quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Como procurar vida em outros planetas?



(Life'sLittleMysteries / Hypescience) Astrônomos anunciaram a descoberta de mais de 50 planetas extrassolares, e 16 deles foram classificados como as chamadas super-Terras. Entre as super-Terras, a chamada HD 85512b tem animado os astrônomos de todo o mundo, pois fica na beira da zona habitável de sua estrela-mãe, o que sugere condições favoráveis para a vida.

Mas porque é que uma determinada posição de um planeta é tão importante para a vida? E se há vida em HD 85512b, como os astrônomos poderiam confirmar a sua existência?

A zona habitável
Também conhecida como zona Cachinhos Dourados, a zona habitável é uma região do espaço em torno de uma estrela adequada para a existência de água líquida – e consequentemente a vida, da maneira que conhecemos. Os planetas nessa região não estão nem em um local tão quente, o que faria a água ferver, nem tão frio, o que congelaria a água.

Essa região é diferente para cada local no universo, pois depende também da quantidade de calor que cada estrela emite.

Mas não é necessário apenas estar na zona Cachinhos Dourados para que um planeta se torne potencialmente habitável. Primeiramente, os astrônomos acreditam que os planetas habitáveis são terrestres (rochosos).

Além disso, um planeta não poderia ser muito pequeno para abrigar vida, pois não seria capaz de segurar gravitacionalmente alguma atmosfera. O HD 85512b atende essa condição: tem cerca de 3,6 vezes a massa da Terra, um tamanho bastante confortável para um planeta habitável.

Analisando atmosferas
Uma vez que os astrônomos tenham descoberto um planeta rochoso na zona habitável de uma estrela, o próximo passo é analisar sua atmosfera em busca de pistas da vida.

Infelizmente, a leitura da atmosfera de HD 85512b e das outras super-Terras ainda não é possível: as tecnologias de hoje só são capazes de inspecionar as atmosferas de grandes planetas, como Júpiter.

Mas na falta de tecnologias mais precisas, são utilizadas outras maneiras de detecção de atmosferas em planetas. O primeiro passo para isso é comparar o espectro de uma estrela isoladamente – ou seja, os diferentes comprimentos de onda de luz que vem dela – com o espectro da estrela quando um planeta está na frente dela.

Se o planeta em trânsito não tiver atmosfera, ele irá bloquear a mesma quantidade de luz das estrelas em todos os comprimentos de onda.

Por outro lado, se um planeta tem uma atmosfera, os gases irão absorver a luz da estrela em comprimentos de onda específicos. A partir dos padrões de absorção dos diferentes tipos de átomos e moléculas que constituem a atmosfera – como oxigênio e nitrogênio – os astrônomos podem descobrir que elementos existem na atmosfera.

Embora o oxigênio não seja um fator isoladamente determinante para a vida, encontrar esse gás na atmosfera de um planeta, principalmente em grandes proporções, pode ser um bom indicador de vida.

A melhor maneira para pesquisar as super-Terras daqui para frente e encontrar novos indicadores de vida como a atmosfera será com radiotelescópios do projeto SETI.

Olhando para o futuro
Os astrônomos estão buscando novas tecnologias e métodos para auxiliar a busca pela vida extraterrestre, como o Terrestrial Planet Finder (TPF) proposto pela NASA. Essas sondas espaciais poderiam direcionar imagens diretamente para um planeta extrassolar.

Uma das técnicas envolveria um telescópio espacial muito grande, com lentes especiais para bloquear a luz de uma estrela, o que permitiria aos astrônomos estudar as propriedades de qualquer planeta que a orbita.

O projeto foi recentemente cancelado pela NASA. Uma grande decepção para os astrônomos e entusiastas científicos, mas será que o projeto poderia ser retomado? Alguns astrônomos se dizem esperançosos, afirmando que assim que houver financiamento necessário, o TPF sairá do papel.

sábado, 8 de outubro de 2011

Mais escuro dos planetas quase não reflete luz

Planeta reflete apenas 1% da luz de sua estrela. Motivo ainda é mistério para os cientistas




(National Geographic / iG) Pode ser difícil imaginar um planeta mais escuro que carvão, mas isso é que astrônomos descobriram na Via Láctea com o telescópio espacial Kepler, da Nasa. Orbitando a cerca de 4,8 milhões de quilômetros de distância da sua estrela, o gigante planeta gasoso chamado TrES-2B é do tamanho de Júpiter, tem uma temperatura de 980 °C e aparentemente não reflete quase nada da luz que chega até ele, de acordo com um novo estudo.

