segunda-feira, 2 de junho de 2014

O sistema solar que poderia conter 60 Terras




(New Scientist/Hypescience) O astrofísico Sean Raymond, do Observatório de Bordeaux, na França, projetou um sistema estelar hipotético com tantos mundos semelhantes à Terra quanto possível, sem quebrar as leis da física. O número final? Incríveis 60 planetas.

Sean queria fazer um arranjo de planetas cientificamente plausível. Todos os mundos precisavam ser gravitacionalmente estáveis ao longo de bilhões de anos, já que não faz sentido criar um arranjo no qual os planetas simplesmente não conseguem ficar em órbita, espiralando em direção ao “sol” (à sua estrela-mãe).

Ele se baseou na literatura científica recente, mas tirou licença artística em alguns casos, quando era impossível escolher entre dois cenários por causa da falta de dados.

O sistema
Sean escolheu uma estrela anã vermelha como “mãe” do sistema em vez de uma como o sol, porque ela tem uma massa menor e vive mais tempo, oferecendo uma zona habitável estável.

Usando a ciência, ele determinou que um planeta do tamanho da Terra também pode ter uma lua quase do tamanho da Terra, com os dois mundos orbitando um ponto central.

Dois pares de planetas podem orbitar uma estrela na mesma distância desde que estejam separados por 60 graus, graças a dois pontos gravitacionalmente estáveis. No nosso sistema solar, esses pontos são normalmente habitados por asteroides e não planetas (os “cavalos de Tróia” – Júpiter tem milhares, a Terra tem um), mas nada impede que sejam planetas.

Há espaço para seis pares nessas configurações na zona habitável de uma anã vermelha, ou seja, 24 planetas habitáveis no sistema.



Vamos aumentar esse número?

É simples. Gigantes gasosos, como Júpiter, não são habitáveis para a vida como a conhecemos, mas podem ser orbitados por luas parecidas com a Terra (como as luas Europa e Enceladus, que orbitam Júpiter e Saturno, respectivamente, e que são ótimas candidatas para a vida fora da Terra).

Uma anã vermelha pode ter quatro planetas semelhantes a Júpiter, cada um com cinco luas como a Terra. Além disso, os espaços dos cavalos de Tróia podem permitir mais dois planetas como a Terra em ambos os lados dos “Júpiteres” em órbita, aumentando o número total de mundos habitáveis ao redor da anã vermelha para 36.


Se o sistema for binário, ou seja, tiver duas anãs vermelhas separadas pela distância entre o nosso sol até a borda do sistema solar, sendo que uma estrela tem a primeira configuração com 24 mundos, e a segunda tem 36, temos um sistema final com 60 planetas habitáveis.

Podemos encontrar algo assim no universo?
Infelizmente, provavelmente não.

Segundo Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, em Hatfield, no Reino Unido, que ajudou a descobrir o sistema estelar com o maior número de planetas conhecidos, essa é uma ideia instigante, mas as chances de um sistema desse tipo realmente se formar no universo real são mínimas.

“Isso é devido à falta de matéria perto da zona habitável no disco de acreção a partir do qual os planetas se formam”, diz Tuomi.

De fato, seria um grande feito para a natureza.
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quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Kepler está morto. Longa vida ao K2!



(Mensageiro Sideral - Folha) Depois de pifar e ter sido desenganado pela Nasa no ano passado, o satélite caçador de planetas Kepler voltará oficialmente à ativa a partir desta sexta-feira. Os pesquisadores envolvidos com o projeto desenvolveram uma técnica para operá-lo mesmo defeituoso, e a agência espacial americana acaba de aprovar um orçamento de dois anos para a iniciativa, batizada de K2.

É basicamente uma nova missão, com um velho telescópio espacial. Em sua operação original, o Kepler ficava o tempo todo apontado para a mesma região do céu, na direção das constelações de Cisne e Lira. Agora, ele apontará em diferentes direções do céu a cada época do ano. “A missão K2 irá observar campos-alvo ao longo do plano da eclíptica, a trajetória orbital dos planetas em nosso Sistema Solar, também conhecido como zodíaco”, afirma Charlie Sobeck, gerente da missão da Nasa.

Cada campanha de observação terá cerca de 75 dias. Esse é o tempo que o satélite terá para identificar planetas que passem à frente de suas estrelas — os chamados trânsitos planetários. Na prática, isso quer dizer que o K2 está limitado a descobrir mundos com órbitas curtas, menores que a de Mercúrio no Sistema Solar.

UMA SOLUÇÃO ENGENHOSA
Lançado em 2009, o Kepler foi originalmente equipado com quatro dispositivos destinados a mantê-lo apontado de forma estável no espaço. Pelo menos três dessas chamadas rodas de reação eram necessárias para controlar o satélite nos três eixos de apontamento (X, Y e Z). Como dois deles pifaram, só restaram outros dois, o que fez a Nasa decretar o fim da missão original, em agosto de 2013.

Então, os engenheiros tiveram uma ideia. E se eles usassem a pressão da radiação solar no lugar da terceira roda de atuação? Ela faria a estabilização num dos eixos, e os outros dois dariam conta do resto do serviço. Nascia o conceito da missão K2.

Como o telescópio espacial está numa órbita em torno do Sol, a direção de onde vêm as partículas do vento solar muda com relação ao satélite ao longo do tempo. Por isso ele precisa ser “reapontado” a cada 80 dias, mais ou menos, para se realinhar com o Sol e manter a estabilidade.

Por isso foi preciso mudar a estratégia de observação. Em vez de manter um único campo de visão o tempo todo, ele vai alternando o campo conforme avança em sua órbita ao redor do Sol. A Nasa fez testes entre fevereiro e março e mostrou que é possível controlar a espaçonave desse modo. Perde-se um pouco da sensibilidade original (ficou mais ou menos em um terço da original), mas ainda assim o potencial é para muitas descobertas.

PERDAS E GANHOS
Estima-se que, a cada bateria de observações, o Kepler monitore cerca de 10 mil estrelas simultaneamente. É bem menos que na missão original (150 mil), mas ainda assim um número suficiente para um bom número de detecções. Os pesquisadores estimam que o satélite consiga descobrir nos próximos dois anos cerca de 200 planetas com tamanho similar ao da Terra (com diâmetro entre 80% e 200% do terrestre) em torno de estrelas anãs vermelhas (menores e menos brilhantes que o Sol), com alguns deles na zona habitável — onde em tese pode haver água líquida.

Uma consequência interessante dessa mudança de planos é que, ao sair de seu campo de visão original, o caçador de planetas estudará estrelas mais próximas — o que, por sua vez, gerará alvos adequados para futuras observações de caracterização dos mundos descobertos. Em suma: poderemos procurar sinais de vida em sua atmosfera com equipamentos como o Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble agendado para voar em 2018.

Antes mesmo de ter seu orçamento de dois anos aprovado, a missão K2 já fez uma campanha de teste (denominada C0), que acaba de terminar. Embora a primeira bateria de observações efetivamente científica vá começar agora, no dia 30, é certo que os esforços preliminares já produzirão novas descobertas. A C0 aconteceu na direção da constelação de Gêmeos. Ainda em 2014, a C1, primeira campanha com foco científico, vai mirar entre Leão e Virgem, e a C2 apontará para Escorpião e Ofiúco.

