quarta-feira, 26 de março de 2014
Finalmente encontraram a “Terra 2″?
(Sploid/Discovery/Hypescience) Esta descoberta ainda não foi oficialmente anunciada, mas boatos que correm pelo Twitter dão conta que o astrônomo Thomas Barclay, trabalhando no Ames Research Center da Nasa, na Califórnia (EUA), encontrou, usando dados do telescópio Kepler, uma verdadeira joia: um sistema com cinco planetas, dos quais o mais distante parece muito com a nossa Terra.
O tal planeta estaria quase no limite da zona habitável de sua estrela e teria um raio estimado de 1,1 vezes o raio da nossa Terra, ou seja, cerca de 7.000 km (a Terra tem raio médio de 6.371 km). Ainda não sabemos o nome da estrela, mas ela é uma anã vermelha da classe espectral M1, o que significa que é menor e menos brilhante que o sol.
Os boatos vêm do Twitter do estudante de graduação de astronomia da Universidade do Arizona, e do cientista Jessie Christiansen, também do Ames Research Center, entre outros, todos presentes durante o anúncio preliminar feito por Thomas Barclay na conferência “Search for Life Beyond the Solar System” (de 16 a 21 de março), em Tucson, Arizona.
Este novo planetinha vem bater o recorde anterior de semelhança com a Terra, do Kepler-62f, que tem 1,4 vezes o tamanho do nosso planeta. De Kepler-62f já sabemos mais coisas, como o fato de que ele recebe de sua estrela metade da energia que a Terra recebe do sol, e seu ano dura 267 dias terrestres. Além disso, está a 1.200 anos-luz de distância, na constelação da Lira.
Mais novidades sobre a nova “Terra-2″ devem ser anunciadas quando o artigo do astrônomo Thomas Barclay estiver próximo de ser publicado em um periódico. Até lá, teremos que nos contentar com as especulações. Por exemplo, um planeta pouco maior que a Terra, orbitando uma estrela vermelha, poderia ser… Krypton?
A assinatura dos extraterrestres
(Mensageiro Sideral - Folha) Como detectar vida alienígena separada de nós por vários anos-luz de distância? Não é um problema trivial, mas um grupo de pesquisadores liderados pela biofísica Claudia Lage, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está trabalhando nisso. O segredo é identificar como a presença de moléculas diretamente atreladas à vida pode ser revelada a partir da análise da luz vinda desses planetas distantes.
Peguemos um exemplo concreto: o planeta Kepler-62e, localizado a cerca de 1.200 anos-luz de nós na constelação de Lira. Ele tem um diâmetro 60% maior que o terrestre e orbita ao redor de uma estrela de tipo K, um pouco menor que o Sol, completando uma volta a cada 122 dias. Sua idade é mais ou menos a mesma que a da Terra, e sua composição possivelmente é similar. Como podemos saber se ele abriga uma biosfera?
O instigante planeta foi descoberto ao passar repetidas vezes à frente de sua estrela ao completar voltas e mais voltas em torno dela, produzindo uma ligeira redução de brilho do astro central a cada passagem. Essas variações foram detectadas pelo satélite Kepler, da Nasa, o que permitiu estimar seu tamanho e sua órbita, determinando que ele está na chamada zona habitável — região do sistema em que um planeta como o nosso abrigaria água em estado líquido.
A beleza do achado por este método é que agora os astrônomos podem tentar olhar para aquela direção no exato momento em que o Kepler-62e estiver à frente de sua estrela. A luz individual do planeta é muito diminuta para ser detectada diretamente com os instrumentos atuais, mas é possível ver uma certa quantidade de luz da estrela que atravessa a atmosfera do planeta pelas bordas e chega até nós. Ao analisá-la com um instrumento chamado espectrógrafo acoplado a um telescópio — separando a luz original em um arco-íris de frequências — é possível identificar a “assinatura” de diversos compostos presentes no ar daquele mundo.
É assim que se pretende identificar certos gases simples na atmosfera de planetas afastados. Se o Kepler-62e tiver oxigênio e ozônio, por exemplo, eles serão um indicativo de que algo pode estar vivo lá para produzir esses gases. Na Terra, o oxigênio da atmosfera vem da fotossíntese, produzida por plantas e bactérias. Mas quem vai dizer que o oxigênio alienígena é mesmo de origem biológica?
