terça-feira, 22 de março de 2011

Nova estimativa de planetas Tipo-Terra: 2 bilhões, só na Via-Láctea


(Astronomia On Line - Portugal) Um novo estudo revela que aproximadamente uma em cada 37 até uma em cada 70 estrelas tipo-Sol podem conter um planeta tipo-Terra.

Os investigadores acrescentam que estes achados apontam para que milhares de milhões de planetas tipo-Terra possam existir na nossa Galáxia.

Estes novos cálculos têm por base dados do telescópio espacial Kepler, que em Fevereiro deslumbrou o planeta ao revelar mais de 1200 possíveis mundos extrasolares, incluindo potencialmente 68 planetas tipo-Terra. O telescópio fê-lo ao procurar diminuições na luz que ocorrem quando um exoplaneta transita ou move-se em frente de uma estrela.

Cientistas do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA, focaram-se em planetas com aproximadamente o tamanho da Terra dentro das zonas habitáveis das suas estrelas - isto é, órbitas onde a água pode existir no estado líquido à superfície destes mundos.

Após os investigadores terem analisado os quatro meses de dados neste conjunto inicial obtido pelo Kepler, esperam que 1,4 a 2,7% de todas as estrelas tipo-Sol tenham planetas tipo-Terra – ou sejam, aqueles que têm entre 0,8 e duas vezes o diâmetro da Terra e se encontram dentro das zonas habitáveis das suas estrelas.

"Isto significa que existem muitos análogos da Terra por aí - dois mil milhões na nossa Via Láctea," afirma o investigador Joseph Catanzarite, astrónomo do JPL da NASA. "Com este número gigante, há uma boa probabilidade da vida e até vida inteligente existir nalguns destes planetas. E isto é só na nossa Galáxia - existem mais 50 mil milhões de galáxias."

Depois dos três ou quatro anos de dados do Kepler serem investigados, os cientistas prevêem que sejam descobertos um total de 12 mundos tipo-Terra. Quatro destes já foram avistados nos quatro meses de dados anunciados até agora, acrescentam. Os cientistas da missão Kepler estimaram que, no total, podem existir 50 mil milhões de planetas na Via Láctea, embora nem todos sejam tipo-Terra e estejam dentro da zona habitável da sua estrela.

No que diz respeito às 100 estrelas tipo-Sol mais próximas de nós, até algumas dúzias de anos-luz, estes achados sugerem que apenas duas possam ter mundos tipo-Terra. Mesmo assim, Catanzarite realça que as anãs vermelhas podem ter também planetas tipo-Terra, e que tais estrelas são bem mais comuns que estrelas tipo-Sol.

Embora os investigadores tenham muito mais dificuldade em detectar um planeta tipo-Terra transitando em frente de ténues anãs vermelhas, os cientistas estão actualmente a tentar detectais tais planetas em torno destas estrelas pelas atracções gravitacionais que exercem um sobre o outro.

"Espero um dia ouvir falar acerca de planetas tipo-Terra habitáveis em torno destas estrelas," afirma Catanzarite.

Catanzarite e o seu colega, Michael Shao, publicaram os seus achados na edição de 8 de Março da revista Astrophysical Journal.
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Planeta habitável fora do Sistema Solar não existe, diz estudo

(Folha) O único planeta supostamente habitável encontrado fora do Sistema Solar na verdade não existe, segundo diversos grupos de astrônomos que tentaram confirmar o achado original.

Em setembro de 2010, um grupo americano liderado por Paul Butler, da Instituição Carnegie de Washington, e Steve Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, anunciou a descoberta de dois novos planetas ao redor da estrela Gliese 581.

Eles se juntariam a quatro anteriormente identificados por outros astrônomos, e um deles estaria numa distância tal de sua estrela que a água, em tese, poderia se manter em estado líquido em sua superfície. A essa região do sistema planetário se dá o nome de zona habitável, pela crença de que a presença de água seja a condição essencial ao surgimento da vida.

VIDA?
Esse mundo ligeiramente maior que a Terra (massa estimada de três a quatro vezes a terrestre) despertou enorme interesse. Poderia mesmo haver criaturas vivas nele?

Alguns cientistas, como um grupo do Instituto para Pesquisa de Impacto de Clima de Potsdam, na Alemanha, usaram os parâmetros anunciados para investigar as possíveis condições na superfície desse planeta.

Os resultados, publicados no periódico "Astronomy & Astrophysics", concluem que se trata de um mundo com real potencial de habitabilidade. O problema é saber se ele existe mesmo. Diversos outros grupos tentaram confirmar a descoberta em meio aos dados coletados dessa estrela em particular e não encontraram sinal dos dois planetas adicionais.

A descoberta original havia sido feita combinando dados de dois instrumentos: o espectrógrafo Harps, do ESO (Observatório Europeu do Sul), e o Hires, seu rival americano no Havaí.

Mas Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido), revisou a pesquisa e concluiu: "Os dados do Harps e do Hires não levam à conclusão de que haja dois companheiros adicionais orbitando Gliese 581".

Sua análise, também publicada no "Astronomy & Astrophysics", é só uma das muitas que contestam a presença dos novos planetas.

O grupo que desenvolveu o Harps e hoje é o campeão na caça a mundos extrassolares, liderado por Michel Mayor, do Observatório de Genebra, também reviu seus dados e não encontrou sinais dos misteriosos objetos.

CADÊ?
"O pessoal do Corot [satélite europeu caçador de planetas, com participação brasileira] também analisou os dados e não viu nada", diz Eduardo Janot Pacheco, astrônomo da USP. "Esse planeta não existe."

Pressionados, Vogt e Butler continuam defendendo sua análise original.

"Estamos trabalhando duro para obter mais dados próprios sobre esse sistema planetário", diz Vogt. "Nos últimos 15 anos, nossa equipe descobriu centenas de planetas, sem uma única constatação falsa, e estamos fazendo o nosso melhor para manter as coisas desse jeito."

O mistério sobre a existência dos planetas Gliese 581g (o habitável) e 581f (igualmente misterioso) não deve se desfazer tão cedo. Sua detecção está no limiar dos atuais instrumentos, e será preciso aguardar a próxima geração de aparelhos de precisão para confirmar de forma irrefutável a descoberta ou o erro. Por ora, a questão permanece em aberto.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Palestra sobre Exoplanetas

Palestra de Geoff Marcy, professor de Astronomia na Universidade da Califórnia (Berkeley), realizada em jan/2010 na Universidade de Stanford (em inglês):