segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Nova técnica para medir massa de exoplanetas
(Astronomia On Line - Portugal) Até à data, os cientistas detectaram a existência de mais de 1000 exoplanetas em órbita de outras estrelas que não o nosso Sol. Para determinar se estes mundos distantes são habitáveis, precisamos de saber a sua massa - o que pode ajudar os cientistas a discernir se o planeta é feito de gás ou rocha e outros materiais de apoio à vida.
Mas as técnicas actuais para estimar a massa exoplanetária são limitadas. A velocidade radial é o principal método usado pelos cientistas: pequenas oscilações na órbita da estrela à medida que é puxada pela força gravitacional do planeta, a partir das quais os cientistas podem derivar a relação de massa entre o planeta e a estrela. Para planetas muito grandes, com o tamanho de Neptuno, ou mais pequenos como a Terra orbitando muito próximo de estrelas brilhantes, a velocidade radial funciona relativamente bem. Mas a técnica tem menos sucesso com planetas mais pequenos que orbitam mais longe das suas estrelas, tal como a Terra.
Agora, cientistas do MIT (sigla inglesa para Massachusetts Institute of Technology ou Instituto de Tecnologia do Massachusetts) desenvolveram uma nova técnica para determinar a massa de planetas extra-solares, usando apenas o seu sinal de trânsito - diminuições na luz à medida que um planeta passa em frente da sua estrela. Esta informação tem sido tradicionalmente usada para determinar o tamanho de um planeta e suas propriedades atmosféricas, mas a equipa do MIT descobriu uma maneira de interpretá-la de tal forma que também revela a massa do planeta.
"Com este método, percebemos que a massa planetária - um parâmetro chave que, se ausente, poderia ter-nos impedido de avaliar a habitabilidade do primeiro planeta tipo-Terra potencialmente habitável na próxima década - será realmente acessível, juntamente com as propriedades atmosféricas," afirma Julien de Wit, estudante graduado do Departamento da Terra, Ciências Atmosféricas e Planetárias do MIT.
De Wit é o autor principal de um artigo publicado a semana passada na revista Science, em conjunto com a co-autora Sara Seager.
Estimando a massa a partir da luz
Além da composição de um planeta, a sua massa pode fornecer um vislumbre da superfície do planeta e da sua actividade interna.
"A massa afecta tudo a um nível planetário, tal como placas tectónicas, o seu arrefecimento interno e convecção, o modo como gera campos magnéticos, e se o gás escapa da sua atmosfera," realça de Wit. "Se não a obtivermos, uma grande parte das propriedades do planeta permanece indeterminada."
Usando grandes telescópios como o Spitzer ou o Hubble, os cientistas foram capazes de analisar o espectro de transmissão de exoplanetas recém-descobertos. Um espectro de transmissão é gerado à medida que um planeta passa em frente da sua estrela, deixando escapar um pouco de luz pela sua atmosfera. Ao analisar os comprimentos de onda de luz que passam pela atmosfera, os cientistas conseguem determinar as propriedades atmosféricas de um planeta, tais como a temperatura e a densidade de moléculas atmosféricas. Da quantidade total de luz bloqueada, podem calcular o tamanho de um planeta.
Para determinar a massa de um exoplaneta usando espectroscopia de transmissão, de Wit contou com o efeito que a massa de um planeta tem na sua atmosfera, pois os espectros de transmissão dão informações sobre as propriedades atmosféricas do planeta. Para tal, trabalhou a partir de uma equação padrão que descreve o efeito da temperatura, força gravitacional e densidade atmosférica de um planeta sobre o seu perfil de pressão atmosférica - o modo como a pressão muda ao longo da sua atmosfera.
De acordo com esta equação, sabendo qualquer destes três parâmetros revelaria o quarto parâmetro. Dado que a massa de um planeta pode ser derivada a partir da sua força gravitacional, de Wit fundamenta que a massa de um planeta por ser derivada a partir da sua temperatura atmosférica, perfil de pressão e densidade - parâmetros que, em princípio, podem ser obtidos a partir de um espectro de transmissão.
Mas, para obter uma medição precisa da massa do planeta, de Wit teve que provar que estes três parâmetros podiam ser obtidos independentemente uns dos outros, somente a partir de um espectro de transmissão.
Descobrindo a massa de um planeta
Para provar que a temperatura, perfil de pressão e densidade atmosférica de um planeta podem ser derivadas de forma independente a partir de um espectro de transmissão, de Wit teve que demonstrar que cada parâmetro tem um efeito marcante num espectro de transmissão. De Wit realizou novas derivações analíticas a partir dos primeiros princípios de transferência radiativa, e descobriu uma constante matemática do século XVIII, com o nome de constante Euler-Mascheroni, que ajuda a revelar os efeitos individuais de cada parâmetro. Por outras palavras, esta constante actua como uma "chave de encriptação" para descodificar o processo pelo qual as propriedades da atmosfera de um planeta são incorporadas no seu espectro de transmissão.
"Isto realmente ajuda a desbloquear tudo e revela, de todas estas equações malucas, que propriedades atmosféricas fazem o quê, e como," comenta de Wit. "Encontramos esta constante numa série de problemas físicos, e é divertido vê-la aparecer novamente na ciência planetária."
Para testar o método, de Wit aplicou a técnica a um exoplaneta recém-descoberto, conhecido como HD 189733 b, localizado a 63 anos-luz de distância. Com os seus cálculos, de Wit obteve a mesma medição de massa como a obtida por outros usando a velocidade radial.
Usando as especificações dos futuros telescópios espaciais de alta resolução, como o Telescópio Espacial James Webb - um instrumento concebido para estudar atmosferas exoplanetárias - os autores mostraram que a nova técnica será capaz de caracterizar a massa e propriedades atmosféricas de planetas mais pequenos, do tamanho da Terra.
Mark Swain, cientista do JPL da NASA, diz que a nova técnica do grupo será muito útil na determinação da composição e, finalmente, na habitabilidade, de planetas semelhantes à Terra.
"A massa é uma peça muito importante do puzzle," realça Swain, que não esteve envolvido na investigação. "Se descobrirmos que a composição de um planeta é quase certamente sólida, isso exigiria uma quantidade significativa de água misturada com um núcleo de silicato, e se soubéssemos que tinha temperaturas de zona habitável, teríamos um bom caso para estudos mais aprofundados desse mundo, porque teria o que parecem ser os ingredientes de um planeta habitável."
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Cientistas identificam possíveis nuvens em planetas distantes
Estudos caracterizam a atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Resultados foram publicados na revista científica 'Nature'.
(G1) Dois estudos publicados na edição desta semana da revista científica “Nature” indicam a possível existência de nuvens na atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Segundo os autores, a descoberta é um avanço importante na busca por planetas que, assim como a Terra, reúnam as condições necessárias para serem habitáveis.
As pesquisas foram realizadas por duas equipes distintas, com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os planetas estudados foram GJ 436B, a 36 anos-luz da Terra, e GJ 1214b, a 40 anos-luz do nosso planeta. Nenhuma das duas atmosferas havia sido caracterizada com sucesso até o momento.
Levando em consideração o tamanho e a massa, os dois planetas são consideravelmente maiores que a Terra – classificada como pequena e rochosa –, mas também são menores que os chamados gigantes gasosos, como Júpiter.
Apesar de identificarem algumas características das atmosferas dos planetas – como a possível presença de nuvens –, os pesquisadores ainda não conseguiram detalhar a composição química dessas atmosferas. Segundo os autores, novos estudos nessa linha são necessários, e um dos principais objetivos é entender até que tamanho um planeta pode ter uma estrutura rochosa, como a da Terra.
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As pesquisas foram realizadas por duas equipes distintas, com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os planetas estudados foram GJ 436B, a 36 anos-luz da Terra, e GJ 1214b, a 40 anos-luz do nosso planeta. Nenhuma das duas atmosferas havia sido caracterizada com sucesso até o momento.
Levando em consideração o tamanho e a massa, os dois planetas são consideravelmente maiores que a Terra – classificada como pequena e rochosa –, mas também são menores que os chamados gigantes gasosos, como Júpiter.
Apesar de identificarem algumas características das atmosferas dos planetas – como a possível presença de nuvens –, os pesquisadores ainda não conseguiram detalhar a composição química dessas atmosferas. Segundo os autores, novos estudos nessa linha são necessários, e um dos principais objetivos é entender até que tamanho um planeta pode ter uma estrutura rochosa, como a da Terra.
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Kepler-88c, um planeta extra-solar que deixou de ser invisível
Aplicada uma nova técnica que permite detectar a influência de um planeta noutro planeta.
(Público - Portugal) Uma equipa europeia, da qual faz parte o investigador Alexandre Santerne, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), descobriu um planeta extra-solar a partir das perturbações gravitacionais provocadas por outro planeta. Neste caso, o planeta “invisível” é o Kepler-88c e o seu irmão que lhe provocou as perturbações gravitacionais que o denunciaram é o Kepler-88b.
Segundo um comunicado do CAUP, a equipa usou o espectrógrafo Sophie, no observatório de Haute-Provence, em França, para detectar a presença e calcular a massa do planeta extra-solar, ou exoplaneta, Kepler-88c. Recorreu-se ao espectrógrafo Sophie porque nem todos os planetas estão no campo de “visão” do telescópio espacial Kepler, da NASA e desactivado desde Agosto. Se o plano orbital estivesse ligeiramente desalinhado com a linha de visão para a Terra, os planetas deixavam de ser visíveis por aquele telescópio espacial.
