segunda-feira, 19 de maio de 2014

Planeta estranho, muito distante da sua estrela


(Astronomia On Line - Portugal) Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Montreal descobriu e fotografou um novo planeta a 155 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar.

Um gigante gasoso foi adicionado à pequena lista de exoplanetas descobertos através de imagens directas. Está situado em torno de GU Psc, uma estrela três vezes menos massiva que o Sol na direcção da constelação de Peixes. A equipa internacional de pesquisa, liderada por Marie-Ève Naud, estudante de doutorado do Departamento de Física da Universidade de Montreal, foi capaz de encontrar este planeta através da combinação de observações do Observatório Gemini, do Observatório Mont-Mégantic (OMM), do Telescópio do Canadá-França-Hawaii (CFHT) e do Observatório W. M. Keck.

Um planeta distante que pode ser estudado em detalhe
GU Psc b está a cerca de 2000 vezes a distância Terra-Sol da sua estrela, um recorde entre planetas extrasolares. Tendo em conta a sua distância, leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para completar uma órbita em torno da sua estrela! Os cientistas também aproveitaram a grande distância entre o planeta e a estrela para obter imagens. Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda pelo OMM e pelo CFHT, foram capazes de detectar correctamente o planeta.

"Os planetas são muito mais brilhantes quando vistos em infravermelho, em vez do visível, porque a sua temperatura à superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas," afirma Naud. "Isto permitiu-nos identificar GU Psc b."

Sabendo onde procurar
Os investigadores estavam a observar em redor de GU Psc porque a estrela tinha sido identificada como um membro do jovem grupo estelar AB Doradus. As estrelas jovens (com apenas 100 milhões de anos) são os alvos principais para detecção planetária através de imagens, porque os planetas em redor estão ainda a arrefecer e são, portanto, mais brilhantes. Isto não significa que planetas semelhantes a GU Psc b existem em grande número, como observado por Étiene Artigau, co-supervisor da tese de Naud e astrofísico da Universidade de Montreal. "Observámos mais de 90 estrelas e encontrámos apenas um planeta, por isso esta é realmente uma raridade astronómica!"

A observação de um exoplaneta não determina directamente a sua massa. Em vez disso, os cientistas usam modelos teóricos de evolução planetária para determinar as suas características. O espectro de GU Psc b obtido pelo Telescópio Gemini Norte, no Hawaii, foi comparado com esses modelos para mostrar que tem uma temperatura de cerca de 800º C. Ao determinar a idade de GU Psc através da sua localização em AB Doradus, a equipa foi capaz de determinar a sua massa, que é 9-13 vezes maior que a de Júpiter.

Nos próximos anos, os astrofísicos esperam detectar planetas semelhantes a GU Psc b mas muito mais próximos das suas estrelas, graças a novos instrumentos como o GPI (Gemini Planet Imager), recentemente instalado no Telescópio Gemini Sul, no Chile, entre outros. A proximidade destes planetas às suas estrelas irão torná-los muito mais difíceis de observar. GU Psc b é, portanto, um modelo para melhor compreender estes objectos.

"GU Psc b é uma verdadeira dádiva da natureza. A grande distância que o separa da sua estrela permite-nos estudá-lo em detalhe com uma variedade de instrumentos, que irão proporcionar uma melhor compreensão dos exoplanetas gigantes em geral," afirma René Doyon, co-supervisor da tese de Naud e Director do OMM.

