sexta-feira, 4 de julho de 2014

Estudo diz que é falsa a existência de dois planetas semelhantes à Terra

Exoplanetas 'Gliese d' e 'Gliese g' são, na verdade, manchas solares. Possíveis massas estavam a 22 anos-luz de distância.

(France Presse/G1) Cientistas dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (3) que dois planetas distantes, mas semelhantes à Terra, e que alguns acreditavam que pudesse abrigar vida inteligente, na verdade não existem e foram confundidos com manchas solares.

O polêmico par de planetas, denominados Gliese d e Gliese g, a 22 anos-luz de distância, integram um conjunto de planetas potencialmente similares à Terra, que foram identificados por astrônomos.

Distantes demais para ser observados a olho nu ou com um telescópio, foram descobertos graças a uma técnica chamada de "velocidade radial Doppler", na órbita de uma estrela fria e vermelha chamada Gliese 581. O método capta luz estelar (a mais sensível) do telescópio e analisa seus comprimentos de onda. Ele pode, inclusive, revelar a messa de um planeta.

Mas astrônomos da Universidade Estadual da Pensilvânia (nordeste) agora descobriram que Gliese 581 g e d não eram planetas, mas um sinal confuso de uma estrela. "O que acreditávamos anteriormente que fosse um sinal planetário, foi causado por uma atividade estelar", disse Suvrath Mahadevan, coautor do estudo, publicado na revista "Science" e professor assistente do departamento de Astronomia e Astrofísica.

Interferência de sinal
Em outras palavras, os campos magnéticos ou as manchas solares podem ter interferido no sinal que os astrônomos estavam interpretando. O estudo destacou que "a intensa atividade magnética estelar (...) criou falsos sinais planetários para (Gliese) d e g".

Os cientistas já tinham descartado a existência de um terceiro planeta, Gliese f. Os astrônomos têm duas formas de detectar planetas remotos. A missão Kepler, da Nasa, observa a luz tênue de uma estrela quando um planeta passa em frente a ela. Essa técnica pode indicar aos astrônomos o tamanho aproximado de um planeta, mas não a massa.

Outra forma, a única usada no estudo da Science, é a mencionada velocidade radial Doppler. "Os astrônomos fizeram um grande avanço, sendo capazes de detectar planetas similares à Terra (de pequeno tamanho, massa leve e com distâncias similares às suas estrelas)", disse Eric Ford, professor de Astronomia na Universidade da Pensilvânia e que não participou do estudo. Mahadevan disse que são necessários mais estudos para determinar quantos planetas semelhantes à Terra descobertos poderiam ser um único sinal equivocado, disse.
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Cachinhos Dourados, não foi dessa vez! (Cássio Leandro Dal Ri Barbosa - G1)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Super-Terra vizinha à distância ideal mas com condições extremas


(Astronomia On Line - Portugal) Um mundo recém-descoberto poderá ser capaz de sustentar vida - e está a "poucos passos" da Terra de um ponto de vista cósmico.

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um exoplaneta na zona habitável da estrela Gliese 832 - a gama de distâncias que podem permitir a existência de água líquida à superfície de um planeta. Conhecido como Gliese 832c, situa-se a 16 anos-luz da Terra (em comparação, a nossa Galáxia mede cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro; a estrela mais próxima da Terra [além do Sol], Proxima Centauri, está a 4,2 anos-luz de distância).

Gliese 832c é uma "super-Terra" com pelo menos cinco vezes a massa do nosso planeta, e completa uma órbita em torno da sua estrela-mãe a cada 36 dias. Mas essa estrela é uma anã vermelha, muito mais ténue e fria que o nosso Sol, por isso Gliese 832c recebe aproximadamente a mesma energia estelar que a Terra, apesar de orbitar muito mais perto.

De facto, segundo uma medida normalmente usada, Gliese 832c é um dos três exoplanetas mais semelhantes à Terra já descobertos, comenta Abel Mendez Torres, director do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico em Arecibo.

