melhor o futuro de nosso Sistema Solar.

Teixeira, que, em 1995, ajudou a medir a distância um dos primeiros exoplanetas detectados, conta que os astrônomos que estão procurando esses tipos de astros com probabilidade de vida estudam estrelas parecidas com o Sol (tipo G), que podem ter planetas com condições parecidas com as da Terra.

– Em pouco tempo, seremos capazes de detectar planetas comparáveis ao nosso, com características que favoreçam a vida.

Laboratório brasileiro vai estudar comportamento de extremófilos
O astrônomo explica que, para os cientistas, vida significa qualquer micro-organismo (como uma bactéria) encontrado no fundo de um poço de petróleo, por exemplo, tão resistente que poderia ter sobrevivido a uma viagem planetária, como aconteceu com a bactéria encontrada pela Nasa que substitui o fósforo pelo arsênico.

Essa descoberta permite se pensar que outros elementos químicos poderiam propiciar a vida, não se limitando portanto aos já determinados – carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo.

Chamados de extremófilos, esses organismos conseguem sobreviver ou até necessitam fisicamente de condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida na Terra.

Justamente para entender esses micro-organismos, até o final deste ano, o observatório de Valinhos deverá contar com um laboratório de astrobiologia, que irá simular atmosferas de Titã (lua de Júpiter) e do planeta Marte, por exemplo, para estudar como os extremófilos se comportam nesses ambientes.

O que os cientistas pretendem responder é "se a vida na Terra pode ter vindo de fora e se existe vida fora da Terra", explica Teixeira.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cientistas encontram estrela pulsante que hospeda planeta gigante

Astro WASP-33 é mais quente, tem 1,5 vez a massa do Sol e está a 378 anos-luz da Terra

(Estadão) Em artigo publicado recentemente na revista Astronomy & Astrophysics, um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Espaciais da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, descreve a descoberta, pela primeira vez, de uma estrela pulsante (astro que atravessa uma fase de instabilidade) que hospeda um planeta gigante, quente e em trânsito.

O estudo foi realizado pelo estudante de pós-doutorado Enrique Herrero, pelo pesquisador dr. Juan Carlos Morales, pelo especialista em exoplanetas dr. Ignasi Ribas e pelo astrônomo amador Ramón Naves.

A estrela WASP-33 (também conhecida como HD15082) é mais quente, tem 1,5 vez a massa do Sol e está localizada a uma distância de 378 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Andrômeda. Também tem a peculiaridade de pulsar tanto radialmente, como um balão que infla e desinfla de forma contínua, quanto não radialmente, como as marés dos oceanos causadas pela presença da Lua, que deforma a massa da água entre os polos e a linha do Equador.

Essa estrela abriga um planeta gigante, o WASP-33b, detectado em 2006 pelo método do trânsito (fenômeno durante o qual um astro passa em frente a outro maior, bloqueando parcialmente sua visão). A massa do planeta é 4 vezes a de Júpiter, e ele orbita a estrela em uma velocidade tão alta que leva apenas 1,2 dia para completar uma volta. Esse curto período orbital indica sua extrema proximidade com a estrela, de 0,02 unidade astronômica (UA) - Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, está situado a 0,39 UA. Esse planeta é muito especial porque tem uma órbita inversa e com um ângulo bastante inclinado em relação ao Equador da estrela.

O estudo também sugere que as pulsações da WASP-33 podem ser causadas pela presença do planeta gigante, algo nunca visto antes em nenhum outro sistema planetário. Um pequeno sinal periódico, visível durante o trânsito do planeta, chamou a atenção dos pesquisadores e, por meio de uma análise minuciosa, os modos de pulsação da estrela foram determinados e também sua possível relação com o planeta.

Além de ser pioneira nesse campo, a pesquisa foi feita a partir de observatórios profissionais e amadores. Pela primeira vez na história de suas atividades, o Observatório Astronômico do Montsec, na Espanha, é responsável por fornecer a maior parte do material usado em um trabalho. Além disso, o astrônomo amador R. Naves, do Observatório Montcabrer, no mesmo país, tem proporcionado excelentes dados, revelando a grande importância da colaboração entre profissionais e amadores nesse campo.

Por essa razão, o sistema da WASP-33 representa um marco no mundo dos exoplanetas, já que pode fornecer informações vitais sobre os modos de pulsação que ocorrem em estrelas, os efeitos das marés entre estrelas e planetas e a evolução dinâmica dos sistemas planetários.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sonda Kepler detecta menor planeta fora do Sistema Solar

Astro tem 1,4 vez o tamanho da Terra e é rochoso. Descoberta acontece após oito meses de observação entre 2009 e 2010.

(G1) A agência espacial norte-americana (Nasa) anunciou nesta segunda-feira (10) a descoberta do menor planeta fora do Sistema Solar já detectado. O achado foi possível graças à sonda Kepler, lançada em março de 2009, justamente para detectar exoplanetas possíveis de serem habitados por humanos. A descoberta foi aceita para publicação no "Astrophysical Journal".

Chamado Kepler 10b, o astro é rochoso e mede 1,4 vez o tamanho da Terra. Ele teria 4,6 vezes a massa do nosso planeta, orbitando uma estrela chamada Kepler 10. Foi a primeira gigante gasosa a ser cotada para conter planetas pequenos em sua órbita. Foi alvo de observações constantes do telescópio de 10 metros no Observatório W.M. Keck, no Havaí. O instrumento conseguiu detectar pequenas mudanças no espectro da estrela, que confirmaram os indícios apontados pela Kepler de um planeta pequeno no local. Esses indícios foram resultado de oito meses de pesquisa, entre maio de 2009 e janeiro de 2010.