A equipa iniciou um projecto para observar várias centenas de estrelas e detectar planetas mais leves que GU Psc b em órbitas similares. A descoberta de GU Psc, um objecto raro, sensibiliza as grandes distâncias que podem separar planetas das suas estrelas, abrindo a possibilidade de procurar planetas com poderosas câmaras infravermelhas usando telescópios muito mais pequenos, como o Observatório de Mont-Mégantic. Os cientistas também esperam aprender mais sobre a abundância de tais objectos nos próximos anos, em particular, usando o GPI, o SPIRou do CFHT e o FGS/NIRISS do Telescópio Espacial James Webb.
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No planeta Gu Psc b, um ano é igual a 80 mil anos na Terra (Público - Portugal)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O primeiro retrato de um exoplaneta


(DN - Portugal) Um grupo internacional de astrofísicos mostra a primeira imagem de um planeta distante, na órbita de uma estrela a mais de 63 anos-luz da Terra.

Não é ainda uma retrato de alta definição, mas é a primeira imagem de um planeta longínquo, na órbita de uma outra estrela, que não o Sol, e só por isso ela é histórica.

Captada por um novo instrumento, o Gemini Planet Imager (GPI), instalado no telescópio de oito metros Gemini Sur, no alto do deserto chileno, a imagem mostra um exoplaneta chamado Beta Pictoris b, um gigante gasoso na órbita da estrela Beta Pictoris, situada a 63,5 anos-luz da Terra e comprova as novas possibilidades que o GPI dá aos cientistas de dar novos passos na investigação nesta área.

Os exoplanetas já entraram no vocabulário do dia-a-dia, pelo menos no dos cientistas, depois de o primeiro destes mundos distantes ter sido identificado através de medições indirectas, pela equipa do astrónomo suíço Micle Mayor.

Passados quase 20 anos, os cientistas já descobriram mais de mil destes exoplanetas na órbita de inúmeras estrelas da Via Láctea, mas toda essa busca tem sido realizada através de medições indirectas. A imagem do Beta Pictoris b é um passo em frente que encerra a promessa de novas descobertas, nomeadamente da possibilidade de uma caracterização mais detalhada da realidade desses novos mundos.

"A deteção direta é uma técnica importante para caracterizar os exoplanetas porque permite a observação dos gigantes [gasosos] em localizações [em relação à suas estrelas] idênticas às dos planetas semelhantes no nosso sistema solar", sublinha a equipa coordenada pelo astrofísico Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, no artigo que publicou sobre este avanço na revista científica PNAS.
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E mais:
Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente (Inovação Tecnológica)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

6 planetas com grandes chances de abrigar vida


(Super) O homem sempre quis saber se existe vida fora da Terra. Para isso, o primeiro passo é descobrir se existem outros planetas parecidos com o nosso, que contém água em forma líquida na superfície e com condições para abrigar organismos vivos da forma como conhecemos. O que os pesquisadores fazem em relação a isso? Usam aqueles supertelescópios para observar planetas que estão fora do nosso Sistema Solar. Esses corpos celestes que orbitam outras estrelas são chamados de exoplanetas.

Óbvio, nem todo exoplaneta é candidato a “nova Terra”. Dá pra tirar da conta todos os que não são habitáveis, de acordo com o conceito da astronomia para o termo. “Todo planeta contém uma porcentagem de água, mas só pode abrigar vida se a temperatura dele tornar a água liquida”, explica Gustavo Porto de Mello, astrônomo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por causa desse critério, a lista de exoplanetas com alguma chance de abrigar vida já fica bem mais reduzida. Mas… de quantos planetas estamos falando, afinal?

Até a década de 1990, nenhum corpo celeste havia sido encontrado fora do nosso sistema planetário. Mas há pouco tempo, astrônomos anunciaram a descoberta de mais de 1.700 exoplanetas. Listamos 6 planetas que têm chances altíssimas de conter água líquida e, possivelmente, vida.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Habitados por quem?

Entenda por que os cientistas dizem que alguns planetas estão em “zona habitável”


(Ciência Hoje) Já aconteceu algumas vezes: os meios de comunicação anunciam a descoberta de um planeta em uma “zona habitável” do espaço, e muita gente começa a imaginar se chegou a hora de encontrar extraterrestres vivendo nesses mundos distantes. Mas, para os astrônomos, estar em “zona habitável” não é garantia de haver vida em certo planeta – vamos entender melhor o que significa esse conceito?

