quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um terço dos planetas detectados pelo telescópio Kepler tem companhia

Dos 1235 planetas candidatos que Kepler anunciou ter descoberto, 408 vivem em sistemas estelares multi-planetários.



(Público - Portugal) Em Fevereiro, o telescópio espacial lançado pela NASA em 2009, anunciou ter detectado mais de 12 centenas de planetas candidatos. Ontem o projecto anunciou que já descodificou parte desta informação: cerca de um terço pertencem a 170 sistemas solares com dois ou mais planetas.

“Não antecipámos que descobríssemos tantos sistemas com trânsitos múltiplos. Pensámos que poderíamos ver dois ou três. Em vez disso, encontrámos mais de cem”, disse em comunicado o astrónomo David Latham, do Centro de Astrofísica do Smithsonian, na Universidade de Harvard.

A maioria destes planetas é menor do que Neptuno. E giram em sistemas mais planos do que o sistema solar. O Kepler detecta planetas quando estes se atravessam à frente da sua estrela e diminuem ligeiramente a luz que chega da estrela ao telescópio, como a sombra que um avião faz na Terra quando passa em frente ao Sol.

Para o telescópio detectar mais do que um planeta, é necessário que estes estejam no mesmo plano ou no máximo, que tenham uma inclinação orbital de menos de um grau. Em comparação, o sistema solar não está no mesmo plano. Mercúrio, por exemplo, tem uma inclinação de sete graus em comparação com a Terra.

“O mais provável, é que se o nosso sistema solar não tivesse grandes planetas como Júpiter ou Saturno para agitar as coisas com os seus distúrbios gravitacionais, ele seria tão plano como os sistemas descobertos por Kepler”, disse Latham.

Durante três anos e meio do projecto, o telescópio Kepler vai continuar a olhar para estrelas que estão na vizinhança galáctica, à procura de planetas com características semelhantes à Terra, que possam conter vida.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Astrônomos descobrem 'planetas solitários', sem estrelas

(AFP / Terra) Astrônomos anunciaram nesta quarta-feira a descoberta de um fenômeno até agora inconcebível: planetas que não parecem atraídos por uma estrela e que, ao contrário, vagam solitários pelo universo. Em uma varredura do cosmos realizada por dois anos, 10 planetas com aproximadamente a massa de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, foram encontrados a distâncias tão grandes da estrela mais próxima que se poderia dizer que alguns deles flutuam livres pela Via Láctea.

A pesquisa, publicada na revista científica britânica Nature, é inovadora no campo da ciência dos exoplanetas, como são denominados os planetas localizados fora do nosso sistema solar. Mais de 500 destes planetas foram identificados desde 1995. Mas estes são os primeiros do tamanho de Júpiter que foram encontrados orbitando a esta distância da estrela mais próxima ou parecem "desconectados" dela.

Os novos planetas foram descobertos em uma busca por objetos entre 10 e 500 unidades astronômicas (UA) de uma estrela. A UA é uma medida padrão, que compreende a distância entre a Terra e o Sol, de cerca de 150 milhões de km.

Por comparação, Júpiter está a apenas 5 UA do Sol, enquanto Netuno, o planeta mais longínquo no nosso Sistema Solar, a 30. A teoria da fundação planetária diz que os planetas são aglomerados de poeira e gás e são atraídos por suas estrelas, condenados a orbitar em volta delas até que a estrela queime todo o seu combustível.

O artigo sugere que estes planetas distantes se libertaram da atração gravitacional em uma fase muito precoce. "Eles podem ter se formado em discos protoplanetários e subsequentemente, se dispersado no vazio ou em órbitas muito distantes", afirmou.

O estudo foi escrito por duas equipes que usaram microlentes gravitacionais para analisar dezenas de milhões de estrelas da Via Láctea em um período de dois anos. Segundo esta técnica, uma estrela mais próxima passa em frente a outra, distante. O brilho da estrela longínqua é amplificado.

"As implicações desta descoberta são profundas", disse o astrônomo alemão Joachim Wambsganss em um comentário, também publicado na Nature. "Temos um primeiro olhar de uma nova população de objetos de massa planetária em nossa galáxia. Agora precisamos explorar suas propriedades, distribuição, estados dinâmicos e história", acrescentou.
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E mais:
Planetas "órfãos" de estrela são muito comuns, diz novo estudo (Folha)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Minissatélite vai procurar por planetas parecidos com a Terra

Projeto desenvolvido no MIT (EUA) vai servir de apoio para observatórios maiores, analisando os casos mais interessantes de planetas que podem abrigar vida fora do Sistema Solar


(Veja) Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, desenvolveram um satélite do tamanho de um pão de forma que vai tentar encontrar planetas parecidos com a Terra que podem abrigar vida. O primeiro 'nanossatélite' será lançado em 2012. O dispositivo tem 10 centímetros de largura e 30 de comprimento.

