quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Continentes em exoplanetas podem sugerir vida extraterrestre
(Astronomia On Line - Portugal) De acordo com investigadores, se não fosse a vida, a Terra poderia não possuir os continentes que tem, tornando-se um planeta coberto quase totalmente por oceanos. Estes novos resultados sugerem que quaisquer continentes que os astrónomos possam um dia ver em mundos distantes podem potencialmente ser sinais de vida extraterrestre.
A Terra é actualmente o único planeta conhecido no Universo que se sabe ter água no estado líquido à superfície. Há vida praticamente onde quer que haja água líquida na Terra, por isso um dos focos principais na busca por vida extraterrestre como a conhecemos é a região em torno de uma estrela onde não é nem muito quente nem muito frio para água líquida existir à superfície de um planeta, uma área conhecida como zona habitável.
Embora a água cubra a maior parte da superfície da Terra, quase 30% do planeta está coberto por terra, sustentando uma estonteante variedade de vida. Os cientistas podem um dia ser capazes de dizer se planetas distantes são igualmente cobertos por terra, oceanos e nuvens procurando tons avermelhados, azulados ou acinzentados na cor desses mundos. Os cientistas já desenvolveram mapas de nuvens num planeta gigante que orbita uma estrela distante.
Agora, os investigadores sugerem que a Terra teria sido um mundo de água com muito poucos continentes, se algum, sem a presença de vida.
Uma grande parte da pesquisa mostra que a vida teve um grande impacto na evolução da atmosfera e dos oceanos da Terra. As plantas e outras formas de vida fotossintética geram oxigénio, dando à Terra a única atmosfera conhecida no Universo com níveis significativos de oxigénio. A vida também influencia fortemente a quantidade de carbono presente na atmosfera e nos oceanos, sob a forma de dióxido de carbono e metano. Estes gases de efeito de estufa prendem o calor e podem afectar drasticamente o clima da Terra, que por sua vez tem um efeito sobre a quantidade de água da Terra no estado sólido. O oxigénio pode também, indirectamente, arrefecer o clima da Terra ao remover metano da atmosfera - na verdade, o aumento dramático de oxigénio na atmosfera da Terra há cerca de 2,4 mil milhões de anos, conhecido como Grande Evento de Oxigenação, pode ter arrefecido o planeta o suficiente para se tornar numa "bola de neve global".
"No entanto, sabe-se muito pouco sobre se a vida teve quaisquer efeitos no interior mais profundo da Terra," realça Tilman Spohn, autor do estudo e cientista planetário do Instituto de Pesquisa Planetária do Centro Aeroespacial Alemão em Berlim.
Pesquisas anteriores notaram que os sinais mais antigos da vida até agora encontrados têm cerca de 3,5 mil milhões de anos, aproximadamente a mesma idade do aparecimento dos continentes, e sugeriram uma possível ligação entre estes eventos. Os cientistas então exploraram se a evolução da vida na Terra pode ter influenciado a evolução do planeta.
Os investigadores focaram-se no intemperismo biológico, pelo qual a vida quebra rocha. Esta rocha quebrada é levada pelo vento ou pela água, sedimentos que eventualmente fazem o seu caminho até zonas de subducção, áreas onde uma placa tectónica da crosta da Terra mergulha para baixo de outra.
"Os líquenes que cobrem rochas fornecem humidade constante e isso pode enfraquecer a rocha, enquanto o ácido das bactérias pode dissolver rocha," afirma Spohn.
Estes sedimentos têm até 40% de água na sua constituição. Isto significa que os sedimentos que sofrem subducção podem transportar grandes quantidades de água até ao manto que se encontra entre a crosta e o núcleo da Terra. Assim que estes sedimentos alcançam a pressão e calor encontrados a cerca de 100 km de profundidade, libertam a sua água, reduzindo a temperatura de fusão da rocha circundante. Isto faz com que a rocha derreta em maior quantidade e suba, eventualmente sendo expulsa através de vulcões como lava que acrescenta massa continental. Por outras palavras, embora a vida ajude a desgastar os continentes, também ajuda a construi-los.
"Quando a superfície da Terra é reciclada em zonas de subducção, afecta processos no interior profundo," afirma o autor principal Dennis Höning, cientista planetário do Instituto de Pesquisa Planetária do Centro Aeroespacial Alemão em Berlim.
