terça-feira, 29 de novembro de 2011

Primeira imagem de sistema extra-solar captada por amador

Beta Pictoris assemelha-se ao que o Sistema Solar terá sido há 4500 milhões de anos

















(Ciência Hoje - Portugal) O astrónomo amador neo-zelandês Rolf Wahl Olsen fotografou um disco protoplanetário de detritos e pó que gira à volta da estrela Beta Pictoris, a 63,4 anos-luz da Terra. Esta é a primeira fotografia de um amador de um sistema extra-solar.

Beta Pictoris é um sistema muito jovem que tem apenas 12 milhões de anos. O seu interesse para os astrónomos tem a ver com o facto de este se assemelhar àquilo que o Sistema Solar terá sido há 4500 milhões de anos.

Para um amador, fazer uma fotografia destas envolve uma grande complexidade. A principal dificuldade das imagens deste sistema é o “brilho esmagador” da estrela Beta Pictoris, que “ofusca” completamente o disco de pó que gira muito perto da estrela, explica Olsen, no seu próprio site.

O autor seguiu a técnica descrita no artigo «Observation of the central part of the beta Pictoris disk with an anti-blooming CCD», publicado em 1993. Esta consiste em fazer uma imagem da estrela Beta e depois outra de uma ‘estrela de referência’ (cujo brilho aparente e luminosidade não mudam de uma noite para a outra), sob as mesmas condições. Ao subtrair uma imagem da outra é eliminado o brilho estelar e o disco de pó torna-se visível.

Na noite de 16 de Novembro, Beta Pictoris elevou-se a uma posição favorável no céu e Rolf Wahl Olsen conseguiu a fotografia. É considerada a primeira imagem de um sistema extra-solar feita por um amador.
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Matéria similar no AstroPT

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cientistas criam método para dizer se exoplaneta pode abrigar vida

Grupo de astrobiólogos criou dois índices para avaliar os novos 'mundos'. Detalhes da metodologia serão explicados em artigo em revista científica.


























(G1) Um grupo de pesquisadores internacional divulgou nesta segunda-feira (21) o primeiro método de análise de exoplanetas para dizer se eles podem ou não abrigar vida. Detalhes do estudo serão conhecidos na edição de dezembro da revista científica "Astrobiology" (astrobiologia, em inglês).

Com cientistas da agência espacial norte-americana (Nasa), do Centro Espacial alemão e do projeto SETI - que busca por sinais de vida inteligente fora da Terra, o artigo defende que a procura deve se basear em duas questões: se as condições encontradas na Terra podem existir em outros planetas e se o ambiente nesses mundos pode abrigar formas de vida diferentes das terrestres.

Para isso, eles criaram dois índices, que avaliam as condições de um exoplaneta para abrigar vida extraterrestre. O primeiro deles se chama Índice de Similaridade Terrestre (ESI, na sigla em inglês) e classifica mundos parecidos com o nosso. Já o outro é o Índice de Habitabilidade Planetária (PHI, na sigla em inglês), que avalia parâmetros químicos e físicos que poderiam dar origem a formas "menos" terrestres de vida em exoplanetas.

Atualmente, o número de exoplanetas conhecidos está em 600. A missão espacial Kepler, da Nasa, encontrou 1,2 mil candidatos a exoplanetas em 2011 por meio de interferências na luz que vem de estrelas. Estes possíveis mundos fora do Sistema Solar ainda deverão ser confirmados.

Como o número de exoplanetas revelados não para de crescer, o interesse dos astrônomos começa a se voltar mais para aqueles que possam reunir conduições parecidas com as da Terra: presença de atmosfera, água líquida na superfície e uma temperatura amena.

Normalmente, mundos fora do Sistema Solar com essas condições encontram-se a distâncias convenientes em relação às estrelas que orbitam. Essa distância ideal é conhecida como região de "goldilocks".

Mas os cientistas não querem se limitar a pesquisar apenas locais que tenham ambientes parecidos com o da Terra. Eles consideram que esta atitude seria uma "limitação" das possibilidades de estudos sobre exoplanetas e vida fora da Terra.

