sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sonda da Nasa anuncia descoberta de 26 planetas fora do Sistema Solar

Anúncio foi feito nesta quinta-feira (26) pela equipe da missão Kepler. Astros formam 11 sistemas planetários diferentes.



(G1) A agência espacial norte-americana (Nasa) anunciou nesta quinta-feira (26) a descoberta de 26 novos planetas fora do Sistema Solar. O achado quase dobra o número de exoplanetas confirmados pela missão Kepler, lançada em março de 2009 para vasculhar uma faixa do espaço em busca de planetas que possam reunir as condições para abrigar vida.

A novidade é tema da revista científica "Astrophysical Journal". Os novos astros formam ao todo 11 sistemas planetários diferentes. Eles têm tamanhos variados: alguns são maiores que Júpiter, outros têm um raio pouco maior que o da Terra. Observações futuras irão revelar se os 15 menores possuem um núcleo rochoso como o do nosso planeta.

Os planetas ficam perto das estrelas que orbitam e levam de seis até, no máximo, 143 dias para completar uma volta ao redor delas. Cada sistema planetário tem, no mínimo, dois astros e, no máximo, cinco planetas.

Atualmente, são conhecidos mais de 700 exoplanetas. A contagem começou em 1995, quando o primeiro planeta a girar ao redor de uma estrela diferente do Sol foi desvendado.

Desde o início da missão Kepler, 61 exoplanetas foram detectados e confirmados. Ainda esperam por confirmação mais de 2,3 mil astros. A verificação para saber se algum sinal recebido pela sonda é ou não de um exoplaneta é feita por telescópios na Terra.

A sonda investiga alterações no brilho de 150 mil estrelas localizadas em uma região vasta do espaço entre as constelações da Lira e do Cisne. Essas mudanças podem ser provocadas pela passagem de um planeta à frente da estrela observada.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Britânico descobre novo 'planeta' participando de programa de TV

Astrônomo amador Chris Holmes se inspirou em atração da BBC para descobrir planeta similar a Mercúrio.




















(BBC/G1) Um espectador do programa de TV da BBC Stargazing Live descobriu o que seria um novo planeta aproximadamente do tamanho de Netuno e que teria condições de temperatura e ambiente similares às de Mercúrio.

O astro orbita a estrela chamada SPH10066540 e seria cerca de quatro vezes maior que a Terra. Os pesquisadores ainda precisam se certificar de que trata realmente de um planeta.

O britânico Chris Holmes teria feito a descoberta ao atender a um pedido do programa para que seus espectadores utilizassem dados coletados pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, com informações relativas a possíveis novos planetas.

"Eu nunca tinha tido um telescópio. Tinha um interesse vago sobre onde as coisas se situam nos céus, mas não passava muito disso", disse o astrônomo amador Chris Holmes.

Ele encontrou o novo planeta ao analisar imagens de estrelas no site Planethunters.org, uma colaboração entre a Universidade de Yale e o projeto científico realizado por amadores Zoouniverse.

Candidato a planeta
De acordo com o cientista Chris Lintott, da Universidade de Oxford e um dos organizadores do Planethunters, ainda será preciso realizar mais testes para se certificar plenamente de que a nova descoberta é de fato um planeta, mas ele acrescenta que tudo o leva a crer que sim.

"Se comprovada, esta será a nossa quinta descoberta desde que o projeto teve início e primeira feita por um britânico", afirma.

O telescópio Kepler, em atividade desde 2009, vem promovendo buscas em uma parte do espaço que muitos acreditam ser similar ao nosso sistema solar.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Imagem de como seria o planeta Kepler-20f



















(Live Science / Hypescience) O telescópio espacial Kepler descobriu os primeiros planetas do tamanho da Terra orbitando uma estrela como o Sol, fora do nosso sistema. Chamados de Kepler-20e e Kepler-20f, eles estão muito próximos da estrela maior para a água líquida poder existir na superfície. Mas eles são os menores exoplanetas já confirmados orbitando uma estrela como a nossa.

O Kepler-20f é o planeta com o tamanho mais próximo da Terra. Com uma órbita de 20 dias e uma temperatura de aproximadamente 426 graus Celsius, ele é muito quente para abrigar a vida como conhecemos.

No ano passado, foi descoberto o planeta mais semelhante à Terra. Confirmado após análises, o Kepler 22-b está apenas 15% mais próximo da sua estrela do que nós do Sol, o que lhe rendeu o apelido de “Terra 2.0”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dados antigos do Hubble revelam planetas ocultos



















(MSN/Hypescience) Quando uma equipe de pesquisadores resolveu olhar alguns dados antigos do Telescópio Espacial Hubble e descobriu dois planetas alienígenas que passaram despercebidos por 13 anos, eles sem querer descobriram uma nova forma de encontrar mundos distantes.