A magnitude dos efeitos que o intemperismo biológico tem na erosão continental global está actualmente em debate, com estimativas que variam bastante. Para ver quais serão estes efeitos, Spohn e colegas desenvolveram modelos de produção continental e erosão que assumem que um mundo sem vida tem uma fracção da taxa de erosão continental actualmente estimada para a Terra.
Quando os cientistas correram o seu modelo de uma Terra com taxas actuais de erosão continental, simularam um planeta com um manto molhado que, após mais ou menos 4 mil milhões de anos, tinha uma superfície aproximadamente 40% coberta por continentes, mais ou menos semelhante à Terra real. No entanto, quando os investigadores correram o seu modelo com taxas de erosão continental 60% ou menos em relação aos valores actuais, que provavelmente se poderia constatar numa Terra sem vida, simularam um planeta com um manto seco que, após 4 mil milhões de anos, "tinha continentes que cobriam apenas cerca de 5% da sua superfície," afirma Spohn.
"Para mim, a maior surpresa foi a diferença pronunciada que vimos," realça Spohn. "Esperávamos ver uma diferença, mas não uma diferença tão grande". Höning, Spohn e os colegas Hendrik Hansen-Goos e Alessandro Airo relataram as suas descobertas na edição de 25 de Outubro da revista Planetary and Space Science.
A evolução da fotossíntese, começando há pelo menos 3,4 mil milhões de anos atrás, pode ter tido um impacto especialmente grande sobre os continentes da Terra.
"A invenção da fotossíntese permitiu com que a vida fosse muito mais produtiva, permitiu com que a biosfera dependesse de uma fonte de energia muito maior e com que crescesse muito rapidamente em massa, o que teria aumentado o efeito de intemperismo biológico," comenta Spohn.
Spohn realça que se o manto estivesse seco, talvez nem existissem placas tectónicas, manto este que conduz os movimentos das placas que formam a superfície do planeta e subjaz actividade tectónica como sismos e vulcões. "As placas tectónicas precisam de água para funcionar," comenta.
O geofísico Norman Sleep da Universidade de Stanford no estado americano da Califórnia, que não fez parte deste estudo, acrescenta que a biologia pode ter outros efeitos no interior da Terra. Por exemplo, experiências laboratoriais mostraram que a actividade microbial pode ajudar a transformar a esmectite mineral mole em ilite muito mais forte e densa. Dado que a ilite é menos permeável à água que a esmectite, a actividade microbiana pode tornar a água mais disponível a maiores profundidades. Experiências preliminares que Spohn e a sua equipa levaram a cabo sugerem que este efeito pode aumentar ainda mais a diferença entre uma Terra cheia de vida e uma Terra sem vida.
Estes resultados sugerem que "se encontrarmos um planeta algures no Universo com uma cobertura continental similar à da Terra, pode ser um bom lugar para procurar vida," realça Höning.
Ainda assim, Höning adverte que planetas maiores, como as super-Terras com até 10 vezes a massa do nosso planeta, evoluem de um modo bastante diferente, por isso estes resultados podem não lhes ser aplicáveis. Além disso, um exoplaneta com uma superfície quente, uma atmosfera espessa ou ventos fortes pode também ter grandes taxas de erosão mesmo sem vida.
"Todos estes factores têm que ser tidos em conta quando tentarmos modelar crescimento continental noutros planetas," comenta Hönig.
As pesquisas futuras podem examinar a tendência de formação de fissuras em sedimentos nas zonas de subducção e os efeitos que podem ter na actividade no interior da Terra, realça Sleep. Também podem investigar se a actividade vulcânica nas zonas de subducção varia com os níveis de fluxo sedimentar, onde a lava dos vulcões cria novas terras.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O brilho de outros sóis
(Darwin e Deus - Folha) Peço licença para adentrar um pouco (na verdade, um muito) a seara do blog do colega e grande amigo Salvador Nogueira. É que, como sou um sujeito lerdo, só atinei agora para um fato óbvio: nos últimos 15 anos (mais ou menos o meu tempo de vida profissional como jornalista de ciência), uma revolução científica aconteceu, e das grandes, e eu ainda não tinha me dado conta plena do conjunto da obra.