O exoplaneta gira ao redor da estrela aproximadamente a cada 20 horas terrestres. Está 20 vezes mais próximos de sua estrela do que o Mercúrio está do Sol. Kepler 10b não está em uma zona que os astrônomos chamam de "habitável", que reuniria as condições ideias para o desenvolvimento de água líquida na superfície e, com isso, a possibilidade de vida.

"Todas as ferramentas da Kepler convergiram para a descoberta da primeira evidência sólida de um planeta rochoso orbitando uma estrela diferente do Sol", afirma Natalie Batalha, da equipe do Centro de Pesquisas Ames, órgão ligado à Nasa, responsável pela sonda. "Em 2010, nós firmamos um compromisso de achar rastros de pequenos planetas e agora colhemos os resultados."
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Matérias similares no Estadão, iG, AstroPT, Terra, Folha, UOL, R7, Veja, Yahoo, Inovação Tecnológica, Correio Braziliense, Astronomia On Line - Portugal, DN - Portugal, Hypescience, Público - Portugal, Cienctec, Apolo11, Eternos Aprendizes e Ciência Hoje - Portugal
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E mais:
No Universo dos Planetas: Quanto Menor, Melhor (Herton Escobar - Estadão)
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Vídeo do YouTube:

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Vídeo da Nasa (em inglês) aqui

Enxames estelares com poucos planetas (AstroPT)


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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como esse cara descobriu quatro novos planetas sem um mísero telescópio


(Gizmodo) Peter Jalowiczor trabalha numa empresa de gás natural em South Yorkshire, England. E também é o descobridor de quatro gigantescos exoplanetas, de acordo com a equipe Lick Carnegie Planet Search, da Universidade da Califórnia. Mas ele não é um astrônomo e sequer tem um telescópio. Como assim?

Ele trabalhou por três anos em sua descoberta, analisando os dados publicados pela universidade em seus dois computadores de casa, passando centenas de horas de folga na frente das telas. Jalowiczor, que tem dois diplomas em ciências mas não tem nenhum treinamento em astronomia, utilizou o processo batizado de espectroscopia Doppler, ou medição de velocidade radial. Ele explica:

Eu procurei as menores mudanças de comportamento das estrelas que só poderiam ser causadas por um planeta ou planetas orbitando nelas. Estrelas estão incrivelmente longe de nós e nenhum telescópio construído consegue ver diretamente seus discos, muito menos os planetas que giram em torno delas.

Assim, os astrônomos tiveram de procurar métodos indiretos de detecção. Se um planeta orbita numa estrela, ele cria uma pequena oscilação em seu movimento, e essa oscilação se revela na luz emitida pela estrela. Programas específicos estudam as propriedades da órbita de um planeta e precisam as medições da estrela, coletadas ao longo de vários anos, permitindo que os cientistas criem perfis de sistemas, já que os planetas se revelam de forma gradual.

De acordo com a equipe Lick-Carnegie Planet Search, o inglês é o co-descobridor dos planetas de gás HD31253b, HD218566b, HD177830c e HD99492c, sendo o último o mais perto da Terra, há 58 anos-luz de nós.
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Matérias similares no Estadão e Hypescience

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dois exoplanetas habitáveis


(Ethevaldo Siqueira - Estadão) Exoplaneta é o planeta descoberto em outro sistema solar (daí o nome exoplaneta). Já são dois exoplanetas que, em princípio, podem abrigar a vida. O primeiro deles é, aliás, um Super-Terra, o exoplaneta GJ 1214b, com um raio 2,6 vezes o da Terra e massa é 6,5 vezes superior à de nosso planeta, o que lhe dá a classificação de Super-Terra (Super-Earth).

O segundo é o exoplaneta Gliese 581g, descoberto em setembro de 2010, e situado numa faixa habitável de sua estrela. Tendo aproximadamente o tamanho da Terra, ele gira numa órbita que lhe permite, em princípio, conter água líquida e, provavelmente, alguma forma de vida. De forma bem humorada, alguns jornalistas já os apelidaram de Terra 2.0 e Pandora B.

O exoplaneta GJ 1214b, descoberto em 2009, graças aos recursos do telescópio ESO Very Large Telescope, situado no Chile, foi estudado quando passava diante de sua estrela-mãe.

Os resultados desse estudo foram publicados na edição de 2 de dezembro da Revista Nature. Os astrônomos analisaram sua atmosfera, com os recursos daquele extraordinário telescópio e o consideraram habitável. O planeta exibe espessas nuvens ou neblina. Sua estrela central está situada a 40 anos-luz da Terra na Constelação do Serpentário.

Para os astrônomos e pesquisadores essas eram as notícias que esperavam há anos ou décadas: para provar que não estamos sós no universo.

Um dos descobridores do exoplaneta Gliese 581g, Steven Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, acredita firmemente na possibilidade de existência da vida nesse planeta: “Minha impressão pessoal é de que as chances de que esse planeta tenha vida são de 100%”. Mas outros astrônomos duvidam, como é o caso de Francesco Pepe, do Observatório de Genebra, e sua equipe. O tempo dirá quem tem razão.

O que é mais interessante nesse campo de pesquisas é o número a cada ano maior de estrelas semelhantes ao nosso Sol, que contam com planetas que giram em torno delas. Já passam de 30 os “sistemas solares” desse tipo.
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E mais:

Gliese 581g: as Perspectivas para a Astrobiolobia (Livres Pensadores)