“Sendo menos reflexivo que o carvão ou até mesmo que a tinta acrílica preta mais escura, é o planeta mais escuro já descoberto”, afirmou o principal autor da pesquisa David Kipping, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, Estados Unidos. E completou: “Se pudéssemos vê-lo de perto pareceria uma bola de gás quase preta, com um toque brilhante de coloração avermelhada – um exoplaneta verdadeiramente exótico”.

Kepler, o detector de planetas da Nasa
A sonda Kepler, que orbita a Terra, foi desenvolvida especificamente para encontrar planetas fora do sistema solar. Mas em distâncias tão grandes – o TrES-2b, por exemplo, está a 750 anos luz de distância – não é tão fácil captar imagens.

Em vez disso, a Kepler usa sensores de luz chamados fotômetros que monitoram continuamente dezenas de milhares de estrelas em busca de um escurecimento regular nelas. Tais variações no brilho estelar podem indicar que há um planeta passando em frente a uma estrela em relação à Terra, bloqueando uma parte da luz da estrela – nesse caso o planeta-carvão, está bloqueando surpreendentemente pouco dessa luz.

Ao observar a TrES-2b e sua estrela, a Kepler detectou apenas um pequeno sinal de escurecimento e brilho, apenas o suficiente para saber que um gigante gasoso parecido com Júpiter era a causa. “Ele representa o menor sinal fotométrico de um exoplaneta que já detectamos”, afirmou Kipping. Quando o planeta preto como carvão passou em frente a sua estrela, a diminuição da luz dela foi “tão pequena quanto a diminuição que enxergamos quando uma mosca de fruta passa em frente ao farol de um carro”.

Escuridão do planeta é um mistério
Modelos de computadores atuais prevêem que planetas quentes como Júpiter – gigantes gasosos que orbitam muito perto de suas estrelas – só podem ser tão escuros como Mercúrio, que reflete cerca de 10% da luz do sol que chega até ele .O TrES-2b, porém, é tão escuro que reflete apenas 1% da luz de sua estrela, sugerindo que os modelos atuais podem precisar de ajustes.

“Alguns propuseram que a escuridão pode ser causada por uma grande abundância de sódio gasoso e óxido de titânio”, explicou Kipping. E completou: “Entretanto é mais provável que seja algo exótico que não pensamos antes. É este mistério que faz a descoberta tão interessante”.

O TrES-2b pode inclusive representar uma nova classe de exoplaneta, uma possibilidade que Kipping e seus colegas esperam colocar em teste com ajuda da Kepler, que já detectou centenas de planetas fora do nosso sistema solar até agora.“Com a Kepler descobrindo mais e mais planetas, dia após dia, esperamos poder procurar por planetas semelhantes e descobrir se este é único ou se todos os planetas quentes parecidos com Júpiter são muito escuros”, afirmou Kipping. Enquanto isso, a grande escuridão do novo exoplaneta sugere talvez um apelido engraçadinho para Três-2b. “O mais apropriado fosse Erebus[ deus Grego da escuridão]”, comentou Kipping.

O estudo do planeta preto como carvão foi aceito para publicação no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Órbitas de 3 planetas são definidas após revisão de dados do Hubble

Astros giram ao redor de uma estrela a 130 anos-luz de distância. Estudo foi feito com base em imagens feitas em 1998.


(G1) Uma revisão de dados colhidos pelo Telescópio Espacial Hubble em 1998 revelou as órbitas de três planetas fora do Sistema Solar. O anúncio da descoberta foi feito na quinta-feira pela agência espacial norte-americana (Nasa). Um estudo sobre o tema será divulgado na publicação "Astrophysical Journal".