"O Índice de Similaridade com a Terra (ESI, Earth Similarity Index) de Gliese 832c (ESI=0,81) é comparável com Gliese 667Cc (ESI=0,84) e Kepler-62e (ESI=0,83)," escreveu Mendez num blog. Uma gémea perfeita da Terra teria um ESI de 1.

"Isto torna Gliese 832c um dos três planetas mais parecidos com a Terra, de acordo com o ESI (isto é, com respeito ao fluxo estelar e massa da Terra) e o mais próximo da Terra dos três - um objecto ideal para observações de acompanhamento," acrescenta.

A equipa liderada por Robert Wittenmyer, da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália, descobriu Gliese 832c ao notar pequenas oscilações que a gravidade do planeta provocava no movimento da sua estrela hospedeira.

Observaram estas oscilações em dados recolhidos por três instrumentos diferentes - o Espectrógrafo Echelle da University College London acoplado ao telescópio Anglo-Australiano na Austrália, o PFS (Planet Finder Spectrograph) de Carnegie acoplado ao telescópio Magalhães II no Chile e o espectrógrafo HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), que faz parte do telescópio de 3,6 metros do Observatório La Silla do ESO no Chile.

Gliese 832c é o segundo planeta a ser descoberto em torno da estrela Gliese 832. O outro, Gliese 832b, foi descoberto em 2009; é um gigante gasoso que orbita muito mais longe da estrela, completando uma órbita em aproximadamente 9 anos.

"Até agora, os dois planetas de Gliese 832 são uma versão reduzida do nosso próprio Sistema Solar, com um planeta potencialmente tipo-Terra mais interior, e um planeta gigante mais exterior, parecido com Júpiter," acrescenta Mendez.

No entanto, de momento não se sabe quão Gliese 832c se assemelha com a Terra. De facto, os seus descobridores pensam que o mundo recém-descoberto pode ser mais parecido com Vénus, com uma espessa atmosfera que levou a um efeito estufa descontrolado.

"Dada a grande massa do planeta, parece provável que tenha uma grande atmosfera, o que pode tornar o planeta inóspito," escreve Wittenmyer e sua equipa no artigo científico, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. "Na verdade, é mais provável que GJ [Gliese] 832c seja um 'super-Vénus', com um significativo efeito estufa."
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Matéria similar no G1
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Um Sistema Solar em miniatura (Mensageiro Sideral - Folha)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Nova técnica permite determinar massa de exoplanetas quando os demais métodos falham


(Eternos Aprendizes) Até junho de 2014, os cientistas já detectaram a existência de quase 1.800 exoplanetas em mais de 1.100 sistemas extrasolares. Para determinar se estes mundos distantes são potencialmente habitáveis, precisamos conhecer sua massa. Tal informação pode ajudar os cientistas a discernir se o exoplaneta é feito de gás ou rocha e outros materiais que suportam a vida.

Entretanto, infelizmente, as técnicas atuais para estimar a massa exoplanetária são limitadas. A velocidade radial é o principal método usado pelos cientistas: análise das pequenas oscilações na órbita da estrela à medida que é puxada pela força gravitacional do exoplaneta. Com essas medidas os cientistas podem derivar a relação da massa entre o exoplaneta e sua estrela hospedeira. Para exoplanetas muito grandes, com o tamanho de Netuno ou maiores, ou para corpos menores como a Terra, orbitando muito próximo de estrelas brilhantes, a velocidade radial funciona relativamente bem. Infelizmente, a técnica tem menos sucesso com exoplanetas menores que orbitam relativamente afastados de suas estrelas, tal como a Terra o faz.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

100 milhões de planetas na nossa Galáxia podem albergar vida complexa


(Astronomia On Line - Portugal) De acordo com um estudo publicado a semana passada por dois cientistas anteriormente da Universidade do Texas em El Paso (UTEP) e colegas na sua revista online, Challenges, o número de planetas em que a vida complexa poderá existir na Via Láctea poderá ser tão alto quanto 100 milhões.