É aí que entra o esforço de Lage e seus colegas. Eles querem estabelecer assinaturas espectrais que estejam relacionadas diretamente com a vida. Ou seja, em vez de procurar oxigênio, que é um indicativo indireto de atividade biológica, o grupo quer observar coisas como clorofila — a molécula responsável pela fotossíntese nas plantas e que jamais foi vista em nada que não estivesse vivo.
QUÍMICA ALIENÍGENA
Lage esteve apresentando uma versão preliminar de seu trabalho na conferência de astrobiologia promovida pelo Vaticano e pela Universidade do Arizona, na semana passada. Feito em parceria com um grupo da Universidade de Nice, na França, o esforço consiste em basicamente modelar como moléculas essenciais à vida terrestre apareceriam no espectro de luz de planetas distantes.
Uma coisa que pode ocorrer ao leitor é que a evolução da vida está cheia de fenômenos contingentes, aleatórios. Quem garante que clorofila vá aparecer na biologia de outros mundos como apareceu na nossa?
Aí reside uma das sofisticações do trabalho. Ele tenta identificar assinaturas ligadas a famílias inteiras de moléculas. Em vez de procurar um dos tipos de clorofila da vida terrestre, o grupo quer identificar a assinatura das porfirinas — compostos orgânicos em forma de anel que estão presentes em uma série muito variada de moléculas biológicas fundamentais. A clorofila é uma delas. Mas também há porfirina, por exemplo, na hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio em criaturas como nós.
“O anel porfirínico é essencial para a vida”, disse Lage ao Mensageiro Sideral. “E temos razões para acreditar que ele será incorporado em todas as formas de vida, porque sua formação é fruto de uma reação termodinamicamente favorecida.” Trocando em miúdos, a pesquisadora quer dizer que a natureza adora fabricar porfirina.
OBSERVAÇÃO
Em paralelo ao desenvolvimento dos padrões espectrais teóricos, que precisam ser modelados levando em conta diferentes padrões de temperatura e pressão possivelmente encontrados em outros planetas, o que os pesquisadores querem mesmo é de fato encontrar esses padrões em mundos distantes. Detecção de verdade.
Por isso, Bruno Lopez, do Observatório da Costa Azul, na França, se empolgou ao conhecer o trabalho de Lage e buscou uma parceria. Ele é o pesquisador-chefe (“principal investigator”, no linguajar cientifiquês) de um novo instrumento sendo desenvolvido para o VLT, grande quarteto de telescópios do ESO (Observatório Europeu do Sul), instalado no Chile. Chamado de MATISSE, esse aparato será capaz de obter espectros de alta resolução na frequência do infravermelho — a ideal para a busca de assinaturas de moléculas biológicas.
O instrumento deve ser instalado no ano que vem, e em 2016 já será possível iniciar a caça. Até lá, certamente os astrônomos já terão encontrado outros planetas nas zonas habitáveis de suas respectivas estrelas que sirvam como alvos em uma busca preliminar. O Kepler-62e provavelmente estará entre eles.
Nunca estivemos tão perto de confirmar a presença de vida fora da Terra. Só de pensar que pode acontecer ainda nesta década dá um nó na garganta. Quem viver, verá.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Nasa apresenta concepção artística de planetas que poderiam abrigar vida
Descoberta de 715 novos planetas foi anunciada em fevereiro pela Nasa. Quatro desses planetas ficam em zonas habitáveis de suas estrelas.
(G1) Em 26 de fevereiro, a Nasa anunciou a importante descoberta de 715 novos planetas identificados pelo telescópio Kepler. O achado, que praticamente dobrou o número de planetas conhecidos, inclui quatro planetas com características que permitiriam o desenvolvimento de vida. A concepção artística de como devem ser esses planetas "habitáveis" foi divulgada agora pela agência espacial.
Os quatro planetas - Kepler-69c, Kepler-62e e Kepler-296f - ficam na zona habitável de suas estrelas, que pode ser definida como a região em que a distância em relação à estrela possibilite uma temperatura adequada para a existência de água líquida.