Não sei quanto a você, mas já estou ansioso pelas novas descobertas!
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Arrumar ou jogar fora? (Fundação Planetário)
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Segunda chance (Ciência Hoje)
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Sonda da Nasa será usada em dois projetos com participação brasileira (Veja)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Planeta estranho, muito distante da sua estrela


(Astronomia On Line - Portugal) Uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Montreal descobriu e fotografou um novo planeta a 155 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar.

Um gigante gasoso foi adicionado à pequena lista de exoplanetas descobertos através de imagens directas. Está situado em torno de GU Psc, uma estrela três vezes menos massiva que o Sol na direcção da constelação de Peixes. A equipa internacional de pesquisa, liderada por Marie-Ève Naud, estudante de doutorado do Departamento de Física da Universidade de Montreal, foi capaz de encontrar este planeta através da combinação de observações do Observatório Gemini, do Observatório Mont-Mégantic (OMM), do Telescópio do Canadá-França-Hawaii (CFHT) e do Observatório W. M. Keck.

Um planeta distante que pode ser estudado em detalhe
GU Psc b está a cerca de 2000 vezes a distância Terra-Sol da sua estrela, um recorde entre planetas extrasolares. Tendo em conta a sua distância, leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para completar uma órbita em torno da sua estrela! Os cientistas também aproveitaram a grande distância entre o planeta e a estrela para obter imagens. Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda pelo OMM e pelo CFHT, foram capazes de detectar correctamente o planeta.

"Os planetas são muito mais brilhantes quando vistos em infravermelho, em vez do visível, porque a sua temperatura à superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas," afirma Naud. "Isto permitiu-nos identificar GU Psc b."

Sabendo onde procurar
Os investigadores estavam a observar em redor de GU Psc porque a estrela tinha sido identificada como um membro do jovem grupo estelar AB Doradus. As estrelas jovens (com apenas 100 milhões de anos) são os alvos principais para detecção planetária através de imagens, porque os planetas em redor estão ainda a arrefecer e são, portanto, mais brilhantes. Isto não significa que planetas semelhantes a GU Psc b existem em grande número, como observado por Étiene Artigau, co-supervisor da tese de Naud e astrofísico da Universidade de Montreal. "Observámos mais de 90 estrelas e encontrámos apenas um planeta, por isso esta é realmente uma raridade astronómica!"

A observação de um exoplaneta não determina directamente a sua massa. Em vez disso, os cientistas usam modelos teóricos de evolução planetária para determinar as suas características. O espectro de GU Psc b obtido pelo Telescópio Gemini Norte, no Hawaii, foi comparado com esses modelos para mostrar que tem uma temperatura de cerca de 800º C. Ao determinar a idade de GU Psc através da sua localização em AB Doradus, a equipa foi capaz de determinar a sua massa, que é 9-13 vezes maior que a de Júpiter.

Nos próximos anos, os astrofísicos esperam detectar planetas semelhantes a GU Psc b mas muito mais próximos das suas estrelas, graças a novos instrumentos como o GPI (Gemini Planet Imager), recentemente instalado no Telescópio Gemini Sul, no Chile, entre outros. A proximidade destes planetas às suas estrelas irão torná-los muito mais difíceis de observar. GU Psc b é, portanto, um modelo para melhor compreender estes objectos.

"GU Psc b é uma verdadeira dádiva da natureza. A grande distância que o separa da sua estrela permite-nos estudá-lo em detalhe com uma variedade de instrumentos, que irão proporcionar uma melhor compreensão dos exoplanetas gigantes em geral," afirma René Doyon, co-supervisor da tese de Naud e Director do OMM.

A equipa iniciou um projecto para observar várias centenas de estrelas e detectar planetas mais leves que GU Psc b em órbitas similares. A descoberta de GU Psc, um objecto raro, sensibiliza as grandes distâncias que podem separar planetas das suas estrelas, abrindo a possibilidade de procurar planetas com poderosas câmaras infravermelhas usando telescópios muito mais pequenos, como o Observatório de Mont-Mégantic. Os cientistas também esperam aprender mais sobre a abundância de tais objectos nos próximos anos, em particular, usando o GPI, o SPIRou do CFHT e o FGS/NIRISS do Telescópio Espacial James Webb.
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No planeta Gu Psc b, um ano é igual a 80 mil anos na Terra (Público - Portugal)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O primeiro retrato de um exoplaneta


(DN - Portugal) Um grupo internacional de astrofísicos mostra a primeira imagem de um planeta distante, na órbita de uma estrela a mais de 63 anos-luz da Terra.

Não é ainda uma retrato de alta definição, mas é a primeira imagem de um planeta longínquo, na órbita de uma outra estrela, que não o Sol, e só por isso ela é histórica.

Captada por um novo instrumento, o Gemini Planet Imager (GPI), instalado no telescópio de oito metros Gemini Sur, no alto do deserto chileno, a imagem mostra um exoplaneta chamado Beta Pictoris b, um gigante gasoso na órbita da estrela Beta Pictoris, situada a 63,5 anos-luz da Terra e comprova as novas possibilidades que o GPI dá aos cientistas de dar novos passos na investigação nesta área.

Os exoplanetas já entraram no vocabulário do dia-a-dia, pelo menos no dos cientistas, depois de o primeiro destes mundos distantes ter sido identificado através de medições indirectas, pela equipa do astrónomo suíço Micle Mayor.

Passados quase 20 anos, os cientistas já descobriram mais de mil destes exoplanetas na órbita de inúmeras estrelas da Via Láctea, mas toda essa busca tem sido realizada através de medições indirectas. A imagem do Beta Pictoris b é um passo em frente que encerra a promessa de novas descobertas, nomeadamente da possibilidade de uma caracterização mais detalhada da realidade desses novos mundos.

"A deteção direta é uma técnica importante para caracterizar os exoplanetas porque permite a observação dos gigantes [gasosos] em localizações [em relação à suas estrelas] idênticas às dos planetas semelhantes no nosso sistema solar", sublinha a equipa coordenada pelo astrofísico Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, no artigo que publicou sobre este avanço na revista científica PNAS.
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Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente (Inovação Tecnológica)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

6 planetas com grandes chances de abrigar vida


(Super) O homem sempre quis saber se existe vida fora da Terra. Para isso, o primeiro passo é descobrir se existem outros planetas parecidos com o nosso, que contém água em forma líquida na superfície e com condições para abrigar organismos vivos da forma como conhecemos. O que os pesquisadores fazem em relação a isso? Usam aqueles supertelescópios para observar planetas que estão fora do nosso Sistema Solar. Esses corpos celestes que orbitam outras estrelas são chamados de exoplanetas.

Óbvio, nem todo exoplaneta é candidato a “nova Terra”. Dá pra tirar da conta todos os que não são habitáveis, de acordo com o conceito da astronomia para o termo. “Todo planeta contém uma porcentagem de água, mas só pode abrigar vida se a temperatura dele tornar a água liquida”, explica Gustavo Porto de Mello, astrônomo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por causa desse critério, a lista de exoplanetas com alguma chance de abrigar vida já fica bem mais reduzida. Mas… de quantos planetas estamos falando, afinal?

Até a década de 1990, nenhum corpo celeste havia sido encontrado fora do nosso sistema planetário. Mas há pouco tempo, astrônomos anunciaram a descoberta de mais de 1.700 exoplanetas. Listamos 6 planetas que têm chances altíssimas de conter água líquida e, possivelmente, vida.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Habitados por quem?

