sexta-feira, 28 de março de 2014
Planeta sem futuro
(Fundação Planetário) Para quem não está acostumado com a nomenclatura em Astronomia, Kepler 78b pode parecer um nome estranho para um planeta. Foi descoberto pelo satélite astronômico Kepler, razão do nome do planeta. Entretanto, algumas de suas características são bem mais estranhas, tornando-o um alvo atraente de estudo.
Kepler 78b está localizado na constelação do Cisne e dista 400 anos-luz. Seu tamanho, apenas um pouco maior que o da Terra, faz com que seja o planeta extrassolar, descoberto de forma direta (por reflexão da luz da estrela central), mais parecido com o nosso planeta.
Sua órbita é bem mais extraordinária: ele está 40 vezes mais próximo da estrela central do que Mercúrio está do Sol, por exemplo. Note-se que Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. O raio orbital de Kepler 78b é apenas três vezes o raio da estrela central. Estando tão próximo da fonte de calor, a temperatura pode passar dos 3000°C, tornando-o inabitável (até a rocha fica líquida nessa temperatura).
O curioso é que, segundo os modelos de formação de planetas, Kepler 78b não poderia ser formado numa órbita tão pequena. É atualmente um enigma para os especialistas, que acreditam que o planeta será dragado gravitacionalmente pela estrela central em até 3 bilhões de anos.
A pequena órbita de Kepler 78b produz outra curiosidade: o planeta dá uma volta ao redor da estrela central em apenas 8 horas e meia. Ou seja, em um dia na Terra, se passam dois "réveillons" no planeta. Motivos para comemorar, nesse caso, não existem, pois cada ano que passa, para o planeta, o aproxima da destruição inevitável.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Girassol espacial vai procurar exoplanetas habitáveis
Sombreiro de estrelas
(Inovação Tecnológica) Uma nave espacial parecida com um girassol gigante poderá ser a próxima solução tecnológica para identificar planetas rochosos parecidos com a Terra em torno de estrelas próximas.
O primeiro protótipo da estrutura, chamada Starshade (sombra das estrelas) começou a ser testado no Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA.
O telescópio espacial Kepler descobriu centenas de planetas que orbitam outras estrelas, alguns dos quais são um pouco maiores do que a Terra e se encontram na zona habitável, a região em torno da estrela onde a temperatura é adequada para a existência de água em estado líquido.
Mas para identificar planetas gêmeos da Terra de forma conclusiva, Jeremy Kasdin, da Universidade de Princeton, afirma que o próximo passo será fotografar e caracterizar os espectros desses planetas, ou seja, suas assinaturas químicas, que fornecem pistas claras sobre se esses mundos poderiam suportar a vida terrestre.
Kasdin então propôs a criação do Starshade, que foi projetado para ajudar a tirar essas fotos de exoplanetas bloqueando a luz muito mais brilhante das suas estrelas.
Em termos simples, o girassol espacial fará para um telescópio o que sua mão faz para bloquear a luz do Sol para tirar uma fotografia de alguém contra a luz.
A ideia é lançar o girassol e o telescópio no mesmo foguete.
Uma vez no espaço, a estrutura se distancia do telescópio, desfralda suas pétalas e então se posiciona para bloquear a luz das estrelas e deixar o telescópio fazer seu trabalho.
Embora o protótipo já esteja em testes no laboratório, ainda não há previsão de quando a estrutura será lançada ao espaço.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Finalmente encontraram a “Terra 2″?
(Sploid/Discovery/Hypescience) Esta descoberta ainda não foi oficialmente anunciada, mas boatos que correm pelo Twitter dão conta que o astrônomo Thomas Barclay, trabalhando no Ames Research Center da Nasa, na Califórnia (EUA), encontrou, usando dados do telescópio Kepler, uma verdadeira joia: um sistema com cinco planetas, dos quais o mais distante parece muito com a nossa Terra.