A sonda, chamada ExoPlanetSat, vai servir como instrumento de apoio para projetos maiores, como o observatório espacial Kepler, desenvolvido para rastrear grandes regiões do espaço atrás de planetas que podem ser parecidos com a Terra. Os melhores candidatos serão analisados individualmente por réplicas do ExoPlanetSat. Enquanto o Kepler consegue analisar 150.000 estrelas de uma só vez, o novo satélite foi desenvolvido para se concentrar em apenas um astro.

O nanosatélite possui um jogo de lentes poderoso e uma nova tecnologia de controle e estabilização para observar planetas distantes. O pequeno satélite vai procurar por planetas usando uma técnica semelhante ao do observatório - medindo a intensidade de luz emitida à medida que um planeta passa em frente da estrela que orbita.

A técnica vai permitir calcular a distância que o planeta está da estrela, ajudando os cientistas a concluir se ele possui condições de abrigar vida. O procedimento não é novo, mas antes só havia sido reproduzido por satélites muito maiores. É a primeira vez que engenheiros conseguem miniaturizar a técnica.

Apesar de o projeto de pesquisa ter custado cinco milhões de dólares, cada nanosatélite vai custar 600.000 dólares quando a produção tiver se iniciado. A vida útil do ExoPlanetSat é de um a dois anos. Cientistas esperam lançar uma frota desses pequenos satélites em um futuro próximo.
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Link da matéria com infográfico "De Olho no Cosmo"
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Planeta com céu vermelho pode ser habitável, diz estudo

(AFP / Terra) Um dos planetas que gira ao redor da estrela-anã Gliese 581d poderia ser habitável, com clima propício para a existência de água em estado líquido e vida, segundo um estudo que uma equipe de climatologistas acaba de publicar. O Gliese 581d, terceiro planeta que orbita ao redor da anã-vermelha, poderia estar em uma penumbra avermelhada, com uma atmosfera densa e uma espessa camada nebulosa.

Os astrônomos querem determinar se alguns dos 500 exoplanetas descobertos são aptos para abrigar a vida. Sete vezes mais maciço que a Terra e aparentemente rochoso, o Gliese 581d "poderia ser o primeiro planeta potencialmente habitável" descoberto até hoje, anunciou esta segunda-feira o francês Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) em um comunicado.

Detectado em 2007 a 20 anos-luz (1 ano-luz = 9,5 trilhões de km) do Sistema Solar, o Gliese 581d foi considerado na ocasião frio demais para ser habitável, ou seja, com temperaturas compatíveis com a presença de água em estado líquido em sua superfície.

Este exoplaneta, que orbita ao redor de uma estrela pouco quente, uma anã-vermelha, recebe três vezes menos energia em comparação com a que a Terra recebe do Sol. Também é possível que tenha sempre a mesma face voltada para a sua estrela, enquanto a outra permanece em eterna escuridão.

Apesar das desvantagens, o Gliese 581d poderia se beneficiar de um efeito estufa, que lhe dá um clima "quente a ponto de permitir a formação de oceanos, nuvens e chuva", segundo uma modelização que ilustra "a grande variedade de climas possíveis para os planetas da galáxia", acrescentou o CNRS.

Nesta simulação, a equipe de Robin Wordworth e François Forget, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica (LMD) do Instituto Pierre Simon Laplace de Paris, se inspirou nos modelos usados para o estudo do clima terrestre, ampliando a gama de condições possíveis.

Se tiver uma atmosfera densa em dióxido de carbono (CO2), o que é considerado muito provável pelos cientistas, o exoplaneta pode evitar a condensação de sua atmosfera na face noturna e inclusive ter um clima quente.

Após um fenômeno denominado "difusão Rayleigh", que dá a tonalidade azul ao nosso céu, a atmosfera terrestre reflete para o espaço uma fração importante do resplendor azul, limitando o aquecimento do nosso planeta. Um efeito que é pouco sensível com o vermelho, segundo os cientistas, cujos trabalhos foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters.
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