Entenda por que os cientistas dizem que alguns planetas estão em “zona habitável”


(Ciência Hoje) Já aconteceu algumas vezes: os meios de comunicação anunciam a descoberta de um planeta em uma “zona habitável” do espaço, e muita gente começa a imaginar se chegou a hora de encontrar extraterrestres vivendo nesses mundos distantes. Mas, para os astrônomos, estar em “zona habitável” não é garantia de haver vida em certo planeta – vamos entender melhor o que significa esse conceito?

Como você sabe, de uma maneira geral, os planetas giram ao redor de uma estrela, assim como a Terra gira em torno do Sol. Zona habitável é a área ao redor de uma estrela onde as temperaturas são propícias à existência de água em estado líquido na superfície de um planeta.

Essa é uma condição indispensável para a existência e a manutenção da vida como a conhecemos. Se o planeta estiver muito além desta zona, provavelmente será muito frio e a água, se existir, estará congelada. Se, por outro lado, o planeta estiver muito próximo da estrela, provavelmente será muito quente e também não apresentará água nas condições adequadas.

Mas há também outras características importantes para que um planeta seja considerado em zona habitável. Uma delas é a presença de certas moléculas na atmosfera, como gás carbônico, metano e vapor d´água. Elas têm a propriedade de fazer a atmosfera absorver certa quantidade da energia emitida pela estrela, e refletir outra parte. Dependendo de sua quantidade, podemos ter um mundo com belos oceanos ou repleto de erupções vulcânicas.

A quantidade de emissão de partículas e radiação pela estrela do sistema também é importante. O Sol, por exemplo, continuamente emite partículas e radiação, que em grande parte são barradas pelo campo magnético e pela atmosfera terrestres. Mas as estrelas mais jovens e menores do que o Sol emitem ainda mais partículas e radiação, fazendo com que os planetas próximos não sejam bons locais para se viver.

Também devem ser levados em consideração fatores como a proporção de áreas continentais e oceânicas, os processos de decomposição das rochas, a presença de carbono e a inclinação do eixo de rotação do planeta.

Mesmo que um planeta seja considerado em zona habitável, isso não significa que haja vida por lá – muito menos vida extraterrestre como nos filmes de ficção científica. Mas também é difícil provar que esses planetas não são habitados por suas próprias criaturas, curiosas e diferentes das que conhecemos. Se há vida ou não em cada um desses mundos, só o tempo e muitas pesquisas conseguirão dizer…

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Exoluas podem confundir sinais de vida em exoplanetas

A presença de oxigênio e metano pode ser insuficiente como bioassinatura de exoplanetas


(Scientific American Brasil) Astrônomos esperam que um dia, em breve, consigamos obter um espectro de luz que possa nos dizer se um exoplaneta do tamanho da Terra abriga vida. Esse espectro poderia ser de luz estelar filtrada pela atmosfera planetária, ou de radiação emitida e refletida. Os dois tipos serviriam para avaliar a composição química de um mundo alienígena.

Há muito tempo a detecção de um desequilíbrio em componentes atmosféricos é considerada evidência de biosferas planetárias. Uma mistura rica de oxigênio e metano em um ambiente quente, por exemplo, não é estável. O metano se oxida com relativa rapidez para formar água e dióxido de carbono. Assim, detectar a presença tanto de oxigênio quanto de metano sugeriria um mecanismo ativo de reabastecimento. A vida (como a conhecemos) representa um candidato excelente para fornecer esses ingredientes.

Até aqui, tudo bem. Encontrar um planeta do tamanho da Terra, preparar nossa melhor tecnologia e procurar uma bioassinatura espectral.

Mas pode haver um problema. É possível que a natureza nos confunda. Em um novo artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, Rein, Fujii e Spiegel exploram uma possibilidade inquietante. Eles perguntam o que aconteceria se um exoplaneta com essas características tivesse uma lua considerável, com atmosfera própria, mas ambos não tivessem vida.

Se o exoplaneta do tamanho da Terra tiver uma atmosfera rica em oxigênio (mas nada para reagir com o gás), e a exolua tiver uma atmosfera parecida com a de Titã, rica em metano, nós poderíamos ser levados a acreditar que estamos vendo um único ambiente biológico fora de equilíbrio – um planeta habitado. Isso é um problema porque, gostemos ou não, nossos dados terão fidelidade relativamente baixa.

Será extremamente difícil distinguir entre um espectro planetário oriundo de um ou dois objetos próximos, mas isso é o máximo que nossa tecnologia de curto prazo (ou até longo prazo) vai nos fornecer. Oxigênio e metano representam apenas um exemplo dessa confusão, já que outros pares químicos seriam igualmente afetados.

Qual é a solução? Os autores sugerem dois caminhos simples. Um é que podemos ter sorte e identificar um verdadeiro “gêmeo da Terra” a aproximadamente 30 anos-luz de distância – perto o suficiente para nos dar uma chance de derrotar esse tipo de falso-positivo com medidas cuidadosas. O outro é simplesmente abandonar a busca por gêmeos da Terra. Outros planetas potencialmente habitáveis, como os que orbitam estrelas de pouca massa, as chamadas “super Terras”, poderiam permitir que verificássemos esse tipo de confusão por tornarem medidas espectrais mais fáceis.

É claro que nós não sabemos o quanto esses sistemas “falsos” podem ser comuns, mas quando estamos falando sobre determinar se estamos ou não sozinhos no cosmos, é melhor ter muita, muita certeza do que estamos vendo.
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E mais:
Será que encontraremos vida em exoluas? (Hypescience)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Cientistas descobrem que planeta distante gira a 90 mil km/h

'Beta Pictoris b' fica fora do Sistema Solar; lá, os dias duram apenas 8 horas. Velocidade é maior do que a de qualquer planeta que orbita ao redor do Sol.



(AFP/G1) Cientistas conseguiram medir, pela primeira vez, a rotação de um planeta de fora do Sistema Solar. O gigante jovem e gasoso "Beta Pictoris b" gira a vertiginosos 90 mil km/h, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira (29) na revista "Nature". Essa velocidade se refere ao deslocamento de um ponto sobre o equador do planeta.

Na órbita de uma estrela que fica a cerca de 63 anos-luz da Terra, o Beta Pictoris b é mais de 16 vezes maior e 3 mil vezes mais maciço que o nosso planeta, mas seus dias duram apenas oito horas.

"O Beta Pictoris b gira significativamente mais rápido do que qualquer planeta do Sistema Solar", relatou a equipe de astrônomos holandeses. Como comparação, Júpiter gira a uma velocidade de cerca de 47 mil km/h e a Terra, de 1,7 mil km/h.

Essa medição, feita com o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), reflete uma tendência observada no Sistema Solar de uma velocidade de giro crescente à medida que a massa dos planetas aumenta.

Essa associação permite prever um giro, inclusive, duas vezes mais rápido, de cerca de 50 km/seg (180 mil km/h) para Beta Pictoris b, mas a equipe observou que o planeta ainda é jovem e quente e, provavelmente, vai acelerar à medida que resfriar e encolher para chegar ao tamanho de Júpiter nas próximas centenas de milhões de anos.

O planeta orbita a estrela Beta Pictoris, na constelação austral de Pictor. Descoberto cerca de seis anos atrás, ele orbita sua estrela a uma distância oito vezes maior do que a distância entre a Terra e o Sol. Beta Pictoris b tem cerca de 20 milhões de anos, sendo muito jovem para os padrões astronômicos. A Terra, por exemplo, tem 4,5 bilhões de anos.

