sexta-feira, 8 de abril de 2011

Satélite observa oscilações de luz em estrelas parecidas com o Sol

Estudo destas diferenças pode levar à descoberta de novos planetas


(Estadão) O satélite Kepler da Nasa detectou variações na luminosidade de 500 estrelas parecidas com o Sol do nosso sistema. Estas observações, que serão publicadas na edição desta semana da revista Science, auxilia os astrônomos a entenderem a natureza e evolução destes astros.

Estas observações dão uma ideia da massa, raio e idades destas estrelas, assim como sua estrutura. Os cientistas já identificaram a oscilação em cerca de 25 estrelas com tamanho, idade e composição similares ao Sol.

Mas a principal missão do Kepler é ajudar na localização de planetas parecidos com a Terra, que poderiam ser habitáveis. As oscilações da luz ajudam nesta localização porque podem indicar que há um planeta orbitando estes astros.

Para este tipo de observação, o satélite tem um fotômetro, instrumento que mede a intensidade da luz. Este fotômetro inclui um telescópio e uma câmera de 95 megapixel. A expectativa é que seja possível observar 170 mil estrelas em pelo menos três anos e meio.

Entre as projetos futuros desta missão está o estudo para determinar a idade de todas estas estrelas e das estrelas próximas aos planetas que poderiam ter vida.

O telescópio, lançado em 2009, está orbitando o Sol entre a Terra e Marte, conduzindo um censo planetário e buscando planetas similares à Terra. Ele já descobriu que há mais planetas muito menores que Júpiter - o maior planeta do nosso sistema solar - do que planetas gigantes.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A vida extraterrestre vai se tornando lentamente visível

Chegue como chegar, a primeira evidência definitiva de vida extraterrestre marcará um ponto de virada em nossa história intelectual

(The New York Times / Estadão) Lembro da primeira vez em que o conceito de outro mundo entrou na minha mente. Foi durante uma caminhada com meu pai por nosso jardim em Sri Lanka. Ele apontou para a Lua e me disse que pessoas haviam caminhado nela. Fiquei atônito: de repente, aquela luz brilhante virava um lugar que se podia visitar.

Crianças em idade escolar podem ter uma sensação parecida quando veem fotos de uma paisagem marciana ou dos anéis de Saturno. Em breve, suas visões de mundos alienígenas poderão não se confinar ao nosso sistema solar.

Após um século de tentativas, os astrônomos detectaram um exoplaneta, um planeta orbitando uma estrela normal que não o Sol, em 1995. Agora, estão encontrando centenas desses mundos. No mês passado, a Nasa anunciou que 1.235 novos possíveis planetas foram observados pelo telescópio espacial Kepler. Seis deles circulam uma estrela, e as órbitas de cinco caberiam na de Mercúrio. Das medições de suas massas e tamanhos, podemos inferir do que são feitos: gases, gelo ou rochas. Os astrônomos têm conseguido medir a temperatura desses planetas, com telescópios no espaço e, recentemente, com instrumentos em terra, como meus colegas e eu fizemos.

Há dois anos e meio, captamos as primeiras imagens diretas desses mundos. Como essas estrelas brilham perto das cinzas planetárias que se aglomeram ao redor, o sucesso exigiu inovações. Uma ferramenta fundamental é a tecnologia óptica adaptativa que tira a cintilação das estrelas, proporcionando imagens mais nítidas.

O ponto crucial dessa busca é: nosso mundo será exceção ou norma? Parece absurdo, se não arrogante, pensar que o nosso é o único mundo a abrigar vida na galáxia. É possível que a vida seja comum, mas que a vida "inteligente" seja rara.

Evidentemente, a vasta maioria dos mundos extrassolares descobertos até agora é muito diferente do nosso. Muitos são gigantes gasosos, alguns têm um calor fervente, outros são perpetuamente gelados. Apenas um punhado tem um tamanho próximo da Terra e só alguns desses podem ser rochosos.

Os astrônomos esperam encontrar dezenas de planetas que sejam do tamanho aproximado da Terra. Alguns provavelmente estarão na chama zona habitável, onde as temperaturas sejam compatíveis com a água em estado líquido. A descoberta de "gêmeas da Terra" inevitavelmente trará perguntas sobre a existência de vida alienígena.