Eles citam o exemplo de Titã, a maior das luas de Saturno, que possui lagos com hidrocarbonetos que poderiam abrigar formas diferentes de vida. Eles também não descartam as chances de vida em exoplanetas sem estrelas ao seu redor.
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E mais:
Presença de metano pode indicar vida em um planeta (Hypescience)
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Estudo identifica planetas com mais chance de vida extraterrestre (Estadão - com imagens), com matérias similares na Folha, Terra (com imagens), G1, iG, UOL, R7 e DN - Portugal
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Index de Habitabilidade dos Planetas (AstroPT)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Três novos planetas e um objecto misterioso descobertos para lá do nosso Sistema Solar
























(Astronomia On Line - Portugal) Três planetas -- cada orbitando a sua própria estrela gigante moribunda -- foram descobertos por uma equipa internacional de cientistas. Usando o Telescópio Hobby-Eberly, astrónomos observaram as estrelas dos planetas -- HD 240237, BD +48 738, e HD 96127 -- a dezenas de anos-luz do nosso próprio Sistema Solar. De acordo com o líder da equipa, Alex Wolszczan, da Universidade Estatal da Pennsylvania, EUA, uma das estrelas tem um outro objecto misterioso em órbita. A nova pesquisa fornece mais dados sobre a evolução de sistemas planetários em torno de estrelas à porta da morte. Também ajuda os astrónomos a melhor compreender como o conteúdo metálico influencia o comportamento das mesmas. A pesquisa será publicada na edição de Dezembro da revista Astrophysical Journal.

Os três recém-descobertos sistemas planetários são mais evoluídos que o nosso próprio Sistema Solar. "Cada das três estrelas está a inchar e já se tornaram em gigantes vermelhas -- uma estrela moribunda que em breve irá engolir qualquer planeta que orbite demasiado perto," afirma Wolszczan. "Embora possamos esperar um destino similar em relação ao nosso Sol, que eventualmente se tornará numa gigante vermelha e possivelmente irá consumir a Terra, não temos de nos preocupar durante mais cinco mil milhões de anos." Wolszczan também afirma que uma das estrelas -- BD +48 738 -- está acompanhada não só por um planeta do tamanho de Júpiter, mas também por um segundo objecto misterioso. De acordo com a equipa, este objecto pode ser outro planeta, uma estrela de baixa-massa, ou -- mais interessante -- uma anã castanha, que é um corpo estelar intermédio em massa entre as estrelas mais frias e os planetas gigantes. "Vamos continuar a observar este objecto estranho e, daqui a alguns anos, esperamos ser capazes de revelar a sua identidade," acrescenta Wolszczan.

As três estrelas e os seus planetas têm sido particularmente úteis para a equipa de pesquisa porque ajudaram a iluminar mistérios actuais de como as estrelas moribundas se comportam dependendo do seu conteúdo metálico. "Primeiro, sabemos que estrelas gigantes como HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 são especialmente barulhentas. Isto é, parecem nervosas, porque oscilam muito mais do que o nosso bem mais jovem Sol. Esta oscilação perturba o processo de observação, o que torna muito complicada a descoberta de planetas em órbita," afirma Wolszczan. "No entanto, com perseverança eventualmente fomos capazes de avistar os planetas em órbita de cada estrela."

Assim que Wolszczan e sua equipa confirmaram que HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 tinham realmente planetas, mediram o conteúdo metálico das estrelas e descobriram algumas correlações interessantes. "Descobrimos uma correlação negativa entre a metalicidade da estrela e a sua oscilação. Ao que parece, quanto menor conteúdo metálico, mais nervosa e oscilante é," explica Wolszczan. "O nosso próprio Sol também vibra ligeiramente, mas dado que é muito mais jovem, a sua atmosfera é muito menos turbulenta."

Wolszczan também realça que, à medida que as estrelas começam a inchar devido à fase de gigante vermelha, as órbitas planetárias alteram-se e até podem intersectar-se, e os planetas e luas mais próximos são eventualmente engolidos pela estrela. Por esta razão, é possível que HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 tenham tido mais planetas em órbita, que entretanto tenham sido consumidos. "É interessante notar que, destas três estrelas, nenhuma tem um planeta a uma distância menor que 0,6 UA -- isto é, 0,6 vezes a distância entre a Terra e o Sol," afirma Wolszczan.

As observações de estrelas moribundas, do seu conteúdo metálico, e de como afectam os planetas em órbita, podem fornecer pistas acerca do destino do nosso próprio Sistema Solar. "Claro, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos, o nosso Sol torna-se numa gigante vermelha e provavelmente engole os planetas e luas mais interiores. No entanto, se cá ainda estivermos, digamos, daqui a mil ou três mil milhões de anos, podemos viver na lua de Júpiter, Europa, durante os milhares de milhões de anos que restam," salienta Wolszczan. "Europa é um deserto gelado e não é nada habitável hoje em dia, mas à medida que o Sol continua a aquecer e a crescer, a Terra ficará demasiado quente, enquanto à mesma altura, Europa começa a derreter e poderá passar um bom par de milhar de milhões de anos na zona habitável -- não muito quente, não muito frio, coberta por vastos e lindos oceanos."
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Mais uma Pista para a Compreensão dos Júpiteres Quentes Inchados (AstroPT)













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