segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Inatingível, Kepler-22b carrega esperança de vida extraterrestre




















(Terra) Um dos grandes anúncios da comunidade científica no ano, a descoberta do planeta Kepler-22b mexeu com a imaginação popular. Localizado em uma região habitável de outro sistema solar, ele renova a esperança do homem de encontrar alguma forma de vida fora da Terra. O problema é que ele está tão distante de nós - cerca de 600 anos-luz - que seriam necessárias algumas gerações de aventureiros espaciais até que alguém consiga chegar lá. Ou seja, pelo menos com a tecnologia atual, é impossível explorar esse corpo celeste.

Para Thais Russomano, PhD em fisiologia espacial e Coordenadora do Centro de Microgravidade da PUCRS, percorrer essa distância com a tecnologia existente é "algo inconcebível". "Uma nave espacial orbitando a Terra viaja a 27 mil km/h e, para romper a força gravitacional terrestre, precisa-se de 40 mil km/h. Apesar de parecer muito, não é nada se comparado à velocidade da luz, que é de 300 mil km/s. É impraticável chegarmos ao Kepler-22b com a tecnologia existente nesse início de terceiro milênio", lamenta.

Astrônomo e professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Kepler Oliveira concorda: "Não há nada que tenha massa que possa viajar na velocidade da luz. Muito menos numa velocidade maior", afirma o cientista.

Algumas teorias especulam uma possibilidade: o uso de dobras espaciais, também chamadas de "buracos de minhoca" (wormhole, em inglês), que serviriam como atalhos para viagens espaciais. A ideia se baseia na Teoria da Relatividade de Albert Einstein, que diz que grandes massas de gravidade aglomeradas criariam fendas no espaço-tempo, formando curvas imperceptíveis. Assim, seriam quatro dimensões: três relativas ao espaço (altura, largura e espessura) e mais uma, o tempo.

"Nesse sentido, o espaço seria dobrado, curvado, aproximando dois pontos distantes e diminuindo o tempo de passagem entre um e outro. Seria uma ponte entre duas partes distantes no espaço sideral. De forma simples, seria como pegar dois pontos de uma folha de 50 cm de comprimento e aproximá-los. Uma formiga teria de percorrer toda a superfície para passar de um ponto ao outro. Mas outro inseto poderia voar alguns milímetros e rapidamente cruzar os 50 cm do papel", explica Russomano.

Contudo, segundo Oliveira, isso é apenas teoria. "Não há qualquer esperança em atravessá-los, pois a matéria que entra neles perde qualquer informação sobre sua constituição", afirma.

Mesmo com todas as dificuldades, a descoberta de Kepler-22b estimula a imaginação dos cientistas. "Acredito que há outras formas de vida e também de vida inteligente em nossa galáxia ou em galáxias vizinhas e até nas mais distantes. Não creio ser a Terra o único planeta habitado. Então, descobrir novos mundos aptos para o desenvolvimento da vida é fundamental para o entendimento da própria vida humana, de nossa missão no Universo, do papel cósmico que temos. Uma era muito diferente surgirá no dia em que tivermos a prova de que não estamos sós. O descobrimento do Kepler-22b carrega, assim, um enorme simbolismo, mesmo que ainda inatingível", finaliza Russomano.
----
Matéria com infográfico aqui

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Estrela 'engole' e depois 'cospe' dois planetas

(Folha) Um dia depois de a Nasa anunciar a descoberta dos menores planetas já achados fora do Sistema Solar, cientistas apresentam hoje um estudo sobre um par de planetas ainda mais diminutos.

Os astros recém-descobertos, afirmam os astrônomos, são remanescentes de planetas gigantes que foram engolidos por sua estrela e depois "cuspidos" como "caroços".

A descoberta foi feita com a análise de dados do mesmo telescópio espacial, o Kepler, mas por um grupo diferente, liderado pelo francês Stephane Charpinet.