O tal planeta estaria quase no limite da zona habitável de sua estrela e teria um raio estimado de 1,1 vezes o raio da nossa Terra, ou seja, cerca de 7.000 km (a Terra tem raio médio de 6.371 km). Ainda não sabemos o nome da estrela, mas ela é uma anã vermelha da classe espectral M1, o que significa que é menor e menos brilhante que o sol.
Os boatos vêm do Twitter do estudante de graduação de astronomia da Universidade do Arizona, e do cientista Jessie Christiansen, também do Ames Research Center, entre outros, todos presentes durante o anúncio preliminar feito por Thomas Barclay na conferência “Search for Life Beyond the Solar System” (de 16 a 21 de março), em Tucson, Arizona.
Este novo planetinha vem bater o recorde anterior de semelhança com a Terra, do Kepler-62f, que tem 1,4 vezes o tamanho do nosso planeta. De Kepler-62f já sabemos mais coisas, como o fato de que ele recebe de sua estrela metade da energia que a Terra recebe do sol, e seu ano dura 267 dias terrestres. Além disso, está a 1.200 anos-luz de distância, na constelação da Lira.
Mais novidades sobre a nova “Terra-2″ devem ser anunciadas quando o artigo do astrônomo Thomas Barclay estiver próximo de ser publicado em um periódico. Até lá, teremos que nos contentar com as especulações. Por exemplo, um planeta pouco maior que a Terra, orbitando uma estrela vermelha, poderia ser… Krypton?
A assinatura dos extraterrestres
(Mensageiro Sideral - Folha) Como detectar vida alienígena separada de nós por vários anos-luz de distância? Não é um problema trivial, mas um grupo de pesquisadores liderados pela biofísica Claudia Lage, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está trabalhando nisso. O segredo é identificar como a presença de moléculas diretamente atreladas à vida pode ser revelada a partir da análise da luz vinda desses planetas distantes.
Peguemos um exemplo concreto: o planeta Kepler-62e, localizado a cerca de 1.200 anos-luz de nós na constelação de Lira. Ele tem um diâmetro 60% maior que o terrestre e orbita ao redor de uma estrela de tipo K, um pouco menor que o Sol, completando uma volta a cada 122 dias. Sua idade é mais ou menos a mesma que a da Terra, e sua composição possivelmente é similar. Como podemos saber se ele abriga uma biosfera?
O instigante planeta foi descoberto ao passar repetidas vezes à frente de sua estrela ao completar voltas e mais voltas em torno dela, produzindo uma ligeira redução de brilho do astro central a cada passagem. Essas variações foram detectadas pelo satélite Kepler, da Nasa, o que permitiu estimar seu tamanho e sua órbita, determinando que ele está na chamada zona habitável — região do sistema em que um planeta como o nosso abrigaria água em estado líquido.
A beleza do achado por este método é que agora os astrônomos podem tentar olhar para aquela direção no exato momento em que o Kepler-62e estiver à frente de sua estrela. A luz individual do planeta é muito diminuta para ser detectada diretamente com os instrumentos atuais, mas é possível ver uma certa quantidade de luz da estrela que atravessa a atmosfera do planeta pelas bordas e chega até nós. Ao analisá-la com um instrumento chamado espectrógrafo acoplado a um telescópio — separando a luz original em um arco-íris de frequências — é possível identificar a “assinatura” de diversos compostos presentes no ar daquele mundo.
É assim que se pretende identificar certos gases simples na atmosfera de planetas afastados. Se o Kepler-62e tiver oxigênio e ozônio, por exemplo, eles serão um indicativo de que algo pode estar vivo lá para produzir esses gases. Na Terra, o oxigênio da atmosfera vem da fotossíntese, produzida por plantas e bactérias. Mas quem vai dizer que o oxigênio alienígena é mesmo de origem biológica?
É aí que entra o esforço de Lage e seus colegas. Eles querem estabelecer assinaturas espectrais que estejam relacionadas diretamente com a vida. Ou seja, em vez de procurar oxigênio, que é um indicativo indireto de atividade biológica, o grupo quer observar coisas como clorofila — a molécula responsável pela fotossíntese nas plantas e que jamais foi vista em nada que não estivesse vivo.