São conhecidos quatro planetas ao redor da estrela HR 8799, que está a 130 anos-luz de distância do Sol (aproximadamente 1,2 quatrilhões de quilômetros).

Os corpos foram descobertos entre no final da década de 2000, após pesquisas no observatório W. M. Keck e no telescópio Gemini North, ambos localizados no Havaí. Eles não foram encontrados em 1998 pois ainda não eram conhecidas as técnicas usadas atualmente para a detecção desses astros.

Planetas fora do Sistema Solar costumam ser detectados apenas pela influência que exercem na trajetória das estrelas que orbitam e não são fotografados, já que estão muito longe da Terra.

Mas no caso do sistema planetário ao redor de HR 8799 é diferente. Onze anos após as imagens do Hubble, a equipe do astrônomo David Lafreniere, da Universidade de Montreal, no Canadá, conseguiu ver o planeta com órbita maior, após analisar as fotos do Hubble com uma tecnologia que diminui o brilho da estrela e revela dados que estavam "escondidos".

Agora, cientistas do Space Telescope Science Institute (STScI, na sigla em inglês), grupo que analisa imagens brutas obtidas por telescópios, conseguiram não só detectar o planeta mais afastado da estrela como também outros dois com órbitas menores. Eles foram coordenados pelo astrônomo Remi Soummer e melhoraram a técnica desenvolvida por Lafreniere em 2009.

Somente o quarto planeta, o mais próximo de HR 8799, permanece sem ser visualizado. Este astro foi conhecido somente em 2010 e os astrônomos conseguem dizer apenas a distância que ele mantém da estrela: 2,4 bilhões de quilômetros.

Os três planetas mais afastados têm órbitas que duram de 100 a 400 anos. Para conhecer a trajetória desses astros, os cientistas precisam esperar muito tempo. Mas o aproveitamento dos dados do Hubble permitiu conhecer quais eram as posições dos planetas há 13 anos.

Para Soummer, sem os dados do Hubble, os astrônomos teriam de esperar mais uma década para chegar às mesmas conclusões. Agora, a equipe do STScI quer estudar outras 400 estrelas também registradas nos arquivos antigos do telescópio espacial.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Descuido Exoplanetário Levanta Dúvidas



(Astronomia On Line - Portugal) À medida que os astrónomos continuam a descobrir planetas extrasolares às dúzias, a condição precisa de um parece não importar muito. Mas Fomalhaut b é diferente.

Revelado em 2008, o pequeno ponto avistado em torno de Fomalhaut, uma estrela a apenas 7,7 parsecs do nosso Sistema Solar, foi caracterizado como o primeiro exoplaneta a ser observado directamente em comprimentos de onda ópticos. Agora a identidade de Fomalhaut b está ser posta em causa, após dados apresentados a semana passada numa conferência exoplanetária no Parque Nacional de Grand Teton, no estado americano do Wyoming, terem mostrado que se movia de um modo inesperado.

Até agora, Fomalhaut b tinha tudo para ser um planeta extrasolar perfeito. Duas imagens obtidas pelo Hubble, em 2004 e 2006, foram usadas para mostrar como o planeta traça uma órbita regular mesmo antes de um anel luminoso de poeira que rodeia Fomalhaut. Dizia-se que a gravidade do planeta estava a ajudar à limpeza de poeira perto do anel, o que lhe dava uma fronteira interior mais detalhada.

Paul Kalas, astrónomo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e autor principal do estudo de 2008, diz que a imagem mais recente indica que a órbita do planeta corta o disco de poeira. E isso levou a que Ray Jayawardhana, astrónomo da Universidade de Toronto no Canadá, questionasse a existência do planeta. Numa tal trajectória, a influência gravitacional do planeta teria que perturbar o bem delineado disco. "É óbvio que a história original não pode ser verdade," afirma Jayawardhana.

Kalas reconhece que os dados mais recentes são confusos, mas permanece confiante que Fomalhaut b é um planeta. "Temos um cientista a tentar criar controvérsia com base em nada," afirma. Centenas de exoplanetas já foram detectados indirectamente ao medir a sua influência gravitacional nas estrelas que orbitam ou ao registar mudanças de brilho à medida que passam em frente da estrela-mãe. Apenas um punhado de planetas foram directamente observados. Os sortudos astrónomos que o fizeram, ganharam o direito de se vangloriar - mas também têm que se sujeitar a intenso escrutínio.