Os astrônomos usaram uma técnica chamada espectroscopia de alta dispersão para medir as mudanças nos comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta e, com isso, determinar sua velocidade de giro.
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Mais rápido que um foguete! (Cássio Leandro Dal Ri Barbosa - G1)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

2014 é o maior ano da história na busca por exoplanetas

Apenas em 2014, 736 novos exoplanetas foram anunciados, isso representa 70% dos que haviam sido descobertos na história


(Exame) De 1989 até 2013, a humanidade foi capaz de encontrar 1.045 exoplanetas—que são planetas que orbitam uma estrela que não seja o Sol. Mas apenas em 2014, já foram anunciados 736 novos exoplanetas, número que representa 70% do número de descobertas dos últimos 23 anos.

Esse número tão grande foi alcançado graças a um anúncio feito pela NASA em fevereiro deste ano. De uma vez só, a agência espacial dos Estados Unidos afirmou a descoberta de 715 novos planetas que orbitam em torno de 305 estrelas.

Tudo isso aconteceu graças à missão de apenas um telescópio, o Kepler. Ele orbita em torno do Sol e tira imagens de alta resolução de estrelas distantes. Nelas, os cientistas podem descobrir os novos exoplanetas.

Na imagem abaixo é possível ver como 2014 tem sido um ano impressionante na busca de planetas. A imagem foi compilada pela NASA. A barra laranja que surge, mostra os planetas anunciados em fevereiro pela NASA. As barras vermelhas são os encontrados anteriormente graças ao Kepler e as azuis são planetas encontrados de outras maneiras.


Foi entre essas centenas de planetas que estava aquele potencialmente habitável, que chamou a atenção há algumas semanas. Ele fica há 500 anos-luz da Terra e tem as condições necessárias para que a vida humana possa existir. Devido à distância, no entanto, provavelmente nunca chegaremos até ele.

Infelizmente, o Kepler parou de funcionar em maio de 2013, devido a problemas no equipamento. As grandes descobertas deste ano foram feitas nas imagens que ele havia registrado, mas que ainda não haviam sido analisadas de forma completa. A NASA, no entanto, acredita que será possível continuar usando o Kepler na busca de exoplanetas mesmo assim.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Uma galáxia com 40 bilhões de Terras

Para cientistas, o Kepler-186f foi apenas o primeiro planeta parecido com a Terra a ser descoberto na Via Láctea. O avanço da ciência espacial sugere que a pergunta que há milênios nos intriga — estamos sozinhos no universo? — tem resposta: Não


(Veja) Na Via Láctea não há apenas uma Terra. Há 40 bilhões delas. O Kepler-186f, planeta fora do Sistema Solar muito semelhante ao nosso, descoberto no último dia 17, provavelmente será conhecido como o primeiro dessa espécie. Em um futuro próximo, contudo, muitos planetas assim, parecidos com a Terra, serão revelados pelos astrônomos.

Com dimensões muito próximas às do mundo onde vivemos, o Kepler-186f deve ser rochoso e composto também de ferro, água e gelo, segundo cientistas. Isso significa que sua atmosfera também deve ser parecida com a nossa. Ele orbita a zona habitável de uma estrela anã — ou seja, uma faixa nem muito próxima e nem muito distante de sua fonte de calor e luminosidade, o que faz com que suas temperaturas não sejam extremas. Essa é uma das características que mais empolgou a comunidade científica: o planeta tem grandes chances de ter água na forma líquida, uma das condições fundamentais para a existência de vida sobre sua crosta.

"Essa descoberta mostra que realmente existem planetas do tamanho do nosso em zonas habitáveis", afirma a astrofísica Elisa Quintana, principal pesquisadora da Nasa responsável pela revelação do Kepler-186f. "Estamos percebendo que há muitos como ele e, por isso, as chances de existir vida em outros planetas é muito alta."

Até 2010 ainda não havia confirmações de que outros lugares no espaço poderiam reunir as mínimas condições propícias à vida – água na forma líquida, energia e algum dos seis elementos fundamentais para a existência (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre). No entanto, com o lançamento de missões como a Kepler, há cinco anos, e o avanço de telescópios capazes de visualizar e enxergar não só partes longínquas do cosmo, mas também pequenos planetas (do tamanho da Terra ou menores que ela), os cientistas estão percebendo que, sim, há bilhões de planetas que exibem as mesmas características do nosso. E deles, o Kepler-186f é o mais semelhante à Terra até agora. Então por que, entre inúmeras possibilidades, seríamos os únicos privilegiados com a vida?

Para a Nasa, vida é oficialmente definida como "um sistema químico auto-sustentado, capaz de sofrer evolução Darwiniana". Não significa dizer que há animais ou civilizações como as criadas pelo homem em planetas afastados. Mesmo organismos muito simples, como vírus ou colônias de bactérias, significam vida para a Nasa e para as quase 150 missões em todo o mundo que buscam planetas fora do Sistema Solar. Em conjunto, eles tentam responder à questão que inquieta astrônomos desde a Antiguidade: estamos sozinhos no universo? Ainda não chegou a confirmação categórica de que existe vida fora da Terra. Mas o conjunto de evidências, que agora ganhou reforço com a existência do Kepler-186f, indica que a resposta está cada vez mais próxima. E talvez a pergunta a ser respondida nos próximos anos seja outra: que tipo de vida nos cerca?

A descoberta de mundos — A divulgação do novo planeta mereceu a atenção de todo o mundo porque era aguardada desde a metade do século XX pelos cientistas. Foi nessa época, com o lançamento de telescópios como o Hubble, que os cientistas puderam, finalmente, ter imagens nítidas do cosmo. Com elas, perceberam que vivemos em um universo muito mais rico e cheio de planetas do que antes se imaginava. As novas informações indicaram a possibilidade da existência de diversos sistemas estelares, ou seja, que outras estrelas, além do Sol, têm planetas orbitando ao seu redor. A confirmação dessa hipótese, entretanto, só veio em 1995, quando astrônomos da Universidade de Genebra, na Suíça, identificaram um planeta feito de gás, como Júpiter, em volta de uma estrela, a 51 Pegasi. Assim, faz menos de 20 anos que sabemos que outros sistemas solares, como o nosso, podem povoar o universo.

"Nossa galáxia tem cerca de 300 bilhões de estrelas e estamos rapidamente confirmando a noção de que todas têm planetas rochosos ao seu redor", afirma o astrofísico Stephen Kane, da Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler-186f. "Resultados da missão Kepler têm nos mostrado que, quanto menor o planeta, mais comum é sua existência. Assim, parece-nos que planetas rochosos são muito frequentes. Ainda precisamos saber quantos deles estão em zonas habitáveis, mas as primeiras estimativas já mostram que o número também deve ser incrivelmente alto."

A última conta feita pelos cientistas, publicada em novembro de 2013 na revista Pnas, mostra que uma em cada cinco estrelas como o Sol tem pelo menos um planeta do tamanho da Terra em sua zona habitável. Isso significa que só na Via Láctea podem existir 11 bilhões de planetas como o nosso. Se na conta entrarem os planetas ao redor de estrelas anãs, o número sobre para 40 bilhões. De acordo com os autores do estudo – entre eles Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, um dos “caçadores de planetas” mais bem-sucedidos da astronomia moderna – o mais próximo pode estar a 12 anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros).

Ou seja, os astrônomos imaginavam que planetas como o Kepler-186f existiam aos bilhões, mas ainda não tinham visto nenhum. A cerca de 500 anos-luz do Sol, o novo planeta orbita uma estrela anã, o tipo mais comum em nossa galáxia — elas são mais de 70% das centenas de bilhões de estrelas.