Estou falando da descoberta de planetas fora do Sistema Solar, coisa que durante muito tempo foi simples especulação de ficção científica. Foi só em 1995 que o primeiro exoplaneta (como esse tipo de astro é conhecido) teve sua existência confirmada. Eu me lembro do tempo em que praticamente qualquer descoberta de exoplaneta era notícia. Hoje, esse número chega a 1.055 — e um único telescópio espacial, o Kepler, da Nasa, já achou mais de 3.500 outros “planetas candidatos”, cuja existência precisa ser confirmada com mais observações. Como brinca a colega e amiga Giuliana Miranda, descoberta de exoplaneta agora só é notícia se acharem 200 de uma vez. Se as estimativas atuais estiverem corretas, existem 100 bilhões de planetas só na nossa galáxia, dos quais mais de 10 bilhões devem ser do tamanho da Terra, orbitando a zona habitável (a faixa onde a água é líquida, e a vida, possível) de sóis parecidos com o nosso.
Permita-me ser repetitivo, porque é importante: se esse novo conhecimento não é uma revolução científica, então, bicho, eu realmente não sei o que seria.
Sim, esses planetas ainda estão absurdamente distantes de nós, mesmo se quiséssemos enviar apenas sondas robóticas até eles. Mas, mesmo usando apenas telescópios baseados na nossa órbita, muito provavelmente a próxima década verá um acúmulo cada vez maior de informações sobre esses astros ainda tão misteriosos, inclusive sobre a composição de suas atmosferas e sobre a possibilidade de esses corpos celestes (é, expressão meio com cheiro de naftalina, eu sei) abrigarem vida.
E é claro que isso terá um impacto monstruoso sobre como pensamos a origem da própria vida na Terra. Até hoje, só dispomos de um único “filme da evolução”. Só sabemos (por enquanto, em linhas muito gerais) em que condições a vida surgiu num único planetinha. Qualquer cientista será capaz de te dizer que uma amostragem com um único exemplar (n = 1, como escrevem nos papers, ou artigos científicos) não é a coisa mais confiável do mundo.
Mas, com milhares de exoplanetas para estudar, dá para tentar responder de forma mais embasada todo tipo de pergunta. Uma lua grande como a nossa é importante por estabilizar a órbita ou pode ser dispensada? Há uma força gravitacional ótima? Qual a melhor densidade atmosférica? E a atividade vulcânica/tectônica? Enfim, finalmente estamos escapando da maldição do n = 1, mesmo que demoremos para achar evidências definitivas de vida “lá fora”.
Por tudo isso, um brinde à revolução que já aconteceu — e outro, de copo ainda mais transbordante, à revolução que virá.
----
E mais:
41 exoplanetas confirmados (AstroPT)
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Instrumento faz primeiras imagens diretas de exoplanetas
(Terra) Após quase uma década de desenvolvimento, o instrumento Gemini Planet Imager (GPI) começou a coletar luz de mundos distantes. O equipamento foi desenvolvido, construído e otimizado para registrar planetas fora do Sistema Solar. Além disso, ele deve estudar discos de poeira ao redor de jovem estrelas, onde podem nascer novos planetas.
O GPI atuará no telescópio Gemini, um dos maiores do mundo (com espelho de 8 metros), que fica no Chile. O Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL, na sigla em inglês) contribuiu com o projeto ao desenvolver um sensor de infravermelho de ultraprecisão. O sensor serve para medir pequenas distorções na luz da estrela que podem esconder um planeta.
"Primeiro, nós mantemos a estrela no centro do instrumento, então seu brilho é bloqueado ao máximo. Segundo, garantimos que o instrumento em si está estável durante as longas exposições necessárias para registrar os fracos companheiros (planetas)", diz Kent Wallace, do JPL.
O GPI detecta o infravermelho, ou emissão de calor de jovens planetas parecidos com Júpiter e que tem órbitas distantes de sua estrela. Cada planeta registrado pode ser estudado em detalhes, revelando os componentes de sua atmosfera.
Apesar de ter sido criado para observar planetas distantes, o GPI pode estudar mundos dentro do Sistema Solar. Na terça-feira, os cientistas divulgaram as imagens de teste da lua Europa, de Júpiter, durante o encontro da Sociedade Americana de Astronomia, em Washington.