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Matéria com imagens aqui
(G1) Em 26 de fevereiro, a Nasa anunciou a importante descoberta de 715 novos planetas identificados pelo telescópio Kepler. O achado, que praticamente dobrou o número de planetas conhecidos, inclui quatro planetas com características que permitiriam o desenvolvimento de vida. A concepção artística de como devem ser esses planetas "habitáveis" foi divulgada agora pela agência espacial.
Os quatro planetas - Kepler-69c, Kepler-62e e Kepler-296f - ficam na zona habitável de suas estrelas, que pode ser definida como a região em que a distância em relação à estrela possibilite uma temperatura adequada para a existência de água líquida.
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quinta-feira, 13 de março de 2014
Quantos planetas parecidos com a Terra existem em nossa galáxia?
(YouTube/CNN/Hypescience) Até aproximadamente cem anos atrás, nós não sabíamos se havia alguma outra galáxia além da nossa própria. Agora, temos certeza de que vivemos em um universo onde existem centenas de bilhões de galáxias, todas colidindo ou se afastando umas das outras em ritmos acelerados.
Há apenas 20 anos, especulávamos se haveria outros planetas orbitando alguma outra estrela além do nosso sol. Hoje, no entanto, sabemos que a galáxia onde vivemos abriga mais planetas do que estrelas. E vamos além: cada estrela de nossa galáxia possui uma média de 1,6 planeta em sua órbita.
Ou seja, se houve uma evolução tão grande assim no último século (e até nas últimas duas décadas), só podemos especular quais serão nossas grandes descobertas do futuro. E, pela rapidez com que novas informações são encontradas nesta área, pode ser que não demore tanto assim para acharmos diversos planetas com plenas condições de abrigar vida.
Nós lançamos telescópios no espaço com expectativas modestas para tentar responder a questões bem menos humildes: quantas galáxias existem no universo? Quantos planetas semelhantes ao nosso há em nossa galáxia?
Por enquanto, as respostas a essas perguntas ainda não são totalmente conclusivas. No entanto, as descobertas do telescópio espacial Kepler, durante sua missão entre 2009 e 2013, sugerem que o número de planetas semelhantes à Terra pode chegar a incríveis 20 bilhões.
O telescópio Kepler fotografou 150 mil das 300 bilhões de estrelas da Via Láctea a cada 30 minutos durante quatro anos. Analisando os dados, os astrônomos encontraram 3 mil planetas candidatos a serem bem parecidos conosco. Então, como esse número subiu para a casa dos bilhões? Usando um modelo de computador com planetas falsos para testar a validade dos algoritmos utilizados nos cálculos.
“O que fizemos foi um ‘censo de planetas extra-solares’, mas não pudemos bater em cada porta. Só depois de inserir estes planetas falsos é que fomos capaz de contabilizar o número de planetas reais que deixamos passar”, conta Erik Petigura, líder da equipe da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, que analisou os dados do Kepler.
Usando estas informações, os astrônomos calcularam que 22% das estrelas da Via Láctea semelhantes ao nosso sol contém planetas como a Terra em sua zona habitável. Como há cerca de 20 bilhões de estrelas parecidas com o sol na galáxia, as possibilidades aumentam rapidamente – mais de uma para cada um de nós, terráqueos.
O vídeo abaixo demonstra de forma didática as descobertas do telescópio Kepler e como estas novas informações podem mudar a forma como entendemos o universo e a parte que ocupamos nele. Para ativar as legendas em português, clique no botão “legendas ocultas” no canto inferior direito do vídeo, selecione o retângulo com os idiomas e escolha “traduzir legendas”.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Formação de planetas por magnetismo
(UOL) Mistério sobre a formação de planetas é explicada por magnetismo. Astrônomos dizem que o gás orbitando uma jovem estrela pode ser a explicação para este mistério que existe desde 2006. Usando o telescópio espacial Spitzer para estudar o desenvolvimento de estrelas, os pesquisadores descobriram que elas emitem mais luz infravermelha do que eles esperavam. Os discos que formarão planetas que a circundam são aquecidos pela luz das estrelas e brilham sob luz infravermelha, mas o telescópio viu uma fonte de luz adicional, de uma fonte desconhecida. Assim, a nova teoria baseada em modelos 3D prevê que gás e poeira suspensos sobre os discos criam círculos magnéticos gigantes, como visto nessa concepção artística, e são responsáveis pela luz.
terça-feira, 11 de março de 2014
Uma estrela pequena, um planeta pequeno... pelo menos!