Agora, os astrônomos estão ampliando suas pesquisas aplicando o método de “escavar dados” em 350 estrelas observadas em 1998 pelo telescópio.

“Nós estávamos apenas olhando para os dados arquivados da Câmera Infravermelha e Espectômetro para Multi-Objetos (NICMOS) do Hubble”, afirma o cientista Remi Soumme, um dos envolvidos na descoberta “sem intenção” dos planetas que orbitam a estrela HR 8799.

Mas o pesquisador hesita em prever mais informações novas que o NICMOS poderia render. “Eu realmente espero que encontremos algo, mas prefiro não dizer números”, comenta. “Encontrar planetas é muito difícil. Eu espero que pelo menos um novo sistema esteja lá, mas é improvável que encontremos muitos”.

No sistema HR 8799, existem quatro planetas conhecidos circulando a estrela, que está a cerca de 130 anos luz da Terra.

Usando o antigo arquivo do Hubble, Soummer e seus colegas conseguiram identificar três dos planetas. O quarto não foi detectado pelo instrumento do telescópio porque está bloqueado pela luz da estrela.

Os três detectados são grandes e possuem uma órbita longa, levando 100, 200 e 400 anos para dar a volta na estrela. Isso significa que os astrônomos teriam uma longa espera para observar a órbita deles. Mas, uma das vantagens do método usado é que os dados já estão disponíveis com antecedência. “Basicamente temos 10 anos de ciência que podemos pegar imediatamente”, comenta Soummer.

Os exoplanetas da HR 8799 passaram despercebidos em 1998 porque os métodos para encontrar os corpos celestes ainda não estavam disponíveis. Agora, técnicas sofisticadas são empregadas por diversos observatórios espaciais e terrestres, e os arquivos do Hubble podem ter um papel importante.

“Digamos que nós descobrimos um novo planeta em uma dessas imagens, que são antigas, mas podem ser confirmadas por observatórios como o Keck”, argumenta Soummer. “Então, nós potencialmente temos informação sobre o movimento orbital”.

Todos podem ser caçadores de exoplanetas



















(DN - Portugal) Parece um jogo, mas é ciência a sério. A participação, aberta a todos, é de uma simplicidade total e, no fim, a recompensa pode ser a de ter o próprio nome num artigo científico a anunciar a descoberta de um exoplaneta na órbita de uma estrela da Via Láctea.

É o projecto Planet Hunters, promovido pela universidade britânica de Oxford e pela de Yale, nos Estados Unidos, em colaboração com outras instituições, incluindo a NASA. O objetivo é descobrir exoplanetas, utilizando os dados do observatório espacial Kepler, e todos os cidadãos estão convocados. Para isso basta ir ao site do Planet Hunters, em http://www.planethunters.org, e seguir as intruções.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Nas redondezas de outros mundos

Como observar luas, anéis e até o magnetismo de planetas fora do sistema solar











(Pesquisa Fapesp) Ainda é muito vaga a visão que temos dos planetas orbitando outras estrelas além do Sol, os exoplanetas. Em vez de fotos maravilhosas, por enquanto temos que nos contentar com as deduções do raio, da massa e das características de suas órbitas, feitas indiretamente por meio dos dois métodos de detecção mais utilizados – a técnica da velocidade radial, em que se mede como a influência gravitacional do planeta faz sua estrela oscilar, e o método do trânsito planetário, que registra a diminuição de luminosidade causada pela passagem do planeta na frente de sua estrela. Foi pelo trânsito planetário, por exemplo, que o telescópio espacial Kepler, da Nasa, já identificou mais de 2 mil possíveis exoplanetas. Uma de suas descobertas, confirmada por observações de outros telescópios, é o planeta Kepler 22b, com um raio apenas 2,4 vezes maior que o da Terra, orbitando a zona habitável de uma estrela muito parecida com o Sol, isto é, a uma distância tal que a temperatura em sua superfície permitiria a existência de água líquida sobre ela (veja o infográfico). Ninguém sabe, entretanto, se o Kepler 22b é um enorme planeta rochoso, uma super-Terra, ou se é um mini-Netuno – uma versão em miniatura dos gigantes gasosos do sistema solar.