Mas os planetas que orbitam a mesma estrela interagem gravitacionalmente entre si, provocando perturbações nos seus períodos de trânsito, designadas por “variações no tempo de trânsito” (TTV, na sigla em inglês), que permitiram agora detectar a presença do Kepler-88c.
Anteriormente, numa análise realizada por uma equipa liderada por David Nesvorný, da Universidade de Boulder (EUA), tinha-se previsto que o sistema Kepler-88 teria dois planetas: um que passa à frente da sua estrela, ou seja, que a transita (o Kepler-88b). E que o seu período orbital é fortemente perturbado por um outro planeta, que não passa à frente da estrela (o Kepler-88c).
Estes dois planetas são comparados à configuração existente entre a Terra e Marte: o planeta vermelho completa duas órbitas no mesmo período em que o outro completa apenas uma. Marte dá assim uma volta ao Sol em cerca de dois anos.
Esta é a primeira vez que um planeta “invisível” fora do nosso sistema solar é descoberto com a técnica das variações no tempo de trânsito. Até agora, as técnicas de detecção procuravam a influência dos planetas na estrela que orbitavam – ou passando-lhe à frente e diminuindo um pouco a sua luz (técnica dos trânsitos) ou, à medida que andavam à volta da estrela, fazendo-a oscilar ligeiramente (técnica das velocidades radiais). Esta é a primeira vez que um planeta extra-solar é descoberto com base na influência que teve noutro. Espera-se que permita encontrar muitos mais.
“Este resultado confirma que a TTV é uma técnica válida para a detecção destes planetas ‘invisíveis’ em sistemas com múltiplos planetas”, sublinha o comunicado. Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.
Neptuno foi o primeiro planeta a ser detectado pela influência gravitacional que exercia sobre outro planeta (Urano). Foi o matemático francês Urbain Le Verrier que calculou que as anomalias na órbita de Urano devido a um planeta que ainda não tinha sido observado. Os seus cálculos permitiram que Johann Gottfried Galle encontrasse Neptuno a 23 de Setembro de 1846.
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Segundo um comunicado do CAUP, a equipa usou o espectrógrafo Sophie, no observatório de Haute-Provence, em França, para detectar a presença e calcular a massa do planeta extra-solar, ou exoplaneta, Kepler-88c. Recorreu-se ao espectrógrafo Sophie porque nem todos os planetas estão no campo de “visão” do telescópio espacial Kepler, da NASA e desactivado desde Agosto. Se o plano orbital estivesse ligeiramente desalinhado com a linha de visão para a Terra, os planetas deixavam de ser visíveis por aquele telescópio espacial.
Mas os planetas que orbitam a mesma estrela interagem gravitacionalmente entre si, provocando perturbações nos seus períodos de trânsito, designadas por “variações no tempo de trânsito” (TTV, na sigla em inglês), que permitiram agora detectar a presença do Kepler-88c.
Anteriormente, numa análise realizada por uma equipa liderada por David Nesvorný, da Universidade de Boulder (EUA), tinha-se previsto que o sistema Kepler-88 teria dois planetas: um que passa à frente da sua estrela, ou seja, que a transita (o Kepler-88b). E que o seu período orbital é fortemente perturbado por um outro planeta, que não passa à frente da estrela (o Kepler-88c).
Estes dois planetas são comparados à configuração existente entre a Terra e Marte: o planeta vermelho completa duas órbitas no mesmo período em que o outro completa apenas uma. Marte dá assim uma volta ao Sol em cerca de dois anos.
Esta é a primeira vez que um planeta “invisível” fora do nosso sistema solar é descoberto com a técnica das variações no tempo de trânsito. Até agora, as técnicas de detecção procuravam a influência dos planetas na estrela que orbitavam – ou passando-lhe à frente e diminuindo um pouco a sua luz (técnica dos trânsitos) ou, à medida que andavam à volta da estrela, fazendo-a oscilar ligeiramente (técnica das velocidades radiais). Esta é a primeira vez que um planeta extra-solar é descoberto com base na influência que teve noutro. Espera-se que permita encontrar muitos mais.
“Este resultado confirma que a TTV é uma técnica válida para a detecção destes planetas ‘invisíveis’ em sistemas com múltiplos planetas”, sublinha o comunicado. Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.
Neptuno foi o primeiro planeta a ser detectado pela influência gravitacional que exercia sobre outro planeta (Urano). Foi o matemático francês Urbain Le Verrier que calculou que as anomalias na órbita de Urano devido a um planeta que ainda não tinha sido observado. Os seus cálculos permitiram que Johann Gottfried Galle encontrasse Neptuno a 23 de Setembro de 1846.
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Primeira exolua é encontrada por astrônomos
Lua extrassolar
(Inovação Tecnológica) Astrônomos afirmam ter encontrado os primeiros indícios de uma exolua, uma lua orbitando um planeta fora do nosso Sistema Solar.
Assim como Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno) apresentam ambientes interessantes para a pesquisa de vida microbiana, acredita-se que as exoluas podem ser mundos habitáveis, sobretudo se seus planetas estiverem mais perto das estrelas.
Contudo, as perspectivas podem não ser tão entusiasmantes para a primeira exolua observadas, identificada por David Bennett e seus colegas Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.
As primeiras análises indicam que a exolua está em volta de um planeta errante, um planeta que não parece orbitar nenhuma estrela.
Os dois objetos - planeta e lua - foram identificados pela técnica de microlente gravitacional, enquanto a maioria dos mais de 1.000 exoplanetas conhecidos até agora foram descobertos por outro método, que analisa variações na luz da estrela quando o planeta passa à sua frente.
Na microlente gravitacional, quando um objeto passa na frente de uma estrela distante, do ponto de vista da Terra, a gravidade do objeto curva a luz da estrela ao fundo, concentrando-a como uma lente. Isso faz a estrela temporariamente parecer mais brilhante.
Bennett e seus colegas identificaram um evento de microlente em 2011, visto por inúmeros telescópios ao redor do mundo, no qual uma estrela teve seu brilho subitamente aumentado em 70 vezes. Cerca de uma hora depois, houve um segundo aumento no brilho, este menor.
Planeta e lua ou estrela e planeta
Os astrônomos levantam duas possibilidades para explicar o evento.
Na primeira, o par de corpos celestes está relativamente próximo do Sistema Solar - cerca de 1.800 anos-luz - e consiste em um planeta com quatro vezes a massa de Júpiter e uma lua com metade da massa da Terra.
A segunda possibilidade, que não pode ser descartada, é que o par de objetos está muito mais distante e consiste em uma estrela que já apagou, conhecida como anã marrom, orbitada por um planeta do tamanho de Netuno.
O cenário do planeta e sua lua é preferido pelos pesquisadores: "Os dados se encaixam bem no modelo da exolua, mas se encaixam quase tão bem igualmente no modelo alternativo estrela+ planeta," afirmam eles.
Contudo, com as técnicas atuais e os dados disponíveis, será quase impossível confirmar isso de forma inequívoca.
A principal razão para isso é que o efeito da microlente gravitacional é um golpe de sorte orquestrado por um ajuste efêmero na dança de estrelas e planetas em relação à Terra. Assim, provavelmente nunca teremos a chance de observar o mesmo fenômeno novamente.
Assim, os astrônomos continuam em busca de uma exolua que possa ser observada pelo método do trânsito, que passe junto com seu planeta em frente à estrela, o que permitirá sua observação periódica, avaliando seu tamanho, órbita e até atmosfera.
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Gliese 581g: planeta potencialmente habitável - se existir
(Astronomia On Line - Portugal) Gliese 581g é um candidato a planeta extra-solar, dentro de um sistema a apenas 20 anos-luz da Terra. Anunciado pela primeira vez em 2010 como um planeta com uma massa três a quatro vezes a da Terra na zona habitável da sua estrela-mãe, o exoplaneta tem estado sob escrutínio à medida que outras equipas de pesquisa lançam dúvidas sobre a sua existência.
Steven Vogt do Observatório UCO/Lick da Universidade da Califórnia liderou a equipa de astrónomos que viu pela primeira vez o planeta em 2010. No entanto, poucos meses depois, Michel Mayor do Observatório de Genebra na Suíça, dirigiu um outro grupo que não foi capaz de encontrar evidências do planeta. Dois estudos de acompanhamento chegaram a conclusões semelhantes.
Em 2012, o grupo de Vogt publicou outro artigo defendendo os seus resultados e lançando dúvidas sobre os métodos da equipa suíça.
Os resultados da descoberta de 2010 mostravam um planeta em órbita da anã vermelha Gliese 581 a uma distância de 0,15 UA. Embora à primeira vista isto possa não soar como uma distância habitável, uma vez que o planeta está muito mais perto da sua estrela do que a Terra está do Sol, a anã vermelha produz muito menos energia que o Sol. Isto significa que os planetas têm que orbitar muito mais perto a fim de caírem dentro do intervalo de habitabilidade.
