quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Kepler está morto. Longa vida ao K2!



(Mensageiro Sideral - Folha) Depois de pifar e ter sido desenganado pela Nasa no ano passado, o satélite caçador de planetas Kepler voltará oficialmente à ativa a partir desta sexta-feira. Os pesquisadores envolvidos com o projeto desenvolveram uma técnica para operá-lo mesmo defeituoso, e a agência espacial americana acaba de aprovar um orçamento de dois anos para a iniciativa, batizada de K2.

É basicamente uma nova missão, com um velho telescópio espacial. Em sua operação original, o Kepler ficava o tempo todo apontado para a mesma região do céu, na direção das constelações de Cisne e Lira. Agora, ele apontará em diferentes direções do céu a cada época do ano. “A missão K2 irá observar campos-alvo ao longo do plano da eclíptica, a trajetória orbital dos planetas em nosso Sistema Solar, também conhecido como zodíaco”, afirma Charlie Sobeck, gerente da missão da Nasa.

Cada campanha de observação terá cerca de 75 dias. Esse é o tempo que o satélite terá para identificar planetas que passem à frente de suas estrelas — os chamados trânsitos planetários. Na prática, isso quer dizer que o K2 está limitado a descobrir mundos com órbitas curtas, menores que a de Mercúrio no Sistema Solar.

UMA SOLUÇÃO ENGENHOSA
Lançado em 2009, o Kepler foi originalmente equipado com quatro dispositivos destinados a mantê-lo apontado de forma estável no espaço. Pelo menos três dessas chamadas rodas de reação eram necessárias para controlar o satélite nos três eixos de apontamento (X, Y e Z). Como dois deles pifaram, só restaram outros dois, o que fez a Nasa decretar o fim da missão original, em agosto de 2013.

Então, os engenheiros tiveram uma ideia. E se eles usassem a pressão da radiação solar no lugar da terceira roda de atuação? Ela faria a estabilização num dos eixos, e os outros dois dariam conta do resto do serviço. Nascia o conceito da missão K2.

Como o telescópio espacial está numa órbita em torno do Sol, a direção de onde vêm as partículas do vento solar muda com relação ao satélite ao longo do tempo. Por isso ele precisa ser “reapontado” a cada 80 dias, mais ou menos, para se realinhar com o Sol e manter a estabilidade.

Por isso foi preciso mudar a estratégia de observação. Em vez de manter um único campo de visão o tempo todo, ele vai alternando o campo conforme avança em sua órbita ao redor do Sol. A Nasa fez testes entre fevereiro e março e mostrou que é possível controlar a espaçonave desse modo. Perde-se um pouco da sensibilidade original (ficou mais ou menos em um terço da original), mas ainda assim o potencial é para muitas descobertas.

PERDAS E GANHOS
Estima-se que, a cada bateria de observações, o Kepler monitore cerca de 10 mil estrelas simultaneamente. É bem menos que na missão original (150 mil), mas ainda assim um número suficiente para um bom número de detecções. Os pesquisadores estimam que o satélite consiga descobrir nos próximos dois anos cerca de 200 planetas com tamanho similar ao da Terra (com diâmetro entre 80% e 200% do terrestre) em torno de estrelas anãs vermelhas (menores e menos brilhantes que o Sol), com alguns deles na zona habitável — onde em tese pode haver água líquida.

Uma consequência interessante dessa mudança de planos é que, ao sair de seu campo de visão original, o caçador de planetas estudará estrelas mais próximas — o que, por sua vez, gerará alvos adequados para futuras observações de caracterização dos mundos descobertos. Em suma: poderemos procurar sinais de vida em sua atmosfera com equipamentos como o Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble agendado para voar em 2018.

Antes mesmo de ter seu orçamento de dois anos aprovado, a missão K2 já fez uma campanha de teste (denominada C0), que acaba de terminar. Embora a primeira bateria de observações efetivamente científica vá começar agora, no dia 30, é certo que os esforços preliminares já produzirão novas descobertas. A C0 aconteceu na direção da constelação de Gêmeos. Ainda em 2014, a C1, primeira campanha com foco científico, vai mirar entre Leão e Virgem, e a C2 apontará para Escorpião e Ofiúco.

Não sei quanto a você, mas já estou ansioso pelas novas descobertas!
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E mais:
Arrumar ou jogar fora? (Fundação Planetário)
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Segunda chance (Ciência Hoje)
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Sonda da Nasa será usada em dois projetos com participação brasileira (Veja)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Planeta estranho, muito distante da sua estrela


(Astronomia On Line - Portugal) Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Montreal descobriu e fotografou um novo planeta a 155 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar.