Nossa imagem dos exoplanetas, entretanto, deve ficar muito mais rica nos próximos anos graças ao trabalho de astrofísicos teóricos que vêm propondo novas maneiras pelas quais seria possível observar no trânsito planetário os sinais de outras propriedades desses mundos. A astrofísica Adriana Válio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e seu aluno de doutorado Luis Ricardo Tusnski, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, foram os primeiros a determinar qual deve ser o tamanho mínimo de luas e anéis em torno de planetas extrassolares para que sejam detectáveis pelo Kepler e pelo telescópio espacial Corot, da Agência Espacial Europeia, que também utiliza o método de trânsito planetário e conta com a participação de pesquisadores brasileiros. Já uma equipe coordenada pela astrofísica brasileira Aline Vidotto, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia, descobriu que o trânsito planetário pode ser usado em certas condições para medir o campo magnético de um exoplaneta.

Esses trabalhos de ponta feitos por brasileiros contribuem de uma forma ou de outra para avançar a busca por um exoplaneta capaz de suportar a vida como nós a conhecemos. Embora a maioria dos mais de 700 planetas extrassolares cuja descoberta já foi confirmada sejam gigantes gasosos, tão grandes ou maiores que Júpiter, aqueles localizados nas zonas habitáveis de suas estrelas poderiam ter luas rochosas grandes o suficiente para reterem uma atmosfera por bilhões de anos e assim abrigarem oceanos cheios de vida. “Se o Kepler 22b tivesse uma lua do tamanho de Marte, por exemplo, ela seria habitável”, diz Adriana. “Outro fator importante que permite que um planeta seja habitável é o seu campo magnético”, explica Aline. “O campo funciona como um escudo protetor, impedindo que as partículas de alta energia vindas da estrela desgastem a sua atmosfera.”

Luas ocultas
Desde 2003, Adriana desenvolve um modelo computacional para estudar como as manchas estelares – o fenômeno análogo ao das manchas que surgem na superfície do Sol – interferem na curva de luz do trânsito planetário. Em 2009, Tusnski, então seu aluno de mestrado, decidiu adaptar o modelo para simular o trânsito de um planeta com uma lua. Outros pesquisadores haviam proposto antes detectar luas por meio da perturbação que elas causam no movimento do planeta, mas observar isso exigiria acompanhar a variação do brilho da estrela por um tempo maior do que os telescópios costumam fazer. O modelo dos brasileiros mostrou que isso era desnecessário. Se uma lua fosse grande o suficiente, um sinal inconfundível de sua presença surgiria na curva de luz do trânsito planetário na forma de pequenos “degraus”.

No entanto, as curvas de luz obtidas pelo Kepler e o Corot não são lisas como as dos modelos, pois o brilho das estrelas não é constante, flutuando erraticamente, entre outros motivos, pela aparição e sumiço de manchas estelares. “A coisa é ainda mais complicada porque há certo ruído no instrumento que gera uma incerteza na medida”, explica Tusnski. Os “degraus” indicando a presença das luas precisariam, portanto, ser identificados em meio ao ruído criado por essa variação. Mesmo assim, em um artigo publicado em dezembro na revista Astrophysical Journal, Tusnski e Adriana mostraram por meio de simulações dessas flutuações que seria possível distinguir nos dados do Corot luas 1,3 vez maiores do que a Terra, enquanto nos dados do Kepler poderia haver evidências de satélites tão pequenos quanto a nossa Lua. Tusnski já começou a buscar por esses sinais nos dados. “A aplicação dessa ferramenta pode resultar na descoberta do primeiro satélite natural em exoplanetas”, afirma o especialista em dinâmica planetária Othon Winter, da Unesp. “Uma das grandes vantagens desse trabalho é a facilidade de aprimorar o modelo (já utilizado), incluindo manchas estelares e mais luas.”

Embora a maior lua do sistema solar, Ganimedes, em Júpiter, tenha um tamanho um pouco menor que a metade da Terra, Winter, junto com Rita Domingos e Tadashi Yokoyama, ambos também da Unesp, calcularam em um artigo publicado em 2006 na revista Monthly Notices of Royal Astronomical Society (MNRAS) que exoplanetas semelhantes a Júpiter orbitando na zona habitável de estrelas do porte do Sol poderiam ter satélites do tamanho da Terra ou maiores. “Há uma expectativa crescente de que a detecção de luas será feita em breve, por causa do tremendo volume de dados esperando para ser analisado”, diz o astrônomo Darren Williams, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que também demonstrou recentemente como exoplanetas gigantes gasosos poderiam ter luas grandes. “Suspeito que a maioria dos planetas detectados pelo Kepler tenha luas e uma fração delas seja maior que Marte.”