Detectar sinais de vida extraterrestre não será fácil, mas pode ocorrer durante meu tempo de vida, se não na próxima década. As evidências podem ser circunstanciais no início e gerar interpretações alternativas. Podem ser precisos anos de coleta de dados e a construção de novos telescópios. A maioria das pessoas terá outras preocupações, enquanto cientistas trabalham. Mas se um sinal de rádio extraterrestre for detectado, seria um momento impactante. Mesmo que os conteúdos da mensagem permaneçam elusivos por décadas, saberíamos que há alguém "inteligente" na outra ponta.

Chegue como chegar, a primeira evidência definitiva de vida extraterrestre marcará um ponto de virada em nossa história intelectual, rivalizada apenas, talvez, pela teoria heliocêntrica de Copérnico ou a teoria da evolução de Darwin. Se a vida pode brotar em dois planetas de maneira independente, por que não em mil ou mesmo 1 bilhão de outros? As ramificações de descobrir que o nosso não é o único mundo habitado provavelmente serão sentidas em muitas áreas do pensamento e do esforço humano - de biologia e filosofia a religião e arte.

Alguns temem que descobrir vida extraterrestre, especialmente se esta se revelar possuidora de tecnologia incrível, fará nos sentirmos pequenos e insignificantes. Parecem temer que isso constituía um golpe em nosso ego coletivo. Eu sou otimista. Pode levar décadas após os indícios iniciais de vida extraterrestre para os cientistas juntarem evidências suficientes para ter certeza ou para decifrar um sinal de origem artificial. As ramificações plenas da descoberta poderão não ser sentidas por gerações, o que nos dará tempo para nos acostumar com a presença de vizinhos galácticos. E saber que não estamos sós talvez nos dê o empurrão de que precisamos para amadurecer como espécie.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Matéria escura poderia aquecer um planeta tornando-o habitável


(New Scientist / Hypescience) Segundo uma nova pesquisa, a matéria escura poderia tornar planetas normalmente hostis em habitáveis.

Em áreas ricas em matéria escura, as partículas poderiam se acumular dentro de planetas que não tem estrela para aquecê-los, aquecendo-os o suficiente para manter água líquida em sua superfície.

A matéria escura é literalmente obscura. A única coisa que os astrônomos sabem é que sua atração gravitacional pode ser detectada sobre a matéria normal, por um fator de 5 a 1.

Teóricos calculam que a matéria escura pode ser gravitacionalmente capturada por planetas e estrelas. A matéria escura circunda as galáxias nos chamados halos. As partículas de matéria escura sentem a força da gravidade, e orbitam o centro de massa das galáxias.

Muitos pesquisadores acreditam que a matéria escura é feita de partículas chamadas WIMPs, que interagem fracamente com a matéria normal, mas se aniquilam em contato umas com as outras, criando um jato de partículas energéticas. Tal aniquilação poderia produzir calor, se as partículas fossem absorvidas pela matéria circundante.

Agora, os pesquisadores resolveram calcular quanto calor seria produzido dentro de planetas em diferentes ambientes de matéria escura.

Quando as partículas de matéria escura em órbita passam através de objetos, tais como planetas, ocasionalmente batem em átomos, perdendo energia e velocidade. Se elas perdessem bastante energia após as colisões, poderiam ficar presas pela gravidade do planeta, em última análise estabelecendo-se em seu núcleo. Lá, elas devem atingir outras partículas de matéria escura e se aniquilar, produzindo calor.

Estaria a aniquilação de matéria escura aquecendo a Terra? Não muito. A Terra fica a cerca de 26.000 anos luz do centro da galáxia, longe o suficiente para que a concentração de matéria escura seja demasiado reduzida para ter muito efeito.

Entretanto, mais perto do centro da galáxia a concentração de matéria escura é muito maior, de modo que este aquecimento poderia aproximar-se do calor que a Terra recebe do sol, por exemplo.

Os pesquisadores descobriram que um planeta com um peso poucas vezes a massa da Terra e dentro de aproximadamente 30 anos-luz do centro galáctico poderia ser bastante aquecido pela matéria escura para manter água líquida em sua superfície. Isso significa que todos os planetas que se afastaram de suas estrelas hospedeiras ainda podem ser habitáveis, apesar de estarem flutuando no espaço frio.

Os cientistas querem realizar experiências de detecção de matéria escura na Terra para descobrir se isso é mesmo possível. Os cálculos são baseados em candidatos a WIMPs, que interagem tão fortemente com a matéria normal quanto é permitido pelas observações atuais. Se os experimentos não conseguirem detectar a matéria escura nos próximos 5 a 10 anos, irá sugerir que ela não interage com força suficiente para produzir aquecimento planetário.