É importante realçar que a habitabilidade depende de uma série de factores, que incluem a quantidade de variação da luz da estrela, as condições da atmosfera do planeta e, possivelmente, processos geológicos no planeta propriamente dito (como placas tectónicas). Mesmo assim, a distância do planeta à estrela é um dos passos para reduzir a lista de candidatos a planetas habitáveis.
Gliese 581g é na realidade um entre seis planetas possíveis neste sistema. O planeta irmão 581f foi anunciado na mesma altura. Está a mais ou menos 0,76 UA da estrela, na periferia do sistema planetário da estrela.
Os outros planetas possíveis incluem Gliese 581e (que completa uma órbita a cada 3,15 dias), Gliese 581b, com o tamanho de Neptuno, e as super-Terras Gliese 581c e Gliese 581d. Alguns astrónomos acreditam ser possível que, mesmo que Gliese 581d esteja situado no limite da zona habitável, possa também ser habitável caso um efeito de estufa aqueça a sua superfície.
Gliese 581g e o irmão 581f foram pela primeira revelados ao mundo a 29 de Setembro de 2010. A equipa de Vogt detectou os planetas usando o método de "velocidade radial" que examina mudanças no movimento da estrela, provocadas pelo movimento orbital de um planeta. Os dados foram recolhidos por dois instrumentos: o espectrógrafo HARPS acoplado a um telescópio no Chile, e o espectrógrafo HIRES acoplado no telescópio havaiano Keck.
No entanto, naquele mês de Outubro, uma equipa de Genebra apresentou numa assembleia da União Astronómica Internacional mais dados obtidos pelo HARPS. Foram capazes de detectar quatro dos outros planetas mas, segundo eles, a informação não mostrava Gliese 581g.
"A razão para tal é que, apesar da extrema precisão do instrumento e dos muitos pontos de dados, a amplitude do sinal deste potencial quinto planeta é muito baixa e basicamente ao nível do ruído de medição," afirma Francesco Pepe, astrónomo que trabalha com dados do HARPS no Observatório de Genebra.
Os estudos de acompanhamento também não encontraram 581g. Em 2010, um grupo liderado por Rene Andrae do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha, relatou que o grupo de Vogt tinha baseado os seus achados na suposição que os planetas tinham órbitas circulares, uma conclusão que, segundo a equipa alemã, estava incorrecta.
Em 2011, foi publicado um artigo na MNRAS (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society) que usou um diferente método estatístico para interpretar os dados do HARPS e do HIRES. Este grupo, liderado por Philip Gregory da Universidade da Columbia Britânica, também não conseguiu encontrar um sinal que indicasse a existência de Gliese 581g.
Em 2012, no entanto, os descobridores de 581g publicaram um novo estudo com base em dados expandidos da equipa suíça que colocava em questão o seu planeta. Os seus resultados indicavam que 581g existia de facto (581f não aparecia nos dados, mas a equipa disse que usou apenas os do HARPS e que iriam voltar a analisar o assunto mais tarde). Os dados coincidiam desde que os astrónomos assumissem órbitas circulares.
"Eu acredito que a solução de órbitas circulares é a mais defensável e credível" realça Vogt. "Por todas as razões que explicam em detalhe [no artigo], ganha por conta da estabilidade dinâmica, por ajuste, e pelo princípio da Parcimónia (Navalha de Occam)."
Vogt também aponta que o artigo da equipa suíça, até finais de 2012, não tinha sido aceite para publicação (no final de 2013, a listagem no site arXiv diz que foi submetido para publicação na revista Astronomy & Astrophysics). Ele disse que a sua própria equipa foi incapaz de chegar às mesmas conclusões que a equipa suíça a menos que removessem alguns pontos de dados.
"Eu não sei se essa omissão foi intencional ou um erro," afirma. "Só posso dizer que, se é um erro, têm-no feito várias vezes, não só neste trabalho, como também noutros."
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Reparo poderá prolongar missão da Nasa para encontrar 'gêmea' da terra
(New York Times / Folha) No outono deste ano, uma importante engrenagem do satélite Kepler da Nasa emperrou, deixando seu telescópio incapaz de apontar com precisão suficiente para continuar a prospecção de planetas semelhantes à Terra em um trecho estrelado da Via Láctea.
Mas os administradores do Kepler dizem que têm um plano que poderá manter o satélite ativo por mais três ou quatro anos.
Nos últimos quatro anos, o Kepler identificou 3.500 possíveis exoplanetas e permitiu a primeira estimativa do número de planetas habitáveis na Via Láctea: cerca de uma em cada cinco estrelas semelhantes ao Sol tem planetas do tamanho da Terra potencialmente habitáveis, o que significa bilhões de chances de existência de vida extraterrestre.
Mas a espaçonave estava apenas começando a localizar planetas com órbitas como a nossa, mundos do tamanho da Terra que levam um ano para orbitar sóis parecidos com o nosso e são candidatos a Terra 2.0, no jargão do setor.
A nova abordagem deixaria de focalizar o Kepler em apenas um conjunto de estrelas. Em vez disso, o satélite giraria pelo céu monitorando as estrelas em um ponto continuamente, por até 80 dias. Ele não detectaria qualquer planeta com períodos orbitais maiores que algumas semanas. Mas detectaria planetas com órbitas habitáveis ao redor de estrelas menores e menos brilhantes, conhecidas como anãs vermelhas.
O problema surgiu quando a perda de um segundo giroscópio -dispositivo de controle da orientação da nave- deixou a espaçonave com a tendência a rolar em torno de sua linha de visão. Em 2009, o Kepler foi lançado com quatro giroscópios.
A solução foi encontrada na ciência de foguetes. Testes demonstraram que a luz do Sol pode ser usada para estabilizar o Kepler. A chave é mantê-lo apontado a direções que deixem seus painéis solares iluminados de maneira uniforme. "Quando está estável é realmente estável", disse Charles Sobeck, vice-gerente de projeto do Kepler. Em consequência, a caça aos planetas do satélite agora será limitada a campos de estrelas situados ao longo de um círculo conhecido como eclíptica -o caminho aparente que o Sol atravessa no zodíaco.
Uma parte desse caminho passa exatamente pelo centro da galáxia, na constelação de Sagitário, e outras partes, distantes da Via Láctea, cruzam galáxias exteriores, onde o Kepler poderá registrar a ascensão e a queda de explosões de supernovas que foram críticas para a compreensão da história cósmica. Outros campos de oportunidade incluem regiões tempestuosas cheias de nuvens de gás e poeira, onde novas estrelas e supostamente novos planetas estão nascendo, de modo que, se o plano for realizado, o Kepler poderá estudar estrelas e planetas em diversos ambientes.
A ideia ainda está sendo testada. Uma decisão virá na próximo ano. Independentemente disso, a equipe do Kepler tem mais três anos para analisar os dados já obtidos. Sobeck está esperançoso por mais tempo. "Ninguém quer desligar um satélite em órbita", disse.
Mas os administradores do Kepler dizem que têm um plano que poderá manter o satélite ativo por mais três ou quatro anos.
Nos últimos quatro anos, o Kepler identificou 3.500 possíveis exoplanetas e permitiu a primeira estimativa do número de planetas habitáveis na Via Láctea: cerca de uma em cada cinco estrelas semelhantes ao Sol tem planetas do tamanho da Terra potencialmente habitáveis, o que significa bilhões de chances de existência de vida extraterrestre.
Mas a espaçonave estava apenas começando a localizar planetas com órbitas como a nossa, mundos do tamanho da Terra que levam um ano para orbitar sóis parecidos com o nosso e são candidatos a Terra 2.0, no jargão do setor.
A nova abordagem deixaria de focalizar o Kepler em apenas um conjunto de estrelas. Em vez disso, o satélite giraria pelo céu monitorando as estrelas em um ponto continuamente, por até 80 dias. Ele não detectaria qualquer planeta com períodos orbitais maiores que algumas semanas. Mas detectaria planetas com órbitas habitáveis ao redor de estrelas menores e menos brilhantes, conhecidas como anãs vermelhas.
O problema surgiu quando a perda de um segundo giroscópio -dispositivo de controle da orientação da nave- deixou a espaçonave com a tendência a rolar em torno de sua linha de visão. Em 2009, o Kepler foi lançado com quatro giroscópios.
A solução foi encontrada na ciência de foguetes. Testes demonstraram que a luz do Sol pode ser usada para estabilizar o Kepler. A chave é mantê-lo apontado a direções que deixem seus painéis solares iluminados de maneira uniforme. "Quando está estável é realmente estável", disse Charles Sobeck, vice-gerente de projeto do Kepler. Em consequência, a caça aos planetas do satélite agora será limitada a campos de estrelas situados ao longo de um círculo conhecido como eclíptica -o caminho aparente que o Sol atravessa no zodíaco.
Uma parte desse caminho passa exatamente pelo centro da galáxia, na constelação de Sagitário, e outras partes, distantes da Via Láctea, cruzam galáxias exteriores, onde o Kepler poderá registrar a ascensão e a queda de explosões de supernovas que foram críticas para a compreensão da história cósmica. Outros campos de oportunidade incluem regiões tempestuosas cheias de nuvens de gás e poeira, onde novas estrelas e supostamente novos planetas estão nascendo, de modo que, se o plano for realizado, o Kepler poderá estudar estrelas e planetas em diversos ambientes.