"Há pelo menos um século tínhamos ideias sobre os planetas fora do sistema solar e há mais de cinquenta anos desenvolvemos o conceito de zona habitável. Ainda não contávamos, no entanto, com telescópios potentes para fazer os experimentos e ter as confirmações que precisávamos sobre eles. Agora finalmente possuímos essa tecnologia", afirma Kane. "Nos próximos anos, muitas descobertas devem ser feitas. Só nos dados da missão Kepler há várias, aguardando para serem reveladas."

Missões do futuro — A sonda Kepler, que forneceu os dados para a revelação do novo planeta, foi a grande alavanca para a explosão de novos planetas encontrados pelos cientistas nos últimos anos. Lançada em março 2009 pela agência espacial americana, ela tinha o objetivo principal de procurar planetas parecidos com o nosso, durante quatro anos. Seu telescópio e um sistema de imagens em alta definição são capazes de identificar mesmo planetas considerados pequenos, como a Terra. Em relação ao Hubble, a Kepler tem duas vantagens: capta mais estrelas em detalhes e faz imagens mais nítidas por possuir um filtro que diminui as interferências luminosas e detecta diferentes cores.

Até agora, a maior parte dos planetas revelados por ela tem um tamanho intermediário entre a Terra e Netuno, quatro vezes maior que a Terra. A análise das informações dos três primeiros anos da missão já identificou 3 845 possíveis candidatos a planetas. Desses, 962 foram confirmados.

Como outras missões de busca, a Kepler tem mais facilidade em identificar grandes planetas. Eles são mais visíveis e facilmente monitorados pelos telescópios em regiões longínquas do cosmo. Por isso, grande parte das descobertas são de super-Terras, planetas mais pesados e maiores que Terra, ou gigantes gasosos, bolas de gás como Júpiter, planeta de hidrogênio com massa equivalente à de 317 terras. Lugares assim, no entanto, exibem condições menos propícias à vida — os gigantes gasosos costumam ter uma atmosfera maciça, causando uma grande pressão que praticamente inviabiliza a existência de seres complexos, enquanto as super-Terras têm menor probabilidade de reunir as condições atmosféricas necessárias para garantir a presença de vida.

Por isso, programas espaciais em todo o mundo investem maciçamente em telescópios potentes, capazes de captar planetas menores. Dados e imagens ainda mais precisos que os da missão Kepler — que encerrou a primeira fase de seu programa em 2013 e, no início da segunda fase, chamada K2, teve um problema com o sistema que “mira” o telescópio, mas continua em atividade — virão de programas como aquele que será lançado pela Nasa em 2017, com uma nova geração de telescópios. Nessa data, irá para o espaço o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o telescópio James Webb, substituto do Hubble. O Tess vai monitorar planetas ao redor de estrelas anãs, enquanto o James Webb pretende examinar a atmosfera desses planetas e procurar substâncias que só poderiam ser geradas por organismos vivos, como os seis elementos essenciais à vida (carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre).

Possibilidade de vida — Quanto mais planetas são descobertos, maior é a probabilidade de achar planetas semelhantes ao nosso e, assim, os astrônomos acreditam que aumente também as chances de encontrar vida em outros lugares do universo. A definição de vida, porém, é algo complexo, que está longe de ser consenso entre os cientistas. O estudo da vida terráquea — o único tipo conhecido até hoje — mostrou que, apesar da grande biodiversidade terrestre, todos os seres são similares: são feitos de células ou, como os vírus, dependem delas; usam ácidos nucleicos como o DNA para armazenar e transmitir informação genética; e possuem um metabolismo similar.

Mas não é impossível a existência de outros tipos de vida espalhados pelo universo. Afinal, mesmo a Terra guarda muitos organismos que ainda são enigmas para os cientistas. Em 2010, pesquisadores da Nasa encontraram uma bactéria em um lago da Califórnia, nos Estados Unidos, que se comporta como um ser extraterrestre: não usava nenhum dos seis elementos fundamentais à existência, mas sobrevivia a partir de arsênio, um elemento altamente tóxico.

"Sabemos que para surgir vida é necessária uma complexidade química mínima, ou seja, moléculas orgânicas e razoavelmente complexas, formadas a partir de elementos básicos. Mas sua origem pode exigir algumas condições especiais. Ainda estamos aprendendo como todos esses elementos se juntam para formar um sistema químico autossustentado, capaz de se reproduzir e evoluir", explica Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da Universidade de São Paulo (USP).

Por isso, os cientistas ainda procuram corpos vivos no espaço de uma maneira “Terrocêntrica”, buscando as condições que proporcionaram o surgimento dos seres por aqui: presença de água líquida ou moléculas orgânicas complexas.

"Mesmo a vida que conhecemos tem uma flexibilidade imensa a diferentes situações. Não é impossível imaginar um universo com muitos planetas, alguns mais quentes, outros frios, porém todos com organismos capazes de lidar com essas condições. Talvez em muitos desses planetas que estamos descobrindo as condições sejam extremas demais para atingir a multicelularidade, ou chegar a uma civilização tecnológica como a nossa. Mas, ainda assim, isso mostraria que a Terra não é privilegiada em ter vida", afirma o cientista.

Um cosmo próspero? — Quando se fala da existência de seres animados no espaço, normalmente os cientistas imaginam formas microscópicas, como as primeiras que provavelmente habitaram a Terra em sua origem.

"Se houver vida, como ela funciona? Podemos estar próximo a um momento de descobrir sistemas vivos completamente novos, novas biosferas para conhecer e explorar. É quase como se estivéssemos no papel do naturalista inglês Charles Darwin, em 1800, a bordo do navio Beagle explorando novas terras e toda a sua riqueza", diz Galante.

Para a maior parte dos astrônomos envolvidos com a busca de planetas fora do Sistema Solar, é muito improvável que, em um universo tão cheio de constelações, planetas e sistemas estelares com condições próximas a nossa, a Terra seja o único lugar a ter desenvolvido organismos vivos. "Sabemos agora que planetas semelhantes à Terra são comuns na Via Láctea. Para nosso planeta ser o único com vida na galáxia, isso significa que a vida é algo incrivelmente raro — uma ocorrência em 40 bilhões. Mas, mesmo que a probabilidade seja apenas de 1 em 1 milhão de possibilidades, isso já significaria muita vida só nessa galáxia”, afirma o astrofísico Erik Petigura, pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Se essas hipóteses forem confirmadas nos próximos anos pelos cientistas, esses alienígenas, que podem estar na iminência de serem encontrados, causariam uma grande revolução científica, semelhante à provocada pelo astrônomo Nicolau Copérnico, quando ele formulou, no século XVI, a teoria de que o Sol é o centro do Sistema Solar. Teríamos de aprender que somos apenas mais um planeta — e minúsculo — cercado de bilhões de outros com seres diferentes.

"Uma descoberta como essa teria impactos profundos. Até o momento, o conhecimento que temos parte da hipótese de que a Terra é o único lugar do cosmo onde a vida apareceu e evoluiu. Se for provado que a vida é uma consequência natural da formação de planetas nas zonas habitáveis, assim como foi provado que a formação de planetas é uma consequência natural da formação de estrelas, então isso significa que o universo é, literalmente, fértil em vida", diz o astrofísico Stephen Kane. "O único desafio que permanecerá depois disso será descobrir como atravessar as vastas distância que nos separam desses outros seres."