----
E mais:
A câmera que fotografa exoplanetas (Mensageiro Sideral - Folha)
Cientistas descobrem planeta com massa da Terra, mas 'gasoso demais'
(Terra) Uma equipe internacional de astrônomos descobriu o mais leve planeta a ter sua massa e tamanhos medidos. KOI-314c tem massa similar à da Terra, mas diâmetro 60% maior - o que indica que ele deve ter uma grande e gasosa atmosfera. O estudo foi divulgado nesta segunda-feira em um encontro nos Estados Unidos.
"Este planeta tem a mesma massa da Terra, mas certamente não é similar à Terra", diz David Kipping, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, líder do estudo. "Isso prova que não há uma divisão clara entre planetas rochosos como a Terra e planetas leves como mundos de água ou gigantes gasosos."
O time usou dados do telescópio Kepler, da Nasa, para estudar o KOI-314c, que orbita uma estrela anã vermelha a cerca de 200 anos-luz da Terra. Ele está bem perto de seu sol e leva 23 dias para orbitá-lo. A equipe estima que o planeta tem uma temperatura de cerca de 104°C, o que seria quente demais para a vida como a conhecemos.
KOI-314c é apenas 30% mais denso que a água. Isso indica que ele está envelopado em uma grande atmosfera de hidrogênio e hélio. Além disso, ele deve ter começado sua vida como um mini-Netuno, mas perdeu parte de sua atmosfera para a intensa radiação da estrela.
----
Matérias similares no Mensageiro Sideral - Folha, Público - Portugal, Astronomia On Line - Portugal, AstroPT e Eternos Aprendizes
----
E mais:
A Terra é única no espaço? (Fundação Planetário)
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Super-terras têm pouca semelhança com nosso planeta, dizem cientistas
Em conferência, astrônomos afirmam que nosso planeta é 'único'. Já foram catalogados 3 mil exoplanetas com chance de vida extraterrestre.
(France Presse/G1) Os astrônomos os chamam de super-terras e eles são abundantes fora do nosso sistema solar, mas quanto mais os cientistas aprendem sobre eles, mais nosso planeta parece um "estranho no ninho" quando comparado.
Acredita-se que planetas do tamanho da Terra ou até quatro vezes maiores representem três quartos dos planetas candidatos a ter condições favoráveis à vida descobertos pelo telescópio espacial Kepler, da agência espacial americana (Nasa).
Até agora, os astrônomos catalogaram cerca de 3.000 destes planetas na esperança de que possam indicar a existência de vida fora da nossa galáxia.
Mas especialistas reunidos em um encontro da Sociedade Astronômica Americana nos arredores de Washington afirmaram nesta segunda-feira (6) que embora os exoplanetas sejam comuns, eles têm pouca semelhança com a Terra.
"Nosso sistema solar parece ser diferente. Todos estes planetas que a Kepler descobriu são estranhos", disse Yoram Lithwick, da Universidade Northwestern. "De 20% a 30% de todas as estrelas têm estes planetas malucos", acrescentou.
Excesso de gás
Super-terras e mini-Netunos que têm mais de duas vezes e meia o raio da Terra "devem ser cobertos com montes e montes de gás, o qual é o resultado mais surpreendente", afirmou Lithwick.
Ele estudou cerca de 60 destes planetas e descobriu que provavelmente eles se formaram "muito rapidamente depois do nascimento de sua estrela, enquanto ainda havia um disco gasoso ao redor da estrela". "Em comparação, acredita-se que a Terra tenha sido formada muito depois de que o disco de gás desapareceu", acrescentou.
Não apenas muitos destes planetas são mais quentes do que a Terra, com há uma quantidade de gás enorme cobrindo seu núcleo rochoso resultando em pressão atmosférica extrema. "Aqui na Terra seria como estar sob 10 oceanos", afirmou Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Vida fora da Terra?
Consultado se seria possível encontrar vida nestas condições, Marcy disse aos jornalistas ter feito a mesma pergunta a alguns de seus amigos especialistas em biologia. Resumidamente, eles não têm certeza, afirmou. "Não é impossível", estimou. 'Nós sabemos muito pouco sobre como a vida começou e em quais ambientes pode florescer'.