A ideia ainda está sendo testada. Uma decisão virá na próximo ano. Independentemente disso, a equipe do Kepler tem mais três anos para analisar os dados já obtidos. Sobeck está esperançoso por mais tempo. "Ninguém quer desligar um satélite em órbita", disse.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Descoberto planeta que não deveria existir
(UOL) Astrônomos dos EUA descobriram um planeta que não deveria existir pela teoria atual de formação de planetas. O planeta HD106906b é um gigante (11 vezes a massa de Júpiter) que orbita sua estrela a uma distância 650 vezes a distância média entre o Sol e a Terra. Esta impressão artística mostra um jovem planeta orbitando uma estrela distante. A estrela ainda abriga um disco de detritos, materiais remanescentes da formação de estrelas e do planeta, interior à órbita do planeta.
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Cientistas acham sinais de água em cinco planetas distantes, diz Nasa
De acordo com agência espacial, é a primeira vez que sinais são comparados.Hubble explorou exoplanetas a trilhões de quilômetros de distância.
(G1) Duas equipes de cientistas afirmam ter encontrado sinais sutis de presença de água em atmosferas de cinco planetas distantes, divulga nesta terça-feira (3) a agência espacial americana (Nasa). Segundo a agência, já havia sido reportada presença de água na atmosfera de alguns exoplanetas (como são chamados os planetas localizados fora do Sistema Solar), mas esta é a primeira vez que a forma e intensidade da presença de água são medidas e comparadas.
As descobertas foram feitas graças ao telescópio Hubble. Por meio de sua câmera, o Hubble explorou detalhes de absorção de luz nas atmosferas dos exoplanetas quando passam em frente de sua estrela hospedeira. Segundo a Nasa, as observações foram feitas em comprimentos de onda de infravermelho, que detectam sinais de água, a trilhões de quilômetros de distância.
Os planetas em cuja atmosfera foram detectados sinais de água são denominados WASP-17b, HD209458b, WASP-12b, WASP-19b e XO-1b. Eles são grandes e orbitam perto de suas estrelas hospedeiras. Segundo nota da Nasa, são “Jupiters quentes”. Os sinais de água mais intensos estão nos planetas WASP-17b e HD209458b.
Todos os sinais encontrados foram menos intensos do que o esperado pelos cientistas. Eles suspeitam de que o motivo seja uma camada de neblina ou de poeira que cobre cada um dos cinco planetas. A camada pode reduzir a intensidade dos sinais de água, do mesmo modo como as neblinas suavizam as cores de uma fotografia.
“Detectar a atmosfera de um explaneta é extremamente difícil. Mas fomos capazes de obter um sinal muito claro e é água”, afirma L. Drake Deming, da Universidade de Maryland, em nota divulgada pela Nasa.
Deming liderou censo de atmosferas de exoplanetas, do qual fizeram parte as pesquisas. Segundo a Nasa, os resultados estão publicados em artigo no “Astrophysical Journal”.
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E mais:
Água noutros mundos (Ciência 2.0)
(G1) Duas equipes de cientistas afirmam ter encontrado sinais sutis de presença de água em atmosferas de cinco planetas distantes, divulga nesta terça-feira (3) a agência espacial americana (Nasa). Segundo a agência, já havia sido reportada presença de água na atmosfera de alguns exoplanetas (como são chamados os planetas localizados fora do Sistema Solar), mas esta é a primeira vez que a forma e intensidade da presença de água são medidas e comparadas.
As descobertas foram feitas graças ao telescópio Hubble. Por meio de sua câmera, o Hubble explorou detalhes de absorção de luz nas atmosferas dos exoplanetas quando passam em frente de sua estrela hospedeira. Segundo a Nasa, as observações foram feitas em comprimentos de onda de infravermelho, que detectam sinais de água, a trilhões de quilômetros de distância.
Os planetas em cuja atmosfera foram detectados sinais de água são denominados WASP-17b, HD209458b, WASP-12b, WASP-19b e XO-1b. Eles são grandes e orbitam perto de suas estrelas hospedeiras. Segundo nota da Nasa, são “Jupiters quentes”. Os sinais de água mais intensos estão nos planetas WASP-17b e HD209458b.
Todos os sinais encontrados foram menos intensos do que o esperado pelos cientistas. Eles suspeitam de que o motivo seja uma camada de neblina ou de poeira que cobre cada um dos cinco planetas. A camada pode reduzir a intensidade dos sinais de água, do mesmo modo como as neblinas suavizam as cores de uma fotografia.
“Detectar a atmosfera de um explaneta é extremamente difícil. Mas fomos capazes de obter um sinal muito claro e é água”, afirma L. Drake Deming, da Universidade de Maryland, em nota divulgada pela Nasa.
Deming liderou censo de atmosferas de exoplanetas, do qual fizeram parte as pesquisas. Segundo a Nasa, os resultados estão publicados em artigo no “Astrophysical Journal”.
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E mais:
Água noutros mundos (Ciência 2.0)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
A cor da vida extraterrestre é o roxo
(Galileu) Cientistas do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias publicaram na revista New Scientist um relatório que diz que planetas roxos têm mais chances de abrigar vida. Se isso se provar verdade, em um futuro próximo com telescópios potentes em órbita, poderá ser muito mais fácil analisar as gigantescas imagens do universo tiradas por esse aparelho com um propósito específico: encontrar vida.
De acordo com os cientistas, uma forma mais primitiva e mais provável de vida extraterrestre é microscópica, compostas por bactérias que são roxas. A mesma coisa aconteceu com a Terra um dia, inclusive: durante a era em que essas bactérias eram abundantes por aqui, nosso planeta, de acordo com eles, também era roxo.
É claro que sempre que a gente fala de vida extraterrestre, o que vem a mente são homenzinhos perguntando pelo nosso líder. Infelizmente, a lógica diz que se encontrarmos vida alien, dificilmente ela terá formas tão complexas como a nossa e pode sim ser formada por uma proliferante colônia de bactérias roxa – o que não é menos bonito ou empolgante, aliás.
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Matéria similar no Inovação Tecnológica
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Quantos planetas parecidos com a Terra existem no Universo?
(UOL) Astrônomos do mundo inteiro já encontraram 4.508 objetos que podem ser exoplanetas em diversas regiões do espaço. Destes, 919 estão confirmados: são realmente planetas localizados fora do Sistema Solar. Entre eles, 69 são superterras (planetas com massa maior do que a da Terra) e 12 são terrestres (assim como a Terra e Marte, por exemplo, eles têm a superfície sólida).
Como já se pode imaginar, esses 81 planetas mais próximos do que se poderia chamar de irmãos da Terra não mostram sinais de que abrigam vida - e muitos deles já foram descartados dessa possibilidade.
Exemplos de exoplanetas que comovem a comunidade científica são os do sistema solar Gliese, localizados a 20 anos-luz da Terra. Ali, há quatro planetas girando em torno de uma estrela anã-vermelha. Um deles, o Gliese 581 c, foi o primeiro exoplaneta possivelmente habitável encontrado na história. Sua órbita em torno da anã-vermelha localiza-se em uma região parecida com a da Terra em relação ao Sol, ou seja, está em uma zona habitável.
Hoje, após análises, já se descobriu que o Gliese 581 c é quente demais para abrigar vida como a da Terra. Por isso, toda a atenção está voltada para o Gliese 581 g, um planeta que pode existir por ali, mas que ainda não foi confirmado.
Segundo pesquisas, ele também está localizado na zona habitável. Se for um planeta com superfície rochosa, como a Terra, ele poderá ter água em estado líquido - e isso é um grande catalisador para o surgimento da vida.
Apesar de termos encontrado menos de 100 planetas parecidos com a Terra, podem existir pelo menos 17 bilhões deles apenas na Via Láctea, segundo cálculos de astrofísicos da universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Se ampliarmos a pesquisa para qualquer tipo de planeta (como os parecidos com os gasosos do Sistema Solar), os resultado aumenta para cerca de 100 bilhões.
O astrônomo popstar Carl Sagan foi além. Baseado na equação de Drake (o pioneiro na pesquisa de vida em outros planetas), ele estimou que, na Via Láctea, neste momento, podem existir 1 milhão de civilizações que tenham tecnologia para comunicar-se com a gente. Já existem laboratórios que analisam ondas de rádio vindas do espaço e de outros planetas, mas até agora, nada foi oficialmente encontrado.
Caçar planetas: missão quase impossível
Se encontrar vida em outros planetas parece difícil, é porque até mesmo a busca por planetas, habitáveis ou não, é complicada.
Diferente de estrelas, que emitem seu brilho para distâncias enormes, os planetas não emitem luz - exceto quando ainda são jovens e estão aquecidos. Além disso, eles estão muito longe do Sistema Solar, e é preciso telescópios potentes para localizá-los. Para piorar, eles são ofuscados pelo brilho das estrelas que orbitam.
Para se ter uma ideia dessa procura de agulhas no palheiro, encontrar um planeta no espaço é como estar em Boston, cidade do leste dos Estados Unidos, e achar uma mosquinha rodeando um poste de luz na cidade de San Diego, na costa oeste, a mais de 4 mil quilômetros de distância.
O que é um planeta habitável?
Há vários fatores que os cientistas consideram para fazer de um planeta habitável de acordo com os padrões da Terra. É preciso ter atmosfera, por exemplo: são os gases do efeito estufa que mantêm o calor necessário para que a água da superfície fique sempre em estado líquido. Um campo magnético é essencial para proteger a atmosfera de ser destruída por ventos estelares.