Os novos planetas têm 86,7% e 75,9% do raio da Terra e massas estimadas em 44% e 65%. A dupla nova tem órbita muito próxima de sua estrela-mãe e possui superfície quente demais para abrigar água líquida e vida.

O aspecto mais inusitado dos planetas é que no centro do sistema estelar que os abriga está KOI 55, estrela de idade avançada e que já passou pela fase em que se torna uma "gigante vermelha".

DESTINO SOLAR
É o mesmo destino previsto para o Sol, daqui a 5 bilhões de anos, quando o hidrogênio, combustível para a fusão nuclear em seu centro, começar a se esgotar.

No passado, os planetas em torno de KOI 55, batizados apenas como .01 e .02, eram provavelmente astros com tamanhos similares aos de Júpiter e Saturno, os gigantes gasosos do Sistema Solar.

Quando a estrela começou a virar uma gigante vermelha, sua atmosfera estelar, ou"envelope", começou a se expandir tanto que encobriu os dois planetas.

Em estudo na edição de hoje da revista "Nature", o grupo de Charpinet descreve o que acha que ocorreu após a estrela "engolir" os planetões. Esse astros, dizem, só acabaram engolfados na atmosfera estelar porque, apesar de ser grandes, tinham órbitas curtas, como a Terra.

"Enquanto eles iam cavando seu caminho em meio ao envelope estelar, iam perdendo toda a camada exterior de gás e expelindo também o gás da atmosfera da gigante vermelha, fazendo-a perder massa", explicou à Folha Betsy Green, da Universidade do Arizona, astrônoma que participou do estudo.

"Se os planetas já fossem pequenos naquela época, provavelmente não teriam sobrevivido. Só existem hoje porque começaram com uma quantidade de massa grande antes de sofrer atrito."

A vingança dos planetas é que eles próprios acabaram varrendo para fora a atmosfera da gigante vermelha, e KOI 55 pode ter perdido mais de 50% de sua massa. Agora ela é uma estrela da classe das sub-anãs quentes tipo B, que possuem um núcleo de hélio inerte e geram energia por fusão nuclear em camadas mais exteriores.

POR ACASO
A descoberta dos planetas ocorreu meio por acaso. Charpinet e Green começaram a observar a KOI 55 para entender os modos de vibração da estrela, que exibe movimentos similares aos terremotos da Terra. A vibração causa oscilações no brilho que podem revelar propriedades interessantes da estrela, como sua massa e seu raio.

Mas duas das oscilações periódicas que os cientistas detectaram tinham períodos de cinco a oito horas, longos demais para terremotos.

Após Charpinet fazer uma montanha de cálculos, concluiu que a probabilidade maior era a de que a oscilação de brilho estivesse sendo causada por planetas refletindo a luz de KOI 55, assim como os períodos da Lua refletem luz solar em quantidade diferente para a Terra.

Os planetas rebatem uma quantidade enorme de luz, pois estão a menos de um centésimo da distância que nós estamos do Sol.
----
Matérias similares no G1, DN - Portugal, Público - Portugal, AstroPT e Astronomia On Line - Portugal
















----
E mais:
Descoberta de planetas levanta questões sobre evolução das estrelas (Agência Fapesp), com matérias similares no Estadão e UOL

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nasa anuncia descoberta de planetas parecidos à Terra

Astros têm tamanho similar ao da Terra; trata-se dos menores já detectados a orbitar uma estrela como o Sol

(AP/Estadão) Cientistas da Nasa anunciaram a descoberta de dois planetas do tamanho da Terra orbitando uma estrela fora do sistema solar, o que encoraja a busca por vida em outras partes do Universo.

A descoberta mostra que esses planetas existem e que eles podem ser detectados, diz Francois Fressin, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.

Eles são os menores planetas encontrados a orbitar uma estrela que parece nosso sol.

Os cientistas estão procurando planetas com o tamanho da Terra com potencial para abrigar vida extraterrestre, diz um artigo publicado nesta terça, 20, pela Nature.