(Astronomia On Line - Portugal) Um grupo de astrónomos do Reino Unido e do Chile relata a descoberta de oito novos planetas pequenos orbitando anãs vermelhas próximas, três das quais podem ser habitáveis. A partir deste resultado, os cientistas, liderados por Mikko Tuomi da Universidade de Hertfordshire, estimam que uma grande fracção das anãs vermelhas, que constituem pelo menos três-quartos das estrelas no Universo, têm planetas de baixa massa. O novo trabalho foi publicado na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.
Os pesquisadores descobriram os planetas através da análise de dados de arquivo de dois estudos planetários de alta precisão feitos com o instrumento UVES (Ultraviolet and Visual Echelle Spectrograph) e com o HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), ambos operados pelo Observatório Europeu do Sul no Chile. Os dois instrumentos são usados para medir quanto uma estrela é afectada pela gravidade de um planeta em órbita.
À medida que um planeta invisível orbita uma estrela distante, a atracção gravitacional entre os dois faz com que a estrela tenha um movimento oscilatório no espaço. Esta oscilação periódica é detectada através do estudo da luz da estrela. Ao combinar dados do UVES e do HARPS, a equipa foi capaz de detectar sinais demasiado fracos para serem vistos nos dados de um só instrumento.
Com esta técnica mais sensível, os astrónomos descobriram oito mundos, três dos quais encontram-se na chamada "zona habitável" das suas estrelas e são apenas um pouco mais maciços que a Terra. Os planetas nesta região, onde a temperatura é ideal para a existência de água líquida à sua superfície, são mais propensos a suportar vida.
Todos os planetas recém-descobertos orbitam anãs vermelhas entre 15 e 80 anos-luz do Sol, tornando-os relativamente próximos do Sistema Solar. Os oito planetas demoram entre duas semanas e nove anos a completar cada órbita, colocando-os a uma distância das suas estrelas entre 6 e 600 milhões de quilómetros (equivalente a entre 0,04 e 4 vezes a distância da Terra ao Sol).
"Nós estávamos apenas estudando os dados do UVES, e notámos uma variabilidade que não podia ser explicada por um ruído aleatório. Ao combinar essas observações com dados do HARPS, conseguimos detectar este tesouro espectacular de candidatos a planeta," disse Mikko Tuomi. "Estamos claramente estudando uma população altamente abundante de planetas de baixa massa, e podemos esperar encontrar muitos mais no futuro próximo - mesmo em redor de estrelas muito mais próximas do Sol."
A equipa usou técnicas inovadoras de análise para espremer os sinais planetários nos dados. Em particular, aplicaram a regra de probabilidades condicionais de Bayes que permite responder à questão "Qual a probabilidade de uma determinada estrela ter planetas em órbita com base nos dados disponíveis?" Esta abordagem, em conjunto com uma técnica que permite aos pesquisadores filtrar ruído em excesso nas medições, tornou possível as detecções.
Hugh Jones, também da Universidade de Hertfordshire, afirma: "este novo resultado é algo já esperado, no sentido de que estudos de anãs vermelhas distantes com a missão Kepler indicam uma população significativa de planetas com pequenos raios. Por isso, é agradável ser capaz de confirmar isso com uma amostra de estrelas que estão entre as mais brilhantes da sua classe."
Estas descobertas acrescentam oito novos exoplanetas ao total anterior de 17 já conhecidos em torno de estrelas de baixa massa. A equipa também pretende acompanhar outros dez sinais mais fracos.
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Mais quatro mundos habitáveis (Mensageiro Sideral - Folha)
segunda-feira, 10 de março de 2014
Choque de cometas explica nodo de gás em torno de estrela jovem
(Astronomia On Line - Portugal) Os astrónomos anunciaram ontem a descoberta de um nodo inesperado de monóxido de carbono gasoso no disco de poeira que circunda a estrela Beta Pictoris. A descoberta, feita com observações obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) situado no norte do Chile, é surpreendente uma vez que se espera que tal gás seja rapidamente destruído pela radiação estelar. Algo - provavelmente colisões frequentes entre objectos pequenos e gelados, como cometas - faz com que o gás esteja a ser constantemente criado. Os novos resultados foram publicados na revista Science.