Também é necessário um eixo de rotação estável, campo de gravidade forte o suficiente para que as coisas não saiam voando e uma distância em relação à estrela mais próxima bem parecida com a distância entre a Terra e o Sol. Por enquanto, os telescópios, sondas e outros instrumentos usados para observar planetas só conseguem identificar atmosferas muito densas.
Aparelhos sofisticados que devem dar condições de observar atmosferas mais rarefeitas estão em construção: o Telescópio Gigante Magellan, no Chile, deve começar a operar em 2014. O Telescópio de Trinta Metros, no Havaí, e o E-ELT (Telescópio Europeu Extremamente Grande), podem ficar prontos em 2018.
Fontes: livro "Variedades da Experiência Científica", escrito por Carl Sagan, sites Planet Quest - the Search for Another Earth, mantido pela Nasa; Planetary Habitability Laboratory, da Universidade de Porto Rico, em Arecibo; Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics; Space.com e Nasa.gov.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Mesmo danificado, Kepler ainda é aposta da Nasa para encontrar planetas
(GHX/Terra) O telescópio espacial “caçador de planetas” Kepler não será aposentado. Após a falha da segunda roda de reação em seu sistema de direcionamento, a sonda precisa readequar sua missão, mas ainda promete descobertas. Na última semana, na segunda edição da conferência de ciências sobre o Kepler, na Califórnia, 400 cientistas de 30 países diferentes se reuniram para debater acerca das novidades do telescópio e de seu futuro na observação da galáxia.
A nova guinada pode levar a sonda ao plano de órbita da Terra, caçando principalmente planetas que orbitam estrelas relativamente pequenas. "Nós esperamos encontrar dezenas, ou talvez até centenas, de planetas assim", afirmou o pesquisador responsável pela missão, Bill Borucki, do Ames Research Center, da Nasa. A decisão final, que também contempla possível foco em buracos negros e supernovas, será tomada apenas em 2014.
Na conferência, os dados da equipe do Kepler apresentaram 833 novos candidatos a planeta. Desde seu lançamento, em 2009, a missão já encontrou, ao total, 3.538 planetas em potencial. Desses, 167 foram confirmados até agora. Cientistas acreditam que, do montante total, até 90% seja confirmada. Seria um salto, já que, atualmente, existem 1039 exoplanetas identificados na Enciclopédia de Planetas Extrasolares. Segundo a Nasa, um ano inteiro de dados ainda resta para ser devidamente analisado. Ou seja, mesmo que o Kepler fosse aposentado, ainda se ouviria falar bastante dele.
Nos últimos quatro anos, o Kepler observou mais de 150 mil estrelas. Sua missão: descobrir se planetas do tamanho da Terra orbitando em zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol são comuns ou raros. A conclusão, até agora, é surpreendente. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, que apresentaram estudo na conferência, existe um planeta com tamanho semelhante ao da Terra em uma zona habitável a cada cinco estrelas parecidas com o Sol. Se a estimativa estiver correta, pode haver 10 bilhões de planetas que preencham esses requisitos. Não significa que esses planetas podem abrigar vida, mas é um primeiro indício nesse sentido.
Perdas
No dia 15 de agosto, a Nasa anunciou: desistira de recuperar as duas rodas de reação do Kepler que apresentavam problemas. Para operar corretamente, o telescópio espacial precisa de, pelo menos, três delas. Em 2012, a primeira roda de reação falhou. Neste ano, mais uma. “É um problema puramente mecânico”, explica José Dias do Nascimento, cientista convidado do Harvard-Smithsonian Center. “Pesquisadores de todo o mundo enviaram propostas que pudessem ser feitas apesar da limitação do satélite. A ideia foi excelente, pois há de fato muitas possibilidades científicas mesmo com um satélite que somente aponta pra uma determinada posição do céu”.
O Kepler não foi a única perda para a busca de planetas neste ano. Em junho, a Agência Espacial Francesa anunciou a aposentadoria da CoRoT, a primeira sonda espacial com capacidade técnica de identificar planetas. Lançada em 2006, ela teve, no ano passado, uma falha de sistema que impossibilitava o acesso aos seus dados. Mesmo assim, foi um sucesso: durou mais do que o previsto, estudou a estrutura das estrelas e descobriu mais de 20 planetas já confirmados.
Por enquanto, não há substitutos. “Não existe, no momento, nenhum outro telescópio com capacidade e objetivo similares ao Kepler”, afirma José Meléndez, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo. Por enquanto, segundo o pesquisador, apenas propostas: do lado americano, a missão Tess, prevista para 2017; entre os europeus, CHEOPS, também programada para 2017. Ele cita ainda Plato, um projeto de observatório espacial que está em análise pela Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês).
“Agora, em solo, há vários telescópios que podem detectar planetas extrasolares através de técnicas baseadas em variação da velocidade radial. Entre outros, o HARPS, do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), tem tido bastante sucesso”, aponta Nascimento. Desde 2003, o telescópio já encontrou mais de 130 planetas.
A nova guinada pode levar a sonda ao plano de órbita da Terra, caçando principalmente planetas que orbitam estrelas relativamente pequenas. "Nós esperamos encontrar dezenas, ou talvez até centenas, de planetas assim", afirmou o pesquisador responsável pela missão, Bill Borucki, do Ames Research Center, da Nasa. A decisão final, que também contempla possível foco em buracos negros e supernovas, será tomada apenas em 2014.
Na conferência, os dados da equipe do Kepler apresentaram 833 novos candidatos a planeta. Desde seu lançamento, em 2009, a missão já encontrou, ao total, 3.538 planetas em potencial. Desses, 167 foram confirmados até agora. Cientistas acreditam que, do montante total, até 90% seja confirmada. Seria um salto, já que, atualmente, existem 1039 exoplanetas identificados na Enciclopédia de Planetas Extrasolares. Segundo a Nasa, um ano inteiro de dados ainda resta para ser devidamente analisado. Ou seja, mesmo que o Kepler fosse aposentado, ainda se ouviria falar bastante dele.
Nos últimos quatro anos, o Kepler observou mais de 150 mil estrelas. Sua missão: descobrir se planetas do tamanho da Terra orbitando em zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol são comuns ou raros. A conclusão, até agora, é surpreendente. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, que apresentaram estudo na conferência, existe um planeta com tamanho semelhante ao da Terra em uma zona habitável a cada cinco estrelas parecidas com o Sol. Se a estimativa estiver correta, pode haver 10 bilhões de planetas que preencham esses requisitos. Não significa que esses planetas podem abrigar vida, mas é um primeiro indício nesse sentido.
Perdas
No dia 15 de agosto, a Nasa anunciou: desistira de recuperar as duas rodas de reação do Kepler que apresentavam problemas. Para operar corretamente, o telescópio espacial precisa de, pelo menos, três delas. Em 2012, a primeira roda de reação falhou. Neste ano, mais uma. “É um problema puramente mecânico”, explica José Dias do Nascimento, cientista convidado do Harvard-Smithsonian Center. “Pesquisadores de todo o mundo enviaram propostas que pudessem ser feitas apesar da limitação do satélite. A ideia foi excelente, pois há de fato muitas possibilidades científicas mesmo com um satélite que somente aponta pra uma determinada posição do céu”.
O Kepler não foi a única perda para a busca de planetas neste ano. Em junho, a Agência Espacial Francesa anunciou a aposentadoria da CoRoT, a primeira sonda espacial com capacidade técnica de identificar planetas. Lançada em 2006, ela teve, no ano passado, uma falha de sistema que impossibilitava o acesso aos seus dados. Mesmo assim, foi um sucesso: durou mais do que o previsto, estudou a estrutura das estrelas e descobriu mais de 20 planetas já confirmados.
Por enquanto, não há substitutos. “Não existe, no momento, nenhum outro telescópio com capacidade e objetivo similares ao Kepler”, afirma José Meléndez, professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo. Por enquanto, segundo o pesquisador, apenas propostas: do lado americano, a missão Tess, prevista para 2017; entre os europeus, CHEOPS, também programada para 2017. Ele cita ainda Plato, um projeto de observatório espacial que está em análise pela Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês).
“Agora, em solo, há vários telescópios que podem detectar planetas extrasolares através de técnicas baseadas em variação da velocidade radial. Entre outros, o HARPS, do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), tem tido bastante sucesso”, aponta Nascimento. Desde 2003, o telescópio já encontrou mais de 130 planetas.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Planeta ‘vivo’ pode ser detectado em 10 anos
(Mensageiro Sideral - Folha) Há uma chance de que o primeiro planeta com vida fora do Sistema Solar seja detectado já na próxima década. O cálculo é da astrônoma Sara Seager, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos. Segundo ela, em dez anos poderemos ter encontrado até dois mundos com prováveis sinais de atividade biológica ao redor de outras estrelas.
Futurologia? Um pouco, mas não tanta quanto você pode imaginar.
Para chegar a essa conclusão, a pesquisadora canadense (que recentemente recebeu uma bolsa da Fundação MacArthur, destinada somente aos mais brilhantes e ousados cientistas) adaptou a famosa equação de Drake. Criada originalmente em 1961 pelo radioastrônomo Frank Drake, ela servia para estimar o número de civilizações capazes de se comunicar por ondas de rádio na Via Láctea.