O telescópio Kepler foi lançado em 2009 em uma missão de busca de planetas similares à Terra ao observar seu trânsito ou ofuscamento diante da luz, à medida que passam em frente a suas estrelas.
Ele não está mais completamente operacional, tendo perdido a tração em duas de suas quatro rodas de orientação no ano passado, mas astrônomos esperam que consiga continuar enviando observações limitadas de mundos distantes.
----
Matérias similares no Terra, R7, Correio Braziliense, Exame, Astronomia On Line - Portugal e UOL
----
E mais:
As Super Terras podem ser problemáticas para a vida? (Eternos Aprendizes)
(France Presse/G1) Os astrônomos os chamam de super-terras e eles são abundantes fora do nosso sistema solar, mas quanto mais os cientistas aprendem sobre eles, mais nosso planeta parece um "estranho no ninho" quando comparado.
Acredita-se que planetas do tamanho da Terra ou até quatro vezes maiores representem três quartos dos planetas candidatos a ter condições favoráveis à vida descobertos pelo telescópio espacial Kepler, da agência espacial americana (Nasa).
Até agora, os astrônomos catalogaram cerca de 3.000 destes planetas na esperança de que possam indicar a existência de vida fora da nossa galáxia.
Mas especialistas reunidos em um encontro da Sociedade Astronômica Americana nos arredores de Washington afirmaram nesta segunda-feira (6) que embora os exoplanetas sejam comuns, eles têm pouca semelhança com a Terra.
"Nosso sistema solar parece ser diferente. Todos estes planetas que a Kepler descobriu são estranhos", disse Yoram Lithwick, da Universidade Northwestern. "De 20% a 30% de todas as estrelas têm estes planetas malucos", acrescentou.
Excesso de gás
Super-terras e mini-Netunos que têm mais de duas vezes e meia o raio da Terra "devem ser cobertos com montes e montes de gás, o qual é o resultado mais surpreendente", afirmou Lithwick.
Ele estudou cerca de 60 destes planetas e descobriu que provavelmente eles se formaram "muito rapidamente depois do nascimento de sua estrela, enquanto ainda havia um disco gasoso ao redor da estrela". "Em comparação, acredita-se que a Terra tenha sido formada muito depois de que o disco de gás desapareceu", acrescentou.
Não apenas muitos destes planetas são mais quentes do que a Terra, com há uma quantidade de gás enorme cobrindo seu núcleo rochoso resultando em pressão atmosférica extrema. "Aqui na Terra seria como estar sob 10 oceanos", afirmou Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Vida fora da Terra?
Consultado se seria possível encontrar vida nestas condições, Marcy disse aos jornalistas ter feito a mesma pergunta a alguns de seus amigos especialistas em biologia. Resumidamente, eles não têm certeza, afirmou. "Não é impossível", estimou. 'Nós sabemos muito pouco sobre como a vida começou e em quais ambientes pode florescer'.
O telescópio Kepler foi lançado em 2009 em uma missão de busca de planetas similares à Terra ao observar seu trânsito ou ofuscamento diante da luz, à medida que passam em frente a suas estrelas.
Ele não está mais completamente operacional, tendo perdido a tração em duas de suas quatro rodas de orientação no ano passado, mas astrônomos esperam que consiga continuar enviando observações limitadas de mundos distantes.
----
Matérias similares no Terra, R7, Correio Braziliense, Exame, Astronomia On Line - Portugal e UOL
----
E mais:
As Super Terras podem ser problemáticas para a vida? (Eternos Aprendizes)
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Nova técnica para medir massa de exoplanetas
(Astronomia On Line - Portugal) Até à data, os cientistas detectaram a existência de mais de 1000 exoplanetas em órbita de outras estrelas que não o nosso Sol. Para determinar se estes mundos distantes são habitáveis, precisamos de saber a sua massa - o que pode ajudar os cientistas a discernir se o planeta é feito de gás ou rocha e outros materiais de apoio à vida.