Segundo o autor principal do artigo já revisto por pares, o Dr. Louis Irwin, Professor Emérito e ex-presidente do departamento de Ciências Biológicas da UTEP, "isto constitui a primeira estimativa quantitativa do número de mundos na nossa Galáxia que podem abrigar vida acima do nível microbiano, com base em dados objectivos."

Irwin e colegas examinaram a lista crescente de mais de um milhar de exoplanetas conhecidos (planetas noutros sistemas estelares). Usando uma fórmula que considera a densidade planetária, temperatura, substrato (líquido, sólido ou gasoso), a química, a distância da sua estrela central, e idade, a equipa de Irwin calculou um "índice de complexidade biológica (ICB)", que classifica os planetas numa escala de 0 a 1,0 de acordo com o número e grau de características assumidas como importantes para o suporte de múltiplas formas de vida multicelular.

O cálculo do ICB revelou que 1 a 2 por cento dos exoplanetas mostrou uma classificação superior à de Europa, uma lua de Júpiter que se pensa ter um oceano global abaixo da superfície que poderá abrigar formas diferentes de vida. Com base numa estimativa muito conservadora de 10 mil milhões de estrelas na Via Láctea, e assumindo uma média de um planeta por estrela, isto gera o número de 100 milhões. Poderia ser 10 vezes maior, se considerarmos um número maior de estrelas na nossa Galáxia.

Irwin salientou que o estudo não indica que a vida complexa existe em assim tantos planetas - apenas que as condições planetárias para o seu suporte existem. Também observa que vida complexa não significa vida inteligente (embora não a descarte), ou mesmo vida animal, mas simplesmente que organismos maiores e mais complexos que os micróbios poderiam existir num número de diferentes formas, provavelmente formando teias alimentares estáveis, como aquelas encontradas nos ecossistemas da Terra.

"Outros cientistas têm tentado fazer suposições educadas sobre a frequência de vida noutros mundos com base em palpites hipotéticos, mas este é o primeiro estudo que se baseia em dados observáveis de corpos planetários reais para lá do nosso Sistema Solar," acrescenta Irwin.

Apesar do grande número absoluto de planetas que possam abrigar vida complexa, a Via Láctea é tão grande que, estatisticamente, planetas com valores altos de ICB estão muito distantes uns dos outros. Um dos sistemas extrasolares mais próximos e promissores, conhecido como Gliese 581, tem possivelmente dois planetas com a capacidade aparente para albergar biosferas complexas, mas a distância entre o Sol e Gliese 581 é de cerca de 20 anos-luz. Um ano-luz é a distância que a luz percorre num ano.

A maioria dos planetas com um alto ICB está muito mais longe. Se os 100 milhões de planetas que a equipa de Irwin diz terem a capacidade teórica para hospedar vida complexa estiverem distribuídos aleatoriamente por toda a Galáxia, estariam em média a cerca de 24 anos-luz de distância entre si.

"Por um lado," conta Irwin, "parece altamente improvável que estejamos sozinhos. Por outro, estamos provavelmente tão longe de outras formas de vida ao nosso nível de complexidade, que um encontro com tais formas alienígenas é extremamente improvável no futuro próximo."

Os co-autores do estudo incluem Dirk Schulze-Makuch, ex-professor adjunto de Ciências Geológicas da UTEP, agora na Universidade Estatal de Washington, Alberto Fairén da Universidade Cornell, e Abel Méndez, da Universidade de Porto Rico em Arecibo. Há dois anos atrás, estes mesmos cientistas fizeram parte da equipa que publicou um "Índice de Similaridade com a Terra (IST)", que classifica exoplanetas também numa escala de 0 a 1,0, de acordo com a sua parecença com a Terra.

Não surpreendentemente, os valores mais elevados de ICB tendem a ser correlacionados com os valores mais elevados de IST, mas há algumas excepções. "Os planetas com os maiores valores de ICB tendem a ser maiores, mais quentes, e mais antigos que a Terra," afirma Irwin, "de modo que qualquer busca de vida complexa e inteligente que está restrita apenas para planetas como a Terra, ou para a vida como a conhecemos na Terra será, provavelmente, demasiado redutora."
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