Embora tenha se tornado referência para os pesquisadores da Seti (sigla inglesa para busca por inteligência extraterrestre), a equação de Drake desde sempre recebe muitas críticas porque muitos de seus fatores, como o número de planetas que desenvolvem vida inteligente e o tempo de vida médio de uma civilização comunicativa, são puro chutômetro.
A versão revisada da equação de Drake elaborada por Seager é bem mais modesta: ela quer apenas determinar quantos planetas com vida que deixem sinais em sua atmosfera poderão ser detectados com os instrumentos que teremos na próxima década.
Em especial, Seager está contando com o Tess, satélite caçador de planetas americano que está em fase de desenvolvimento e deve ser lançado em 2017, e com o Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, que deve ir ao espaço em 2018.
Ao primeiro caberia descobrir os planetas, e ao segundo analisar sua atmosfera em busca de uma combinação de gases que indicasse a presença de vida (oxigênio e vapor d’água, por exemplo, juntos, são tidos como uma ótima pista).
Confira a equação revisada (e não tenha medo do termo “equação”; é só uma continha simples de multiplicação).
N = N* x Fq x Fhz x Fo x Fl x Fs
N é o número de planetas com gases detectáveis de origem biológica.
N* é o número de estrelas na amostra.
Fq é a fração de estrelas com baixa atividade.
Fhz é a fração de estrelas com planetas terrestres na zona habitável.
Fo é a fração de sistemas observáveis.
Fl é a fração de planetas com vida.
Fs é a fração com assinaturas de gases detectáveis.
Depois de elaborar essa versão revisada da equação de Drake, Seager então passou a estimar todos os termos para chegar a um valor para N, se concentrando na pesquisa de estrelas anãs vermelhas — menores e mais numerosas que as de tipo solar.
O primeiro termo, N*, é o número de estrelas anãs vermelhas que poderão ser investigadas pelo Tess. Estimativas giram entre 30 mil e 50 mil, e Seager opta pela margem mais conservadora: 30 mil.
Os dados do defunto satélite caçador de planetas Kepler permitem estimar quantas dessas estrelas têm planetas do tipo rochoso (entre 1 e 2 vezes o diâmetro da Terra) na zona habitável, região do sistema em que o planeta pode abrigar água em estado líquido na superfície. Seager optou por cruzar esses dados com os do nível de atividade estelar, selecionando apenas as consideradas de baixa atividade. Portanto, ela calcula que Fq x Fhz (número de estrelas “quietas” com planetas na zona habitável) seja igual a 0,15.
Para estimar a fração de planetas que seria efetivamente observável, Seager combina tanto a probabilidade de o sistema estar alinhado apropriadamente com a Terra para permitir sua observação, como a capacidade do James Webb de estudar sua atmosfera. Daí ela estima que a chance é de 1 em 1.000. Portanto, Fo é igual a 0,001.
E aí vem um chute. Como só conhecemos um planeta com vida, não temos a menor ideia de qual a probabilidade de um mundo habitável desenvolver vida. Por isso, para Fl, Seager adota uma postura otimista e crava o valor 100%, 1, o que significa dizer que, sempre que um planeta tem condições adequadas para a vida, ela se desenvolve.
É uma estimativa defensável (dado o fato de que a vida se desenvolveu na Terra assim que foi possível, o que faz pensar que não pode ter sido muito complicado), mas ainda assim ela admite: “Esse fator é puramente especulativo”.
Por fim, ela estima a chance de que um planeta com vida deixe sinais de atividade biológica em sua atmosfera. Na Terra, isso obviamente acontece: o oxigênio em nossa atmosfera não duraria muito se não fosse constantemente reabastecido por criaturas que fazem fotossíntese. Mas Seager opta por um número até certo ponto conservador, sugerindo que em apenas metade dos casos a vida produz traços detectáveis de sua existência na atmosfera. Fs, portanto, seria 0,5.
Ao final temos:
N = 30.000 x 0,15 x 0,001 x 1 x 0,5
N = 2,25
Moral da história: é preciso investigar 15 mil estrelas anãs vermelhas para encontrar um planeta com sinais de vida.
A boa notícia é que, com os novos satélites planejados pela agência espacial americana, até o final desta década teremos os recursos para implementar tal busca.
E o que acontece quando descobrirmos um mundo similar à Terra com possíveis sinais de vida? Noves fora a estonteante descoberta de que não estamos sós, aposto que muita gente vai fazer força para desenvolver tecnologias capazes de enviar uma sonda até lá, transpondo as vastas distâncias interestelares.
Há de ser uma grande aventura, e somos felizes de viver na época em que ela começa. Estamos de volta à Era das Grandes Navegações, só que desta vez elas serão encenadas no espaço. Teremos tecnologia suficiente para cruzar o vazio entre as estrelas? A seguir, cenas do próximo capítulo…
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Planetas habitáveis podem ser comuns, diz estudo
Um quinto das estrelas parecidas com o Sol tem planetas habitáveis. Estrela mais próxima com planeta habitável está a 12 anos luz.
(G1) Uma em cada cinco estrelas como o Sol têm planetas habitáveis, afirma estudo de astrônomos da Universidade do Havaí e da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Para ser definido como “habitável”, um planeta precisa ter tamanho semelhante ao da Terra e temperatura de superfície propícia à presença de água na forma líquida.
O estudo foi baseado em análises de observações do telescópio espacial Kepler, da Agência Espacial Americana (Nasa), que têm o objetivo de apontar quantas estrelas, das 100 bilhões desta galáxia, têm planetas potencialmente habitáveis. Também foram utilizados dados de espectros de estrelas com planetas do Observatório W. M. Keck, no Havaí.
Segundo Erik Petigura, um dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa, a estrela semelhante ao Sol mais próxima da Terra com um planeta habitável em sua órbita provavelmente está a 12 anos luz e pode ser vista a olho nu.
Todos os planetas potencialmente habitáveis citados na pesquisa estão ao redor das estrelas K, mais frias e menores do que o Sol.
Mas a análise dos astrônomos mostra que os resultados das estrelas K podem ser extrapolados para as estrelas G, que são como o Sol.
O estudo é o primeiro censo de planetas do tamanho da Terra feito pelo Kepler que estima com precisão as zonas habitáveis em estrelas.
Segundo os pesquisadores, o resultado deste estudo permite à Nasa construir telescópio adequado à distância dos planetas habitáveis e que suas missões sucessoras ao Kepler de fato registrem imagens de um planeta.
A equipe de pesquisadores alerta que planetas do tamanho da Terra não necessariamente são habitáveis, mesmo que estejam na zona habitável de uma estrela onde a temperatura não é muito quente nem muito fria.
Na semana passada, a equipe divulgou uma foto de um planeta, descoberto pelo Kepler, que tem tamanho e densidade semelhantes aos da Terra e provavelmente é formado por rochas e ferro.
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Matérias similares no Ceará Científico, Veja, O Globo, Correio Braziliense, Exame, DN - Portugal, UOL, Folha, Scientific American Brasil, Inovação Tecnológica, Fundação Planetário, R7, Jornal Ciência, Astronomia On Line - Portugal, Ciência Diária - Estadão, Hypescience e AstroPT
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E mais:
Uma em cada cinco estrelas como o Sol pode ter planetas como a Terra (Terra)
.
O legado do Kepler (Cássio Leandro Dal Ri Barbosa - G1)
.
Não estamos (muito) sós no Universo (Mensageiro Sideral - Folha)
.
Bilhões de planetas do tamanho da Terra podem ser habitáveis (UOL)
(G1) Uma em cada cinco estrelas como o Sol têm planetas habitáveis, afirma estudo de astrônomos da Universidade do Havaí e da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Para ser definido como “habitável”, um planeta precisa ter tamanho semelhante ao da Terra e temperatura de superfície propícia à presença de água na forma líquida.
O estudo foi baseado em análises de observações do telescópio espacial Kepler, da Agência Espacial Americana (Nasa), que têm o objetivo de apontar quantas estrelas, das 100 bilhões desta galáxia, têm planetas potencialmente habitáveis. Também foram utilizados dados de espectros de estrelas com planetas do Observatório W. M. Keck, no Havaí.
Segundo Erik Petigura, um dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa, a estrela semelhante ao Sol mais próxima da Terra com um planeta habitável em sua órbita provavelmente está a 12 anos luz e pode ser vista a olho nu.
Todos os planetas potencialmente habitáveis citados na pesquisa estão ao redor das estrelas K, mais frias e menores do que o Sol.
Mas a análise dos astrônomos mostra que os resultados das estrelas K podem ser extrapolados para as estrelas G, que são como o Sol.
O estudo é o primeiro censo de planetas do tamanho da Terra feito pelo Kepler que estima com precisão as zonas habitáveis em estrelas.
Segundo os pesquisadores, o resultado deste estudo permite à Nasa construir telescópio adequado à distância dos planetas habitáveis e que suas missões sucessoras ao Kepler de fato registrem imagens de um planeta.
A equipe de pesquisadores alerta que planetas do tamanho da Terra não necessariamente são habitáveis, mesmo que estejam na zona habitável de uma estrela onde a temperatura não é muito quente nem muito fria.