E os “loucos” de plantão já começam a visualizar cenários onde essa habilidade seria muito útil. Em um futuro distante, quando as estrelas esgotarem seu combustível nuclear e morrerem, as civilizações remanescentes podem procurar um novo lar, e a melhor opção seriam planetas aquecidos por matéria escura – provavelmente um último grito de vida.

Isso até pode ser verdade na teoria, mas os pesquisadores lembram que planetas aquecidos por matéria escura são extremamente raros. As pessoas teriam que procurar um lugar onde a densidade de matéria escura fosse 10 milhões de vezes maior que a estimativa usual (próxima a Terra), ou seja, uma pequena fração de casos são possíveis, de forma que essa ideia vai ficar mais para o acervo de ficção cientifica.

Essas áreas ricas em matéria escura são tão distantes – 26.000 anos-luz – que, mesmo que a presença de planetas pudesse ser detectada, os telescópios atuais não seriam capazes de fazer imagens, procurando sinais de água.

Os cientistas estão mais interessados em estrelas dentro de cerca de 65 ou 100 anos-luz da Terra, porque no futuro podem construir um grande telescópio que tente fotografar os planetas em torno delas.

terça-feira, 22 de março de 2011

Nova estimativa de planetas Tipo-Terra: 2 bilhões, só na Via-Láctea


(Astronomia On Line - Portugal) Um novo estudo revela que aproximadamente uma em cada 37 até uma em cada 70 estrelas tipo-Sol podem conter um planeta tipo-Terra.

Os investigadores acrescentam que estes achados apontam para que milhares de milhões de planetas tipo-Terra possam existir na nossa Galáxia.

Estes novos cálculos têm por base dados do telescópio espacial Kepler, que em Fevereiro deslumbrou o planeta ao revelar mais de 1200 possíveis mundos extrasolares, incluindo potencialmente 68 planetas tipo-Terra. O telescópio fê-lo ao procurar diminuições na luz que ocorrem quando um exoplaneta transita ou move-se em frente de uma estrela.

Cientistas do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA, focaram-se em planetas com aproximadamente o tamanho da Terra dentro das zonas habitáveis das suas estrelas - isto é, órbitas onde a água pode existir no estado líquido à superfície destes mundos.

Após os investigadores terem analisado os quatro meses de dados neste conjunto inicial obtido pelo Kepler, esperam que 1,4 a 2,7% de todas as estrelas tipo-Sol tenham planetas tipo-Terra – ou sejam, aqueles que têm entre 0,8 e duas vezes o diâmetro da Terra e se encontram dentro das zonas habitáveis das suas estrelas.

"Isto significa que existem muitos análogos da Terra por aí - dois mil milhões na nossa Via Láctea," afirma o investigador Joseph Catanzarite, astrónomo do JPL da NASA. "Com este número gigante, há uma boa probabilidade da vida e até vida inteligente existir nalguns destes planetas. E isto é só na nossa Galáxia - existem mais 50 mil milhões de galáxias."

Depois dos três ou quatro anos de dados do Kepler serem investigados, os cientistas prevêem que sejam descobertos um total de 12 mundos tipo-Terra. Quatro destes já foram avistados nos quatro meses de dados anunciados até agora, acrescentam. Os cientistas da missão Kepler estimaram que, no total, podem existir 50 mil milhões de planetas na Via Láctea, embora nem todos sejam tipo-Terra e estejam dentro da zona habitável da sua estrela.

No que diz respeito às 100 estrelas tipo-Sol mais próximas de nós, até algumas dúzias de anos-luz, estes achados sugerem que apenas duas possam ter mundos tipo-Terra. Mesmo assim, Catanzarite realça que as anãs vermelhas podem ter também planetas tipo-Terra, e que tais estrelas são bem mais comuns que estrelas tipo-Sol.

Embora os investigadores tenham muito mais dificuldade em detectar um planeta tipo-Terra transitando em frente de ténues anãs vermelhas, os cientistas estão actualmente a tentar detectais tais planetas em torno destas estrelas pelas atracções gravitacionais que exercem um sobre o outro.

"Espero um dia ouvir falar acerca de planetas tipo-Terra habitáveis em torno destas estrelas," afirma Catanzarite.

Catanzarite e o seu colega, Michael Shao, publicaram os seus achados na edição de 8 de Março da revista Astrophysical Journal.
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