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Resolvidos mistérios de um sistema planetário próximo


(Astronomia On Line - Portugal) Os autores de um artigo científico publicado na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real relatam que foram resolvidos alguns dos mistérios de um dos mais fascinantes sistemas planetários próximos. O estudo, que apresenta o primeiro modelo viável para um dos primeiros sistemas planetários descobertos - o sistema 55 Cancri - foi liderado por Benjamin Nelson da Universidade Penn State em colaboração com o corpo docente do Centro Para Exoplanetas e Mundos Habitáveis e com cinco astrónomos de outras instituições dos EUA e da Alemanha.

Estudos desde 2002 não conseguiram determinar um modelo plausível para as massas e órbitas de dois planetas gigantes localizados mais perto de 55 Cancri do que Mercúrio está do nosso Sol. Os astrónomos tinham dificuldades em compreender como estes planetas massivos orbitando tão perto da sua estrela-mãe, conseguiam evitar uma catástrofe, como por exemplo o suicídio de um planeta na estrela, ou a colisão entre os dois. Agora, o novo estudo combinou milhares de observações com novas técnicas estatísticas e computacionais para medir com mais precisão as propriedades dos planetas, revelando que as suas massas e órbitas impedem com que o sistema se autodestrua.

"O sistema planetário de 55 Cancri é único, tanto na sua riqueza de diversidade dos seus planetas conhecidos como no número e variedade de observações astronómicas," afirma Eric Ford, professor de astronomia e astrofísica de Penn State, e co-autor do artigo. "A complexidade deste sistema torna as suas observações extraordinariamente difíceis de interpretar," realça, cuja experiência inclui a modelagem de conjuntos complexos de dados.

A fim de executar as novas análises, Nelson e Ford colaboraram com cientistas da computação a fim de desenvolver uma ferramenta para simular sistemas planetários usando placas gráficas para acelerar os cálculos. Através da combinação de vários tipos de observações, os astrónomos determinaram que um dos planetas no sistema (55 Cnc e) tem oito vezes a massa da Terra, o dobro do raio da Terra e a mesma densidade que a Terra. Este planeta é quente demais para ter água no estado líquido, pois a sua temperatura à superfície está estimada em 2100 graus Celsius, logo não é susceptível de abrigar vida.

Foi apenas em 2011, 8 anos após a descoberta do planeta mais interior (55 Cnc e), que os astrónomos reconheceram que orbitava a sua estrela em menos de 18 horas, em vez de quase 3 dias, como se originalmente pensava. Logo depois, os astrónomos detectaram o planeta em trânsito à medida que passava em frente da estrela, permitindo medir também o tamanho relativo do planeta.

"Estes dois planetas gigantes de 55 Cancri interagem tão fortemente que podemos detectar mudanças nas suas órbitas. Estas detecções são impressionantes porque permitem-nos aprender mais coisas sobre as órbitas que normalmente não são observáveis. No entanto, as rápidas interacções entre os planetas também constituem um desafio pois a modelagem do sistema requer simulações demoradas para cada modelo em ordem a determinar as trajectórias dos planetas e, portanto, a probabilidade de sobrevivência durante milhares de milhões de anos sem uma colisão catastrófica," afirma Benjamin Nelson.

"Temos que explicar com precisão o movimento dos planetas gigantes, a fim de medir as propriedades do planeta super-Terra," realça Ford. "A maioria das análises anteriores ignoraram as interacções entre planetas. Alguns destes estudos modelaram os efeitos, mas apenas realizaram análises estatísticas simples, devido ao grande número de cálculos necessários para uma análise adequada."

"Esta conquista é um exemplo dos avanços científicos que surgem da pesquisa multidisciplinar intensiva," comenta Padma Raghavan, professora de ciência da computação e engenharia.

O sistema planetário 55 Cancri fica a apenas 39 anos-luz de distância na direcção da constelação de Caranguejo. Por estar tão perto, pelos padrões astronómicos o sistema tem um bom brilho quando visto da Terra, por isso os astrónomos foram capazes de medir directamente o raio da sua estrela - uma observação que é prática apenas para alguns dos nossos vizinhos estelares mais próximos. A determinação do raio da estrela possibilitou aos astrónomos obterem medições precisas da sua massa - quase a mesma massa que o nosso Sol - bem como o tamanho e densidade do planeta super-Terra.

"Tendo em conta que 55 Cancri é muito brilhante e pode ser vista a olho nu, os astrónomos foram capazes de medir a velocidade desta estrela mais de mil vezes em quatro observatórios diferentes, dando aos planetas neste sistema muito mais atenção do que a maioria dos exoplanetas recebem," comenta o professor Jason Wright, também de Penn State, que liderou um programa para examinar este e outros sistemas planetários.

Os astrónomos descobriram que 55 Cancri tinha um planeta gigante em órbita em 1997. Observações a longo prazo por Wright e colegas tornaram possível a detecção de cinco planetas em órbita, que variam desde um frio planeta gigante com uma órbita parecida à de Júpiter, até uma escaldante "super-Terra" - um tipo de planeta com uma massa maior que a da Terra mas substancialmente inferior à de Neptuno, que tem uma massa 17 vezes maior que a do nosso planeta.

Alexander Wolszczan, professor de astronomia e astrofísica da mesma universidade, e seu colega Dale Frail, descobriram os primeiros planetas fora do nosso Sistema Solar. Estes planetas orbitam um distante pulsar e foram as primeiras super-Terras conhecidas. Observações recentes pela missão Kepler da NASA demonstram que as super-Terras são comuns em torno de estrelas semelhantes ao Sol.

O estudo conduzido por Nelson faz parte de um esforço maior para desenvolver técnicas que irão ajudar na análise de observações futuras na procura de planetas parecidos com a Terra. Os astrónomos planeiam pesquisar planetas com a massa da Terra em redor de outras estrelas próximas e brilhantes, usando uma combinação de novos observatórios e instrumentos como o projecto MINERVA e o HPF (Habitable Zone Planet Finder) para o telescópio Hobby-Eberly de 9 metros.

"Os astrónomos estão a desenvolver instrumentação topo de gama para os maiores telescópios do mundo detectarem e caracterizarem planetas potencialmente parecidos com a Terra. Estamos juntando estes esforços com o desenvolvimento de ferramentas computacionais e estatísticas topo de gama," comenta Ford.

Nelson vai apresentar os resultados do novo estudo numa reunião da União Astronómica Internacional em Namur, Bélgica, em Julho de 2014. Além dos astrónomos de Penn State, os co-autores do estudo pertencem à Universidade da Flórida, Universidade de Yale, do Instituto Max Planck para Astronomia na Alemanha, Universidade do Hawaii e do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.
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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Um planeta sem sol


(Mensageiro Sideral - Folha) Um cientista americano acaba de descobrir um planeta órfão, que não tem sol. Ele está flutuando pelo espaço, não muito distante do Sistema Solar. O achado vem se somar a outros para consolidar cada vez mais a noção de que é difícil estabelecer uma separação clara entre planetas e estrelas.

O novo objeto, que atende pela feiosa designação WISE J085510.83–071442.5, tem entre 3 e 10 vezes a massa de Júpiter — é um gigante gasoso, portanto — e, como seria de se esperar de um astro que não gira em torno de uma estrela, é frio. Sua temperatura estimada gira entre -48 e -13 graus Celsius. Aliás, só não é mais frio que isso porque provavelmente ainda retém algum calor proveniente de seu processo de formação. E ainda bem, porque é o fato de não ser completamente congelado que permitiu sua detecção, por meio de um suave brilho em luz infravermelha detectado pelo satélite Wise, da Nasa.