Como você sabe, de uma maneira geral, os planetas giram ao redor de uma estrela, assim como a Terra gira em torno do Sol. Zona habitável é a área ao redor de uma estrela onde as temperaturas são propícias à existência de água em estado líquido na superfície de um planeta.

Essa é uma condição indispensável para a existência e a manutenção da vida como a conhecemos. Se o planeta estiver muito além desta zona, provavelmente será muito frio e a água, se existir, estará congelada. Se, por outro lado, o planeta estiver muito próximo da estrela, provavelmente será muito quente e também não apresentará água nas condições adequadas.

Mas há também outras características importantes para que um planeta seja considerado em zona habitável. Uma delas é a presença de certas moléculas na atmosfera, como gás carbônico, metano e vapor d´água. Elas têm a propriedade de fazer a atmosfera absorver certa quantidade da energia emitida pela estrela, e refletir outra parte. Dependendo de sua quantidade, podemos ter um mundo com belos oceanos ou repleto de erupções vulcânicas.

A quantidade de emissão de partículas e radiação pela estrela do sistema também é importante. O Sol, por exemplo, continuamente emite partículas e radiação, que em grande parte são barradas pelo campo magnético e pela atmosfera terrestres. Mas as estrelas mais jovens e menores do que o Sol emitem ainda mais partículas e radiação, fazendo com que os planetas próximos não sejam bons locais para se viver.

Também devem ser levados em consideração fatores como a proporção de áreas continentais e oceânicas, os processos de decomposição das rochas, a presença de carbono e a inclinação do eixo de rotação do planeta.

Mesmo que um planeta seja considerado em zona habitável, isso não significa que haja vida por lá – muito menos vida extraterrestre como nos filmes de ficção científica. Mas também é difícil provar que esses planetas não são habitados por suas próprias criaturas, curiosas e diferentes das que conhecemos. Se há vida ou não em cada um desses mundos, só o tempo e muitas pesquisas conseguirão dizer…

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Exoluas podem confundir sinais de vida em exoplanetas

A presença de oxigênio e metano pode ser insuficiente como bioassinatura de exoplanetas


(Scientific American Brasil) Astrônomos esperam que um dia, em breve, consigamos obter um espectro de luz que possa nos dizer se um exoplaneta do tamanho da Terra abriga vida. Esse espectro poderia ser de luz estelar filtrada pela atmosfera planetária, ou de radiação emitida e refletida. Os dois tipos serviriam para avaliar a composição química de um mundo alienígena.

Há muito tempo a detecção de um desequilíbrio em componentes atmosféricos é considerada evidência de biosferas planetárias. Uma mistura rica de oxigênio e metano em um ambiente quente, por exemplo, não é estável. O metano se oxida com relativa rapidez para formar água e dióxido de carbono. Assim, detectar a presença tanto de oxigênio quanto de metano sugeriria um mecanismo ativo de reabastecimento. A vida (como a conhecemos) representa um candidato excelente para fornecer esses ingredientes.

Até aqui, tudo bem. Encontrar um planeta do tamanho da Terra, preparar nossa melhor tecnologia e procurar uma bioassinatura espectral.

Mas pode haver um problema. É possível que a natureza nos confunda. Em um novo artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, Rein, Fujii e Spiegel exploram uma possibilidade inquietante. Eles perguntam o que aconteceria se um exoplaneta com essas características tivesse uma lua considerável, com atmosfera própria, mas ambos não tivessem vida.

Se o exoplaneta do tamanho da Terra tiver uma atmosfera rica em oxigênio (mas nada para reagir com o gás), e a exolua tiver uma atmosfera parecida com a de Titã, rica em metano, nós poderíamos ser levados a acreditar que estamos vendo um único ambiente biológico fora de equilíbrio – um planeta habitado. Isso é um problema porque, gostemos ou não, nossos dados terão fidelidade relativamente baixa.