Um gigante gasoso foi adicionado à pequena lista de exoplanetas descobertos através de imagens directas. Está situado em torno de GU Psc, uma estrela três vezes menos massiva que o Sol na direcção da constelação de Peixes. A equipa internacional de pesquisa, liderada por Marie-Ève Naud, estudante de doutorado do Departamento de Física da Universidade de Montreal, foi capaz de encontrar este planeta através da combinação de observações do Observatório Gemini, do Observatório Mont-Mégantic (OMM), do Telescópio do Canadá-França-Hawaii (CFHT) e do Observatório W. M. Keck.

Um planeta distante que pode ser estudado em detalhe
GU Psc b está a cerca de 2000 vezes a distância Terra-Sol da sua estrela, um recorde entre planetas extrasolares. Tendo em conta a sua distância, leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para completar uma órbita em torno da sua estrela! Os cientistas também aproveitaram a grande distância entre o planeta e a estrela para obter imagens. Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda pelo OMM e pelo CFHT, foram capazes de detectar correctamente o planeta.

"Os planetas são muito mais brilhantes quando vistos em infravermelho, em vez do visível, porque a sua temperatura à superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas," afirma Naud. "Isto permitiu-nos identificar GU Psc b."

Sabendo onde procurar
Os investigadores estavam a observar em redor de GU Psc porque a estrela tinha sido identificada como um membro do jovem grupo estelar AB Doradus. As estrelas jovens (com apenas 100 milhões de anos) são os alvos principais para detecção planetária através de imagens, porque os planetas em redor estão ainda a arrefecer e são, portanto, mais brilhantes. Isto não significa que planetas semelhantes a GU Psc b existem em grande número, como observado por Étiene Artigau, co-supervisor da tese de Naud e astrofísico da Universidade de Montreal. "Observámos mais de 90 estrelas e encontrámos apenas um planeta, por isso esta é realmente uma raridade astronómica!"

A observação de um exoplaneta não determina directamente a sua massa. Em vez disso, os cientistas usam modelos teóricos de evolução planetária para determinar as suas características. O espectro de GU Psc b obtido pelo Telescópio Gemini Norte, no Hawaii, foi comparado com esses modelos para mostrar que tem uma temperatura de cerca de 800º C. Ao determinar a idade de GU Psc através da sua localização em AB Doradus, a equipa foi capaz de determinar a sua massa, que é 9-13 vezes maior que a de Júpiter.

Nos próximos anos, os astrofísicos esperam detectar planetas semelhantes a GU Psc b mas muito mais próximos das suas estrelas, graças a novos instrumentos como o GPI (Gemini Planet Imager), recentemente instalado no Telescópio Gemini Sul, no Chile, entre outros. A proximidade destes planetas às suas estrelas irão torná-los muito mais difíceis de observar. GU Psc b é, portanto, um modelo para melhor compreender estes objectos.

"GU Psc b é uma verdadeira dádiva da natureza. A grande distância que o separa da sua estrela permite-nos estudá-lo em detalhe com uma variedade de instrumentos, que irão proporcionar uma melhor compreensão dos exoplanetas gigantes em geral," afirma René Doyon, co-supervisor da tese de Naud e Director do OMM.

A equipa iniciou um projecto para observar várias centenas de estrelas e detectar planetas mais leves que GU Psc b em órbitas similares. A descoberta de GU Psc, um objecto raro, sensibiliza as grandes distâncias que podem separar planetas das suas estrelas, abrindo a possibilidade de procurar planetas com poderosas câmaras infravermelhas usando telescópios muito mais pequenos, como o Observatório de Mont-Mégantic. Os cientistas também esperam aprender mais sobre a abundância de tais objectos nos próximos anos, em particular, usando o GPI, o SPIRou do CFHT e o FGS/NIRISS do Telescópio Espacial James Webb.
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Matérias similares no Inovação TecnológicaEternos Aprendizes e AstroPT
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E mais:
No planeta Gu Psc b, um ano é igual a 80 mil anos na Terra (Público - Portugal)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O primeiro retrato de um exoplaneta


(DN - Portugal) Um grupo internacional de astrofísicos mostra a primeira imagem de um planeta distante, na órbita de uma estrela a mais de 63 anos-luz da Terra.

Não é ainda uma retrato de alta definição, mas é a primeira imagem de um planeta longínquo, na órbita de uma outra estrela, que não o Sol, e só por isso ela é histórica.

Captada por um novo instrumento, o Gemini Planet Imager (GPI), instalado no telescópio de oito metros Gemini Sur, no alto do deserto chileno, a imagem mostra um exoplaneta chamado Beta Pictoris b, um gigante gasoso na órbita da estrela Beta Pictoris, situada a 63,5 anos-luz da Terra e comprova as novas possibilidades que o GPI dá aos cientistas de dar novos passos na investigação nesta área.