QUÍMICA ALIENÍGENA
Lage esteve apresentando uma versão preliminar de seu trabalho na conferência de astrobiologia promovida pelo Vaticano e pela Universidade do Arizona, na semana passada. Feito em parceria com um grupo da Universidade de Nice, na França, o esforço consiste em basicamente modelar como moléculas essenciais à vida terrestre apareceriam no espectro de luz de planetas distantes.
Uma coisa que pode ocorrer ao leitor é que a evolução da vida está cheia de fenômenos contingentes, aleatórios. Quem garante que clorofila vá aparecer na biologia de outros mundos como apareceu na nossa?
Aí reside uma das sofisticações do trabalho. Ele tenta identificar assinaturas ligadas a famílias inteiras de moléculas. Em vez de procurar um dos tipos de clorofila da vida terrestre, o grupo quer identificar a assinatura das porfirinas — compostos orgânicos em forma de anel que estão presentes em uma série muito variada de moléculas biológicas fundamentais. A clorofila é uma delas. Mas também há porfirina, por exemplo, na hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio em criaturas como nós.
“O anel porfirínico é essencial para a vida”, disse Lage ao Mensageiro Sideral. “E temos razões para acreditar que ele será incorporado em todas as formas de vida, porque sua formação é fruto de uma reação termodinamicamente favorecida.” Trocando em miúdos, a pesquisadora quer dizer que a natureza adora fabricar porfirina.
OBSERVAÇÃO
Em paralelo ao desenvolvimento dos padrões espectrais teóricos, que precisam ser modelados levando em conta diferentes padrões de temperatura e pressão possivelmente encontrados em outros planetas, o que os pesquisadores querem mesmo é de fato encontrar esses padrões em mundos distantes. Detecção de verdade.
Por isso, Bruno Lopez, do Observatório da Costa Azul, na França, se empolgou ao conhecer o trabalho de Lage e buscou uma parceria. Ele é o pesquisador-chefe (“principal investigator”, no linguajar cientifiquês) de um novo instrumento sendo desenvolvido para o VLT, grande quarteto de telescópios do ESO (Observatório Europeu do Sul), instalado no Chile. Chamado de MATISSE, esse aparato será capaz de obter espectros de alta resolução na frequência do infravermelho — a ideal para a busca de assinaturas de moléculas biológicas.
O instrumento deve ser instalado no ano que vem, e em 2016 já será possível iniciar a caça. Até lá, certamente os astrônomos já terão encontrado outros planetas nas zonas habitáveis de suas respectivas estrelas que sirvam como alvos em uma busca preliminar. O Kepler-62e provavelmente estará entre eles.
Nunca estivemos tão perto de confirmar a presença de vida fora da Terra. Só de pensar que pode acontecer ainda nesta década dá um nó na garganta. Quem viver, verá.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Nasa apresenta concepção artística de planetas que poderiam abrigar vida
Descoberta de 715 novos planetas foi anunciada em fevereiro pela Nasa. Quatro desses planetas ficam em zonas habitáveis de suas estrelas.
(G1) Em 26 de fevereiro, a Nasa anunciou a importante descoberta de 715 novos planetas identificados pelo telescópio Kepler. O achado, que praticamente dobrou o número de planetas conhecidos, inclui quatro planetas com características que permitiriam o desenvolvimento de vida. A concepção artística de como devem ser esses planetas "habitáveis" foi divulgada agora pela agência espacial.
Os quatro planetas - Kepler-69c, Kepler-62e e Kepler-296f - ficam na zona habitável de suas estrelas, que pode ser definida como a região em que a distância em relação à estrela possibilite uma temperatura adequada para a existência de água líquida.
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Matéria com imagens aqui
(G1) Em 26 de fevereiro, a Nasa anunciou a importante descoberta de 715 novos planetas identificados pelo telescópio Kepler. O achado, que praticamente dobrou o número de planetas conhecidos, inclui quatro planetas com características que permitiriam o desenvolvimento de vida. A concepção artística de como devem ser esses planetas "habitáveis" foi divulgada agora pela agência espacial.