Na semana passada, a equipe divulgou uma foto de um planeta, descoberto pelo Kepler, que tem tamanho e densidade semelhantes aos da Terra e provavelmente é formado por rochas e ferro.
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Planeta do tamanho da Terra também tem o interior rochoso, detecta estudo
Kepler-78b, a 700 anos-luz, tem massa e densidade similares às nossas. Apesar disso, exoplaneta possui órbita de apenas 8,5h e alta temperatura.
(G1) Um planeta localizado fora do Sistema Solar, a 700 anos-luz da Terra, não tem apenas o tamanho parecido com o nosso, mas também a massa e a densidade, com um núcleo de ferro e o interior rochoso. É o que apontam dois estudos publicados na revista "Nature" desta quarta-feira (30).
As novas medições sugerem que o Kepler-78b, que orbita uma estrela semelhante ao Sol chamada Kepler 78, é o menor exoplaneta do Universo a ter sua massa e seu raio conhecidos com precisão.
Para determinar a massa exata dele, dois grupos independentes de astrônomos (um liderado pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, nos EUA, e outro pela Universidade de Genebra, na Suíça) mediram "oscilações" na luz da estrela hospedeira enquanto o planeta circulava em volta dela. Um grupo chegou à conclusão de que a massa desse planeta é 1,69 vez a nossa, e o outro calculou 1,86 vez, usando uma escala similar.
A densidade analisada variou de 5,3 a 5,57 gramas por centímetro cúbico, respectivamente, o que indica uma composição rochosa parecida com a da Terra.
Apesar de ser muito semelhante ao nosso planeta, o Kepler-78b tem seu período orbital muito curto – uma volta completa em torno da estrela principal dura apenas 8,5 horas – e altas temperaturas (entre 1.500° C e 3.000° C) em relação aos padrões terrestres.
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Matérias similares no Terra, Público - Portugal, R7, Veja, Yahoo, Hypescience, Exame, DN - Portugal, UOL, Herton Escobar - Estadão, AstroPT, Astronomia On Line - Portugal, Baboo, Fundação Planetário, Isto É e Jornal Ciência
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E mais:
A Terra que não deveria existir (Mensageiro Sideral - Folha)
.
Exoplaneta de lava derrete teorias astronômicas (Inovação Tecnológica)
(G1) Um planeta localizado fora do Sistema Solar, a 700 anos-luz da Terra, não tem apenas o tamanho parecido com o nosso, mas também a massa e a densidade, com um núcleo de ferro e o interior rochoso. É o que apontam dois estudos publicados na revista "Nature" desta quarta-feira (30).
As novas medições sugerem que o Kepler-78b, que orbita uma estrela semelhante ao Sol chamada Kepler 78, é o menor exoplaneta do Universo a ter sua massa e seu raio conhecidos com precisão.
Para determinar a massa exata dele, dois grupos independentes de astrônomos (um liderado pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, nos EUA, e outro pela Universidade de Genebra, na Suíça) mediram "oscilações" na luz da estrela hospedeira enquanto o planeta circulava em volta dela. Um grupo chegou à conclusão de que a massa desse planeta é 1,69 vez a nossa, e o outro calculou 1,86 vez, usando uma escala similar.
A densidade analisada variou de 5,3 a 5,57 gramas por centímetro cúbico, respectivamente, o que indica uma composição rochosa parecida com a da Terra.
Apesar de ser muito semelhante ao nosso planeta, o Kepler-78b tem seu período orbital muito curto – uma volta completa em torno da estrela principal dura apenas 8,5 horas – e altas temperaturas (entre 1.500° C e 3.000° C) em relação aos padrões terrestres.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Estudo descobre que mundos de carbonos podem não ter água
(Astronomia On Line - Portugal) De acordo com pesquisa teórica financiada pela NASA, planetas ricos em carbono, os chamados planetas diamante, podem não ter oceanos.
O nosso Sol é uma estrela pobre em carbono e, como resultado, o nosso planeta Terra é composto principalmente por silicatos, não carbono. Pensa-se que as estrelas que têm muito mais carbono que o Sol, por outro lado, fabriquem planetas repletos de carbono e, talvez, até camadas de diamantes.
Ao modelar os ingredientes nestes sistemas planetários à base de carbono, os cientistas determinaram que não têm reservatórios de água gelada, que se pensa fornecer oceanos aos planetas.
"Os blocos de construção que entram no fabrico dos nossos oceanos são asteróides e cometas gelados," afirma Torrence Johnson do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, que apresentou os resultados numa assembleia da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronómica Americana no passado dia 7 de Outubro. Johnson, membro da equipa em várias missões planetárias da NASA, incluindo Galileu, Voyager e Cassini, passou décadas a estudar os planetas no nosso próprio Sistema Solar.
"Se acompanharmos estes blocos de construção, descobrimos que os planetas em redor de estrelas ricas em carbono estão secos," realça.
Johnson e colegas dizem que o carbono extra no desenvolvimento de sistemas estelares prende o oxigénio, impedindo-o de formar água.
"É irónico que se o carbono, o elemento principal da vida, torna-se demasiado abundante, rouba o oxigénio que teria composto água, o solvente essencial para a vida como a conhecemos," afirma Jonathan Lunine da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, um colaborador na pesquisa.
Uma das grandes questões no estudo de planetas para lá do nosso Sistema Solar, chamados exoplanetas, é saber se são ou não habitáveis. Os cientistas identificam tais planetas ao observar primeiro aqueles situados dentro da "zona habitável" em torno das suas estrelas-mãe, onde as temperaturas são quentes o suficiente para permitir água líquida à superfície. A missão Kepler da NASA já descobriu vários planetas dentro desta zona, e os investigadores continuam a analisar os dados do Kepler em busca de candidatos tão pequenos quanto a Terra.
Mas mesmo que um planeta se encontre nesta zona onde os oceanos poderiam, em teoria, existir, será que realmente existe água suficiente para molhar a superfície? Johnson e sua equipa abordaram esta questão com modelos planetários baseados em medições da relação carbono-oxigénio do nosso Sol. O nosso Sol, como as outras estrelas, herdou uma sopa de elementos do Big Bang e das gerações anteriores de estrelas, incluindo hidrogénio, hélio, nitrogénio, silício, carbono e oxigénio.
"O nosso Universo tem o seu próprio top 10 dos elementos," acrescenta Johnson, referindo-se aos 10 elementos mais abundantes no nosso Universo.
Estes modelos prevêem com precisão a quantidade de água presa sob a forma de gelo no início da história do nosso Sistema Solar, há milhares de milhões de anos, antes de fazer a viagem até à Terra. Pensa-se que os cometas e/ou asteróides sejam os principais fornecedores de água, embora os cientistas ainda debatam os seus papéis. De qualquer maneira, estes objectos começaram a sua viagem muito longe da Terra, para lá de um limite chamado "linha de neve", antes de colidir com a Terra e depositar água nas profundezas do planeta e à sua superfície.
Quando os cientistas aplicaram os modelos planetários às estrelas ricas em carbono, a água desapareceu. "Não há neve para lá da linha de neve," afirma Johnson.
"Todos os planetas rochosos não são criados de forma igual," realça Lunine. "Os chamados planetas diamante do tamanho da Terra, se existirem, são totalmente estranhos: sem vida, mundos desérticos sem oceanos."
Os resultados dos modelos computacionais que suportam estas conclusões foram publicados o ano passado na revista Astrophysical Journal. As implicações para a habitabilidade nestes sistemas foram o foco da reunião da Divisão de Ciências Planetárias.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Brasileiros propõem novo método para descobrir planetas
(Folha) Um trio de cientistas brasileiros desenvolveu um novo método para descobrir planetas fora do Sistema Solar e pretende testá-lo em breve.
A estratégia pode ao menos em parte suprir a ausência do satélite Kepler, da Nasa, que havia sido lançando em 2009 e pifou em maio deste ano, depois que dois de seus giroscópios (dispositivos de controle da orientação da nave) falharam.
Espera-se que a técnica, que envolve o uso do observatório Alma (rede de radiotelescópios instalada a 5.000 metros de altitude no deserto do Atacama, no Chile), possa revelar pelo menos alguns planetas potencialmente habitáveis em torno de estrelas menores que o Sol.
NA SINTONIA
Os dois principais métodos conhecidos para encontrar mundos são o de velocidade radial e o do trânsito.
O primeiro mede o suave bamboleio da estrela conforme planetas interagem gravitacionalmente com ela.
Já o segundo verifica pequenas reduções no brilho da estrela conforme um planeta passa à frente dela.
A estratégia sugerida por Caius Lucius Selhorst e Cássio Leandro Barbosa, ambos da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em associação com Adriana Válio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem associação com esse segundo método.
A técnica também medirá, mas em frequências de rádio e de micro-ondas, reduções de brilho ocasionadas pelo trânsito de planetas à frente das estrelas.
Contudo, o que para os telescópios tradicionais destinados a observar trânsitos era uma fraqueza --o nível de atividade da estrela--, para o Alma será uma vantagem.
Quanto maior o nível de atividade estelar (na forma de manchas e erupções), mais sensível será o equipamento para conseguir detectar planetas pequenos.
Por isso os cientistas esperam que em anãs-vermelhas --estrelas menores, mas mais ativas que o Sol-- seja possível encontrar até mesmo planetas do tipo terrestre na zona habitável.