O achado tem chamado a atenção dos astrônomos por duas razões: primeiro porque é o astro mais frio desse tipo já detectado. Segundo porque ninguém sabe direito como chamá-lo. O autor da descoberta, Kevin Luhman, da Universidade Estadual da Pensilvânia, preferiu defini-lo como uma “anã marrom”. Essa classe de objetos é composta por estrelas “abortadas”, que não conseguiram reunir massa suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio em seu núcleo e, por isso mesmo, não “acenderam”. Só que parte da comunidade astronômica traça a linha entre planetas e anãs marrons num limite de 13 vezes a massa de Júpiter. Seguindo esse critério, o achado seria um planeta órfão, e não uma anã marrom.

A sugestão vem do fato de que, com mais massa que isso, o objeto consegue ao menos fundir deutério (versão mais pesada do átomo de hidrogênio, com um próton e um nêutron no núcleo), gerando uma módica quantidade de energia térmica. Agora, se ele tem menos de 13 massas de Júpiter, nem isso ele consegue. É uma bola morta de gás, que vai se resfriando conforme o calor interno da formação se esvai, ao longo de bilhões de anos. Bem a cara de um planeta gigante gasoso, só que sem uma estrela para chamar de mãe.

Luhman está pintando e bordando em tempos recentes com os dados do satélite Wise. Num estudo recente, ele praticamente descartou a presença de um planeta X nas profundezas do Sistema Solar (para a tristeza dos nibirutas), e noutro ele conseguiu analisar o padrão de nuvens de uma anã marrom pertencente a um par binário que ele mesmo descobriu. A descoberta do WISE J085510.83–071442.5 (para os íntimos, WISE 0855–0714) é o terceiro trabalho bombástico em sequência. O astrônomo americano está rapidamente se tornando o rei das anãs marrons. Esse último artigo foi publicado na última segunda-feira no “Astrophysical Journal Letters”.

PLANETAS SOLITÁRIOS (E PRÓXIMOS)
O achado, na prática, demonstra que pelo menos um certo tipo de planeta — gigantes gasosos maiores que Júpiter, mas menores que as anãs marrons — pode se formar sozinho no espaço, pelo mesmo processo que leva ao surgimento de estrelas.

Também é muito interessante observar a proximidade que esse astro recém-descoberto guarda do Sistema Solar. O objeto está a 7,1 anos-luz da Terra, uma distância que faz dele o quarto sistema mais próximo (perdendo apenas do trio em Alfa Centauri, da anã vermelha conhecida como Estrela de Barnard e do par binário de anãs marrons descoberto anteriormente pelo próprio Luhman). Não chega a ser uma distância para encorajar nibirutices, mas me faz pensar em algo que o físico britânico Freeman Dyson disse, ao refletir sobre viagens interestelares.

Costumamos pensar que uma viagem até a estrela mais próxima (Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz) significa que a humanidade terá de atravessar essa imensa distância (cerca de 40 trilhões de quilômetros) numa pernada só. Isso, por sua vez, faz muitos pensarem que voo interestelar é impraticável. Dyson, contudo, destaca que há muita coisa nesse suposto vazio entre uma estrela e outra. Ele sugere que viagens interestelares podem ser feitas mais ou menos do mesmo jeito que os antigos polinésios atravessaram o oceano Pacífico — pulando de ilha em ilha.

Já sabemos que há muitos objetos de porte razoável além de Netuno (planetas anões como Plutão e Éris), que poderiam nos receber e abrigar colônias humanas instaladas em ambientes controlados, a despeito do frio intenso. De lá, podemos saltar para objetos que ora se aproximam daquela região, ora se afastam, como o Quaoar. Numa terceira parada, teríamos os possíveis planetas anões presentes na nuvem de Oort, que se estende até um ano-luz de distância do Sol. De lá, quem disse que não encontraremos planetas órfãos — pequenas ilhas no vazio cósmico — que nos ajudem a atravessar os três anos-luz restantes?

Além de planetas que não conseguiram virar anãs marrons, podemos encontrar astros de todo tipo que nasceram em torno de estrelas, mas depois foram ejetados de seus sistemas planetários de origem e agora seguem órbitas em torno do centro da Via Láctea. Eles são praticamente invisíveis para nós daqui, visto que são pequenos, distantes e gelados, mas talvez possam ser detectados pela humanidade do futuro, que já tiver estabelecido uma estação de pesquisa em Quaoar.

Além de turvar a distinção que fazemos de planetas e estrelas, esses astros órfãos realçam a incrível variedade do cosmos. E nos fazem lembrar que não podemos restringir nossa imaginação aos próximos dez anos, ou mesmo ao próximo século. O Homo sapiens já tem 200 mil anos. Se continuar existindo por outros 200 mil, o que não poderá estar fazendo no longínquo ano de 202.014? Gosto do Dyson sobretudo porque ele não tem medo de pensar grande. Quando você se vê diante do tempo em escala astronômica, nada parece impossível.
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Planetas andarilhos, os planetas solitários que vagam pelo universo (Hypescience)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Descoberto o 1º exoplaneta do tamanho da Terra em zona habitável

Kepler-186f orbita estrela anã a cerca de 500 anos-luz da Terra. Sua distância do astro permite que tenha água em estado líquido.


(G1) Cientistas anunciaram a descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho similar ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que, em tese, o torna habitável.

O exoplaneta, denominado Kepler-186f, foi identificado por pesquisadores da Nasa usando o telescópio Kepler, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (17) na revista científica "Science".

"A intensidade e o espectro da radiação do Kepler-186f o colocam na zona estelar habitável, implicando que, se ele tiver uma atmosfera como a da Terra, então uma parte de sua água provavelmente está em forma líquida", diz o estudo. O telescópio Kepler permite identificar planetas em sistemas distantes medindo a quantidade de luz que eles bloqueiam quando passam na frente das estrelas que orbitam, ou seja, o equipamento não "enxerga" o planeta diretamente.

O Kepler-186f, que orbita a estrela anã Kepler-186, fica na constelação do Cisne, a cerca de 500 anos-luz da Terra. Ele é o quinto e mais afastado de um sistema de cinco planetas, todos com tamanho parecido com o da Terra.

"É extremamente difícil detectar e confirmar planetas do tamanho da Terra, e agora que encontramos um, queremos encontrar mais", disse em uma teleconferência Elisa Quintana, pesquisadora do Instituto para a Busca de Inteligência Extraterrestre (SETI).

Descobertas do Kepler
Em fevereiro, a agência espacial americana anunciou que o telescópio Kepler, que orbita a 149,5 milhões de quilômetros da Terra há cinco anos, tinha acrescentado 715 exoplanetas à lista de mil corpos que orbitam estrelas a uma distância que torna possível a existência de água e, portanto, de vida.

A busca de planetas similares à Terra é uma das maiores aventuras na pesquisa espacial, e embora já tenham sido detectadas centenas de planetas do tamanho do nosso e outros menores, eles circulam em órbitas próximas demais de suas estrelas para que haja água líquida em sua superfície.