Fomalhaut b é já visto como incomum entre os exoplanetas. É demasiado brilhante no visível para algo com apenas várias vezes o tamanho de Júpiter. E observações terrestres subsequentes no infravermelho foram improdutivas, mesmo embora esta seja a parte do espectro onde os jovens planetas quentes sejam mais brilhantes.

Kalas diz que uma explicação para o sistema Fomalhaut é que é mais velho do que se pensa, e por isso mais frio e mais ténue no infravermelho. E, afirma, o excessivo brilho óptico pode ser explicado se o planeta for rodeado por material brilhante, tal como Saturno é rodeado por um sistema de anéis, o que aumenta o seu albedo global.

Jayawardhana afirma que só este argumento deveria expulsar Fomalhaut b da lista de planetas observados directamente, dado que a luz está a vir da poeira e não da superfície do planeta. "Continuam a chamar-lhe de planeta observado directamente," diz. "Penso que é tempo de parar com isso."

Os dados novos, entre eles a nova órbita que corta o disco de poeira, só acrescentam ao mistério. Kalas diz que pode só ser um problema com a imagem mais recente. As imagens de 2004 e 2006 foram obtidas através de um canal de alta-resolução da câmara ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble que falhou em 2007 e não foi restaurado quando a câmara foi reactivada em 2009.

Para a imagem mais recente, Kalas teve que recorrer a outro instrumento do Hubble, o STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph). A alteração para um detector diferente pode explicar o ligeiro desvio do planeta da sua posição esperada e por isso já marcou tempo de observação no Hubble para obter outra imagem com o mesmo instrumento no Verão de 2012. Se o movimento inesperado do planeta persistir, ele diz que é ainda possível explicar o porquê do disco em torno da estrela permanecer não perturbado: talvez a sua equipa esteja a ver o planeta ao mesmo tempo que alguma instabilidade dinâmica no sistema estelar o esteja a afastar do seu percurso.

Christian Marois, do Instituto de Astrofísica Herzberg em Victória, no Canadá, não gosta dos argumentos que se baseiam na coincidência. Com um período orbital de aproximadamente 800 anos, Fomalhaut b teria que ter mudado de órbita há bem pouco tempo.

Marois diz que é mais provável que Kalas esteja a ajustar a sua análise ao instrumento do Hubble, e que a órbita original permanece. Só o facto de Kalas ter avistado novamente Fomalhaut b em 2010 "é outra confirmação de que este objecto é real".

Jean Schneider, astrónomo do Observatório de Paris que mantém a base de dados do site exoplanet.eu, afirma que Fomalhaut b irá permanecer na lista. Mas no dia 22 de Setembro, acrescentou um comentário na entrada do planeta, dizendo que dúvidas foram já levantadas.

Num e-mail enviado por Kalas a Schneider, este escreve que, para ser justo, Schneider também deveria fazer menção das dúvidas associadas com 1RXJ1609, um planeta observado directamente no infravermelho que Jayawardhana co-descobriu e anunciou em 2008, poucos meses antes do anúncio de Fomalhaut b.

Esta disputa tem todos os critérios de uma disputa rancorosa: Jayawardhana sugere que a forte competição profissional e os brilhantes holofotes dos media podem alimentar esta 'loucura planetária', levando os astrónomos a sobrevalorizar as suas descobertas. Kalas nota que foi ele que inventou o termo "loucura planetária" num artigo publicado em 1998 na revista Science2, no qual criticava Jayawardhana por fazer alegações infravermelhas acerca da observação de planetas em processo de formação.

No que diz respeito a Fomalhaut b, só este sabe o que faz, mesmo que mais ninguém saiba.

sábado, 24 de setembro de 2011

Terras à vista



(Veja) Vasculhar o universo atrás de planetas com as mesmas características da Terra é um desafio estatístico e também tecnológico. Mas os cientistas garantem: ainda acharemos um mundo parecido com o nosso