PILOTO
O trabalho que sugere a nova técnica já foi aceito para publicação no periódico "The Astrophysical Journal Letters". "Foi aceito em tempo recorde", afirma Cássio Barbosa.
A ideia do trio agora é fazer um teste do método com um sistema planetário já conhecido --Epsilon Eridani.
Trata-se de uma estrela próxima, bastante ativa, que tem um planeta gigante e dois cinturões de asteroides conhecidos.
O teste do método será detectar pelo menos o planeta já conhecido, como prova de princípio.
Caso funcione, aí sim os cientistas esperam pedir tempo de observação no Alma para tentar descobrir novos planetas em outras estrelas.
A comunidade científica brasileira tem acesso ao Alma por meio da participação nacional no ESO (Observatório Europeu do Sul), um dos parceiros no conjunto de radiotelescópios.
Embora o acordo ainda não tenha sido ratificado no Congresso, a organização europeia já trata o Brasil como membro desde 2010, quando o governo Lula assinou o protocolo de adesão.
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Matéria com infográfico aqui
13 incríveis concepções artísticas de exoplanetas
(Hypescience) Quando descobrimos um novo exoplaneta, só podemos imaginar como ele se parece. Mas, felizmente, nossa imaginação tem a ajuda de recursos visuais brilhantes. Artistas incríveis já criaram imagens impressionantes para ilustrar planetas fora do nosso sistema solar. Muitos outros também usaram sua própria imaginação para criar obras de arte inspiradas em mundos distantes.
Confira algumas dessas obras interessantes.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
A arbitrária contagem do milésimo planeta
(Mensageiro Sideral - Folha) Astrônomos do mundo inteiro estão comemorando o anúncio da descoberta do milésimo planeta fora do Sistema Solar. Com o anúncio de 11 novos planetas, listados ontem, a contagem subiu de 999 para 1.010.
A honraria coube ao projeto SuperWasp, do Reino Unido, que costuma descobrir planetas de grande porte que fazem trânsitos — passam à frente de suas estrelas.
Mas será que eles estão mesmo comemorando?
Jean Schneider, do Observatório de Paris, é um dos que pensam que tudo não passa de oba-oba. Em mensagem distribuída a colegas da missão Corot (satélite europeu caçador de planetas), ele preveniu contra festejos.
“É importante lembrar que uma contagem exata de exoplanetas não faz sentido por diversas razões”, diz.
E ele lista:
- Não há consenso sobre a definição de um exoplaneta (e todos vimos como foi difícil definir quantos planetas afinal havia no nosso Sistema Solar, em 2006).
- Mesmo que houvesse uma definição adotada universalmente e baseada num critério quantitativo (como a massa), para alguns objetos há enorme incerteza de certos parâmetros, que tornam difícil confirmar que se tratam mesmo de planetas.
- A experiência passada mostra que alguns (poucos) objetos declarados como planetas em artigos científicos aceitos para publicação acabam sendo artefatos ou estrelas de baixa massa.
- Alguns objetos, como certos planetas descobertos pelo satélite Kepler, são declarados “planetas confirmados”, mas não foram publicados em artigos. Não significa que não serão publicados mais adiante, mas isso introduz outra incerteza na contagem.
Resumo da ópera: esse é um caso em que, menos importante do que o número em si, o mais relevante é o fato de termos já uma quantidade estatisticamente significativa de planetas que nos permita avaliar o grau de “singularidade” do Sistema Solar no contexto de nossa vizinhança na Via Láctea.
O Mensageiro Sideral, por exemplo, fez uma reportagem para esta Folha sobre o que os números superlativos revelam quando a contagem beirou os 900. Você pode lê-la aqui.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Astrônomos descobrem sistema com sete exoplanetas
(Terra) Dois estudos independentes identificaram um sistema com sete planetas ao redor de uma estrela, o primeiro do tipo descoberto a partir de dados do telescópio Kepler, da Nasa. O estudo foi divulgado no site arXiv.
Segundo os cientistas das universidades de Oxford (Reino Unido) e Cornell (EUA), o conjunto é similar ao Sistema Solar, com planetas rochosos nas regiões internas, e gasosos mais distantes. Contudo, ele é bem mais compacto - o planeta mais distante fica a uma unidade astronômica (a distância média da Terra ao Sol) de sua estrela, chamada de KIC 11442793.
A proximidade dos corpos do sistema de KIC 11442793 faz com que a interação gravitacional entre eles seja muito maior do que ocorre por aqui. Aqui, os planetas também interferem nas órbitas uns dos outros, mas em um grau menor.
Os "anos" em cada um desses planetas (o tempo que eles levam para terminar a órbita ao redor de sua estrela) variam entre 330 e sete dias. Os dois primeiros corpos são de tamanho similar à Terra. Os três seguintes são maiores, chamados de superterras (com tamanho entre duas e três vezes o do nosso). Os dois últimos são gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno.
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Matéria similar no G1, BBC (em inglês), UOL, iG, R7, Ceará Científico, O Globo, Inovação Tecnológica, Fundação Planetário, Hypescience e AstroPT
Segundo os cientistas das universidades de Oxford (Reino Unido) e Cornell (EUA), o conjunto é similar ao Sistema Solar, com planetas rochosos nas regiões internas, e gasosos mais distantes. Contudo, ele é bem mais compacto - o planeta mais distante fica a uma unidade astronômica (a distância média da Terra ao Sol) de sua estrela, chamada de KIC 11442793.
A proximidade dos corpos do sistema de KIC 11442793 faz com que a interação gravitacional entre eles seja muito maior do que ocorre por aqui. Aqui, os planetas também interferem nas órbitas uns dos outros, mas em um grau menor.
Os "anos" em cada um desses planetas (o tempo que eles levam para terminar a órbita ao redor de sua estrela) variam entre 330 e sete dias. Os dois primeiros corpos são de tamanho similar à Terra. Os três seguintes são maiores, chamados de superterras (com tamanho entre duas e três vezes o do nosso). Os dois últimos são gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno.
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Matéria similar no G1, BBC (em inglês), UOL, iG, R7, Ceará Científico, O Globo, Inovação Tecnológica, Fundação Planetário, Hypescience e AstroPT
Desalinhamento gigante em sistema multiplanetário
(Astronomia On Line - Portugal) A formação de "Júpiteres quentes" é um enigma de longa data no estudo de exoplanetas, gigantes gasosos que orbitam muito perto da sua estrela hospedeira. Para explicar os seus períodos orbitais curtos, a teoria sugere que os Júpiteres quentes se formam em longas órbitas e depois migram através do disco protoplanetário, o anel plano de poeira e detritos que circunda uma estrela recém-formada e coalesce para formar os planetas.
Esta teoria foi questionada quando se descobriu que os planos orbitais dos Júpiteres quentes estão frequentemente desalinhados com o equador das suas estrelas-mãe. Os cientistas interpretaram isto como evidência de que os Júpiteres quentes são o resultado de encontros caóticos com outros planetas.
Um teste decisivo entre as duas teorias são sistemas com mais do que um planeta: se os desalinhamentos são realmente provocados por perturbações dinâmicas que levam à criação de Júpiteres quentes, então os sistemas multi-planeta sem Júpiteres quentes devem estar preferencialmente alinhados. O que um novo estudo revela é bastante diferente.
Usando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA, uma equipa internacional de cientistas liderada por Daniel Huber, pós-doutorado no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia, estudou Kepler-56, uma estrela gigante vermelha quatro vezes maior que o Sol localizada a uma distância de cerca de 3000 anos-luz da Terra. Ao analisar as variações no brilho em diferentes pontos da superfície de Kepler-56, Huber e colaboradores descobriram que o eixo de rotação da estrela está inclinado aproximadamente 45 graus em relação à nossa linha de visão.
"Isto foi uma surpresa porque já sabíamos da existência de dois planetas que transitavam Kepler-56. Isto sugere que a estrela hospedeira deve estar desalinhada com as órbitas de ambos os planetas," explica Huber. "O que descobrimos é literalmente um desalinhamento gigante num sistema exoplanetário."
Suspeita-se que o culpado do desalinhamento seja um terceiro companheiro massivo numa órbita com um longo período, revelado por observações obtidas com o Telescópio Keck em Mauna Kea, Hawaii.
"Os cálculos de computador mostram que o companheiro exterior pode ter inclinado os planos orbitais dos planetas em trânsito, deixando-os coplanares, mas desalinhando-os periodicamente com o equador da estrela," afirma Daniel Fabrycky, co-autor e professor de astronomia da Universidade de Chicago.
Quase 20 anos após a descoberta do primeiro Júpiter quente, o grande desalinhamento no sistema Kepler-56 marca um importante passo no sentido de uma explicação unificada para a formação de Júpiteres quentes.
"Sabemos agora que os desalinhamentos não se limitam apenas aos sistemas com Júpiteres quentes," afirma Huber. "Outras observações vão revelar se o mecanismo de inclinação em Kepler-56 pode também ser responsável por distorções observadas nos sistemas com Júpiteres quentes."
Os resultados foram publicados na edição de 18 de Outubro da revista Science.
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Matéria similar no AstroPT
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E mais:
Um sistema planetário muito louco (Mensageiro Sideral - Folha)
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