Ilustração da Nasa mostra comparação entre a Terra e o Kepler-186f (Foto: Nasa)

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"As chances de haver vida em outros planetas são muito altas" (Veja)
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Uma galáxia com 40 bilhões de Terras (Veja)
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Observatório Gemini contribui para detecção do exoplaneta Kepler-186f (Portal Brasil)
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Existe um planeta igual à Terra? (Diário do Grande ABC)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma possível lua fora do Sistema Solar


(Mensageiro Sideral - Folha) Pela primeira vez, astrônomos afirmam ter encontrado possíveis sinais de uma lua fora do Sistema Solar. Bacana.

Agora as más notícias. Pode ser simplesmente uma estrela com um planeta, e lua nenhuma. E o pior: nunca saberemos.

O motivo é a técnica envolvida na observação. Ela explora um fenômeno conhecido como “microlente gravitacional”. Isso acontece quando um objeto mais próximo passa à frente de uma estrela mais distante, com relação a nós.

A gravidade do objeto mais próximo curva os raios de luz da estrela distante, como se fosse uma lente. Ao observar os padrões da microlente, os astrônomos tentam adivinhar detalhes do objeto que a produziu — e de possíveis astros muito discretos para serem notados numa observação direta.

No caso em questão, a única coisa que o grupo internacional composto por pesquisadores do Japão, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos conseguiu determinar é que dois objetos diferentes produziram a microlente, e um tem 2.000 vezes mais massa do que o outro.

Conhecendo as possibilidades astrofísicas que isso traz, das duas uma: ou temos um planeta errante (ou seja, que vaga pelo espaço sem girar em torno de uma estrela) um pouco maior do que Júpiter com uma lua menor que a Terra, ou temos uma estrela discreta com um planeta cerca de 18 vezes mais massivo que o nosso.

É basicamente a diferença entre uma coisa nunca antes observada e o mais banal dos achados. E nunca saberemos. “Não teremos a chance de observar a exolua candidata novamente”, afirma David Bennett, da Universidade de Notre Dame, nos EUA, autor principal do trabalho, publicado nas páginas do “Astrophysical Journal”.

A CAÇA ÀS LUAS
Muitos astrônomos estão concentrados na busca de satélites naturais em torno de planetas fora do Sistema Solar. Por quê? Porque eles podem muito bem ser ótimos abrigos para a vida.

Imagine um planeta gigante, como Júpiter, só que localizado a uma distância de sua estrela similar à que a Terra guarda do Sol. Como a bola gasosa que é, ele continuaria tão inabitável como de costume. Mas o que dizer de luas que estejam ao seu redor? Não é difícil imaginar múltiplos satélites naturais capazes de abrigar vida!

Temos um viés natural de procurar os alienígenas em planetas como a Terra, mas talvez as luas sejam as maiorais no que diz respeito ao desenvolvimento de biosferas. Por isso os cientistas estão tão ansiosos em saber o quanto o Sistema Solar é típico ou exótico, em termos de suas luas.

Por ora, contudo, teremos de nos contentar somente com esse quase achado, que não diz quase nada sobre esse assunto…
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Um exoplaneta diferente


(Fundação Planetário) Os quase 1.500 planetas extrassolares, ou exoplanetas, não são visíveis diretamente por nossos olhos. Várias técnicas são utilizadas para descobri-los, como o trânsito (uma espécie de eclipse), velocidade radial, etc. Mesmo assim, podemos obter várias características destes objetos, como sua distância à estrela central, seu tamanho e sua massa.

Um exoplaneta, o HD 106906 b, apresenta características que intrigam os cientistas. Ele está muito distante da estrela em torno da qual orbita. Cerca de 650 vezes a distância Terra-Sol. Sua massa é 11 vezes a do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter. Ele foi observado através da radiação infravermelho, pois apresenta uma emissão de calor ainda alta, por ter pouca idade (13 milhões de anos apenas), como resquício de sua formação.

A questão é que ele não possui massa suficiente para ter sido uma estrela – para isso seria necessário ter pelo menos 8 vezes mais do que tem. Nos sistemas duplos de estrelas, em que elas estão girando ao redor de um centro de massa comum, a relação entre as massas não é maior que 10 para 1. Neste caso, a relação está em 100 para 1, ou seja, a massa da estrela é 100 vezes maior que a do planeta.

Outro problema ainda não compreendido é a criação de um planeta gasoso gigante a essa distância. Nenhum modelo explica a sua formação, pois não haveria massa suficiente disponível naquela região.

O caminho mais possível é que os dois astros foram formados de nebulosas próximas e, por influência da gravidade, se juntaram. O hoje exoplaneta não conseguiu, por um motivo ainda desconhecido, juntar massa suficiente para começara a fusão nuclear e virar uma estrela.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Habitabilidade: O caso das estrelas mais quentes da classe F


(Eternos Aprendizes) Quando se trata de planetas habitáveis​​, nós focamos naturalmente em estrelas como o nosso Sol. Mas, cada vez mais atenção tem sido dada para estrelas menores e mais frias do que o Sol. Anões vermelhas da classe M têm zonas habitáveis próprias diminutas mas interessantes e certas vantagens quando se trata de detectar planetas terrestres. As estrelas anãs laranjas, classe K, também são notáveis, com um candidato de destaque, Alpha Centauri B, existente no nosso quintal estelar. O que não se examinou até agora com a mesma intensidade, porém, são as estrelas um pouco mais massivas e quentes do que o Sol e agora um novo trabalho sugere que isso é uma falha…

Manfred Cuntz (Universidade do Texas em Arlington), trabalhando com o estudante de graduação Satoko Sato, tem liderado um trabalho que estuda as estrelas de classe F. Os cientistas pensam que este tipo é em geral problemático para sustentar a vida por causa dos altos níveis de radiação ultravioleta que as estrelas classe F emitem. Junto com pesquisadores da Universidade de Guanajuato (México), Cuntz e Sato sugerem que devemos dar uma olhada mais de perto nas estrelas F, especialmente considerando que elas oferecem uma zona habitável muito mais ampla onde os exoplanetas que sustentam a vida poderiam florescer.


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sexta-feira, 28 de março de 2014

Planeta sem futuro


(Fundação Planetário) Para quem não está acostumado com a nomenclatura em Astronomia, Kepler 78b pode parecer um nome estranho para um planeta. Foi descoberto pelo satélite astronômico Kepler, razão do nome do planeta. Entretanto, algumas de suas características são bem mais estranhas, tornando-o um alvo atraente de estudo.

Kepler 78b está localizado na constelação do Cisne e dista 400 anos-luz. Seu tamanho, apenas um pouco maior que o da Terra, faz com que seja o planeta extrassolar, descoberto de forma direta (por reflexão da luz da estrela central), mais parecido com o nosso planeta.

Sua órbita é bem mais extraordinária: ele está 40 vezes mais próximo da estrela central do que Mercúrio está do Sol, por exemplo. Note-se que Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. O raio orbital de Kepler 78b é apenas três vezes o raio da estrela central. Estando tão próximo da fonte de calor, a temperatura pode passar dos 3000°C, tornando-o inabitável (até a rocha fica líquida nessa temperatura).

O curioso é que, segundo os modelos de formação de planetas, Kepler 78b não poderia ser formado numa órbita tão pequena. É atualmente um enigma para os especialistas, que acreditam que o planeta será dragado gravitacionalmente pela estrela central em até 3 bilhões de anos.

A pequena órbita de Kepler 78b produz outra curiosidade: o planeta dá uma volta ao redor da estrela central em apenas 8 horas e meia. Ou seja, em um dia na Terra, se passam dois "réveillons" no planeta. Motivos para comemorar, nesse caso, não existem, pois cada ano que passa, para o planeta, o aproxima da destruição inevitável.