O diâmetro de um dos novos planetas é somente 3% maior do que o da Terra, enquanto que o outro é nove décimos o da Terra. Eles aparentam ser rochosos, como o nosso planeta.

No entanto, eles parecem ser muito quentes para abrigar vida na forma conhecida - estima-se que a temperatura lá seja em torno de 815 a 426 graus Celsius.

Segundo os cientistas, mesmo assim poderia abrigar outras formas de vida - desde formas não inteligentes, como bactérias, até outras completamente desconhecidas.

Desde que foi lançado em 2009, o telescópio Kepler encontrou evidências de dezenas de possíveis planetas do tamanho da Terra. Mas o artigo é o primeiro a fornecer a confirmação , diz Alan Boss, do Carnegie Institution for Science in Washington.

No início do mês, cientistas disseram ter descoberto um planeta ao redor de outra estrela, com temperatura na superfície ao redor de 22 graus Celsius. Mas ele era grande demais para sugerir a presença de vida. Com 2,4 vezes o tamanho da Terra, acredita-se que tenha uma composição gasosa e líquida como Netuno.
----
Matérias similares na Folha, Terra, JB, G1, iG, UOL, O Globo, R7, Veja (com vídeo), Yahoo, AstroPT, Apolo11, Ciência Hoje - Portugal, DN - Portugal, Público - Portugal, Eternos Aprendizes, Astronomia On Line - Portugal e CAUP





----
E mais:
Anúncio de planetas marca triunfo e limites de pesquisa espacial (Folha)
.
Catálogo de Exoplanetas Habitáveis (em inglês)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Como caçar planetas



(Veja) Veja como acessar dados coletados pelo observatório espacial Kepler, da NASA, e contribuir com os cientistas na busca por novos planetas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Kepler Anuncia Descoberta da Primeira Mini-Terra (AstroPT)

Clique na imagem para acessar a notícia

Planeta “dá cambalhota” sobre seu próprio eixo, obrigando os vizinhos a participarem da brincadeira



















(Live Science / Hypescience) A cerca de 40 anos-luz da Terra, está em andamento um fenômeno espacial muito pouco estudado. Um planeta, quatro vezes maior do que Júpiter, modifica completamente o seu eixo de rotação ao longo de milhões de anos, dando uma “cambalhota” em torno de si mesmo. E a força desse distúrbio leva outros quatro planetas a fazer o mesmo em suas órbitas.

Isso acontece na constelação de Câncer, na qual se encontra uma estrela chamada de “55 Cancri A”. Em torno dessa estrela, que tem tamanho e massa muito semelhantes às do nosso sol, orbitam cinco planetas, ordenados da letra “b” à letra “f”. O maior desses planetas, que orbita a uma maior distância da estrela, é o “55 Cancri d”.

Através de observações telescópicas e mais de 450 simulações feitas por computador, astrônomos mapearam o passado de milhões de anos do sistema solar da estrela “55 Cancri A”. Conforme apuraram nas observações, não houve mudanças significativas na órbita dos planetas ao longo desse período, mas sim no eixo deles.

Uma estrela “vizinha” da “55 Cancri A” está localizada a cerca de 1.100 vezes a distância entre a Terra e o sol, e mesmo assim um sistema afeta no campo gravitacional do outro. Os cientistas acreditam que seja essa influência que leva o maior planeta, o “55 Cancri d”, a rolar sobre si mesmo, mudando o próprio eixo, com o passar do tempo.

Os planetas que orbitam em diâmetros inferiores, mais próximos da estrela central, sofrem impacto direto dessa mudança de eixo. O movimento da “55 Cancri d” é executado com tamanha força que arrasta os demais planetas ao mesmo movimento de dar cambalhotas sobre seus próprios eixos. É um caso incomum de sistema no qual as órbitas são regulares, mas os eixos de rotação mudam constantemente.