Os quatro planetas - Kepler-69c, Kepler-62e e Kepler-296f - ficam na zona habitável de suas estrelas, que pode ser definida como a região em que a distância em relação à estrela possibilite uma temperatura adequada para a existência de água líquida.
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Matéria com imagens aqui
quinta-feira, 13 de março de 2014
Quantos planetas parecidos com a Terra existem em nossa galáxia?
(YouTube/CNN/Hypescience) Até aproximadamente cem anos atrás, nós não sabíamos se havia alguma outra galáxia além da nossa própria. Agora, temos certeza de que vivemos em um universo onde existem centenas de bilhões de galáxias, todas colidindo ou se afastando umas das outras em ritmos acelerados.
Há apenas 20 anos, especulávamos se haveria outros planetas orbitando alguma outra estrela além do nosso sol. Hoje, no entanto, sabemos que a galáxia onde vivemos abriga mais planetas do que estrelas. E vamos além: cada estrela de nossa galáxia possui uma média de 1,6 planeta em sua órbita.
Ou seja, se houve uma evolução tão grande assim no último século (e até nas últimas duas décadas), só podemos especular quais serão nossas grandes descobertas do futuro. E, pela rapidez com que novas informações são encontradas nesta área, pode ser que não demore tanto assim para acharmos diversos planetas com plenas condições de abrigar vida.
Nós lançamos telescópios no espaço com expectativas modestas para tentar responder a questões bem menos humildes: quantas galáxias existem no universo? Quantos planetas semelhantes ao nosso há em nossa galáxia?
Por enquanto, as respostas a essas perguntas ainda não são totalmente conclusivas. No entanto, as descobertas do telescópio espacial Kepler, durante sua missão entre 2009 e 2013, sugerem que o número de planetas semelhantes à Terra pode chegar a incríveis 20 bilhões.
O telescópio Kepler fotografou 150 mil das 300 bilhões de estrelas da Via Láctea a cada 30 minutos durante quatro anos. Analisando os dados, os astrônomos encontraram 3 mil planetas candidatos a serem bem parecidos conosco. Então, como esse número subiu para a casa dos bilhões? Usando um modelo de computador com planetas falsos para testar a validade dos algoritmos utilizados nos cálculos.
“O que fizemos foi um ‘censo de planetas extra-solares’, mas não pudemos bater em cada porta. Só depois de inserir estes planetas falsos é que fomos capaz de contabilizar o número de planetas reais que deixamos passar”, conta Erik Petigura, líder da equipe da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, que analisou os dados do Kepler.
Usando estas informações, os astrônomos calcularam que 22% das estrelas da Via Láctea semelhantes ao nosso sol contém planetas como a Terra em sua zona habitável. Como há cerca de 20 bilhões de estrelas parecidas com o sol na galáxia, as possibilidades aumentam rapidamente – mais de uma para cada um de nós, terráqueos.
O vídeo abaixo demonstra de forma didática as descobertas do telescópio Kepler e como estas novas informações podem mudar a forma como entendemos o universo e a parte que ocupamos nele. Para ativar as legendas em português, clique no botão “legendas ocultas” no canto inferior direito do vídeo, selecione o retângulo com os idiomas e escolha “traduzir legendas”.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Formação de planetas por magnetismo
(UOL) Mistério sobre a formação de planetas é explicada por magnetismo. Astrônomos dizem que o gás orbitando uma jovem estrela pode ser a explicação para este mistério que existe desde 2006. Usando o telescópio espacial Spitzer para estudar o desenvolvimento de estrelas, os pesquisadores descobriram que elas emitem mais luz infravermelha do que eles esperavam. Os discos que formarão planetas que a circundam são aquecidos pela luz das estrelas e brilham sob luz infravermelha, mas o telescópio viu uma fonte de luz adicional, de uma fonte desconhecida. Assim, a nova teoria baseada em modelos 3D prevê que gás e poeira suspensos sobre os discos criam círculos magnéticos gigantes, como visto nessa concepção artística, e são responsáveis pela luz.
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