Será extremamente difícil distinguir entre um espectro planetário oriundo de um ou dois objetos próximos, mas isso é o máximo que nossa tecnologia de curto prazo (ou até longo prazo) vai nos fornecer. Oxigênio e metano representam apenas um exemplo dessa confusão, já que outros pares químicos seriam igualmente afetados.

Qual é a solução? Os autores sugerem dois caminhos simples. Um é que podemos ter sorte e identificar um verdadeiro “gêmeo da Terra” a aproximadamente 30 anos-luz de distância – perto o suficiente para nos dar uma chance de derrotar esse tipo de falso-positivo com medidas cuidadosas. O outro é simplesmente abandonar a busca por gêmeos da Terra. Outros planetas potencialmente habitáveis, como os que orbitam estrelas de pouca massa, as chamadas “super Terras”, poderiam permitir que verificássemos esse tipo de confusão por tornarem medidas espectrais mais fáceis.

É claro que nós não sabemos o quanto esses sistemas “falsos” podem ser comuns, mas quando estamos falando sobre determinar se estamos ou não sozinhos no cosmos, é melhor ter muita, muita certeza do que estamos vendo.
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E mais:
Será que encontraremos vida em exoluas? (Hypescience)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Cientistas descobrem que planeta distante gira a 90 mil km/h

'Beta Pictoris b' fica fora do Sistema Solar; lá, os dias duram apenas 8 horas. Velocidade é maior do que a de qualquer planeta que orbita ao redor do Sol.



(AFP/G1) Cientistas conseguiram medir, pela primeira vez, a rotação de um planeta de fora do Sistema Solar. O gigante jovem e gasoso "Beta Pictoris b" gira a vertiginosos 90 mil km/h, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (29) na revista "Nature". Essa velocidade se refere ao deslocamento de um ponto sobre o equador do planeta.

Na órbita de uma estrela que fica a cerca de 63 anos-luz da Terra, o Beta Pictoris b é mais de 16 vezes maior e 3 mil vezes mais maciço que o nosso planeta, mas seus dias duram apenas oito horas.

"O Beta Pictoris b gira significativamente mais rápido do que qualquer planeta do Sistema Solar", relatou a equipe de astrônomos holandeses. Como comparação, Júpiter gira a uma velocidade de cerca de 47 mil km/h e a Terra, de 1,7 mil km/h.

Essa medição, feita com o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), reflete uma tendência observada no Sistema Solar de uma velocidade de giro crescente à medida que a massa dos planetas aumenta.

Essa associação permite prever um giro, inclusive, duas vezes mais rápido, de cerca de 50 km/seg (180 mil km/h) para Beta Pictoris b, mas a equipe observou que o planeta ainda é jovem e quente e, provavelmente, vai acelerar à medida que resfriar e encolher para chegar ao tamanho de Júpiter nas próximas centenas de milhões de anos.

O planeta orbita a estrela Beta Pictoris, na constelação austral de Pictor. Descoberto cerca de seis anos atrás, ele orbita sua estrela a uma distância oito vezes maior do que a distância entre a Terra e o Sol. Beta Pictoris b tem cerca de 20 milhões de anos, sendo muito jovem para os padrões astronômicos. A Terra, por exemplo, tem 4,5 bilhões de anos.

Os astrônomos usaram uma técnica chamada espectroscopia de alta dispersão para medir as mudanças nos comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta e, com isso, determinar sua velocidade de giro.
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Matéria original no ESO
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Medida pela primeira vez a duração do dia de um exoplaneta (Inovação Tecnológica), com matérias similares na FolhaUOLAstronomia On Line - PortugalVejaFundação PlanetárioGalileuHypescience e AstroPT
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Mais rápido que um foguete! (Cássio Leandro Dal Ri Barbosa - G1)