Mas as técnicas actuais para estimar a massa exoplanetária são limitadas. A velocidade radial é o principal método usado pelos cientistas: pequenas oscilações na órbita da estrela à medida que é puxada pela força gravitacional do planeta, a partir das quais os cientistas podem derivar a relação de massa entre o planeta e a estrela. Para planetas muito grandes, com o tamanho de Neptuno, ou mais pequenos como a Terra orbitando muito próximo de estrelas brilhantes, a velocidade radial funciona relativamente bem. Mas a técnica tem menos sucesso com planetas mais pequenos que orbitam mais longe das suas estrelas, tal como a Terra.
Agora, cientistas do MIT (sigla inglesa para Massachusetts Institute of Technology ou Instituto de Tecnologia do Massachusetts) desenvolveram uma nova técnica para determinar a massa de planetas extra-solares, usando apenas o seu sinal de trânsito - diminuições na luz à medida que um planeta passa em frente da sua estrela. Esta informação tem sido tradicionalmente usada para determinar o tamanho de um planeta e suas propriedades atmosféricas, mas a equipa do MIT descobriu uma maneira de interpretá-la de tal forma que também revela a massa do planeta.
"Com este método, percebemos que a massa planetária - um parâmetro chave que, se ausente, poderia ter-nos impedido de avaliar a habitabilidade do primeiro planeta tipo-Terra potencialmente habitável na próxima década - será realmente acessível, juntamente com as propriedades atmosféricas," afirma Julien de Wit, estudante graduado do Departamento da Terra, Ciências Atmosféricas e Planetárias do MIT.
De Wit é o autor principal de um artigo publicado a semana passada na revista Science, em conjunto com a co-autora Sara Seager.
Estimando a massa a partir da luz
Além da composição de um planeta, a sua massa pode fornecer um vislumbre da superfície do planeta e da sua actividade interna.
"A massa afecta tudo a um nível planetário, tal como placas tectónicas, o seu arrefecimento interno e convecção, o modo como gera campos magnéticos, e se o gás escapa da sua atmosfera," realça de Wit. "Se não a obtivermos, uma grande parte das propriedades do planeta permanece indeterminada."
Usando grandes telescópios como o Spitzer ou o Hubble, os cientistas foram capazes de analisar o espectro de transmissão de exoplanetas recém-descobertos. Um espectro de transmissão é gerado à medida que um planeta passa em frente da sua estrela, deixando escapar um pouco de luz pela sua atmosfera. Ao analisar os comprimentos de onda de luz que passam pela atmosfera, os cientistas conseguem determinar as propriedades atmosféricas de um planeta, tais como a temperatura e a densidade de moléculas atmosféricas. Da quantidade total de luz bloqueada, podem calcular o tamanho de um planeta.
Para determinar a massa de um exoplaneta usando espectroscopia de transmissão, de Wit contou com o efeito que a massa de um planeta tem na sua atmosfera, pois os espectros de transmissão dão informações sobre as propriedades atmosféricas do planeta. Para tal, trabalhou a partir de uma equação padrão que descreve o efeito da temperatura, força gravitacional e densidade atmosférica de um planeta sobre o seu perfil de pressão atmosférica - o modo como a pressão muda ao longo da sua atmosfera.
De acordo com esta equação, sabendo qualquer destes três parâmetros revelaria o quarto parâmetro. Dado que a massa de um planeta pode ser derivada a partir da sua força gravitacional, de Wit fundamenta que a massa de um planeta por ser derivada a partir da sua temperatura atmosférica, perfil de pressão e densidade - parâmetros que, em princípio, podem ser obtidos a partir de um espectro de transmissão.
Mas, para obter uma medição precisa da massa do planeta, de Wit teve que provar que estes três parâmetros podiam ser obtidos independentemente uns dos outros, somente a partir de um espectro de transmissão.
Descobrindo a massa de um planeta
Para provar que a temperatura, perfil de pressão e densidade atmosférica de um planeta podem ser derivadas de forma independente a partir de um espectro de transmissão, de Wit teve que demonstrar que cada parâmetro tem um efeito marcante num espectro de transmissão. De Wit realizou novas derivações analíticas a partir dos primeiros princípios de transferência radiativa, e descobriu uma constante matemática do século XVIII, com o nome de constante Euler-Mascheroni, que ajuda a revelar os efeitos individuais de cada parâmetro. Por outras palavras, esta constante actua como uma "chave de encriptação" para descodificar o processo pelo qual as propriedades da atmosfera de um planeta são incorporadas no seu espectro de transmissão.