Os exoplanetas já entraram no vocabulário do dia-a-dia, pelo menos no dos cientistas, depois de o primeiro destes mundos distantes ter sido identificado através de medições indirectas, pela equipa do astrónomo suíço Micle Mayor.

Passados quase 20 anos, os cientistas já descobriram mais de mil destes exoplanetas na órbita de inúmeras estrelas da Via Láctea, mas toda essa busca tem sido realizada através de medições indirectas. A imagem do Beta Pictoris b é um passo em frente que encerra a promessa de novas descobertas, nomeadamente da possibilidade de uma caracterização mais detalhada da realidade desses novos mundos.

"A deteção direta é uma técnica importante para caracterizar os exoplanetas porque permite a observação dos gigantes [gasosos] em localizações [em relação à suas estrelas] idênticas às dos planetas semelhantes no nosso sistema solar", sublinha a equipa coordenada pelo astrofísico Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, no artigo que publicou sobre este avanço na revista científica PNAS.
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E mais:
Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente (Inovação Tecnológica)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

6 planetas com grandes chances de abrigar vida


(Super) O homem sempre quis saber se existe vida fora da Terra. Para isso, o primeiro passo é descobrir se existem outros planetas parecidos com o nosso, que contém água em forma líquida na superfície e com condições para abrigar organismos vivos da forma como conhecemos. O que os pesquisadores fazem em relação a isso? Usam aqueles supertelescópios para observar planetas que estão fora do nosso Sistema Solar. Esses corpos celestes que orbitam outras estrelas são chamados de exoplanetas.

Óbvio, nem todo exoplaneta é candidato a “nova Terra”. Dá pra tirar da conta todos os que não são habitáveis, de acordo com o conceito da astronomia para o termo. “Todo planeta contém uma porcentagem de água, mas só pode abrigar vida se a temperatura dele tornar a água liquida”, explica Gustavo Porto de Mello, astrônomo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por causa desse critério, a lista de exoplanetas com alguma chance de abrigar vida já fica bem mais reduzida. Mas… de quantos planetas estamos falando, afinal?

Até a década de 1990, nenhum corpo celeste havia sido encontrado fora do nosso sistema planetário. Mas há pouco tempo, astrônomos anunciaram a descoberta de mais de 1.700 exoplanetas. Listamos 6 planetas que têm chances altíssimas de conter água líquida e, possivelmente, vida.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Habitados por quem?

Entenda por que os cientistas dizem que alguns planetas estão em “zona habitável”


(Ciência Hoje) Já aconteceu algumas vezes: os meios de comunicação anunciam a descoberta de um planeta em uma “zona habitável” do espaço, e muita gente começa a imaginar se chegou a hora de encontrar extraterrestres vivendo nesses mundos distantes. Mas, para os astrônomos, estar em “zona habitável” não é garantia de haver vida em certo planeta – vamos entender melhor o que significa esse conceito?

Como você sabe, de uma maneira geral, os planetas giram ao redor de uma estrela, assim como a Terra gira em torno do Sol. Zona habitável é a área ao redor de uma estrela onde as temperaturas são propícias à existência de água em estado líquido na superfície de um planeta.

Essa é uma condição indispensável para a existência e a manutenção da vida como a conhecemos. Se o planeta estiver muito além desta zona, provavelmente será muito frio e a água, se existir, estará congelada. Se, por outro lado, o planeta estiver muito próximo da estrela, provavelmente será muito quente e também não apresentará água nas condições adequadas.

Mas há também outras características importantes para que um planeta seja considerado em zona habitável. Uma delas é a presença de certas moléculas na atmosfera, como gás carbônico, metano e vapor d´água. Elas têm a propriedade de fazer a atmosfera absorver certa quantidade da energia emitida pela estrela, e refletir outra parte. Dependendo de sua quantidade, podemos ter um mundo com belos oceanos ou repleto de erupções vulcânicas.

A quantidade de emissão de partículas e radiação pela estrela do sistema também é importante. O Sol, por exemplo, continuamente emite partículas e radiação, que em grande parte são barradas pelo campo magnético e pela atmosfera terrestres. Mas as estrelas mais jovens e menores do que o Sol emitem ainda mais partículas e radiação, fazendo com que os planetas próximos não sejam bons locais para se viver.

Também devem ser levados em consideração fatores como a proporção de áreas continentais e oceânicas, os processos de decomposição das rochas, a presença de carbono e a inclinação do eixo de rotação do planeta.

Mesmo que um planeta seja considerado em zona habitável, isso não significa que haja vida por lá – muito menos vida extraterrestre como nos filmes de ficção científica. Mas também é difícil provar que esses planetas não são habitados por suas próprias criaturas, curiosas e diferentes das que conhecemos. Se há vida ou não em cada um desses mundos, só o tempo e muitas pesquisas conseguirão dizer…