Beta Pictoris, uma estrela próxima facilmente observável a olho nu no céu austral, é já tida como sendo o arquétipo dos sistemas planetários jovens. Sabe-se que alberga um planeta que orbita a estrela a uma distância de 1,2 mil milhões de quilómetros e foi uma das primeiras estrelas que se descobriu rodeada por um enorme disco de poeira.
As novas observações do ALMA mostram que o disco está permeado de gás de monóxido de carbono. Paradoxalmente, a presença deste gás, tão prejudicial aos humanos na Terra, poderá indicar que o sistema planetário Beta Pictoris se tornará eventualmente passível de albergar vida. O bombardeamento de cometas que os seus planetas sofrem actualmente está muito provavelmente a fornecer-lhes água indispensável à vida.
No entanto, o monóxido de carbono é rápida e facilmente destruído pela radiação estelar - dura apenas cerca de 100 anos no local onde se encontra no disco de Beta Pictoris. Observá-lo num disco com 20 milhões de anos de idade é realmente uma surpresa. A pergunta é então: donde é que este gás vem e porque é que ainda lá se encontra?
"A não ser que estejamos a observar Beta Pictoris numa altura muito particular, o monóxido de carbono deve estar a ser continuamente criado," diz Bill Dent, um astrónomo do ESO a trabalhar no Gabinete do ALMA em Santiago, Chile, e autor principal do artigo científico ontem publicado na revista Science. "A fonte mais abundante de monóxido de carbono num sistema estelar jovem é a colisão de objectos gelados, desde cometas a objectos maiores do tamanho de planetas."
Mas a taxa de destruição tem que ser muito elevada: "Para que haja a quantidade de monóxido de carbono que estamos a observar, a taxa de colisões tem de ser verdadeiramente espantosa - uma colisão de um cometa grande a cada cinco minutos," diz Aki Roberge, astrónomo no Goddard Research Center da NASA, em Greenbelt, EUA e co-autor do artigo. "E para termos este número de colisões, terá que haver uma enorme concentração de cometas."
O ALMA mostrou ainda outra surpresa, já que as observações revelaram não apenas o monóxido de carbono mas permitiram também mapear a sua localização no disco, devido à capacidade única do ALMA em medir simultaneamente posições e velocidades: o gás concentra-se num único nodo compacto. Esta concentração situa-se a 13 mil milhões de quilómetros de distância da estrela, o que corresponde a cerca de três vezes a distância de Neptuno ao Sol. A razão por que o gás se concentra neste pequeno nodo tão longe da estrela permanece um mistério.
"Este nodo de gás é uma importante pista sobre o que se passa nas regiões mais externas deste sistema planetário jovem," diz Mark Wyatt, astrónomo da Universidade de Cambridge, RU, e co-autor do artigo. Mark explica que existem dois processos pelos quais este nodo se pode ter formado: "Ou a atracção gravitacional de um planeta ainda não detectado, com massa semelhante à de Saturno, concentra as colisões cometárias nesta pequena região, ou o que estamos a ver são os resquícios de uma colisão catastrófica entre dois planetas gelados com massas semelhantes à de Marte."
Ambas estas hipóteses dão aos astrónomos razões para esperar descobrir vários outros planetas em torno de Beta Pictoris. "Este monóxido de carbono é apenas o início - podem haver outras moléculas pré-orgânicas mais complexas libertadas por estes corpos gelados," acrescenta Roberge.
Estão previstas mais observações com o ALMA, que ainda não alcançou as suas capacidades totais, para se continuar a estudar este intrigante sistema planetário e consequentemente ajudar-nos a compreender quais as condições que existiam durante a formação do nosso Sistema Solar.
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Matérias similares no UOL, Inovação Tecnológica, Ciência 2.0 e Eternos Aprendizes
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Matéria original no ESO
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E mais:
Doce Veneno (Fundação Planetário)
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