"Isto realmente ajuda a desbloquear tudo e revela, de todas estas equações malucas, que propriedades atmosféricas fazem o quê, e como," comenta de Wit. "Encontramos esta constante numa série de problemas físicos, e é divertido vê-la aparecer novamente na ciência planetária."
Para testar o método, de Wit aplicou a técnica a um exoplaneta recém-descoberto, conhecido como HD 189733 b, localizado a 63 anos-luz de distância. Com os seus cálculos, de Wit obteve a mesma medição de massa como a obtida por outros usando a velocidade radial.
Usando as especificações dos futuros telescópios espaciais de alta resolução, como o Telescópio Espacial James Webb - um instrumento concebido para estudar atmosferas exoplanetárias - os autores mostraram que a nova técnica será capaz de caracterizar a massa e propriedades atmosféricas de planetas mais pequenos, do tamanho da Terra.
Mark Swain, cientista do JPL da NASA, diz que a nova técnica do grupo será muito útil na determinação da composição e, finalmente, na habitabilidade, de planetas semelhantes à Terra.
"A massa é uma peça muito importante do puzzle," realça Swain, que não esteve envolvido na investigação. "Se descobrirmos que a composição de um planeta é quase certamente sólida, isso exigiria uma quantidade significativa de água misturada com um núcleo de silicato, e se soubéssemos que tinha temperaturas de zona habitável, teríamos um bom caso para estudos mais aprofundados desse mundo, porque teria o que parecem ser os ingredientes de um planeta habitável."
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Cientistas identificam possíveis nuvens em planetas distantes
Estudos caracterizam a atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Resultados foram publicados na revista científica 'Nature'.
(G1) Dois estudos publicados na edição desta semana da revista científica “Nature” indicam a possível existência de nuvens na atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Segundo os autores, a descoberta é um avanço importante na busca por planetas que, assim como a Terra, reúnam as condições necessárias para serem habitáveis.
As pesquisas foram realizadas por duas equipes distintas, com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os planetas estudados foram GJ 436B, a 36 anos-luz da Terra, e GJ 1214b, a 40 anos-luz do nosso planeta. Nenhuma das duas atmosferas havia sido caracterizada com sucesso até o momento.
Levando em consideração o tamanho e a massa, os dois planetas são consideravelmente maiores que a Terra – classificada como pequena e rochosa –, mas também são menores que os chamados gigantes gasosos, como Júpiter.
Apesar de identificarem algumas características das atmosferas dos planetas – como a possível presença de nuvens –, os pesquisadores ainda não conseguiram detalhar a composição química dessas atmosferas. Segundo os autores, novos estudos nessa linha são necessários, e um dos principais objetivos é entender até que tamanho um planeta pode ter uma estrutura rochosa, como a da Terra.
----
Matérias similares no O Globo e Astronomia On Line - Portugal
(G1) Dois estudos publicados na edição desta semana da revista científica “Nature” indicam a possível existência de nuvens na atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Segundo os autores, a descoberta é um avanço importante na busca por planetas que, assim como a Terra, reúnam as condições necessárias para serem habitáveis.
As pesquisas foram realizadas por duas equipes distintas, com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os planetas estudados foram GJ 436B, a 36 anos-luz da Terra, e GJ 1214b, a 40 anos-luz do nosso planeta. Nenhuma das duas atmosferas havia sido caracterizada com sucesso até o momento.
Levando em consideração o tamanho e a massa, os dois planetas são consideravelmente maiores que a Terra – classificada como pequena e rochosa –, mas também são menores que os chamados gigantes gasosos, como Júpiter.
Apesar de identificarem algumas características das atmosferas dos planetas – como a possível presença de nuvens –, os pesquisadores ainda não conseguiram detalhar a composição química dessas atmosferas. Segundo os autores, novos estudos nessa linha são necessários, e um dos principais objetivos é entender até que tamanho um planeta pode ter uma estrutura rochosa, como a da Terra.
----
Matérias similares no O Globo e Astronomia On Line - Portugal
Assinar:
Postagens (Atom)