Adriana e Tusnski também foram os primeiros a determinar como a presença de anéis ao seu redor dos exoplanetas afetaria a curva de luz do trânsito planetário. Seu modelo mostrou que o efeito dos anéis seria suavizar as bordas do “poço” da curva de luz, bem como torná-lo mais fundo. Realizando uma análise semelhante àquela das luas, eles mostraram que um sistema de anéis como o de Saturno pode ser detectável pelo Kepler, enquanto os anéis só seriam visíveis pelo Corot se fossem pelo menos 50% maiores que os de Saturno.

O próximo passo dos pesquisadores será adaptar seu modelo para identificar o sinal dos anéis de exoplanetas extremamente próximos de suas estrelas. Nesse caso, a atração gravitacional da estrela é capaz de entortar os anéis. Segundo Tusnski, eles poderiam usar essa deformação para obter informações sobre as densidades dos núcleos dos exoplanetas.

Arcos de choque
Também seria possível conhecer mais sobre o interior dos exoplanetas se os astrônomos conseguissem detectar o campo magnético deles. Pesquisadores vêm buscando sinais desses campos por meio de radiotelescópios. A ideia seria captar as ondas de rádio emitidas por partículas eletricamente carregadas disparadas pelas estrelas, quando elas fossem capturadas pelos campos magnéticos planetários – é o mesmo fenômeno que produz as auroras boreais na Terra. Mas todas as buscas falharam até agora.

Desde 2010, Aline e seus colegas Moira Jardine, Chris---tiane Helling, Joe Llama e Kenneth Wood, todos da Universidade de Saint Andrews, publicaram uma série de quatro artigos nas revistas Astrophysical Journal Letters, MNRAS e MNRAS Letters, detalhando um novo método, mais indireto mas promissor, de medir campos magnéticos de exoplanetas. De fato, a equipe afirma ter conseguido estimar a intensidade do campo magnético do exoplaneta Wasp 12b, descoberto em 2008 pelo telescópio Super Wasp, instalado em La Palma, uma das ilhas do arquipélago espanhol das Canárias.

Quase duas vezes maior que Júpiter, o Wasp 12b orbita sua estrela a uma distância 16 vezes menor que a distância entre o Sol e Mercúrio, dando uma volta completa em torno dela a cada 26 horas, à velocidade estupenda de cerca de 300 quilômetros por segundo. Observações do trânsito planetário com o telescópio Hubble mostraram que a curva de luz da estrela começa a cair antes no comprimento de onda da luz ultravioleta que no da luz visível. Aline e sua equipe acreditam que esse efeito seja provocado pela formação de um “arco de choque” na frente do planeta, criado pelo fato de ele estar se movendo a uma velocidade maior que a da propagação do som num meio permeado por partículas emitidas pela estrela, o chamado vento estelar.

De acordo com o modelo dos pesquisadores, as partículas do vento estelar estariam se chocando contra o campo magnético do Wasp 12b, formando na sua frente uma região em forma de arco que seria transparente à luz visível, mas opaca à ultravioleta. Medindo a diferença entre o início do trânsito nos dois comprimentos de onda, a equipe conseguiu estimar a distância entre o planeta e o arco de choque, e a partir daí inferir a intensidade do campo magnético do planeta, que deve ser menor que 24 Gauss, um valor comparável ao campo nos polos de Júpiter, que varia entre 10 e 14 Gauss, e é quatro vezes maior que o da Terra.

Para guiar novas observações do fenômeno, a equipe analisou uma série de exoplanetas já descobertos por trânsito planetário, verificando dados como a distância dos planetas a suas estrelas e a intensidade dos ventos estelares. “Fizemos uma lista dos exoplanetas que seriam os melhores candidatos a ter um arco de choque observável”, diz Aline. Entre eles estão vários dos mais próximos da Terra descobertos pelo Super Wasp e pelo Corot.

“Aline e seus colegas encararam um problema astrofísico muito difícil”, comenta a especialista em interações magnéticas entre estrelas e planetas Evgenya Shkolnik, do Observatório Lowell, no Arizona, nos Estados Unidos. “Seria extremamente valioso se pudéssemos medir ao menos o campo magnético de alguns dos exoplanetas mais próximos de suas estrelas, os chamados Júpiteres quentes, para distinguir diferenças estruturais entre eles.”

O Projeto
Investigation of high energy and plasma astrophysics phenomena: theory, observation, and numerical simulations – nº 2006/50654-3
Modalidade
Projeto Temático
Coordenador
Elisabete Maria de Gouveia Dal Pino - IAG/USP
Investimento
R$ 366.429,60 (FAPESP)